Notisul – Desde janeiro deste ano, a cidade tem sofrido com muitos alagamentos. O que houve?
Nilton
– No começo deste ano, logo no segundo dia de janeiro, tivemos aquela chuva torrencial, inclusive, foi decretado estado de emergência na cidade. Logo em seguida, tivemos mais três eventos como aquele. Não houve tempo de recuperar nada. Foi o suficiente para destruir parte da malha viária e da rede de drenagem principalmente. Nem me lembre. Foi horrível para o cidadão e para nós também. Na época, decidimos rapidamente algumas ações prioritárias, a curto prazo e outras obras que precisam ser executadas a médio e longo prazo.

Notisul – Pode citar algo?
Nilton
– Vão achar que não deveríamos ter gasto tempo com isso, mas, ainda no começo do ano, logo após a segunda grande chuva (em janeiro), fizemos um mapeamento de todos os pontos críticos da cidade e o que estava causando tal problema e tal rua ou comunidade. E foi justamente por conta deste documento que hoje conseguimos dar uma resposta mais rápida para a população. Ainda não está tudo em ordem. Quando o cidadão reclama, tem razão. Mas não posso atender 100 mil pessoas ao mesmo tempo, infelizmente.

Notisul – Quais são os pontos críticos?
Nilton
– Há vários. Os mais preocupantes são as comunidades estabelecidas em áreas de risco ou em bairros muito baixos. A região do São Clemente (Andrino), por exemplo, fica completamente abaixo no nível do Rio Tubarão. Passo do gado, Campestre, Madre, Pantanal. Todas são exemplos de localidades onde a solução é bastante complexa e cara. Isso não significa que nada será feito. Às vezes, quando falamos em caro, entendem que não faremos a obra. Há planos, projetos, mas não são coisas que se fazem do dia para a noite.

Notisul – Você acha que o foco nas obras de asfaltamento, no fim do ano passado, contribuíram para o reflexo tão acentuado da chuva agora?
Nilton
– Não diria isso. O que ocorre é que nunca tivemos tanta chuva concentrada em tão pouco espaço de tempo. Concentrou tudo. O que choveria em dez ou 12 horas caiu em dez minutos. Como temos uma rede de drenagem completamente comprometida, não poderia dar em outra coisa: Tubarão ficou literalmente embaixo d’água. Para minimizar tantos problemas, intensificamos, neste primeiro trimestre, o trabalho de desassoreamento das mais de 20 quilômetros de valas que recebem toda esta água da chuva. Em alguns locais, há rede de esgoto para estas valas também, o que é outro problema, porque entope com mais frequência. Este trabalho de desobstrução é feito ao longo do ano, e desta vez precisou ser feito em três meses, senão ficaríamos mesmo embaixo da água e do esgoto. O problema é que temos uma draga para fazer o serviço.

Notisul – Então, a falta de estrutura em máquinas é o problema?
Nilton
– Se é para ficar reclamando, prefiro colocar a cadeira à disposição do prefeito. Tenho que trabalhar com o que tenho, ser criativo, buscar alternativas. Não adianta ficar com os cotovelos na mesa se lamentando. Falta maquinário, é verdade, mas isso não é de hoje, de ontem, é uma defasagem de 30, 40 anos atrás. Há três patrolas e três retroescavadeira para atender toda a cidade. Não dá. Isso sem contar os caminhões com 30 anos de uso. Mas é o que tenho, é com o que trabalho. Ruim com isso? Pior sem. Mas hoje discutimos muito esta questão: vale mais a pena ter uma estrutura grande ou o mínimo indispensável e contratar serviços. Este debate não é feito somente em Tubarão, mas em todo o país. Em muitos casos, contratar os serviços é muito mais ágil e barato do que manter uma frota.

Notisul – Mas então como vocês fizeram para limpar as valas?
Nilton
– Contratamos uma empresa em fevereiro. O trabalho está em fase final agora. Depois de tudo pronto, é só manter com o velho e conhecido serviço de manutenção. A coitada da draga não para o ano todo (risos). Além das valas, também temos em Tubarão cerca de cinco mil caixas coletoras e bocas-de-lobo. Este trabalho também foi intensificado. Contratamos, em fevereiro, um caminhão hidrojato para desobstruir tudo.

