A trajetória de vida de Haroldo de Oliveira Silva, o Dura, em todos os sentidos, seja intelectual, social, cultural e profissional, ocorreu em Tubarão. Nascido em Capivari de Baixo (na época pertencente à Cidade Azul), ele possui um perfil bem eclético nas variadas funções que exerceu. Com formação em eletrotécnica, trabalhou por muitos anos na Celesc. A paixão pelo teatro surgiu na juventude, onde aflorou a sua aptidão na comunicação, o que também acabou por interferir na sua entrada na política. Dura foi vereador, assessor especial do ex-prefeito Carlos Stüpp, diretor da Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (Cosip) e hoje é secretário de desenvolvimento regional em Tubarão. É casado e tem dois filhos.

 
 
Mirna Graciela
Tubarão
 
Notisul – Durante muito tempo, as atividades ligadas à cultura e à educação fizeram parte da sua vida. Como surgiu a política?
Dura – Na verdade, começou na época da Ditadura, em Florianópolis, na década de 70. Militávamos nos grupos de estudantes, muitos descontentes com tudo, talvez mais na propaganda do que no idealismo, mas foi quando surgiu nossa ideia de contrapor o sistema. Era moda ser contra. Isso era bom, aprendemos muito. O teatro também me deu esta oportunidade de entrar na política. Trabalhei com teatro na antiga Fesc, hoje Unisul, e no Colégio São José, onde participei de grupos. Entrei na política em 1992, fui candidato a vereador pelo Partido Liberal. Não me elegi. Estava desgostoso com a esquerda, então optei em conhecer o outro lado da moeda, que foi o PFL, o Partido da Frente Liberal. Deixei toda uma história de nostalgia e de luta, que somente ficou no meu pensamento. Em 1996, fui eleito vereador, com 1.186 votos. Dali começou a minha vida partidária.
 
Notisul – Como é ser um secretário de desenvolvimento regional?
Dura – É uma missão muito importante, é um desafio. Até então, quando fui convidado, em 2010, pelo Carlos Stüpp (ex-prefeito de Tubarão) e pelo doutor Manoel Bertoncini (prefeito, em memória), eu não sabia da grandiosidade que era isso. Ele tem a função de ser a voz, o elo do governo na região, é o para-choque. Todas as ações do estado caem aqui nesta regional, e nós damos respostas às lideranças políticas, civis e muito mais. A secretaria regional é de extrema importância porque é a ponte que liga o governo central à comunidade e às lideranças. O governador Luiz Henrique da Silveira foi o mentor das regionais. Ele está certo, isto ainda vai dar um resultado muito melhor lá na frente, facilitou muito a vida dos prefeitos de pequenas e médias cidades. Talvez Joinville e Florianópolis, por exemplo, não deem tanta importância a um secretário regional. 
 
Notisul – No início da gestão como secretário, surgiram comentários de que eras um político teatral. Hoje, esse conceito mudou? Qual a sua análise?
Dura – Ser teatral, simpático, alegre e atender as pessoas sorrindo. Esta é a minha forma de trabalhar. Por que é serviço público tem que ser sério e sisudo? E receber as pessoas como se eu fosse ‘o secretário’? Isso comigo não dá. Não visto isto. Ser teatral não é ser falso. Pode ser verdadeiro também. Em cima do palco, posso passar uma ilusão, mas aqui os números não me deixam mentir. Em uma gestão pública, você tem que ser real. Sou uma pessoa assim mesmo. Quem me conhece sabe, nunca coloquei a máscara de secretário, porque sei vir, ir e vir. Sei de onde vim e para onde vou. Agora, faço bem o meu papel. Se é teatral ou não, mas o resultado da gestão está aí para todos verem.
 
Notisul – O estado tem 36 SDRs. Não são muitas?
Dura – Tem que pensar. O governador Luiz Henrique queria fazer muito mais. Porque ele tinha uma forma de governar, um entendimento de que, quanto mais a população tivesse próxima do poder, mais fácil de governar. É uma ideia dele, acho que está coberto de razão em relação à descentralização, que foi uma grande coisa. Este assunto ainda vai dar muitas teses para estudantes de administração, economia, entre outras áreas. O governador Raimundo Colombo já faz uma gestão mais direta, ele quer tomar conta e faz isto de toda a situação do governo. Ele quer administrar de uma forma e saber de tudo o que acontece. Isto é muito importante, porque também dá segurança para nós, aqui na base. Para a região sul, são cinco regionais (Laguna, Tubarão, Braço do Norte, Araranguá e Criciúma). Isto para um total de mais de um milhão de pessoas. Acredito que aqui está bem distribuído e proporciona bons resultados ao governo.
 
