José Carlos Sprícigo é o atual diretor-executivo (CEO) da empresa Librelato Implementos Rodoviários, com a sede em Orleans. Ele possui formação em ciências contábeis na Fundação Educacional do Sul de Santa Catarina (Feesc), antiga Unisul, e direito pela Universidade Barriga Verde (Unibave), além de ter no currículo uma MBA em gestão empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Trabalha na empresa há 32 anos. A Librelato é a oitava melhor empresa para se trabalhar, segundo o Great Place to Work; premiada como empresa campeã em inovação na região sul; entre as mil maiores empresas do Brasil, segundo ranking da revista Exame; entre as 500 maiores empresas do sul do Brasil; premiada entre as melhores do setor automotivo e eleita Empresa Brasileira do Ano no Brasil Quality Summit. Estes são alguns destaques que a Librelato alcançou no ano passado, que marcou como um dos melhores anos na história, iniciada em 1969.
 
 
Maycon Vianna
Orleans
 
Notisul – Como o senhor chegou ao importante cargo de CEO da Librelato, uma das maiores empresas de Santa Catarina?
José Carlos Sprícigo – Estou na Librelato há 32 anos. Resolvi aceitar o desafio, juntamente com o José Carlos Librelato, o Lussa (in memorian), que sempre teve uma visão muito à frente do negócio, além dos demais apoiadores do projeto. A minha primeira função na empresa foi contar parafusos (risos). Fazia o levantamento, pois tínhamos uma empresa de material de construção. Quando cheguei, na realidade, era para trabalhar como auxiliar de escritório, que foi construído aos poucos. Sempre aproveitei as oportunidades. É esta a política da Librelato, deixar os colaboradores subir de função. Por isso, atualmente, considero de suma importância o Projeto Caminhos, que idealizamos e já chegou ao seu ápice. No próximo dia 24, lançaremos para os diretores e gerentes. O projeto tem a ideia de dar oportunidade ao colaborador crescer de forma vertical e horizontal ao longo de sua carreira. Ele saberá exatamente o que terá que fazer e será feita uma análise de meritocracia ao longo do ano. As pessoas serão valorizadas pelo mérito, pelo empenho desenvolvido na empresa. Quem souber aproveitar, crescerá muito dentro da Librelato.
 
Notisul – Qual mudança significativa a Librelato passou nos últimos anos?
José Carlos – A Librelato passou por um processo de profissionalização desde a chegada dos fundos de investimento. Em 2011, capitaneada ainda pelo Lussa, os sócios que antes eram só os familiares, desejaram trazer um novo acionista, assim, novos recursos para a companhia com intuito de crescer. A partir da chegada deles, tivemos a criação de um conselho de administração, que se reúne mensalmente. Todos os anos também passamos por uma auditoria feita por uma empresa internacional, que está entre as quatro maiores do mundo. Este é um processo importante na profissionalização da Librelato.
 
Notisul – Que tipo de investimento será feito na Librelato em médio e longo prazo?
José Carlos – A Librelato está constantemente investindo, somente no ano passado foram R$ 13 milhões. Em 2012, foram R$ 16 milhões. Para este ano, por exemplo, para dentro da empresa, na melhoria de processos e aquisição de máquinas, destinamos R$ 19 milhões com intuito de melhorar a produtividade no que diz respeito à parte de fábrica, iluminação e ventilação. Tudo voltado para o bem-estar dos nossos colaboradores. Neste momento, temos isso aprovado pelo nosso conselho. Observamos o movimento estratégico de outras empresas do mesmo ramo, a todo o momento, visamos uma aquisição ou a possibilidade de uma fusão. Isso é estudado. Enquanto este momento não chega, crescemos de forma orgânica. E assim decidimos fazer um investimento na primeira planta fora de Santa Catarina. Já trabalhamos no período inicial em Linhares, no Espírito Santo. O atrativo principal, além da bela localização, e da boa qualidade em educação, onde o estado lidera o ranking nacional no ano passado, há uma semelhança com catarinenses: são estados pequenos e de povo de colonização italiana e muito trabalhador. Eles crescem a largos passos, devido à grande produção de petróleo e os royalties que isso gera. Em resumo, foram muito os atrativos que fizeram com que a gente decidisse por lá. Estávamos entre Goiás e Mato Grosso. O que vamos caminhar, agora, é para este investimento. Adquirimos uma área de 560 mil metros quadrados em um município de 141 mil habitantes com boa estrutura, aliás, já tem empresas catarinenses instaladas por lá. Agora, é viabilizar o projeto. Já elaboramos o projeto arquitetônico e as licenças ambientais estão encaminhadas e devemos investir em torno de R$ 40 milhões. 
 
Notisul – A escoação do que é produzido pela Librelato ajudou na escolha de Linhares para instalar uma nova unidade?
José Carlos – A proximidade com a Bahia e o Rio de Janeiro, onde a Librelato tem uma liderança estratégica, e também de Minas Gerais, é importante, porém, o projeto como um todo caminha no sentido mais forte de decisão pela cidade de Linhares, pela mão de obra, o local tem muitos universitários, é neste lugar que se encontram os melhores soldadores do país e, claro, o incentivo fiscal é muito importante. Enfim, tem muitas facilidades pelo fato de pertencer à região centro-oeste.
 
