Os peemedebistas Volnei e Iba integram a seleta lista de prefeitos e vices que conquistaram a reeleição em outubro do ano passado, com 78,16% dos votos válidos, o maior percentual de aprovação da Amurel. Destaque em gestão com reconhecimento nacional, a dupla fala sobre a forma de administrar, o trabalho em equipe, as dificuldades, os desafios, as conquistas e os objetivos para os próximos quatro anos em São Ludgero.

Priscila Loch
São Ludgero

Notisul – Em uma época em que o eleitor está um pouco mais atento e exigente, vocês estão no seleto grupo de prefeitos e vices que conseguiram reelegerem-se em outubro passado. A que fatores atribuem essa conquista?
Volnei – Aproveitamos para agradecer mais uma vez pelos 78,16% dos votos recebidos e reafirmamos o compromisso de continuar administrando para todos, sem nenhum tipo de distinção. Vamos continuar honrando e orgulhando as famílias de bem que desejam o melhor para a cidade. Assim foi nosso primeiro mandato e assim será o segundo. Nós assumimos a prefeitura de São Ludgero com a determinação de fazer gestão pública de verdade, com total transparência, honestidade e seriedade, valorizando cada centavo do dinheiro público e aplicando da melhor maneira para aumentar a qualidade de vida das pessoas. Além disso, não compactuamos com falcatruas e fomos ajustando as ações para minimizar desperdícios, em sintonia com nossos secretários e departamentos. Cultivamos e agimos focados sempre nos resultados e no bem comum, trabalhando para acabar com o conceito de vantagens individuais ou para grupos específicos. Com um trabalho em equipe, mostrando aos funcionários que, independente da função que ocupam, todos exercem um papel fundamental para que os serviços públicos sejam prestados de forma rápida, eficiente e com excelência para corresponder às expectativas da população. Estimulamos nossos colaboradores a abraçarem essa causa e, ao invés de serem rotulados como desocupados, o que é comum no serviço público, juntos conseguimos provar que é possível quebrar esse paradigma, razão pela qual a administração passou a receber inúmeros elogios. E assim fomos realizando e atingindo os objetivos traçados. Seguimos a legislação à risca e, em determinados momentos, fomos duros, em outros choramos.
Iba – O amor por São Ludgero nos fez abraçar a causa com força, determinação, coragem, 24 horas por dia e sete dias por semana. E o negócio foi contagiando. É preciso fazer justiça à executiva do PMDB de São Ludgero, que nos deu carta branca, liberdade para tomarmos as decisões necessárias. Sabemos que nem sempre os administradores públicos têm essa liberdade. Queremos funcionários que apresentem resultados. Ninguém tem costa quente ou é protegido por Volnei e Iba. Acreditamos que, talvez, este ponto tenha sido um dos fatores que fizeram a diferença em nossa gestão. Nossas famílias residem na mesma cidade, estamos juntos nas festas de comunidades, nos momentos felizes e tristes das pessoas. Não é só nosso desejo, mas de todas as famílias, ver nossa cidade cada vez melhor, desenvolvendo-se de forma saudável, sendo referência em várias áreas e todos aumentando a qualidade de vida. É desta forma que encaramos a administração pública e acreditamos que é desta forma que o povo quer que os gestores públicos trabalhem.

Notisul – Também na contramão da maioria, a prefeitura de São Ludgero sentiu menos a crise econômica que assola o país e tem deixado os municípios à beira de um colapso. Que atitudes foram responsáveis por estes resultados?
Volnei – É preciso dizer que São Ludgero sentiu e continua sentindo o reflexo da crise econômica. Na verdade, desde 2013, nós vínhamos administrando com cautela, com os dois pés bem firmes no chão. É verdade que determinadas atitudes e ações contribuíram em muito para nossa boa gestão, como comprar somente quando temos a certeza que terá dinheiro. Cito um exemplo apenas para esclarecer: Quando entramos na prefeitura, criamos um almoxarifado central para conferência das mercadorias compradas e isso fez e continua fazendo a diferença. Uma pessoa confere, recebe e diz para o setor de compras se pode ou não empenhar para o financeiro pagar. Somos sabedores que muitos fornecedores tentam vender um produto e entregar produto inferior ou sem as especificações exigidas. Se uma prefeitura aceita este produto, de cara é prejuízo duplo, ou seja, por um lado não atenderá a necessidade e por outro em pouco tempo terá que fazer uma nova compra. Imagine o rombo disso para os cofres públicos. Outra ação foi o trabalho de conscientização dos funcionários, em passos de formiguinha, para aproveitamento ao máximo de materiais e para terem certas iniciativas. Enfim, o que queremos dizer é que entramos e buscamos ter o controle e com isso passamos a conseguir sobra de caixa para pagar as contrapartidas de convênios em obras e também ações reivindicadas pela comunidade. Enquanto tinha município não podendo receber recursos por falta de negativas, lá estávamos nós mostrando que poderiam mandar para São Ludgero, pois honraríamos a contrapartida. E assim as coisas foram acontecendo.

