O empresário Olavio Falchetti é pré-candidato a prefeito de Tubarão. É mais do que convicto sobre a sua visão política. Ele a vive. O presidente do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores é extremamente contra coligações. Com 61 anos, quer trabalhar para o povo. Colocou o nome à disposição para realizar um pedido do pai, que veio com a família de Lauro Müller: respeitar a população que o ajudou a construir uma nova vida.

 
Angelica Brunatto
Tubarão
 
 
Notisul – Por que o senhor colocou o nome à disposição para concorrer às eleições deste ano em Tubarão?
Olavio – Eu coloquei o meu nome porque eu via a necessidade de fazer algo diferenciado para a nossa cidade, e ajudar também o nosso povo. E eu sempre falo que, quando meu pai veio da região de Lauro Müller, e chegou até Tubarão em um carroção com a minha mãe e a minha irmã mais velha, para trabalhar, sem ferramenta. Aqui, ele era cortador de pedra e começou a fazer o serviço em diversas residências, que deram o material para ele. E por isso, em 1976,  quando eu me formei engenheiro civil e que eu fiquei diretor da Pedreira Falchetti, meu pai me disse: “Você vai dirigir a pedreira daqui para frente. Mas eu peço uma coisa para ti: respeite o povo de Tubarão, este povo que ajudou a fazer esta pedreira, e até as ferramentas deram para eu fazer os primeiros trabalhos”. Então, eu vi com esse pedido que precisava fazer algo diferenciado. Precisava dar o meu nome para fazer o que o meu pai pediu: respeitar. E, caso eu sair vitorioso vou trabalhar, de maneira muito diferente do que se tem feito até agora em Tubarão, com muito respeito ao povo, muita dedicação, muito trabalho.
 
Notisul – O senhor já vem de outra candidatura para o mesmo cargo. O que traz de experiência?
Olavio – A primeira vez foi em 2008, e a gente não tinha quase experiência para participar de uma candidatura, de um pleito eleitoral. Agora, nesses quatro anos que se passaram, a gente está bem mais preparado, nós estamos fazendo os nossos planejamentos para diagnosticar as carências das nossas comunidades. Então, este é o diferencial. Nós estamos trabalhando para diagnosticar os problemas, os acertos e as carências. Eu, agora, tenho a experiência de passar por essa situação, e agora muda completamente o modo de abordagem. As pessoas estão mais receptivas, em 2008 era só o respeito ao meu nome. Agora, elas estão muito eufóricas, porque a gente está em primeiro lugar na pesquisa, dão incentivos para a gente e isso, é muito importante.
 
Notisul – A primeira pesquisa eleitoral realizada pelo Notisul e pela Rádio Som Maior este ano o indicou em primeiro lugar. Agora, o que pretende fazer para manter a posição?
Olavio – É fazer o que eu fiz até hoje. Falar sempre a verdade, não mentir, dizer para as pessoas o que a gente quer fazer. Queremos focar em resultados para o povo, e a nossa prioridade é aumentar consideravelmente os investimentos da nossa cidade e, aumentando os investimentos, automaticamente o povo vai receber. E, para fazer isso, nós temos que fazer uma gestão técnica, puramente técnica, voltada à ética, à transparência e, principalmente, à justiça.
 
Notisul – A sua experiência como administrador da pedreira deve contribuir para a administração da prefeitura?
Olavio – Sim, eu fui avaliador e analista de projetos. Na Caixa Econômica Federal, eu analisava projetos tanto na área privada quanto na pública para prefeituras. E eu tenho uma larga experiência na área, já que eu fazia análise de projetos, orçamento, cronograma financeiro, os memoriais descritivos. E eu tenho uma experiência de 35 anos fazendo esse serviço na Caixa Econômica Federal em toda a nossa região sul. O trabalho era voltado às nossas prefeituras, e também às entidades privadas. E isso me dá muita cancha também porque a gente analisava as licitações para ver se estavam corretas. A a própria pedreira, onde eu sou o gerente há mais de 35 anos, me dá muita cancha para eu enfrentar o serviço público. Claro que é diferente entre a gente ser o agente que vai analisar os processos do que gerir, mas, para ser um bom gestor, tem que ir ao encontro do povo, e ali começar a elencar as suas necessidades e começar a fazer o que o povo quer, na medida do possível. Dentro de um orçamento pré-estabelecido na prefeitura, a gente vai fazer as necessidades, através do orçamento participativo que eu quero implantar na região. 
 
Notisul – O senhor pode explicar um pouco melhor do orçamento participativo?
Olavio – O orçamento participativo dividirá a cidade em 15 partes. E cada parte se reunirá para ver as suas necessidades. Vou dar um exemplo. A comunidade da Guarda, o que eles querem? Ah, eles estão necessitando de creche, de pavimentação, de drenagem, escola, um parque, e o povo se reúne. A cada dez pessoas, será elegido um delegado, que vai atuar junto a esse processo. Eles vão ser voluntários, que vão elencar as prioridades. São dez prioridades, mas nós temos que atender todas as comunidades. Então, eles vão elencar a primeira prioridade. Ah, nós aqui precisamos de uma creche. Então, a primeira coisa a ser feita será a creche. Depois, à medida do possível, se a prefeitura tiver condições, nós vamos eliminar todas as prioridades.   
  
