Wagner Zopelaro sempre obteve o entendimento de que nasceu com um propósito. O dele, desde muito cedo, foi o de servir ao próximo. Seu ensino médio foi o profissionalizante como técnico em enfermagem. Trabalhou nesta área em vários hospitais no Rio de Janeiro. Serviu o Exército como enfermeiro no Batalhão de Infantaria 24 BIB, na Ilha do Governador.
Fez Faculdade de Enfermagem, a qual não concluiu por ser chamado em um concurso da Marinha Mercante como enfermeiro, no qual trabalhou por algum tempo na Petrobrás. Porém, por não conseguir ficar longe da família, resolveu sair e retornou aos estudos, quando passou no vestibular para a faculdade de odontologia do Rio de Janeiro. Em 2007, veio para Santa Catarina, onde se dedica à área da saúde.
Em 2012, pela Escola de Saúde, foi coordenador do curso técnico em saúde bucal da Amurel. Foi secretário de saúde adjunto em Laguna. Hoje, é cirurgião-dentista com pós-graduação em dor oro facial pela Universidade Federal de Santa Catarina e em Ortodontia pela SLMANDIC.
É ainda coordenador da política pública voltada à saúde do homem, coordenador de odontologia e secretário de saúde adjunto, em Capivari de Baixo e professor do curso técnico em saúde bucal do Núcleo Avançado de Estudos Odontológicos (NAEO), em Balneário de Camboriú.
Neste semestre, iniciou a pós-graduação em gestão pública. É casado há 25 anos e tem um casal de filhos.
 
 
 
Jailson Vieira
Capivari de Baixo
 
Notisul – Quais os maiores problemas enfrentados em uma secretária de saúde?
Wagner Zopelaro – Os principais problemas enfrentados pela Secretaria de Saúde de Capivari de Baixo, hoje, são os mesmos encontrados em todas as secretarias do país: morosidade nas licitações para adquirir produtos e serviços; política salarial inadequada, que é um problema constatado a nível nacional e não somente municipal, porque diante dos baixos rendimentos, ocorre muito rodízio entre os profissionais que estão sempre na busca de novas oportunidades para aumentar sua renda; Demanda populacional muito maior do que os recursos disponibilizados pelo Ministério da Saúde; Apoio logístico precário nas médias e altas complexidades para atendimentos aos pacientes, o que gera fila de espera. Quanto a esse tópico, destaca-se que em diversas situações os pacientes necessitam de atendimento básico de saúde, que é oferecido pelo município, mas devido à complexidade do caso, há necessidade do encaminhamento para centros especializados, fora da cidade. A partir daí começa a morosidade no atendimento, porque o estado não consegue suprir toda demanda, dessa forma, faz com que gere uma fila de espera. Muitas das vezes, os Municípios são forçados a solucionar o problema do paciente através de convênios com clínicas particulares, o que vem a onerar ainda mais o tratamento e as despesas do município com a saúde. Isso poderia ser resolvido por meio de uma política de saúde adequada, se tanto o Ministério da Saúde quanto as Secretarias do Estado contribuíssem financeiramente, da mesma forma, que o município. Falta de investimento proporcional nas três esferas de governo nas ações de média e alta complexidade, o que gera aumento significativo na fila de espera, sabemos que a responsabilidade sanitária é Tripartite. A porta de entrada é a Rede Básica de Saúde e essa no Município tem cobertura de 100%, e nas especialidades conforme a necessidade diagnosticada na rede básica com contratos na própria rede e em serviço privado. Toda ação de saúde é investimento independentemente se privativo ou curativo. 
 