Notisul – Mesmo que a situação seja mais confortável em São Ludgero, é fato que os municípios brasileiros precisam de mudanças na distribuição de renda para ‘sair do buraco’. Qual a avaliação sobre essa situação?
Volnei – Concordamos que os municípios precisam ter maior percentual de retorno dos tributos pelo fato dos atendimentos públicos, principalmente os essenciais como educação e saúde, acontecerem nos municípios. É por este motivo que batemos na mesa com força nas esferas estadual e federal, pois apenas estamos reivindicando aquilo que é de direito do povo, povo este que nos cobra diariamente. Mas percebemos também que o CNPJs dos municípios muitas vezes servem como moeda de troca de favores, interesses, com decisões e favorecimentos individuais, cabides de empregos. Se já é difícil atender as necessidades coletivas administrando de forma correta, imagina quando os interesses são politiqueiros e para atender questões particulares. Aproveitamos para fazer outro registro positivo: nos últimos anos em São Ludgero a Câmara de Vereadores foi parceira, gastando somente o necessário e devolvendo recursos expressivos, possibilitando que mais obras fossem executadas e repasses feitos para entidades, a exemplo da Rede Feminina de Combate ao Câncer.

Notisul – Isso quer dizer que o relacionamento com os vereadores é bom?
Volnei – Sempre tratamos com respeito os vereadores, mesmo sabendo que em determinados pontos as opiniões são diferentes. Buscamos o entendimento. O que não admitimos é politicagem e ação de má fé. No primeiro mandato, tínhamos apenas dois vereadores e contávamos com o apoio fiel do PR no legislativo. Mas sempre buscamos um bom diálogo em prol do bem comum com os demais edis e aproveitamos para agradecer a todos.
Iba – Neste segundo mandato, a nossa coligação preencheu sete das nove vagas no legislativo Municipal. Temos um ótimo relacionamento com os dois vereadores considerados de oposição. Eu e o Volnei entendemos que, quando a fiscalização é séria, é saudável e ajuda a administração municipal. Nossos projetos sempre foram e continuarão sendo em prol do bem comum, seguindo à risca a legislação, e para dar maior eficiência à gestão municipal e atendimento à população.

Notisul – O fato de o município ser menor facilita ou dificulta na hora de alcançar os resultados?
Volnei – Depende. Se for um trabalho de conscientização facilita muito, mas ainda depende de entendimento e cultura das famílias. No caso dos recursos, infelizmente, ainda prevalecem e têm significativo peso não só os contatos políticos, como também a dimensão populacional. O fato é que a luta é diária. Nós, de São Ludgero, conseguimos quebrar um pouco esta situação ligada a partido político e com muito empenho conseguimos a liberação de recursos com representantes de várias siglas nas esferas estadual e federal. Implantamos a conduta de valorizar todos que valorizam e ajudam a cidade em seu desenvolvimento e no aumento da qualidade de vida das pessoas. Quando vamos a Florianópolis ou Brasília, representamos São Ludgero e é nossa obrigação lutar pela liberação de recursos que são de direito de nosso povo, independente de sigla partidária. Os representantes existem para fazer gestão para todos, pelo menos esta é a conduta a ser seguida. Sempre falamos que só subirá no palanque e terá vez e voz no município quem ajudar.

Notisul – Muitos políticos depois que se reelegem acomodam-se por não precisar mais ‘mostrar serviço’. Vocês demonstram neste início do mandato que pensam bem diferente. Estou certa?
Volnei – Para nós, o que difere do primeiro mandato é o fato de já conhecermos o funcionamento público de forma geral e a fundo, inclusive, a estrutura dos governos estadual e federal, os caminhos a serem seguidos e as entrelinhas. Já temos contatos que ajudam. Esse é um ponto positivo. Fora isso, seguimos com muito trabalho, coragem, transparência, lutas, batidas na mesa, com mangas bem arregaçadas. É preciso dizer que, para seguir neste ritmo, orgulhando as famílias de São Ludgero, o trabalho em equipe, focado em resultados, é preciso continuar e com mais força. Seguimos corrigindo falhas e buscando o aumento da eficiência pública em todos os setores.

