Wagner da Silva
Braço do Norte

Notisul – Qual a sua avaliação em relação à política adotada por seu partido, de sair com chapa pura?
Valberto
– Disputamos com chapa pura para ser e fazer diferente do que ocorre. Na minha avaliação, as coligações vêm com interesse de vencer, mas com o propósito único e exclusivo de resolver problemas pessoais, fatiando ou distribuindo cargos. Ao contrário disso, nosso objetivo é administrar o município com chapa pura, o que, sem dúvida, facilita, deixando interesses pessoais de lado e pensando no município e seu povo.

Notisul – Quais projetos estão englobados em seu programa de governo?
Valberto
– Nosso programa de governo é baseado no Plano Diretor que deveria ter sido lançado em 2002, mas até hoje permanece no papel. Basicamente, buscamos implantar projetos para coleta e tratamento do esgoto público, um pronto-socorro 24 horas, que entendo ser dever da administração municipal. Também já está descrito no plano diretor e devemos implementar uma área industrial para que possamos receber novos investimentos, gerar empregos e renda, uma vez que Braço do Norte está na contramão. Enquanto o Brasil cresce, em média, 30% por ano em número de empregos, nosso município não chega à metade, apenas 11%. Com relação ao interior, oferecer melhoramento nas estradas e acessos, com pontes seguras, para que os empresários rurais possam escoar a sua produção. Incentivo na educação e cultura, construir escolas, além de buscar recursos para eventos culturais e investimentos na biblioteca esquecida em um canto do município. No esporte e lazer, oferecer um ginásio esportivo novo, já que o atual possui mais de 30 anos, um espaço que possa receber inclusive eventos nacionais, praças esportivas em cada bairro, onde as famílias possam reunir-se.

Notisul – Em sua visão, qual a maior necessidade de Braço do Norte hoje?
Valberto
– Vejo como prioridade de Braço do Norte e devemos tratar com urgência o assunto saneamento básico, visto que a nossa cidade não possui um metro de esgoto tratado. Hoje, corre a céu aberto, contaminando córregos, poluindo o rio e, consequentemente, nossa terra, afetando a nossa saúde. A geração de empregos é o segundo assunto. Perdemos para outros municípios empresas que poderiam instalar-se aqui, por oferecem incentivos fiscais para quem quiser ser empreendedor.

Notisul – Como o senhor avalia os investimentos feitos pelos governos federal e estadual na cidade?
Valberto
– Acredito que recursos do estado são poucos, ou por falta de vontade ou de bons projetos, ou ainda por falta de recursos. Por outro lado, como constatamos através de dados, os recursos advindos do governo federal duplicaram no governo Lula em comparação ao de FHC. Só em repasses, o governo atual chegou a investir R$ 26 milhões, enquanto nos últimos quatro anos de FHC chegaram a pouco mais de R$ 13 milhões. Outros recursos como Pronaf, Fundeb, Bolsa Família e através de convênios também chegam ao dobro em investimento para o município, neste governo.

Notisul – Como o senhor avalia o contrato com a Casan para a realização do esgoto sanitário na cidade? As obras são executadas? Existe possibilidade de municipalização da água, caso a Casan não cumpra o contrato?
Valberto
– Sem dúvidas, a população não concorda, mas chamaremos a Casan e iremos rever este contrato. Se estiver lá que ela é responsável pela coleta do esgoto, ela não está cumprindo, pois não vimos melhoras nesta área aqui no município e devemos mudar. Outra possibilidade é a municipalização da água. Temos exemplos em cidades vizinhas que isso funciona e dá certo. Poderá ser uma alternativa para garantir melhor saúde à população e também ao meio ambiente.

Notisul – É possível fazer uma avaliação positiva da atual administração?
Valberto
– Tanto eu como as pessoas que conversamos avaliam como negativa. Não só a atual deixou a desejar, mas as últimas administrações pecaram muito, principalmente se compararmos a municípios onde a arrecadação é bem inferior.

Notisul – Com base no governo de Luiz Kuerten, o que você manteria? E o que faria diferente?
Valberto
– Pela avaliação já demonstrada, percebemos que pouca coisa deve permanecer na administração do PT. Queremos implantar algo diferente, como o orçamento participativo e a transparência nos gastos do dinheiro público. A nossa administração discutirá junto à comunidade as prioridades, os gastos estarão disponíveis através da internet e em locais específicos, para que a população possa ter certeza que estamos fazendo bom uso do seu dinheiro. Como temos ao nosso lado o governo Lula, não temos dúvidas de que poderemos fazer muito mais pela nossa cidade, através de bons projetos levados ao governo federal, que possui hoje investimentos na casa dos R$ 500 bilhões, disponibilizados através do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), para o crescimento e desenvolvimento, visto que as administrações têm deixado a desejar em várias questões.

Notisul – Uma grande parcela da economia do município está diretamente ligada à agricultura, à suinocultura e às indústrias de molduras. Quais as propostas para desenvolver ainda mais estas áreas?
Valberto
– Tanto para a agricultura, suinocultura, como também para avicultura e o gado leiteiro, acredito que investimentos em melhorias de acessos e nas propriedades sejam a principal necessidade deste grupo de trabalho, já que o governo federal faz a sua parte através de linhas de créditos, como o Pronaf. Já no caso das indústrias, o mercado moldureiro perdeu muito em exportação e devemos urgentemente trabalhar para agilizar a incorporação de uma área industrial, incentivo de impostos concedidos para atrair investimentos e diversificar as atividades de nosso município, além de construir o anel viário para facilitar o escoamento da produção.

Notisul – Qual a sua avaliação a respeito da recente instalação de uma secretaria de desenvolvimento regional em Braço do Norte?
Valberto
– A nossa posição é contraria à instalação da secretária de desenvolvimento regional em Braço do Norte. Entendemos que é um cabide de empregos e gera um desperdício de recursos, visto que Tubarão já possui uma e o orçamento de uma secretaria como esta, muitas vezes, fica maior que a arrecadação de alguns municípios que conhecemos. Estes recursos poderiam estar sendo investidos em educação, saúde, qualidade de vida, já que não são disponibilizados pelas SDR, mas sim pelo próprio governo do estado, o que onera muito os cofres públicos. Com bons projetos enviados a Florianópolis, poderiam receber a mesma atenção sem que fossem necessários entrave e gastos, para somente depois ir ao governo do estado.

Notisul – Se o senhor não for eleito, que rumos seguirá profissionalmente? Continuará na política?
Valberto
– Em primeiro lugar, acreditamos na nossa vitória, que representa a mudança em Braço do Norte, que possamos fazer o município crescer e desenvolver, gerando empregos com melhor distribuição de renda. Mas, caso isto não ocorra, retomo minha atividade na iniciativa privada, não preciso disso para sobreviver.