Notisul – Existe a possibilidade de a Librelato ampliar o número de filiais na região sul de Santa Catarina?
José Carlos – Em Laguna, temos um terreno às margens da BR-101, com 25 mil metros quadrados. Temos muita vontade de nos instalarmos na cidade, gostamos muito de lá, inclusive o Lussa também ia muito para lá no verão. Ainda hoje (esta sexta-feira), o prefeito de Laguna, Everaldo dos Santos (PMDB), quer uma reunião para saber em que estágio está a possibilidade de a Librelato ter, de fato, uma unidade na cidade. É uma decisão muito ampla. Teria que passar pelo conselho. Temos vontade de expandir, quem sabe com outra atividade. Pensamos na possibilidade de construir dormitórios para caminhoneiros, um segmento diferenciado, não poluente, talvez não no ramo da metalurgia. Não queremos deixar aquele espaço parado.
 
Notisul – Como é a política de valorização dos funcionários?
José Carlos – É sempre com respeito às pessoas, como já dizia o José Carlos Librelato. E vamos dar continuidade nesta gestão. Fomos premiados internacionalmente com uma das melhores empresas para trabalhar em Santa Catarina, ficamos na oitava posição. Isso nos dá muito orgulho. Colhemos o que plantamos. Toda a nossa política de benefícios, de treinamentos, hoje são 300 pessoas em cursos superiores e de especializações, onde a Librelato custeia 50% ou mais. Também foi instituída a política de participação nos lucros. Dentro de uma política séria, com indicares previamente acordados, isso traz resultados. É muito importante, hoje em dia, o investimento em pessoas e demais áreas. É fundamental para o crescimento da empresa
 
Notisul – Quais são as principais ações sociais que a Librelato desenvolve?
José Carlos – Poucas empresas possuem um setor dedicado à parte ambiental e isso nós adotamos aqui. Fazemos ações junto às escolas, com palestras, por exemplo, em Capivari de Baixo, Içara, Orleans, Criciúma. Trabalhamos muito forte nesta parte. Acredito que antigamente não se tinha esta conscientização – de economizar a água. Hoje, temos que voltar os trabalhos para as crianças, elas estarão sentadas no nosso lugar, ocupando as nossas funções. As ações delas, no futuro, é que farão um Brasil melhor. Além da parte ambiental, temos eventos como o Natal Solidário, a Páscoa Solidária, com ampla distribuição de ovos de chocolate. Atuamos bem nas regiões menos favorecidas. Vale destacar também o trabalho social no bairro da Juventude, só como curiosidade, nesta semana, conversei com um empresário na Associação Comercial e Industrial de Criciúma (Acic), que já estudou em uma escola daquela localidade. Isto é muito importante para o bem de todos! Quero também ressaltar que fomos premiados pelo Programa Lussa Librelato, na Fiesc. Damos a oportunidade para o primeiro emprego. Ele iniciou há vários anos atrás e está em constante aprimoramento. Estamos com uma ideia de expandir ainda mais este programa. Só para ter uma ideia, hoje já temos coordenadores de engenharia que vieram desta iniciativa, que é desenvolver a mão de obra interna, pois, além de ter um comprometimento maior, a empresa também tem uma responsabilidade com a região e evita buscar qualificação profissionalizada fora, gerando maior renda aos municípios.
 
Notisul – Qual o legado que o ex-presidente José Carlos Librelato, o Lussa, deixou para os seus funcionários?
José Carlos – O exemplo dele ficou gravado para sempre em todos nós. Temos planos estratégicos para empresa traçados pelo Lussa para daqui dez anos. Ele tinha uma visão sempre voltada para o progresso, visão empreendedora à frente. Há dez anos, por exemplo, o Lussa já havia uma oportunidade que uma hora iria ter uma lei que os motoristas teriam que parar e descansar e precisariam de um local para isso. Temos muita coisa para fazer que ele deixou. Ele não aceitava se o mercado caísse, a Librelato precisava continuar crescendo e ir atrás de novas oportunidades. Aprendemos muito com ele, como, por exemplo, colocar a meta e ir buscá-la. Demonstrar sempre muita garra por aquilo que faz. Por isso, desde 2007, continuamos em evolução com números acima dos 40%. A saudade é muito grande. Temos orgulho de continuarmos a missão que ele nos deixou. Precisamos continuar gerando emprego e renda a quem precisa.
 
José Carlos por José Carlos
Deus – Esperança
Família – Base
Trabalho – Realização 
Passado – Exemplo
Presente – Conhecimento
Futuro – Desafio
 
"A garra que temos em trabalhar pela Librelato foi instituída
pelo ex-presidente José Carlos Librelato, o Lussa (in memorian)"
 
"Nós, colaboradores da Librelato, sentimos
um pouco donos da empresa"
 
"A expansão da Librelato requer   um planejamento estratégico adequado"