Zahyra Mattar
Tubarão

Quando o assunto é HIV/Aids, os números não são dos melhores, sempre preocupam, porque, na maioria das vezes, são crescentes. Nas cidades de abrangência da 20ª Gerência da Saúde (região de Tubarão e Braço do Norte), 515 pessoas têm Aids. Destes, 330 são homens adultos e 185 são mulheres. Conforme orientação do Ministério da saúde, para cada um caso da doença, há pelo menos mais três pessoas com HIV ou Aids. Desta forma, é possível afirmar que mais de 1,5 mil pessoas convivem com o vírus de alguma forma na região. Mais de mil delas estão em Tubarão.

O número, além de assustador, revela que a região de Tubarão segue a mesma tendência do Brasil e do estado, ou seja, a Aids adentra o caminho da interiorização, a feminilização e ainda a pauperização. “No começo da epidemia, a doença era mais verificada em homens, de classe média alta e residentes em grandes centros urbanos. Hoje, o vírus é verificado nas cidades pequenas, principalmente entre as mulheres que vivem relações estáveis e de classes mais baixas”, confirma a coordenadora regional do programa de DST/Aids, Kalinka Mattos Gomes.

Outro dado que chama a atenção é a transmissão em gestantes. São 79 casos da região de Tubarão e Braço do Norte (o valor é de mães já com a doença). Destas, 12 são entre garotas de até 19 anos, enquanto a maioria dos registros está entre mulheres entre 20 e 39 anos: 66 pessoas. “Nas grávidas, isso não se concretiza, mas, no restante das pessoas já doentes, a principal dificuldade é fazê-las entender a importância de aderir ao tratamento. Grande parte desiste porque acha que não vale a pena. E isso não é verdade”, explica Kalinka.

Para se ter uma ideia, somente nos primeiros cinco meses deste ano (de janeiro até maio), a 20ª gerência de saúde em Tubarão gastou R$ 61.662,76 somente com medicamentos. “Este valor poderia ser menor se houvesse maior prevenção. Hoje, as pessoas precisam entender que não há mais grupos de risco, e sim atitudes de risco”, pontua Kalinka.

Crianças
Atualmente, 12 crianças são tratadas na região em decorrência de terem desenvolvido a Aids. Em Tubarão, são seis, cinco delas são meninas. O que mais preocupa é a falta da realização do teste nas mães, já que as crianças que nascem com HIV têm oportunidade de negativar a doença com o tratamento pós-parto.