Amanda Menger
Tubarão

Notisul – Como surgiu o seu interesse por política?
Deka
– Já nasci no meio político, meu pai, Paulinho May, meu avô, Idalino Fretta. Eles sempre estiveram envolvidos com política. Meu avô foi durante décadas presidente de partido, vereador, assumiu interinamente como prefeito. Meu pai foi vereador, vice-prefeito, prefeito. É difícil ficar fora disso.

Notisul – A participação engajada na política foi nesta eleição?
Deka
– Eu tive uma outra oportunidade, quando morava em Florianópolis. Agora foi algo diferente, porque eu me dediquei muito. Muitas pessoas ajudavam, tinha ainda o fato de ser filho de uma pessoa conhecida, respeitada. Isso facilitou.

Notisul – Você esperava ter uma boa votação? Esperava ser o mais votado?
Deka
– Não. Até porque, dos vereadores, sete eram candidatos à reeleição, além de outros candidatos que já tiveram a experiência de ser vereador. Lutamos muito, porque foi uma campanha feita sem promessas.

Notisul – Qual foi a participação de seu pai em sua campanha?
Deka
– A participação do meu pai foi no estilo dele. Ninguém manda nele. Em todas as residências que eu entrava, todos o conheciam. E eu nunca ouvi, não sei se elas me preservavam, mas não falavam mal dele. Aliás, digo que isso foi a coisa mais importante da minha campanha.

Notisul – O que você aprendeu de política com ele?
Deka
– Aprendi que você tem que ser verdadeiro sempre. De que a verdade é fundamental para aquilo que você se propõe, para se colocar na posição de ser político. Meu pai sempre foi um político polêmico. Eu sempre digo que ele tem uma qualidade e um defeito. A qualidade é ser muito autêntico. O defeito também é ser muito autêntico. E na política, muitas vezes, você tem que pagar um preço por isso.
Notisul – Como foi a campanha, qual o estilo você adotou?
Deka – Eu tive o apoio de muitas pessoas. Recebi o apoio do deputado estadual Joares Ponticelli (PP). Ele tem comigo uma relação de amizade muito forte; é uma referência em Tubarão, ajudou a todos os vereadores do partido. Tive a participação da família Menegaz, do professor José Santos Nunes (PP) que é meu amigo, ex-vereador e atual secretário de educação da prefeitura. E até ruim citar nomes, porque foram muitas pessoas e tenho medo de esquecer alguma.

Notisul – Como você avalia essa renovação na composição da câmara?
Deka
– É importante. Sou partidário de que não deveria ter reeleição. Porque, mesmo involuntariamente, quando tu te eleges, passa a te dedicar à tua reeleição. Acho isso complicado porque te desvia do objetivo da tua função. Determinadas pessoas têm o conceito de que o vereador é um despachante, você tem um problema com a conta de luz, de água, de gás vai lá que o político resolve… Não é assim. Eu penso que não deva ser assim.

Notisul – Na campanha, você observou então que as pessoas não sabem qual é a função do vereador?
Deka
– Muitas pessoas não têm a mínima noção. O sentimento que eu tenho é que estas pessoas estão completamente equivocadas da função do político e do que é a política. Eu acho que os políticos têm, sim, a sua parcela de culpa, mas o problema são estas pessoas, uma parte do eleitorado que é extremamente agressiva.

Notisul – Muitos pedichos?
Deka
– Muitos. Dos mais variados. As pessoas não tinham a menor vergonha. Eu dizia ao longo da campanha: se você se propõe como médico, as pessoas te respeitam; como engenheiro, advogado, as pessoas te respeitam; mas, se você se propõe como político, elas não respeitam. De imediato, elas têm uma reação: mais um safado, ladrão que aparece. E isso não é justo.

Notisul – O seu slogan durante a campanha foi ‘Política levada a sério’. Como que é levar a polícia a sério?
Deka
– É ter princípios, conduta e atitudes sérias. Acredito que o comportamento do político é fundamentalmente mais importante do que a competência dele. Uma pessoa honesta consegue tornar-se competente, agora um competente desonesto dá para imaginar o desastre que é.

