Amanda Menger
Tubarão

Notisul – Como você avalia a gestão Carlos Stüpp e Ângelo Zabot, nestes oito anos como prefeito e vice de Tubarão?
Com
– Positiva. Até porque você não era nem nascida e eu já era vice-prefeito de Tubarão (risos), em 1976. Fui eleito vice de Paulinho May e fizemos um mandato de cinco anos. Depois, tive um mandato de prefeito de oito meses, porque Paulinho renunciou para concorrer a deputado estadual. Fiquei parado em torno de oito anos. Voltei como vereador e, quando era presidente da câmara, fui convidado para compor uma chapa encabeçada por Carlos Stüpp (PSDB). Nesta época, eu estava no PP. Disputamos uma eleição contra o prefeito que tentava a reeleição, Genésio Goulart (PMDB). Foi uma eleição difícil, ganhamos por 290 votos. Os primeiros quatro anos foram para acomodar, organizar a casa. Porque nós queríamos fazer aquilo que estamos fazendo hoje. Infelizmente, os recursos eram muito poucos. Fomos buscar essa adequação, principalmente dos impostos, que estavam muito defasados. A arrecadação era de R$ 25 milhões e hoje é em torno de R$ 100 milhões. Só não está satisfeito, não enxerga quem não quer a transformação que é Tubarão hoje. A beira-rio, o asfalto no Rio do Pouso, na Pedro Zapellini, na Sílvio Cargnin. Eu fiquei muito satisfeito, porque em 1976 o bairro de Oficinas não tinha 20% do calçamento que tem hoje. E hoje tem quase 100%, falta pouco. Com planejamento, tenho certeza que a administração do Dr. Manoel e Pepê Collaço finalizará as obras.

Notisul – Nestes oito anos, você tem alguma frustração?
Com
– Sim. Muitas decepções, frustrações, não apenas na vida política, pública, mas também na vida pessoal. Mas eu penso que nós superamos isso porque temos muitas alegrias, amigos, pessoas que dão força. É muito comum as pessoas dizerem que têm no máximo uma mão cheia de amigos; eu posso dizer que eu tenho muitas mãos de amigos! Tenho consciência que tenho erros, mas Jesus, que era perfeito, foi injustiçado, sofreu críticas. Temos que aceitar as críticas e utilizá-las de forma positiva. Vou continuar, mesmo sem ter nenhum cargo eletivo, ajudando as pessoas, sendo uma voz presente, cobrando, ajudando a cidade.

Notisul – Teve algum ponto que a administração Stüpp-Com errou?
Com
– Sim. Mas não intencionalmnete. Procuramos fazer o certo. Sempre digo: se há divergências entre marido e mulher, também há entre prefeito e vice; entre prefeito, vice e população. Tenho certeza que não fomos unânimes, mas acredito que boa parte da população nós agradamos.

Notisul – Você acredita que esta dificuldade de investimentos na infra-estrutura, em obras, foi o ponto que mais gerou críticas?
Com
– Temos que analisar. Tínhamos poucos recursos, além disso, o governo do estado era oposição, tivemos divergências e não teve um investimento grande. Nós buscamos, fomos criticados e processados, por causa das ações do Imposto Sobre Serviços (ISS). Mas foi o que deu cara nova para a cidade. Tenho certeza que Dr. Manoel e Pepê administrarão muito mais recursos. E Tubarão precisa muito de infra-estrutura. Com esta chuva mesmo, indagaram-me por que regiões alagaram… é difícil. Tubarão é uma cidade muito baixa, tivemos sorte. Não há vazão. Encheu o rio da Madre, de Congonhas, encheu o rio, a água vai para onde? A tendência é alagar.

Notisul – Você, que presenciou a enchente de 1974, ficou receoso no último fim de semana?
Com
– Sim. Na madrugada de sábado para domingo, acompanhamos. Estávamos no local e o rio chegou a 4,8 metros (acima do nível). Ainda faltou muito: para o rio começar a transbordar precisava chegar a 5,7 metros, 5,8 metros. Mas a enchente de 1974 também foi assim, ninguém acreditando, foi indo, indo e deu no que deu. No fim de semana, as pessoas faziam procissão ali na régua. Um outro lugar que as pessoas foram muito foi a ponte do Morrotes. Nós fizemos um investimento grande para elevar a ponte. Eu acho que, se ainda estivesse baixa, desta vez a água passava da ponte. Graças a Deus, e algumas melhorias que fizemos no sistema de drenagem, teria que chover mais um tanto daquele para que nós nos preocupássemos.

Notisul – O monitoramento do rio e os investimentos nessa área da Defesa Civil municipal é um desafio para a próxima administração?
Com
– É obrigado. Quanto ao monitoramento do rio, nós só temos uma régua. Nós temos que ter a tranquilidade de poder acompanhar o rio via internet. Nós estamos ainda na era do ‘olhômetro’, de achar o quanto está subindo. A nossa preocupação é que já houve ação de vândalos contra a régua. A próxima administração precisa preocupar-se com isso.