Notisul – Especificamente na SDR de Tubarão, não há excesso de profissionais?
Dura – De maneira alguma, está faltando gente. O ex-vereador e amigo Léo Rosa de Andrade foi o primeiro secretário regional. Ele sim deve ter sofrido muito quando assumiu. Não existia mesa, nem cadeira, nem pessoal. Léo tem os seus méritos. O que poderia ocorrer é uma redução nas gerências. Se o governador, se a reforma administrativa optar futuramente por diminuir algumas gerências, com certeza não fará muito efeito, porque, no caso de algumas, o próprio colegiado já executa este trabalho. Tudo é questão de custo.
 
Notisul – Como estão as principais obras em parceria com o governo do estado?
Dura – A nossa regional acompanha sete cidades. Em todas, do nosso tempo para cá, temos tido sucesso. Tivemos êxito em muitas reivindicações. Pelas mãos do nosso vice-governador, Eduardo Moreira, e com o olhar de desenvolvimento do governador Raimundo Colombo, terminamos o Aeroporto Regional Sul, em Jaguaruna. Faltam alguns detalhes. A obra está terminada, agora falta somente o governador definir a gestão. O investimento do governo do estado foi de quase R$ 30 milhões e do governo federal entre R$ 35 e R$ 40 milhões, com o acesso. Temos a Arena Multiuso, em Tubarão, que está parada por questões técnicas do governo, não por motivos de falta de pagamento, mas retomaremos a partir do próximo mês, esta é intenção. O governo do estado investiu R$ 8,5 milhões. Deste montante, foram pagos quase R$ 7 milhões. Também tem a Unidade de Pronto Atendimento 24 horas, em Tubarão. A obra não é 100% do estado, é municipal, mas o governo foi parceiro. 
 
Notisul – E a construção da nova ponte de Congonhas?
Dura – Esta é uma novela. O governo estadual depositou R$ 630 mil. Daí deu aquele problema de metragem. Este convênio foi assinado em Florianópolis, não na regional, nós fizemos a tramitação dos recursos. Nós temos em Jaguaruna uma grande obra em andamento. É um trecho da parte da cidade que liga a BR-101 à praia de Esplanada. Um investimento total de R$ 5 milhões, sendo pouco mais de R$ 4 milhões do estado. Está em andamento, agora deu uma parada por falta de recursos, mas vai ser retomada em breve.
 
Notisul – E a nova Escola General Osvaldo Pinto da Veiga, em Capivari de Baixo, como está?
Dura – Temos 43 escolas nas sete cidades de nossa abrangência. Somente em Tubarão, são 26. Existem as que estão acima de sua capacidade. A educação é algo bem delicado. Em relação a esta, existia e foi destruída. O problema da empreiteira foi muito sério. Tiramos a empresa. E fizemos o projeto. Mas faltaram recursos no fim do ano para lançar o edital de licitação. A expectativa é de que até março este processo seja retomado. 
 
Notisul – Como ocorrem as negociações políticas por cargos?
Dura – No primeiro momento, em 2011, o governo do estado teve uma participação política muito forte dos partidos que compuseram a tríplice aliança. Todos os partidos foram ouvidos e os cargos regionais colocados na mesa. A SDR não é de Tubarão, é regional. Pode assumir um vereador de Jaguaruna, Treze de Maio, de Capivari, e assim vai. Não sei porque todos acham que Tubarão determina o norte. Talvez porque é o polo regional, mas tem partidos nestas cidades que são tão ou mais fortes do que esses que se instalam em Tubarão. Em 2011, o governador determinou a cota de cada partido, e assim foi feito. Os cargos foram distribuídos aqui da regional com o apoio dos deputados, das lideranças. Depois desta indicação, passa a ser gestão. Se um gerente indicado não trabalha de acordo com as determinações do governador ou do secretário, evidentemente tem que trocar. Mas isto não ocorre mais por questões políticas, tem que ser por motivos técnicos. Isto é fazer o bem para o público. Agora o governador está fazendo uma reforma do secretariado dele no estado. Claro, foi feita uma análise nestes dois anos e se viu que, tecnicamente, os resultados não são o esperado e, lógico, qualquer gestor terá que ver onde está o erro de gestão e vai tentar reformar.
 
Notisul – A meta lançada pelo governo do estado de economizar 20% foi alcançada?
Dura – Sim, na nossa regional, foi. No ano passado, o governador reuniu todos os secretários regionais. E nós cumprimos nossa meta e muito mais. Para se ter uma ideia, eu não tenho motorista desde outubro, porque eu queria alcançar o objetivo de reduzir os custos. De 12 contratados, passei para nove aqui na SDR de Tubarão. O governador tomou esta atitude porque realmente o estado teve um decréscimo de arrecadação muito grande. Ele viu que a coisa não caminhava bem, puxou o freio de mão, arrumou a casa novamente e as metas que ele desejou foram alcançadas. Eu cumpri o meu papel. 
 