Notisul – Você é a favor de que os políticos tenham ficha-limpa?
Deka
– Tem que ser. Um sujeito que não pode abrir conta em banco, que tem uma quantidade “x” de processos por má conduta, e principalmente algo relacionado à administração pública, não pode jamais.

Notisul – Qual a expectativa para esse primeiro mandato?
Deka
– Passou a eleição e eu não fiquei mais feliz do que eu era. E não me sinto mais comprometido do que eu era. Eu dizia que eu não queria ser um vereador, um político, queria ser um cidadão com um mandato. E eu não tenho projeto futuro na política. A minha única pretensão era ser eleito e fazer deste mandato algo que eu pudesse me orgulhar depois. A pessoa que eu era antes, agora eleito, e o que eu serei durante o mandato será sempre a mesma.

Notisul – Como você observa hoje a posição do Partido Progressista no cenário político?
Deka
– O partido, em termos nacionais, está entre os maiores. Terá uma importância muito grande. Hoje, entre os maiores partidos, estão PMDB, PSDB, PT e PP. É um partido grande, fez mais de 570 prefeituras no país. Tem algumas manchas na sua história, é verdade, mas isso todos têm. A questão partidária para muitas pessoas não tem significado, mas para mim tem. A participação do PP será decisiva nas eleições de 2010.

Notisul – Você acredita que Joares Ponticelli é um bom nome para a disputa do governo do estado em 2010?
Deka
– É um bom nome para deputado estadual. É esse o compromisso que ele tem hoje. É fundamental que ele busque a reeleição de deputado. Pelo trabalho que ele fez e que faz de forma muito competente na oposição. Ele tem sido um político de linha, correto. Como político, ele é uma pessoa correta, muito coerente. É fundamental que estejam discutindo o nome dele para o governo do estado, para o senado. Para nós seria ótimo, mas hoje ele é candidato a deputado estadual.

Notisul – Como você avalia a reedição da aliança com o PSDB em Tubarão?
Deka
– Foi algo natural. Não tem como dois partidos reunirem-se sem ocorrerem algumas discussões, discordância, mas nunca houve brigas. O deputado Joares tinha algumas colocações a respeito do governo de Carlos Stüpp (PSDB). Mas, o prefeito foi muito hábil na condução deste processo. A eleição de Manoel Bertoncini (PSDB) não é simplesmente um continuísmo. As pessoas podem pensar que é uma reedição. Mas cada pessoa que assume deixa a sua marca. Acredito que, apesar de algumas críticas, o governo Stüpp tem muitos méritos. Carlos ficou ilhado muito tempo, sem apoio do governo do estado e federal. E sobreviveu em meio a tormenta. Tem um mérito que é só dele e do juiz Júlio César Knoll, que são estes recursos provenientes da ação dos bancos, para cobrança do Imposto Sobre Serviço (ISS). A cidade ganhará muito com estes recursos.

Notisul – Como foi o acordo para indicação do nome do futuro presidente da câmara de vereadores?
Deka
– Não foi um acordo. Era um desejo do prefeito eleito, que o PDT, nestes primeiros dois anos, assumisse a presidência da câmara. E por coerência e pelo respeito a Manoel, eu acatei a vontade dele.

Notisul – Há alguns problemas pontuais hoje em Tubarão. Um deles é a construção do canil público. Como você avalia esta situação?
Deka
– Isso tem que ser resolvido. O Notisul, através do Carrador, tem um posicionamento de que isso precisa ser resolvido. Muitos têm dito que é difícil, tudo é. A maneira de resolver é discutir objetivamente. O primeiro passo é retirá-los da rua. Depois, veremos como gerenciar os cuidados necessários, como esterilização, e quem sabe até uma boa campanha de adoção destas criaturas que vivem soltas por aí abandonadas à própria sorte.

Notisul – Quais são os seus projetos?
Deka
– É preciso que a cidade gere uma melhor expectativa de vida e condições mais justas para as pessoas. Principalmente, para quem está saindo da faculdade e não tem emprego. Ouvi, durante a campanha, muitos pedidos de emprego. Temos que buscar mecanismos e parceiros para que as pessoas possam manter-se aqui. A educação será também para mim uma prioridade. Além disso, é preciso dar uma atenção especial ao interior da cidade, que é muito carente; tem a questão do rio Tubarão, a poluição do ar…