A assistente social Mirian Esteves Côrrea afirma que 50% das famílias preferem meninas recém-nascidas
A assistente social Mirian Esteves Côrrea afirma que 50% das famílias preferem meninas recém-nascidas
Angelica Brunatto
Tubarão
 
Há 38 anos, o radialista Paulo Roberto Sachetti, de Tubarão, recebeu uma família do coração. Foi aos nove meses de vida. A adoção ocorreu durante a lua-de-mel dos pais recém-casados, em viagem a Salvador (BA).
Paulinho nunca teve vontade de conhecer a mãe biológica. “O amor dos meus pais supriu tudo. Para mim, meus pais são os verdadeiros”, declara. Ele está entre as dezenas de crianças adotadas todos os dias.
 
Em Tubarão, a procura por uma criança que precisa de um novo lar é bastante grande. Hoje, há 33 cadastrados aptos à espera de um novo filho. ”Ainda existem outros 14 que esperam para a realização de um curso de preparação”, conta a assistente social do fórum de Tubarão, Mirian Esteves Correa.
 
Este curso é uma etapa obrigatória para os novos pais. É quando as assistentes sociais ensinam os pretendentes a passarem por diversas situações como a dificuldade de adaptação das crianças.
Antes, os pais devem passar por outras etapas. A primeira delas é uma conversa com as assistentes sociais. Depois, começam as entrevistas, uma ficha é preenchida com as intenções, e as casas são visitadas.
 
Na Cidade Azul, pelo menos 50% dos interessados procuram por meninas recém-nascidas, de cor branca. “Porém, realizamos também um trabalho para incentivar a adoção multirracial, tardia e de irmãos”, relata Mirian.
 
A assistente social lembra que os irmãos não podem ser separados na hora da adoção. Em Tubarão, a maioria das crianças que vão para a adoção tem entre 5 e 7 anos.
 
Segredo de justiça
Todo o processo de adoção é feito em segredo de justiça. A mãe que entrega o filho para a adoção, ou os pais que perdem o poder sobre a criança não sabem quem vai adotar. O mesmo ocorre do outro lado. Porém, se for da vontade do filho, ou por causa de um problema de saúde, é possível consultar os processos e procurar os pais biológicos.
 
Como a criança vai para a adoção
Uma criança só pode ser adotada após os pais perderem o direito sobre ela. Todo o processo começa através do Conselho Tutelar, que realiza visitas nas casas após denúncias de maus tratos e negligência. 
O principal motivo para que as crianças sejam afastadas do pais é as drogas. Quando é registrado algum destes fatores, a criança é encaminhada à família, que pode ser algum avô ou tio. Todo o processo é feito judicialmente.
Caso se entenda que a criança não tem condições de permanecer com os pais ou com outros membros da família, é encaminhada para uma entidade de acolhimento. Ela permanece no local até o término do processo de destituição familiar. Só depois ela pode ser encaminhada para a adoção.
Porém, elas não permanecem por muito tempo na entidade. Após o término do processo, as assistentes sociais procuram por um pretendente que mais se adeque ao perfil da criança, em um cadastro na internet. Caso não seja encontrado alguém em Tubarão, ela pode ser encaminhada para outra cidade ou até estado.
 
Para Paulo Roberto Sachetti, o amor da mãe adotiva supriu todas as necessidades 
Arquivo de família/Divulgação/Notisul