Notisul – Por que não há médicos especialistas em Capivari de Baixo. Os pacientes tem que se deslocar a Tubarão até quando?
Wagner Zopelaro – Há vários médicos especialistas em Capivari de Baixo, como em ginecologia obstetrícia, psiquiatria, ortopedia, cardiologia, pediatria, infectologia, odontologia. Credenciamos, ainda, algumas clínicas particulares para o fornecimento no atendimento de outras especialidades, como otorrinolaringologia, oncologia, urologia, oftalmologia e cirurgias. Além disso, contamos com outras especialidades que prestam atendimento na área da psicologia, nutrição, fonoaudiologia, fisioterapia, acupuntura, através de centros especializados, como o Centro de Apoio Psicossocial (Caps), Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF).É importante destacar que nenhum Município consegue através dos recursos obtidos para a saúde ter todas as especialidades médicas para suprir a necessidade dos pacientes, e em Capivari de Baixo não é diferente. Manter um especialista na cidade gera um custo muito alto e com os recursos disponíveis, hoje, procuramos fazer o melhor atendimento canalizado para o atendimento básico, já que por meio da política pública de saúde, as especialidades se incluem nas médias e altas complexidades, o que deveria contar com maior participação das Secretarias de Estado e do Ministério da Saúde.
 
Notisul – Por que o sistema que gerenciava a farmácia básica municipal foi retirado?
Wagner Zopelaro – A prestação de serviço é feita através de licitações. Encerrada esta fase, é firmado um contrato, por prazo determinado, entre a Administração Pública e o particular, no qual é especificado o serviço que será fornecido.  O sistema que gerenciava a farmácia municipal foi retirado, porque o prazo do contrato expirou. É importante ressaltar que já foi aberta nova licitação para adquirir novo sistema de informatização. A Secretaria Municipal de Saúde dará um grande passo neste ano informatizando não apenas a Farmácia Básica como todos os serviços da rede pública: Unidades Básicas, Nasf e Caps 1.
 
Notisul – Desde setembro do último ano o Prontoatendimento foi fechado, não há outro local para se fazer os procedimentos que o PA fazia para os moradores não precisarem ir a Tubarão?
Wagner Zopelaro – O Prontoatendimento foi instalado no município de Capivari de Baixo com o intuito de prestar serviço de saúde a toda comunidade também durante os finais de semana, já que geralmente as Unidades Básicas de toda região não funcionam nestes dias. Porém, devido a problemas estruturais no PA, os órgãos competentes o interditaram no ano passado. As Unidades Básicas de Saúde não possuem estrutura adequada para prestar atendimentos emergenciais que são típicas de Prontoatendimento, devido à falta de leitos e equipamentos, fica então para os locais de referência, como o hospital de Tubarão, que se propôs, por meio de convênio com a Secretaria de Saúde do Estado, a atender toda população, não somente de Capivari de Baixo, mas de toda a região. Mesmo assim, procuramos adequar uma de nossas Unidades, no bairro Santa Lúcia, para fornecer parte do que era oferecido no PA, como disponibilização de salas para realização de procedimentos injetáveis, gesso e prestação de serviço de ginecologia e obstetrícia e ortopedia, além de clínica geral. Na atualidade o que rege a Urgência e Emergência é a Rede De Atenção as Urgências e Emergências, temos como porta de entrada o HNSC e outros Hospitais de pequeno porte para as internações menos complexas.
 
Notisul – Você sabe quais as principais reclamações dos moradores do município na área da saúde?
Wagner Zopelaro – Possuímos, em todas as Unidades Básicas de Saúde distribuídas pelo município, compartimento apropriado para que os usuários do Sistema Único de Saúde depositem nele sugestões e reclamações dos nossos serviços. Uma das maiores é no sentido de sentirem falta do Prontoatendimento, o que já está em fase de resolução.
 