Notisul – O plano de governo de vocês foi simples e direto, diferente da maioria dos candidatos da região, que apresentaram folhas e mais folhas. Trata-se de estratégia ou simplesmente considera que não há necessidade de listar ‘o mundo’, até porque nem tudo é possível realizar?
Volnei – O conhecido plano de governo deve ser interpretado como propostas ou ideais que um prefeito e um vice-prefeito pretendem realizar. Elas são baseadas em decisões individuais ou através de anseios da comunidade. Em nosso “Plano de Governo para 2013/2016”, muitas propostas não foram realizadas, mas muitas outras que nem estavam no papel se transformaram em realidade rapidamente. Entendemos que o plano é uma relação de intenções para os eleitores terem uma noção básica do que se pretende durante o mandato. É preciso levar em consideração o histórico dos candidatos, suas condutas anteriores como pessoa ou representante. Ainda tem fatores que não podemos controlar no meio público que pode interferir no resultado, como a movimentação econômica, fatores climáticos, judiciais, entre outros. Entendemos como importante a distribuição de um plano, porque na prática coloca os candidatos no compromisso, inclusive com as cobranças. Mas o fato de não realizar tudo que foi colocado no papel não significa que a gestão foi ruim. Citamos dois exemplos de São Ludgero: O projeto de oportunizar para 100% das famílias tratamento de esgoto doméstico não estava em nosso plano e a própria construção da segunda ponte não constava como principais metas. Ambas estão em fase de execução.

Notisul – Quais são as principais metas a curto, médio e longo prazo?
Volnei – Para os próximos quatro anos, vamos seguir com a busca de recursos externos através das esferas estadual e federal para deixar todo o perímetro urbano pavimentado, seguir com as pavimentações em direção às comunidades do interior. Ainda falando das comunidades do interior, vamos seguir com o trabalho de alargamentos e forte investimento em drenagens. Vamos concluir o projeto que visa atingir 100% do tratamento de esgoto sanitário no perímetro urbano e rural, bem como a construção da segunda ponte no centro da cidade. Vamos trabalhar para transformar em realidade a Piscina de Hidroginástica, que irá beneficiar inúmeras pessoas, inclusive idosos. Os investimentos seguem forte em educação, com luta para construção de um Centro Educacional no bairro Encosta do Sol, ampliações dos atendimentos na área da saúde e projetos sociais, entre eles, moradias populares. Os investimentos em patrulhas mecanizadas para a agricultura e forte apoio esportivo também continuam.

Notisul – Existe algum projeto que não conseguiu tirar do papel no primeiro mandato e acredita ser possível neste segundo momento?
Volnei – Implantar e colocar em funcionamento sistemas que aumentem o controle dos trabalhos, possibilitando enxugar ainda mais os gastos públicos, bem como aumentar a qualidade dos serviços prestados. Também é nosso objetivo realizar o monitoramento total da frota de veículos. Enfim, implantar tecnologias que possam auxiliar nossa gestão na correção de falhas e na eficiência pública de forma geral.

Notisul – Tubarão, que é o polo da Amurel, ainda não conseguiu tirar do papel a unidade de prontoatendimento e os gestores dizem ser inviável fazer com que funcione 24 horas por dia. São Ludgero, que é muito menor, tem uma unidade em plena atividade. Qual o segredo para fazer acontecer?
Iba – A Unidade Sanitária Central, conhecida como Prontoatendimento, que funciona sete dias por semana, 24 horas por dia, é um projeto implantado há vários anos, na gestão de Donilo Della Giustina e Danilo Niehues, e que vem funcionando ao longo dos anos e sendo aperfeiçoado. Em nosso período, recebeu investimentos, ampliação, melhorias na parte de gestão, atendimento médico, equipamentos. A responsabilidade da manutenção é da prefeitura, mas recebemos apoio financeiro da Cooperativa de Eletricidade de São Ludgero (Cegero). Sinceramente, é preciso dizer que não é fácil manter o funcionamento, o custo mensal é alto e a cada dia é preciso ter mais controle para conseguirmos manter o atendimento à população. É fato que com este atendimento feito nós estamos contribuindo para a diminuição dos atendimentos em hospitais da região como Orleans, Braço do Norte e Tubarão. Só os casos realmente de urgência e emergência são encaminhados. Aproveitamos para esclarecer que existe em funcionamento na cidade de segunda a sexta-feira três unidades da Estratégia Saúde da Família (ESF).

