Zahyra Mattar
Tubarão

No Brasil, os acidentes de transporte terrestre (ATTs) ocupam a segunda posição entre as mortes por causas externas. São ultrapassados ‘apenas’ pelos homicídios. Com relação às mortes causadas pelo trânsito, o país apresenta números muito elevados de óbitos. Foram 35.155 óbitos causados por ATTs no ano passado. Os dados referente a 2008 não estão prontos, mas não diferem muito do apresentado.

Santa Catarina tem o pior indicador nacional quando o assunto é acidente de trânsito. O estado só perde para Minas Gerais. Mas comparar um local com outro é até absurdo, já que o número de habitantes e de veículos lá é bem maior. Na Amurel, não existe um órgão específico que colete e processo quantas ocorrências. A maioria dos traumas atendidos no Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), em Tubarão, por exemplo, é advinda de acidentes de trânsito. Sabe-se, superficialmente, que a proporção é de 80% dos atendimentos de trauma.

Em Tubarão, os acidentes de trânsito representam de 30% a 35% das ocorrências registradas diariamente pelas polícias. No Samu, esta taxa é de 13%. Em meio aos dados assustadores, está uma crescente preocupante. A combinação jovem, motocicleta e irresponsabilidade. Mesmo com tantas campanhas educativas, os jovens são os que mais perdem a vida no trânsito. E na maioria das vezes estão em motociclistas. Em Tubarão, de todos os acidentes de trânsito atendidos pela polícia, 33,78% das vítimas são desta categoria.

Outro fator complicador em boa parte das ocorrências há o envolvimento do motorista (tanto de motocicleta quanto de carros de passeio) com álcool ou drogas. Neste ponto, o que mais chama atenção é que, com a aprovação da ‘Lei Seca’, o número de acidentes de trânsito caiu, comprovadamente, entre 30% e 40% em todo o país, ainda que os dados parecem mostrar o contrário. Somente daí é possível voltar no tempo e tentar imaginar qual a realidade em 2006, por exemplo, quando a ‘Lei Seca’ não existia.

Um dado que comprova a gravidade é disponibilizado pelo Ministério da Saúde. A partir de 1998, os municípios que não fazem parte das regiões metropolitanas (caso de todas as cidades da Amurel, por exemplo) passaram a assumir os maiores riscos de morte causada pelo trânsito, principalmente por conta da elevação das taxas de ocupantes de veículos e de motocicletas.
Os óbitos de motociclistas saltaram de 300 em 1990 para mais de sete mil em 2007. Os maiores riscos de morte foram nas faixas etárias de 15 a 39 anos, nos municípios de porte populacional menor que 100 mil habitantes e entre as regiões estão a sul, a centro-oeste e a nordeste, as que apresentaram mais riscos.

Números
As regiões centro-oeste e sul são as que mais registram acidentes de transporte terrestre (ATTs). Santa Catarina, Mato Grosso e Paraná são os estados que apresentam as maiores taxas.
O atropelamento de pedestres (27,9%) é a maior causa de morte. Na avaliação da taxa específica de idade, observa-se maior frequência entre as crianças e os idosos acima de 60 anos, com taxa de 15,7 por 100 mil habitantes – quase o dobro do que ocorre na faixa de 40 a 59 anos (8,3 por 100 mil habitantes).

Em segundo lugar, estão os ocupantes de automóveis (21%) e, em terceiro, estão os motociclistas (19,8%) – categoria que mais cresce a cada ano.
Em 2007, foram realizadas 11.721.412 internações nos hospitais do SUS no Brasil. Dessas, 123.100 (15%) foram devido a ATTs. Dos pacientes, 76,7% eram homens e 23,3% mulheres.
O gasto total dessas internações foi de R$ 117.947.085,46.
O valor gasto com as internações por ATT para cada 100 habitantes no Brasil, em 2007, foi de mais de R$ 69,1 mil.