Notisul – Como está o PSDB?
Dura – É um partido forte, bom, que comandou Tubarão  por 12 anos. Foi por uma pessoa chamada Carlos Stüpp, uma referência, pois todo o partido tem que ter alguém que possamos seguir. Sempre disse coisas maravilhosas dele e continuarei desta forma. Porém, acho um erro o que ocorre hoje. Quando se perde o poder, perde-se muita coisa no partido político. Não é somente o cargo, a prefeitura, mas também muita gente que fica ao seu lado e se alimenta dessas oportunidades. E, quando perde, a pessoa não está preparada, não fez uma faculdade, um concurso e fica apavorada. O PSDB de Tubarão hoje, te confesso, não sei como está. Faz três meses que conversam entre eles e não me comunicam nada. É uma pena! Porque eu queria muito contribuir. Na eleição do Carlos Stüpp para a prefeitura, eu participei ativamente. Apresentei 30 comícios, trabalhava aqui, chegava bem cedo, viajava para Florianópolis em busca de recursos. Voltava, trocava de roupa aqui mesmo e seguia direto para os comícios. Ajudei financeiramente, somente aqui de Tubarão, uma média de 15 vereadores. Isto não é fazer política, ajudar? Ainda me chamam de individualista. 
 
Notisul – Tens falado com Carlos Stüpp?
Dura – Não tenho conversado mais. Não sei porque ele não tem atendido as minhas ligações. Não telefono mais, também não me liga. Mas o acho um grande líder.
 
Notisul – Para você, qual a maior liderança do partido hoje?
Dura – Sinceramente, depois que entrou o doutor Manoel Bertoncini, que Deus o tenha em bom lugar, ele continua sendo a minha grande referência. Mesmo ausente, está no meu pensamento e ainda dita os meus caminhos. 
 
Notiusl – E qual a tua expectativa em relação ao atual governo de Tubarão?
Dura – Pelas lições dadas pelo governador Raimundo Colombo e o Eduardo Moreira, vamos seguir na mesma linha e da mesma forma. Jamais vamos discriminar. Tanto é que chamei Olavio Falchetti (atual prefeito, PT) após a eleição e esta semana estive em seu gabinete levando todo o relatório e a situação do estado. Espero que a recíproca seja verdadeira. Não administro com o PT, mas sim com o prefeito, os seus assessores, com o seu plano de governo. 
 
Notisul – Como são os relacionamentos com os secretários setoriais?
Dura – Uma das grandes riquezas é ter esta boa ligação com muitos deles. Levo sempre isto comigo. Um exemplo foi o grande presente, muito pouco divulgado, que foi a cardiologia no Hospital Nossa Senhora da Conceição. O secretário estadual de saúde, Dalmo Claro de Oliveira, tem olhado muito para a nossa região, a exemplo de tantos outros que tenho boas ligações. Eu tenho um relacionamento muito bom com o nosso vice-governador, Eduardo Moreira (PMDB), com o qual tenho um grande carinho e um eterno agradecimento, como também ao nosso governador Raimundo Colombo (PSD). Não podemos deixar de citar os nossos deputados, todos têm que ser envolvidos para tirar os projetos da gaveta. 
 
Notisul – E a possibilidade de deixares o cargo na SDR?
Dura – Estão me fazendo esta pergunta, mas tem gente trabalhando há três meses na forma de política antiga, ‘a pau de costura’. Mas a palavra final é do governador Raimundo Colombo e Eduardo Moreira. A decisão que por ventura eles tomarem a qualquer momento acatarei e sairei de cabeça erguida. E direi para eles: muito obrigado por tudo. Em função de bons relacionamentos, tenho algumas propostas de trabalho no governo do estado. Vamos ver o que vai dar.
 
Dura por Dura
Deus – É tudo.
Família – Imprescindível.
Trabalho – O dom de servir.
Passado – Serve para lembranças, não gosto de lembrar muito.
Presente – Momento que vivo.
Futuro – A Deus pertence.
 
"Quando assumi a secretaria regional, por ordem do governador Raimundo Colombo e Eduardo Moreira, nunca me pediram para discriminar nenhum partido político. O meu é o PSDB, mas o PMDB teve as portas abertas comigo. O PSDB da mesma forma. O governador determinou que nós atendêssemos os municípios, e a gente fez. Isso desagradou muitos dirigentes partidários, mas não a população e nem o governador. Entendo que está tudo certo, vamos em frente, estamos no caminho".
 
"O estado não administra porque é do PT, do PSDB ou PMDB. E sim a cidade o para seu povo. É importante saber separar.” 
 
“Não tenho medo de 
sair porque sei que 
cumpri bem o meu papel 
como secretário regional”.