Notisul – Além do orçamento participativo, o que o senhor quer fazer de diferente dos governos anteriores?
Olavio – Vamos nos ater nas ações sociais, mas tudo é importante. A prefeitura é igual a um corpo humano. Tudo necessita ser servido. Não adianta eu chegar e dizer que o mais importante é o coração, mas, na hora que der um problema lá no teu pé, como um calo ou alguma coisa que te impossibilite de andar, tu vai dar importância para o teu pé. Nós estamos fazendo essas reuniões para elencar os 15 eixos. Mas uma das coisas que eu pretendo fazer é dar importância na área da assistência social. Nas áreas vulnerabilizadas, fazer com que as escolar tenham um estudo integral, por exemplo, em áreas carentes, para não ficar à mercê dos maus feitores. As crianças de manhã vão para a aula e à tarde vão ter futebol, música, dança, informática, a chamada oficina de aprendizagem. Elas têm que ficar dentro de uma sala de aula. E aí sim nós vamos diminuir a criminalidade em nossa cidade. E na área da saúde vamos fazer com que os médicos estejam no mínimo seis horas dentro dos postos e que haja medicamentos. Não adianta ter só o espaço físico e não ter médico, enfermeiras e manter os postos fechados. Então, todas as áreas serão beneficiadas. 
 
Notisul – Hoje, na sua opinião, qual é a área mais necessitada?
Olavio – A área da saúde é muito necessitada. Mas vamos trabalhar também para fazer com que os Centros de Assistência em Referência Social (Cras) estejam dentro da comunidade. Vamos fazer com que os Cras estejam localizados nas áreas vulnerabilizadas, nas áreas mais carentes da nossa cidade. E aí o governo tem que começar a trabalhar com as crianças e adolescentes. Quando a gente trabalha com crianças e adolescentes, a gente educa para que eles não se tornem os marginal do amanhã, porque vai faltar cadeia, se nós deixarmos estas criaturas à mercê. E são os Cras que vão diagnosticar o que a comunidade precisa. E precisamos fortalecer estes Cras, fortalecer mesmo. Hoje é muito triste quando a gente vê uma operação com dez policiais armados em uma comunidade. Em vez de colocar ali uma escola, um local para educar… Mas agora é obrigado, infelizmente no passado nós fizemos que as coisas ficassem deste jeito. Nós temos que reverter este quadro, para que daqui dez, 20 ou 30 anos tenhamos uma cidade mais tranquila. 
 
Notisul – As figuras da presidenta Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula podem influenciar em sua candidatura?
Olavio – Eu penso que influenciará positivamente. Dilma está fazendo um trabalho muito bom. Ela está no caminho certo, a aprovação dela está acima dos 70%. Lula também tirou muitas famílias da miséria. O Minha Casa Minha Vida primeiro só financiava para quem tinha mais de dez salários mínimos, hoje não, com dois salários já tem gente construindo a sua casinha, pequena, não importa, mas com tudo de direito. E isso para mim é uma coisa importante. Ele olhou para o povo, principalmente para os mais carentes.
 
 
Olavio por Olavio 
Deus – É a causa primária de todas coisas.
Família – É o coração da vida.
Trabalho – Dignidade. 
Passado – É o que a gente fez para projetar o futuro.
Presente – É o que a gente faz agora.
Futuro – Esperança.
 
“Todo político deveria ter um emprego paralelo e ser um voluntário. Poderia até receber, mas ser um voluntário para exercer um cargo. Porque para o trabalho existem os funcionários públicos, que devem ser valorizados, muito valorizados. O político de carreira é um político que visa sempre vencer as eleições. É diferente do que a gente está pensando, a gente quer algo diferenciado para a cidade. Porque eu tenho o meu trabalho, e a política não é a minha vida. Se eu perder a eleição, eu vou para o meu local de trabalho, diferentemente de outras pessoas que vivem da política. E é por isso que é difícil passar a reforma política. A reforma política, na maioria dos políticos, não passa, porque é uma maneira de sempre estar junto da política, junto com o partido. Muitos, a maioria, têm a coligação para estar sempre no poder. E, se nós não dermos um basta urgentemente nas coligações, daqui a pouco vamos ter 60 partidos. A análise do controle orçamentário é a utilização do dinheiro público. Envolvendo desde a redução de despesas, de cargos comissionados, terceirizados, valorizando o funcionalismo público. Fazer com que o povo seja bem atendido e diminuindo os custos, aumentado a eficiência operacional, nós vamos ter rendimento em dinheiro. Esse dinheiro que sobra nós vamos aplicar em recursos em diversas secretarias, fazer investimentos. O planejamento estratégico é uma ferramenta essencial para a definição de metas e objetivos de cada secretaria. Será sistematicamente acompanhado pelo executivo”.
 
"Os meus adversários são de níveis bons. Edinho é deputado federal já há alguns mandatos. Carlos Stupp já foi prefeito de Tubarão por dois mandantos”.
 
“Um dia, a coligação será exterminada. Eu só estou antecipando a lei”.