O prospecto demonstra toda a beleza da nova Ponte de Cabeçuda.
O prospecto demonstra toda a beleza da nova Ponte de Cabeçuda.

Zahyra Mattar
Laguna

A homologação da licitação para a construção da nova ponte sobre o canal de Laranjeiras, na comunidade de Cabeçuda, na BR-101, em Laguna, ocorreu no dia 2 de março deste ano. Desde então, é aguardada a expedição da ordem de serviço para o início dos trabalhos, pelo consórcio Camargo Corrêa/M.Martins/Construbase.
Isto, contudo, está condicionado a algo importante: a liberação das licenças ambientais pelos respectivos órgão competentes. Sim, demora. Por quê? Não se trata de uma simples assinatura ou vistoria. São processos complexos, desafiadores aos órgãos ambientais.

No total, nove licenças serão expedidas. Três para a construção da ponte, propriamente dita, pelo Ibama. Outras três para o canteiro de obras, pela fundação Lagunense do Meio Ambiente (Flama). E mais três para a dragagem do Canal de Laranjeiras, pela gerência regional da Fatma em Tubarão.
Para que tanta licença? A resposta é bem óbvia: para garantir o cumprimento de todas as condicionantes que o trabalho exige. Até porque a própria obra é logística e tecnicamente complexa. Erros podem gerar problemas futuros irreversíveis. Daí todo cuidado.

Como está a análise em cada órgão

Para a construção da ponte propriamente dita, o consórcio Camargo Corrêa/M.Martins/Construbase já tem a prévia. Agora, é esperada a de instalação, que o Ibama poderá liberar ainda este mês, e depois a de operação.
Paralelamente, o grupo precisa das licenças referentes ao canteiro de obras, que será implantado no bairro Cohab. O terreno, de 11 hectares, fica às margens da SC-436 e segue até Lagoa de Santo Antônio dos Anjos.
Estas autorizações serão dadas pela Fundação Lagunense do Meio Ambiente (Flama). O grupo protocolou o pedido no dia 15 de julho. O órgão municipal aguarda o envio de alguns documentos complementares para fazer a expedição da Licença Ambiental Prévia (LAP).

Se estes documentos forem entregues nos próximos dias, a Flama deverá fazer a primeira liberação nesta ou na próxima semana. Junto, o consórcio receberá uma autorização para terraplenagem. Isto é possível porque este trabalho obedece a lei municipal específica.

Depois, serão analisados os documentos para a expedição da Licença Ambiental de Instalação (LAI), com a qual o grupo poderá começar a montagem do espaço. Este trabalho levará cerca de cinco meses e é orçado em R$ 50 mil.
Por último, é feita a expedição da Licença Ambiental de Operação (LAO. Simultaneamente, ainda são necessárias as três licenças ambientais para dragagem do Canal de Laranjeiras, por onde passarão as balsas.
Os documentos serão expedidos pela gerência regional da Fatma em Tubarão. O consórcio iniciou os procedimentos no dia 11 do mês passado e o órgão aguarda outros documentos solicitados e ainda não remetidos.

Saiba mais l qual a diferença entre as licenças ambientais

♦ Licença Ambiental Prévia (LAP)
É a licença concedida na preliminar de planejamento, uma vez cumpridos os requisitos básicos a serem atendidos durante a localização, instalação e operação. As leis de uso do solo municipais, estaduais ou federais devem ser observadas pelo empreendedor.

♦ Licença Ambiental de Instalação (LAI)
É concedida após a aprovação do projeto executivo com todos os requisitos atendidos por este projeto.

♦ Licença Ambiental de Operação (LAO)
É necessária para o início das atividades do empreendimento. Será concedida após as verificações do cumprimento dos requisitos condicionantes previstos na licença de instalação por órgão responsável.

A transposição do Canal de Laranjeiras

Assim que a ordem de serviço para o consórcio Camargo Corrêa/M.Martins/Construbase for dada, o grupo terá até 60 dias para iniciar os trabalhos. A nova ponte tem valor de contrato de R$ 597.190.345,20. Um deságio de 1,4% (índice arredondado) em relação ao valor máximo proposto na licitação: R$ 605.452.584,97. Uma economia de R$ 8.262.239,77 à União.
O projeto arrojado da transposição do canal de Laranjeiras foi desenvolvido pelo consórcio Engevix/Iguatemi, com proposta de R$ 2,73 milhões. A ponte terá 2.825 metros de comprimento, entre as comunidades de Bentos e Laranjeiras.

Fases da obra

1ª – Fundação
No solo embaixo da ponte, serão feitas escavações com 2,5 metros de diâmetro, que serão protegidas com camisas metálicas. A mais profunda ficará a 75,8 metros de profundidade. Essas estacas serão armadas com vergalhões de concreto e, depois, preenchidas com concreto. Quatro equipes trabalharão ao mesmo tempo, em pontos diferentes da ponte.

2ª – Construção dos pilares
Assim que a fundação estiver pronta, começa a construção dos pilares de concreto, que irão sustentar as aduelas. A primeira de cada pilar é chamada de aduela de disparo. Construída no próprio local, serve de apoio para receber as demais, que serão colocadas simultaneamente em sentidos opostos em relação ao pilar. Concluída a armação das aduelas em um vão, a estrutura é completada com as abas laterais, que também são pré-moldadas. Paralelamente às duas primeiras etapas, as aduelas e as abas começam a ser feitas no canteiro de obras logo ao início da obra e, assim que dois pilares contínuos ficarem prontos, elas serão automaticamente transportadas e colocadas na estrutura.

3ª – Colocação dos mastros
A parte estaiada do vão central será apoiada em dois mastros com 50 metros de altura em relação ao pavimento da ponte. Em cada lado dos mastros, serão instalados 14 cabos chamados de estais (serão 56 no total), que terão a função de sustentar e dar equilíbrio à estrutura.

4ª – Acabamento
Nesta fase, serão feitas a colocação de proteções nas laterais e no centro da ponte, a pavimentação do tabuleiro e a pintura de faixas.