Rafael Marques, colaborador do comitê, aponta que o desafio do poder público em todas as 21 cidades abrangidas pelo órgão consultivo, é promover ações práticas para promover o tratamento de esgoto.
Rafael Marques, colaborador do comitê, aponta que o desafio do poder público em todas as 21 cidades abrangidas pelo órgão consultivo, é promover ações práticas para promover o tratamento de esgoto.

Angelica Brunatto
Tubarão

Falta de rede de tratamento de esgoto, crescimento desordenado das cidades, desmatamento e assoreamento são os principais problemas que afetam os mananciais da Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão. Uma das questões mais agravantes é o esgoto. Nas 21 cidades que compõem a bacia, apenas 4% dos dejetos passam pelo processo de tratamento.

Este número corresponde a estrutura de apenas dois municípios: São Ludgero e Orleans. No restante, o esgoto é despejado sem tratamento nenhum. Gravatal, Braço do Norte, Imbituba e Laguna também começaram a implantar redes de coleta e tratamento, mas ainda é pouco. E este será o grande desafio do poder público nos próximos anos, avalia o consultor do comitê, Rafael Marques.

Além deste problema comum em todas as cidades, cada sub-região que compõem a bacia possui um agravante específico. Perto da nascente do Rio Tubarão, na encosta da Serra, por exemplo, o que afeta a água é a mineração.

“O PH é muito baixo e a deixa ácida”, detalha Rafael. No Vale do Braço do Norte, o dejeto da suinocultura ainda é um problema a ser solucionado. Com a previsão da instalação de uma usina de biogás, na comunidade de São Maurício, a situação poderá mudar e para melhor.

Em Tubarão, o esgoto e o assoreamento das margens do rio, devido ao desmatamento da mata ciliar, ajudam a acabar, dia a dia, com a pouco vida que ainda consegue manter-se. “Mas ainda temos chances de salvá-lo. Os problemas já estão apontados, o que falta é colocar as ações em prática”, considera Rafael.

Áreas de Preservação Permanente
Para evitar a degradação das águas da Bacia do Rio Tubarão, e de qualquer outra, o colaborador do comitê, Rafael Marques, explica que todas as Áreas de Preservação Permanente (APPs) devem ser realmente preservadas, algo que hoje, na prática, não ocorre. Ele salienta ainda que, ao contrário do que se pensa, a bacia do Tubarão não é uma das piores em Santa Catarina. “No oeste, existem locais muito mais degradados em função da agroindústria e da estiagem”, compara.

Evento celebra a água

Além do Comitê da Bacia do Rio Tubarão, a Cidade Azul também conta com outras pessoas que trabalham em prol da preservação do meio ambiente. Com a atenção voltada para o salvamento do Rio da Madre, o cidadão Leonildo da Silva esforça-se para que ações saiam do papel.

“Projetos existem, o que falta é interesse político. O salvamento e preservação dos mananciais da nossa região é prioridade somente no discurso”, lamenta Leonildo. O Rio da Madre, é um braço do Tubarão. São  22 quilômetros de extensão que servem 20 mil pessoas. A beleza é inconfundível, assim como o mau cheiro em virtude do esgoto.

Para reforçar a luta em defesa dos mananciais e, inclusive, apontar possíveis soluções, Leonildo e outras Organizações Não-Governamentais (ONGs) promovem, nesta quinta-feira, um evento alusivo ao Dia Mundial da Água. A ação, que visa chamar a atenção da população à questão, será realizada na praça Pery Camisão (onde ocorre o Dia D), no centro de Tubarão. Escolas já foram convidadas para participar.

Projeto Nascentes
Desde 2009, o Comitê da Bacia do Rio Tubarão já recuperou 45 nascentes na região. O trabalho é feito por voluntários e consiste no cercamento de uma área de 600 metros quadrados, a partir do ponto onde está a nascente. Árvores frutíferas são plantadas para atrair pássaros. Em cada um destes 45 pontos recuperados, é feita a análise de água periodicamente.