Marco Antônio Santos, natural de Tubarão, é casado, viveu em Pedras Grandes até os 5 anos de idade. Depois, morou em Imbituba até os 17, quando retornou para a Cidade Azul para fazer cursinho de preparação ao vestibular. Formou-se em medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 2006, com especialização em medicina do trabalho. Já em 2007, iniciou os trabalhos no Alto Vale do Itajaí, em Presidente Getúlio, onde ficou por dois anos. “Em 2008, quando nasceu a minha filha, começamos a avaliar a possibilidade de voltar para Tubarão, para ficar mais próximo da família”, revela Marco Antônio. Ao retornar para a região, trabalhou em Capivari de Baixo, Treze de Maio e finalmente na sua cidade natal. Foi atuar na Unidade Básica de Saúde de São Martinho, Bom Pastor e Vila Esperança. Antes de assumir como diretor-presidente da fundação de saúde de Tubarão, em abril do ano passado, foi coordenador médico do então secretário Gustavo Dassoler da Silva, já na gestão do prefeito Olavio Falchetti (PT).

 

Maycon Vianna
Tubarão
 
Notisul – Qual o principal desafio que o senhor enfrentou ao assumir a fundação de Saúde de Tubarão?
Marco Antônio Santos – Eram dois os desafios. O mais urgente à época, ou seja, o que fazia grande pressão, estava relacionado à questão do abastecimento, medicamentos e materiais, como de limpeza. Teve uma situação que ficamos sem papel higiênico, era uma questão completamente absurda quando chegamos, mas conseguimos com alguma dificuldade passar este momento. Já em segundo, podemos colocar o desafio que foi implantado no primeiro ano, ficou muito evidente o nosso projeto chamado pelos integrantes da fundação de saúde de estruturante. É um projeto que ainda está em andamento e longe de nos dar por satisfeitos, mas já conseguimos uma resposta em relação a isso, claro, teremos um bom tempo para cumprir todas as coisas que colocamos no nosso planejamento como prioritárias.
 
Notisul – Quanto tempo será necessário para colocar os trabalhos da fundação em dia?
Marco Antônio – Boa parte dos trabalhos já está em dia em relação a essas necessidades, tanto de materiais quanto a questão de medicamos (já temos uma situação melhor do que antes). Ainda não está 100%. Por exemplo, no que diz respeito aos medicamentos, dos 155 itens da farmácia básica, temos somente 11 faltantes. É algo que sempre manterá uma oscilação, precisamos estar acima dos 95% para ficarmos satisfeitos. Temos uma dificuldade na questão de fornecedores, o que pode interferir. Mas em relação aos trabalhos, tudo o que queremos modificar é algo trazido pelos legisladores: o tamanho e a maneira de fazer as coisas na área da saúde municipal. Em quatro anos, queremos dar uma condição bem melhor, mas que não termina neste período. Para se ter uma resolução para todos os problemas é preciso um projeto em longo prazo. Estamos sempre fazendo diagnósticos novos sobre os problemas que temos. Sempre reavaliamos as modificações que entendemos ser prioritárias, isso é um sinal de que crescemos, pois já conseguimos fazer. É fato que vamos precisar de mais tempo, mas isso vai depender da vontade dos eleitores.
 
Notisul – O senhor sabe quais as principais reclamações dos moradores em relação à área da saúde no município?
Marco Antônio – Sim, entendemos a reclamação dos moradores, principalmente por meio da Câmara de Vereadores que são os representantes diretos do povo. Também, a partir dos conselhos locais de saúde em que participamos frequentemente dos momentos de troca com a população. Isso é fundamental! Tem a nossa ouvidoria e a mídia. Não trabalhamos isolados..
 
Notisul – Como o senhor avalia a cobrança dos vereadores de oposição sobre os trabalhos realizados na fundação de saúde?
Marco Antônio – Normal. Muito se faz necessário, tem coisas que vamos concordar com eles em relação a dificuldades que temos, ninguém está negando que a saúde do município tem desafios. Fui falar disso na Câmara de Vereadores no ano passado e os legisladores concordaram. Se colocar em perspectiva, os problemas avaliados e que desde aquela época tínhamos noção do que precisaria ser feito, conseguimos dar conta de boa parte, então, observamos que houve um avanço. Já da segunda vez que estive na Câmara, falamos de outros problemas, o que consideramos interessante, pois não repetimos as mesmas incertezas anteriores. É um sinal que o nosso trabalho tem dado resultado. A cobrança é normal mesmo, tanto por parte dos vereadores, como também da população. O pessoal da oposição, que tem este papel específico. Algumas situações são tratadas por eles de forma desproporcionadas. Queremos deixar claro que sempre estamos abertos a qualquer vereador que queria dar a sua sugestão, ou qualquer situação que deseja de uma explicação mais detalhada. Absorvemos estas queixas e colocações dos vereadores como normais, faz parte das atividades que vivenciamos na vida pública.
 