Notisul – Ainda falando em saúde, o município destaca-se pela cobertura em saneamento básico, enquanto o restante não consegue sair do lugar para colocar os planos em prática. O que foi essencial para isso alcançar êxito e o que falta para atingir 100% do território?
Volnei – Quando falamos em saneamento básico, é preciso fazer justiça aos gestores anteriores, independente de sigla partidária, que ao longo dos anos tiveram a sabedoria de investir nas redes de esgoto e nas lagoas de tratamento. Quando chegamos, tinha um trabalho tímido sendo feito através da Secretaria de Agricultura e Epagri com famílias rurais e um trabalho normal acontecendo no perímetro urbano através do Samae. O que fizemos? Reunimos vários órgãos como Samae, Secretaria de Saúde, Vigilância Sanitária, Epagri, Secretaria de Agricultura, Indústria, Comércio e Turismo e deixamos claro que pretendíamos concluir por completo o sistema de tratamento de esgoto sanitário no município. Então, criamos o projeto “São Ludgero 100% Esgoto Sanitário Tratado” e uma força-tarefa. Todos abraçaram a causa com força, e com recursos próprios demos celeridade às instalações em propriedades rurais, uma revisão geral foi realizada no perímetro urbano, credenciamos o município no Programa Estadual de Regularização Fundiária, buscamos a autorização junto ao Ministério Público para instalação de redes de esgoto e água em áreas irregulares. Enfim, um conjunto de ações paralelas que caminha para a conclusão do projeto ainda no primeiro semestre de 2017. Pelas informações obtidas de especialistas, não existe município no Brasil e na América Latina que alcançou esta abrangência, este percentual. Quem tiver curiosidade para conhecer o sistema de tratamento de nossa cidade é só entrar em contato e agendar. É um dos orgulhos da cidade.

Notisul – Não chega a ser uma estatística preocupante, mas serve de alerta: São Ludgero registrou a maior quantidade de focos do mosquito da dengue neste ano da Amurel. Alguma atitude foi ou será tomada para acabar com esses focos e conscientizar mais a população?
Volnei – O trabalho de combate ao mosquito Aedes aegypti é constante em São Ludgero, desenvolvido através da Secretaria da Saúde, Setor de Epidemiologia e Vigilância Sanitária. Na verdade, podemos dizer que os trabalhos são intensos. Orientações em empresas, escolas, distribuição de materiais, mutirões de limpeza pelos bairros e visitações são ações desenvolvidas. Acredito que seja o desafio da maioria dos municípios conseguir convencer as pessoas a manterem seus terrenos limpos, sem objetos que acumulem água parada. Muitas pessoas não acreditam que um membro da família poderá ser picado por um mosquito contaminado e morrer. Lembrando que nossa cidade é industrial e diariamente tem inúmeros caminhões chegando e saindo da cidade, situação favorável no contexto geral.
Iba – É importante esclarecer que o monitoramento das áreas onde foram encontrados os focos está sendo realizado à risca. Entendemos que talvez em São Ludgero foram detectados mais focos pelo fato de estarmos realizando um forte trabalho preventivo, de visitações, também através da grande quantidade de armadilhas instaladas e acompanhadas. Todos nós sabemos que quando se bota o dedo na ferida o problema pode ficar mais evidente, visível. Entendemos que o trabalho está sendo feito, que problemas como este devem ser encarados sem medo, com determinação e neste caso é preciso um esforço conjunto. Nós, enquanto poder público, estamos fazendo a nossa parte. Cabe à população.

Notisul – Percebe-se uma grande sintonia vocês dois. O trabalho a quatro mãos realmente dá resultado?
Iba – Quando eu e Volnei decidimos ser candidatos, em 2012, disse que gostaria de estar presente ajudando na administração, diariamente. Então, desde 1º de janeiro de 2013 estou presente, ajudando a decidir, dando sugestões, trocando ideias, fiscalizando obras, visitando bairros e comunidades, ouvindo as pessoas e auxiliando os secretários em diversas situações. Tenho conhecimento da gestão de forma geral, dos trabalhos, encaminhamentos, desafios e dificuldades.
Volnei – Quando prefeito e vice-prefeito têm uma integração, comunicação, as mesmas informações, consenso, depois de um tempo em muitas situações um já sabe o que o outro pensa e a agilidade fica visível em diversas situações. Duas ou mais cabeças pensantes buscando caminhos e alternativas resultam em celeridade e o percentual do acerto aumenta.