Notisul – Você falou que a rede de drenagem está comprometida no município todo. O que é feito para resolver este problema?
Nilton
– A qualidade do sistema de rede de drenagem é precária realmente. Ao longo dos anos, não houve investimento, não foram tomados os cuidados necessários. Há 40 anos, projetava-se uma rede de drenagem para cinco ou seis casas, hoje temos dez prédios e 20 casas em uma mesma rua e a rede de drenagem continua a mesma, feita para apenas seis casinhas. Não houve preocupação, projeção para o futuro. Hoje, é totalmente diferente. Na (avenida) Pedro Zapellini, por exemplo, a rede é nova e projetada. Deixamos as esperas (pré-ligação na tubulação) para futuramente trocar toda a rede ao redor da avenida. Isso um dia tem que ser feito, porque toda a rede de drenagem (do bairro) de Oficinas não tem mais condições.

Notisul – Quais as obras necessárias para resolver completamente este problema?
Nilton
– Para praticamente resolver, precisamos projetar um sistema de macrodrenagem, desassoreamento de toda a bacia do Rio Tubarão, a construção de uma série de estações elevatórias (máquinas que bombeiam a água da chuva e jogam para o rio). São obras a serem feita para frente. Não adianta, posso parecer repetitivo, mas a questão dos alagamentos está ligada completamente à questão da rede de drenagem. Este é o principal ponto a ser atacado, e na cidade toda, porque está tudo horrível. Também não adianta mais tubular. A cidade cresceu demais. Temos que fazer galerias. É um projeto arrojado, mas que precisa ser feito.

Notisul – E a curto prazo?
Nilton
– A curto prazo, conseguimos resolver uma série de problemas de alagamentos. Um exemplo é o Pantanal, a obra de drenagem que fizemos lá vai resolver o problema por completo. Foi tudo refeito. A região do Morro do Bem-Bom também está com tudo em dia. Podem parecer ações pequenas, mas é isso que vai garantir para que a população não fique embaixo d’água por qualquer chuvinha. Além disso, as obras nestes pontos refletem em outros. Quando fazemos uma obra em um bairro, pode ter certeza que outro também será beneficiado.

Notisul – Quanto foi gasto neste primeiro trimestre para recuperar tantos estragos?
Nilton
– Deve ter sido muito. Não sei números, porque tivemos uma destruição muito profunda na malha viária. Hoje, graças a Deus, conseguimos dar a volta. Mas achei que não daria conta.

Notisul – Como ficará a avenida Padre Geraldo Spettmann? O local será a nova entrada da cidade, mas a estrada é péssima…
Nilton
– Ali é um problema mesmo. Na verdade, o problema é tudo. A avenida terá que ser completamente refeita. Quanto aos alagamentos, fizemos algumas caixas coletoras e projetamos a construção de mais dez para diminuir o acúmulo de água. O alagamento grande só vai ser resolvido depois que a rua for refeita. A estrada ficou muito baixa. Mas isso só será mexido mais para frente, com o andamento das obras da BR-101. Paralelamente, também buscamos recursos para a construção da estação elevatória na cabeceira da ponte Nereu Ramos (centro). Isto vai resolver as cheias em todo o Dehon, Humaitá e mais um pedaço do Morrotes. A estação em frente à secretaria de desenvolvimento regional em Tubarão também será remodelada. Hoje, ela funciona, mas não tem a capacidade que deveria.

Notisul – E a avenida Pedro Zapellini? A obra já não era para estar pronta?
Nilton
– Era sim. Mas houve uma série de contratempos. Começou tudo com aquele aguaceiro de novembro. Além disso, a região de Oficinas é complicadíssima para efetuar qualquer tipo de obras. Se chove um dia, tem que esperar cinco ou seis para secar tudo. Mas o grande problema não foi a chuva em si, e sim a rede de drenagem. Em janeiro, estava quase tudo pronto. Aí choveu (em janeiro) e destruiu tudo. O prefeito Manoel (Bertoncini) mandou parar tudo e ordenou que todo o trabalho fosse feito desde o começo, sem remendos. Acredito que é preferível sofrer um pouco mais do que passar trabalho lá na frente.

Notisul – Por que tem tanta rua asfaltada que precisa ser picada para resolver problemas de água? Não pensaram nisso antes de asfaltar?
Nilton
– Eu penso. Agora, os outros… O problema em Tubarão é que se asfaltava um monte de rua e não se fazia a rede de drenagem. Aí, tudo sempre acaba na bendita rede de drenagem. Parece desculpa, mas não é. Além disso, colocavam material de qualidade péssima. Um exemplo é a rua São José (dos Correios – Centro), a Prudente de Morais (Morro do Canudo – Centro). Neste caso, a pedra está aparente. Os maiores problemas em asfalto estão nas ruas pavimentadas há dez, 15 anos.

