Zahyra Mattar
Tubarão

O analista de sistemas Cássio Nandi Citadin, 23 anos, aprendeu literalmente na prática o quanto realmente custa perder as “rédeas do bolso”. No ano passado, ele empolgou-se um pouco além da conta com os presentes de Natal e gastou mais do que tinha planejado. Resultado: passou alguns meses deste ano pagando contas. Inteligente, ele mudou de postura.

“Os economistas dizem que devemos guardar para pagar as dívidas, mas desta vez eu não tenho nenhuma, então vou guardar o 13º salário todo na poupança. Quero ajudar a minha irmã a comprar um imóvel. Além disso não vou cair na tentação no Natal. É um presentinho de cada”, ensina Cássio.

E é justamente a atitude do jovem trabalhador que deve ser seguida por todos. Tem dívidas: pague com o 13º. Não tem: faça a listinha de prioridades e procure guardar o que não usar. Afinal, janeiro é mês de pagar uma porção de ‘coisas’ que começam com ‘i’: IPTU, IPVA…

Obviamente cada pessoa tem uma necessidade diferente. Quem não tem filhos, por exemplo, pode optar por guardar pelo menos a metade. Quem tem, deve pensar que logo no começo do próximo ano haverá gastos com material escolar, por exemplo.

Mas nos dois exemplos, seja solteiro ou com família, se tem dívidas: priorize. “Especialmente se for no cheque especial e no cartão de crédito. Os juros são estratosféricos”, orienta a vice-presidenta da Associação das Donas de Casa e Consumidores (Adocon) de Tubarão, Reneuza Marinho Borba.

Quem não chora, não mama!
O ditado popular usado para o título, também cai como uma luva nesta empreitada econômica que é o fim de ano. Até quem é um pouco avarento, gasta! Não tem jeito. Tem peru de ceia (por falar nisso, os tradicionais ingredientes da ceia estão 12% mais caros este ano – veja abaixo), tem os presentes dos familiares e amigos íntimos e tem o mais importante: o seu celular novo!

Daí a importância de programar o gasto com antecedência, decidir o que vai comprar antes de ir na loja (essa parte faz toda a diferença porque evita a compra por impulso) e não torrar o salário de novembro e o 13º em menos de 15 dias. Além de ficar com o bolso vazio para as festividades, você corre o risco de ficar os próximos 12 meses pagando a ‘lembrancinha’.

“Os filhos podem juntar um pouquinho de cada e dar algo melhor aos pais ou comprar algo que todos vão desfrutar. Os pais podem adiantar parte do material escolar, como mochilas, calçados e livros”, ensina a vice-presidenta da Associação das Donas de Casa e Consumidores (Adocon) de Tubarão, Reneuza Marinho Borba.

É importante ainda pesquisar e privilegiar a compra à vista. “No crediário ou no cartão, somente se for vantajoso. Quem não chora, não mama! Peça desconto, não tenha vergonha. O Natal passa, mas a dívida fica”, incentiva Reneuza.

Produtos da ceia estão 12,15% mais caros este ano
Este ano, os preços dos produtos mais procurados para as festas de Natal e Ano Novo estão acima da inflação média do varejo. O levantamento foi feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A variação média de 17 itens que, tradicionalmente, fazem parte das ceias de fim de ano atingiram um aumento de 12,15% entre dezembro de 2009 e novembro deste ano. No mesmo período de 2009, a alta média foi de 5,83%. “O consumidor não pode ter vergonha. Faça a listinha do que pretende comprar e pesquise. Acredite, até com a ceia o cidadão corre o risco de ficar endividado. Dar prioridade para os produtos da região e da época geralmente traz boa economia”, sugere a vice-presidenta da Associação das Donas de Casa e Consumidores (Adocon) de Tubarão, Reneuza Marinho Borba.

Economia aquecida
A primeira parcela do 13º salário, paga na semana passada para 74 milhões de brasileiros, deve injetar em torno de R$ 102 bilhões na economia do país. A projeção é do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Em Santa Catarina, este valor deve chegar perto dos R$ 4 bilhões. A segunda parcela do 13º deve ser paga até o dia 20 deste mês.