Notisul – Quais os convênios firmados pela prefeitura na área da saúde, e quais poderão ser firmados? Há projetos em cima disso?
Wagner Zopelaro – Atualmente, há vários convênios com que estão em execução, os quais objetivam zelar pela saúde da família, de modo a garantir cobertura de atendimento médico e odontológico, além de outros serviços de apoio, como o Núcleo de apoio a saúde da família (Nasf), Centro de Apoio Psicossocial (Caps 1), Programa Saúde na Escola (PSE) e “Melhor em Casa”, no qual é o atendimento domiciliar aos pacientes acamados. É importante frisar que na execução de todos esses convênios, conseguimos apenas uma ajuda inicial para implantação do serviço e um pequeno suporte para sua manutenção, de modo que o município arcar com grande parte do ônus. Além dos mencionados, contamos com um convênio com a Amurel, chamado CIS-Amurel, para compra de alguns exames, como tomografia computadorizada, ressonância magnética, USG, EDA, Colonoscopia, entre outros para atender a demanda gerada na Atenção Básica e nos Relatórios da Assistência Social. Já no que se refere à reforma do Prontoatendimento, conseguimos, por meio de emenda orçamentária, ajuda para compra de equipamentos e móveis, com a Portaria já publicada pelo Ministério da Saúde, bem como transferência de recursos por meio da secretaria de estado da saúde.
 
Notisul – Todos os postos de saúde têm médicos em Capivari. Existe algum planejamento para a contratação de novos profissionais?
Wagner Zopelaro – Sim. Estamos com o nosso quadro de funcionários completo, inclusive na área médica.  Desde 2013, não tivemos problemas que envolvem a falta de médicos, porém, sabemos que esta é uma realidade instável, pois devido à sua capacitação técnica, procuram fazer residências, o que nos deixa com defasagem no quadro profissional, até que possamos completá-lo novamente. No entanto, todos os postos de saúde têm médicos e o quadro está completo, mantemos uma lista ativa para a contratação de novos profissionais conforme a necessidade evidenciada.
 
Notisul – Como vocês providenciam os exames e medicamentos para a população? Há aqueles casos que são mais importantes, ou o que chegar primeiro será atendido?
Wagner Zopelaro – A Secretaria de Saúde de Capivari de Baixo não possui laboratório para análises clínicas próprio, e há necessidade de contratação de laboratórios com preço do Sistema único de Saúde (SUS), para o fornecimento desses serviços à população. Exames mais complexos, que não conseguimos através de preço SUS, são adquiridos através de licitações, com formação de convênios. Possuímos, desde 2013, uma auditoria para controle e avaliação para resolução de casos pontuais e também através da Avaliação Social, pois apesar da Universalidade no SUS agimos com o principio da Equidade.
 
Notisul – Por que faltam medicamentos simples na farmácia, como Omeprazol, Tylenol? E medicamentos controlados, como Bromazepam, Rivotril, não seria necessário manter um estoque bom dessas medicações, já que o uso é oportuno para muitos pacientes?
Wagner Zopelaro – A licitação e o estoque de medicamentos são baseados em dados anuais fornecidos pela Farmácia Básica do Município. Neste ano, a demanda dobrou em relação ao ano passado, a exemplo do Clonazepam 2mg, o qual era consumido em média 1,5 mil comprimidos por semana, e passou para três mil. Temos que ter uma preocupação muito grande na aquisição desses remédios devido ao seu prazo de validade, porque, após vencidos, teremos que descartá-los, o que é duplamente ruim em termos ambientais e financeiros. Temos procurado, por meio de uma série histórica, fazer aquisições conscientes dos medicamentos mais usados pela população para que não haja desperdício do dinheiro público e os pacientes não fiquem sem seus remédios. Nova licitação já ocorreu e todos os pedidos de medicamentos que estão em falta já foram autorizados, de modo que dentro de 10 a 15 dias começaremos a recebê-los para serem distribuídos à população conforme a necessidade.
 
Notisul – Qual o quadro de funcionários da saúde atualmente, ele está completo? 
Wagner Zopelaro – Hoje, contamos com cerca de 180 funcionários. O quadro encontra-se completo, com médicos, cujas especialidades são dentistas, enfermeiros, técnicos em enfermagem, técnicos em saúde bucal, psicólogos, nutricionistas, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, acupunturistas, massoterapeutas, farmacêuticos, assistentes sociais, agentes comunitários de saúde além dos funcionários de apoio como recepcionistas e serviços gerais.
 