Notisul – Qual a obra mais pedida hoje?
Nilton
– Pavimentação (risos). Mas estamos investindo mais no sistema de drenagem. O prefeito disse que não quer saber de rua pavimentada (seja asfalto, pedra ou lajota) sem rede de drenagem nova e projetada para o futuro. Também temos uma demanda enorme na manutenção de ruas. A quantidade de buracos nas ruas é reflexo da rede de drenagem, a maioria causado pelo rompimento da tubulação.

Notisul – Se a drenagem é o maior problema, a implantação do Plano Municipal de Água e Esgoto (Pmae) é a solução?
Nilton
– Uma delas. A quantidade de investimento previsto no Pmae dará tranquilidade para todo este problema. Vamos ter uma rede de esgoto e uma rede de água pluvial. Só isso vai reduzir em mais da metade estes problemas de entupimento de rede, de bueiros. Acho que eu espero mais por isso que Afonso (Furghestti, gestor do Águas de Tubarão).

Notisul – Quais os projetos da secretaria para o próximo trimestre?
Nilton
– Realizar o pedido do povo: pavimentar, pavimentar, pavimentar (risos). Neste primeiro trimestre, conseguimos terminar 15 ruas. Outras nove estão em obras. Uma parte feita com pedras e outra com lajotas. Todos os bairros receberão este “mutirão do calçamento” (risos). Neste momento, estamos mais concentrados no bairro Oficinas. Poderíamos fazer muito mais, mas falta material, mão-de-obra. Não é tão fácil como se imagina.

Notisul – O crescimento da cidade te preocupa?
Nilton
– Não tanto, porque há um controle muito maior, tanto na prefeitura quanto no Ministério Público. Não teremos mais aqueles loteamentos sem a mínima infraestrutura. Hoje, temos muitos problemas com áreas assim. São comunidades que compraram lotes irregulares, dentro de áreas verdes ou de proteção ambiental. Isto nem deveria ser resolvido pela prefeitura, mas vai deixar a família do cidadão passar trabalho por causa de um caminhão de areão? Não, né!? Com o tempo, acredito que estas áreas serão regularizadas e este tipo de problema deixará de existir. Temos que nos preocupar com o futuro. A região tem uma tendência muito grande ao desenvolvimento muito rápido. Tubarão ainda é privilegiado, porque está bem no “meio” da Amurel. Se não cuidarmos e planejarmos o crescimento, vamos criar um bolsão de pobreza. Aí sim quero ver dar jeito.

Notisul – Você foi o candidato a vereador mais votado em Tubarão, no geral. Foi o primeiro do partido, o PSDB. Você não se arrepende de ter largado a vaga na câmara?
Nilton
– Ser vereador de uma cidade de 100 mil habitantes é super importante e uma honra. Mas não é que eu tenha largado, mas foi tudo muito atropelado. No início do governo, não tinha intenção nenhuma de assumir secretaria. Fui eleito para a câmara. Mas aí deu aquela chuvarada, em janeiro. Foi no segundo dia de governo, não tinha nenhum secretário nomeado. Aí o prefeito Manoel perguntou se eu podia dar uma mão, já que eu tinha sido secretário no governo do (Carlos) Stüpp, tinha experiência por conta de outros temporais (risos). Eu vim e fui ficando a pedido dele. Quando eu soube, já tinha sido nomeado secretário, não fui avisado, só comunicado (gargalhadas). Fui nomeado dia 5 de janeiro. No dia 12 que fiquei sabendo. Mas foi uma honra, especialmente por ter a oportunidade ímpar de trabalhar com um ser humano fantástico como o doutor Manoel.

Notisul – Você não pretende voltar para o legislativo?
Nilton
– Não sou secretário, estou secretário até o dia que o prefeito decidir que não precisa mais dos meus serviços.

Notisul – Surgiram boatos de que você queria deixar o cargo por conta do excesso de trabalho. É verdade?
Nilton
– Não (gargalhadas). Sai cada coisa né!? O dia que o prefeito não quiser mais meus serviços, eu saio.