Enquanto alguns professores estão paralisados, a maioria continua os seus trabalhos normalmente
Enquanto alguns professores estão paralisados, a maioria continua os seus trabalhos normalmente

 

Zahyra Mattar
Tubarão
 
No segundo dia da greve dos professores da rede pública estadual, ontem, dados das 36 gerências regionais de educação apontam que a adesão ao movimento segue tímida. Poucos servidores paralisaram as atividades. Cerca de 17 mil alunos, em todo o estado, ficaram sem aulas. 
 
Na região, o número não difere muito da realidade geral. Segundo o levantamento oficial realizado pela 20ª gerência de educação em Tubarão, o movimento atinge menos de 1% dos trabalhadores. Ao todo, cerca de dez profissionais, dos 1,2 mil docentes lotados, seguem de braços cruzados desde segunda-feira, quando a greve iniciou.
 
“Os primeiros dias são sempre mornos, com a construção do movimento. Além disso, nesta semana, muitas instituição estão em conselho de classe e reuniões pedagógicas. Boa parte dos educadores quer, antes, fechar as notas bimestrais, para depois engrossar nosso movimento”, informa uma das coordenadoras regionais do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte) em Tubarão, Terezinha Botelho Martins.
 
Com isso, é bastante possível que os números do estado e do Sinte comecem a apresentar crescente discrepância a partir do fim desta semana. Hoje de manhã, na sede do sindicato, em Florianópolis, ocorre a primeira reunião geral da greve. Novas diretrizes devem ser anunciadas.
 
Por ora, o canal de negociação entre estado e sindicato segue fechado. Na semana passada, antes da assembleia que deflagrou o movimento, o secretário estadual de educação, Eduardo Deschamps, afirmou que não irá apresentar nova proposta aos docentes. Os professores exigem o pagamento do reajuste de 22,22%, assegurado na lei nacional do piso do magistério.
 
 
Alunos em sala de aula
 
Angelica Brunatto
Tubarão
 
Nenhum dos alunos entre o 1º ano do ensino fundamental e o 3º do médio, da Escola Estadual de Educação Básica Martinho Alves dos Santos, do bairro São Martinho, em Tubarão, está prejudicado por causa da greve dos professores estaduais. Todos os docentes continuam em sala de aula e passam o conteúdo programado para os estudantes.
 
Conforme o diretor, José da Silva Thiesen, ainda não há indícios de que a greve ocorra tão cedo na unidade. “Nossos professores estão ‘medindo a febre’. A tendência é que os serviços continuem normais”, avalia.
 
Conforme o diretor, muitos dos professores têm medo de aderir ao movimento, principalmente os contratados em caráter temporário (ACT). “Eles têm receio de que haja algum desconto na folha de pagamento”, revela. Na escola, há 40 professores efetivos e 20 ACTs. 
 
Mesmo com a greve já deflagrada em outras unidades do estado, José explica que os educadores e funcionários da unidade escolar trabalham em projetos da escola já programados no início do ano letivo. “Por exemplo, estamos organizando os preparativos para a nossa festa junina, que deve ocorrer nos próximos meses”, afirma o diretor. 
 
Outras instituições de ensino da cidade também estão de portas abertas. Esta é uma prova de que o movimento grevista ainda está fraco, tanto na região quanto no estado. São poucos os educadores de braços cruzados.
 
 
Propostas recusadas até o momento
 
Primeira tentativa
• No dia 14 do mês passado, o estado ofereceu o pagamento do reajuste de 22,22%, previsto na lei do piso nacional do magistério, mas apenas para os professores em início de carreira.
• O retroativo a janeiro e fevereiro seria pago em duas parcelas (julho e setembro).
• Para os educadores com graduação e especialização, a intenção é dividir o pagamento do reajuste em três parcelas: uma este ano e as outras em 2013 e 2014.
• Em assembleia no dia seguinte, a proposta foi integralmente rejeitada por unanimidade. Nesta mesma ocasião, os professores votaram pelo estado de greve.
 
Segunda tentativa
• No último dia 16, o governo do estado fez uma nova proposta aos professores. Paga 8% do reajuste de 22,22% para todos os servidores do estado, inclusive aos professores.
• Apenas para os educadores o estado está disposto a bancar o percentual de 14,22% (22,22% menos os 8%).
• O pagamento seria feito de forma parcelada, até dezembro do próximo ano. A primeira parcela seria quitada em agosto deste ano e a segunda somente em janeiro de 2013.
• No dia seguinte, em assembleia estadual, os docentes recusaram a proposta e votaram pela greve.