Notisul – Há alguma pretensão política? Como o senhor avalia o seu trabalho e o da secretária Inês frente à secretária da saúde?
Wagner Zopelaro – Sim, tenho pretensões políticas e sonho com o dia em que irei satisfazê-las. Faço parte do quadro de funcionários desde o início da Gestão do nosso Prefeito Moacir Rabelo, o qual procura trabalhar incansavelmente para melhoria do município. Sou cirurgião dentista e desempenhava a função, até o mês passado, de Coordenador da Odontologia. Hoje estou como Secretário Adjunto de Saúde, juntamente com a nossa Secretária de Saúde, Inês Eulália, e tenho procurado atender as expectativas não só da Administração, como da população. Trabalho intensamente na prestação de serviço com qualidade. Quanto à nossa Secretária, tenho um imenso orgulho de estar à frente da Secretaria, junto com ela, pois possui caráter de justiça, honestidade e humanidade, adjetivos que considero básicos para um bom secretário de saúde.
 
Notisul – A secretária da saúde é a mais complexa do município? A casa está em dia com os atendimentos populacionais?
Wagner Zopelaro – Todas as Secretarias possuem suas complexidades, porém, a secretaria de saúde, por tratar da parte mais sensível do ser humano, que é a saúde, torna-se a mais exigida. O fato do indivíduo não estar doente, não quer dizer que ele esteja saudável. Por isso, considero a secretaria de saúde, sim, a mais complexa, porque por mais que no dediquemos a prestar um serviço de qualidade, nunca será o suficiente. Nosso quadro de funcionários está completo, cobertura de 100% na atenção básica com atendimento odontológico e médico, vários serviços implantados como o NASF, que conta com vários profissionais, tais como fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, acupunturistas, massoterapeutas e alguns programas no combate ao tabagismo e ao álcool com apoio especializado de psicólogos, o CAPS, no qual conta com psiquiatra, psicólogos, assistentes sociais e enfermeiro. Destaco, por fim, os serviços de epidemiologia, vigilância sanitária, farmácia, vacinação. Possuímos, ainda, os Programas “Saúde na Escola” e “Melhor em Casa”, este dedicado ao atendimento domiciliar a pacientes acamados, de pós-operatórios que estão impossibilitados de se locomover para as Unidades Básicas de Saúde mais próximas de sua localidade. 
 
Notisul – As cobranças de alguns vereadores quanto ao Prontoatendimento é grande? Ele foi prometido para março, estamos em julho e até agora nada. Podemos esperar a reinauguração para que mês? Ele ainda sairá neste ano?
Wagner Zopelaro – Uma das funções inerente aos vereadores é buscar respostas dos órgãos competentes frente aos questionamentos da população já que são representantes do povo, portanto, julgo cabível e normal que os vereadores busquem respostas. Conforme divulgação nos meios de comunicação feita pelo nosso prefeito Moacir Rabelo, as obras estão para iniciar. Afirmo que se a burocracia que impera neste país não atrapalhar, o Prontoatendimento estará concluído em dezembro deste ano.
 
Notisul – O que podemos esperar de melhorias até o fim deste ano na área e para os próximos dois anos?
Wagner Zopelaro – Temos alguns projetos de construção de novas Unidades Básicas, como a do Santo André, que, inclusive, deve ter as obras iniciadas neste ano. Há outras Unidades que estão em fase de conclusão de licitações, compra de equipamentos e informatização. Há ainda, a nova instalação da Farmácia Básica no Bairro Santa Lucia, retorno do Prontoatendimento e Concurso público para efetivação do quadro.
 
 
Wagner por Wagner
Deus – O criador
Família – A base de tudo
Trabalho – Construção de uma vida
Passado – Muito trabalho
Presente – Realizando sonhos
Futuro – Paz e saúde
 
"Temos alguns projetos de construção de novas unidades básicas, como a do Santo André".
 
"Há outras unidades
que estão em fase de conclusão de licitações".