Notisul – Como estão os convênios atuais? Existe algum projeto para a retirada dos animais das ruas?
Marco Antônio – Em relação aos convênios, todos estão bem encaminhados. Acredito que na próxima semana teremos novidades. As pessoas que gerenciam estes convênios sabem que demos o parecer positivo. Vamos manter, com algumas instituições, a questão de definir como manter isso em relação a valores e alguma questão contratual que esteja faltando. É algo que não me preocupa. Em relação ao Centro de Controle de Zoonoses, para a retirada dos animais das ruas, especificamente os cães, temos alguns projetos em andamento relacionados à esterilização em parceria com a Guarda Municipal. Quando se observa os cachorros em volta a uma cadela no cio, a ideia é retirar para fazer a castração e depois temos que reter os animais. O Centro de Controle de Zoonoses de Tubarão não pode exceder a sua capacidade máxima, não teria assim condições de abrigar novos animais. Após a castração, a ideia é devolver À comunidade por meio de doação. Aliás, no próximo mês, temos um projeto de ampliar a campanha de castração. O convênio com a ONG Movimenta-Cão também está por detalhes para ser finalizado e enviar para a Câmara de Vereadores para futuramente ser assinado.
 
Notisul – Recentemente, alguns postos de saúde ficaram sem médicos em Tubarão. Existe algum planejamento para a contratação de novos profissionais?
Marco Antônio – A partir do momento que temos a necessidade, vamos atrás e, mesmo quando não temos esta necessidade, mantemos contatos com alguns profissionais para convidá-los a vir trabalhar conosco. Em janeiro, tivemos alguns problemas relacionados às férias e à saída de alguns profissionais do nosso quadro. Esta situação já chegou a seu ápice, mas já está sob controle. Temos um projeto para este ano para contratar mais médicos, justamente para suprir quando ocorrem as férias e também para atender o aumento da demanda de atendimentos em determinadas unidades. Teremos o que chamamos de profissional volante, que estará fixo em uma clínica e, em caso de necessidade, será alocado para eventual necessidade das comunidades que estiverem sem médico naquele momento.
 
Notisul – Como vocês estão providenciando exames e medicamentos para a população?
Marco Antônio – Tivemos um aumento substancial nas cotas de exames em 27% (de 2012 a 2013). Neste ano precisamente, analisamos quanto poderemos fazer de aumento em relação a cotas de laboratório, e queremos, pelo menos, aproximar-se ao índice divulgado anteriormente (27%). No que diz respeito aos medicamentos, a principal dificuldade, não só de Tubarão, mas dos municípios da região, está relacionado aos fornecedores. Dificuldade para fazer as entregas. Se algum paciente perceber que tem algum medicamento de ponta da farmácia básica que esteja faltando, pode entrar em contato conosco para que possamos fazer a solicitação imediatamente. Precisamos saber para cobrar dos profissionais responsáveis e para que haja o melhor andamento possível. Queremos saber por que isso ocorre, tem o canal da ouvidoria para a queixa. Vale salientar que a nossa condição de medicamentos da farmácia básica não é ruim, podemos dizer que está muito boa. Em relação a medicamentos judiciais ou por vias de processos administrativos, isso tem um andamento um pouco diferente dos remédios que são da farmácia básica.  São medicamentos que não conseguimos prever, entra com um processo agora e a partir da decisão jurídica é determinado que vamos ter que comprar tal medicamento que não temos na farmácia. Para comprarmos nos moldes que a administração pública pode fazer, isso requer mais tempo, pois não temos como passar por cima das barreiras da legalidade. Pedimos um pouco de paciência! Para um caso específico que o cidadão esteja com dificuldades, pode dirigir-se até a fundação de saúde para explicarmos corretamente todos os passos, mas muitas vezes não temos o que fazer devido à questão dos fornecedores.
 
Notisul – O senhor considera o setor de saúde o mais complexo de um município? Você tem alguma pretensão política?
Marco Antônio – Não tenho pretensão política. Sou um profissional da ponta, atuo pelo desejo de dar conta de alguns problemas que via quando trabalhava na unidade de saúde. É algo que todo cidadão que reclama de determinada situação da área pública e que tem a oportunidade de fazer diferente, dificilmente não aceita o desafio. Em relação ao peso da pasta da saúde, acredito que cada uma tem a sua complexidade, são dificuldades diferentes. Existe um consenso entre os secretários de saúde dos municípios da região, em congressos que participamos, que até devido à legislação especifica da saúde pública no Brasil (isso já vem de vários anos), é um pouco mais difícil.
 
Marco por Marco
Deus – Não sou religioso!
Família – Alicerce
Trabalho – Missão 
Passado – Boas lembranças!
Presente – Trabalho
Futuro – Esperança
 
"Não cabe a mim dizer se tal secretaria é mais complexa do que outra em um município.
Todas apresentam um grau de dificuldade, talvez algumas se sobressaem".
 
"Estamos em contato com a população para saber quais as necessidades, é um trabalho permanente".
 
"Com quatro anos do projeto para a área da saúde, ou até em dois anos mesmo, vamos ter uma condição de trabalho bem melhor".