Notisul – A Defesa Civil está preparada para uma nova enchente? As pessoas saberiam como agir?
Com
– Eu acompanhei a enchente de 1974 e bem pouca gente no centro da cidade morreu. A maioria estava na rua, preocupada, mobilizou-se e foi para os pontos mais altos, Morro do Becker, Hercílio Luz, Catedral. Mas, no interior, o problema foi maior. Ainda falta alguma coisa, nós não estamos preparados 100%. A sociedade tem que se unir. A Defesa Civil tem que ter local próprio, equipamentos. Não só em tempos de chuva, mas nós temos que ter planejamento, saber como agir, para onde ir. Assim como o exército, temos que fazer exercícios. Eu diria até que deveríamos fazer simulações. É obrigado a se estruturar. Sem alarde, mas a nossa cidade está em uma área de risco.

Notisul – Como você avalia a campanha eleitoral deste ano?
Com
– As composições que fizemos foram importantes. Partido que sai desunido pode até ganhar, mas é difícil. E os partidos que estavam conosco estavam comprometidos. Acho que o único que não estava muito à vontade, era um estranho no ninho, era eu, porque pertenço a outro partido e fui a dissidência. Seria incoerente da minha parte, eu não estaria indo contra o Dr. Manoel, mas contra a administração que eu fiz parte durante oito anos. Na vida pública, temos que lutar, trabalhar. Eu não gostei de atitudes radicais tanto de um lado quanto de outro, eu acho que o político tem que ir lá e mostrar o que vai fazer e não criticar, baixar o nível. Eu, graças a Deus, saí satisfeito dessa eleição.

Notisul – Por falar em questão partidária, você continuará no Democratas? Como está a sua relação com o partido?
Com
– Temos que fazer uma análise. Eu estou fazendo reuniões com pessoas que me ajudaram. Tem aí umas 400, 500 filiações que nós fizemos conjunto ao PFL, eu e Eza, minha esposa. Temos que analisar. Pode ser que eu não saia candidato, mas a minha esposa, meu filho, algum parente, amigo, vamos analisar para ver onde vamos nos acomodar.

Notisul – Qual a sua avaliação sobre o Democratas hoje?
Com
– Eu acho que saiu muito. Já se esperava essa divisão. Essa divisão começou na hora da eleição, inclusive na hora que colocaram esse cidadão como presidente (o presidente eleito pelo Democratas em 2007 foi César Damiani; como assumiu a secretaria de desenvolvimento regional em Tubarão, repassou o cargo a Dalton Marcon) ele procurou não só dividir, como deixou de lado os amigos. Eu saí muito chateado. Estou muito chateado. Não com esse atual presidente, mas com o que foi eleito.

Notisul – Esse foi um dos motivos pelos quais Eza não foi candidata e você também recuou em uma nova candidatura?
Com
– Foi um dos motivos. Nós tínhamos análises, pesquisas que indicavam até uma boa votação. Mas, como podemos ser candidatos por um partido que estava apoiando um determinado candidato que era contrário à administração que fazemos parte? Deixamos então de pensar na proporcional. Nos preocupamos mais com a majoritária.

Notisul – Em diversas análises, o Democratas aparece como o partido que mais perdeu nestas eleições. Você também pensa deste modo? E os demais partidos, quem ganhou, quem perdeu?
Con
– Não precisa nem de análise. Isso é evidente. E não é só porque não elegeu nenhum vereador. Na outra eleição, o então PFL também não elegeu ninguém. O vereador do DEM, Jairo Cascaes, elegeu-se pelo PDT em 2004. É público e notório que foi o que mais perdeu. Quanto ao PT, às vezes, as pessoas dizem a porque o PT quer isso, quer aquilo, aquilo que Olávio (Falchetti) quer eu também acho que tem que ser: partido individual. Isso para sabermos quem é mais forte, como é nos Estados Unidos. Hoje, lá quem é o mais forte? Os Democratas! Os Republicanos estão em baixa. Para fazer uma avaliação correta, precisamos ter os partidos concorrendo sozinhos. Acho que coligação deveria ser feita depois, como é no segundo turno.

Notisul – Qual é a expectativa para o governo de Dr. Manoel e Pepê Collaço?
Com
– Muito boa! Esperança de ser a transformação de Tubarão. Infelizmente, o problema de saúde do Dr. Manoel nos pegou de surpresa. Tenho certeza que ele se recuperará. Ele está muito otimista. Nas vezes que conversei com ele, disse que irá voltar e cumprir aquilo que prometeu durante a campanha. E eu tenho certeza que Tubarão terá uma transformação, e que eles irão superar a administração Carlos Stüpp- Ângelo Zabot.