Jaison Cardoso de Souza é imbitubense e tem 47 anos. Mora na cidade com sua família. É casado há 25 anos e tem dois filhos. Após anos de carreira como empresário, entrou para a política. Foi vereador três vezes consecutivas, presidente do legislativo e ocupou a função de secretário em quatro ocasiões (administração, obras, desenvolvimento urbano e ambiental). Também foi chefe de gabinete e, agora, pela primeira vez assume a administração do executivo. Hoje, cursa a faculdade de administração pública, na Unisul, que concluirá no próximo ano. 
 
 
Mirna Graciela
Imbituba
 
 
Notisul – Após exercer tantos cargos públicos, esta é a primeira vez como prefeito. Em um ano e meio no governo de Imbituba, qual a sua visão?
Jaison – É bom salientar que hoje, administrar uma prefeitura não é simples. Tenho participado de várias reuniões de prefeitos, não somente na Amurel, como também em nível nacional, a exemplo dos encontros em Brasília, para onde vou anualmente. E cada encontro deste é uma ‘choradeira geral’. Atualmente, mais de 70% dos gestores do país não conseguem fechar suas contas. E cada dia fica mais difícil. São criados os programas pelo governo federal. Eles estabelecem as leis para cumprirmos, criamos os programas nos municípios e não mandam o dinheiro para suprir as necessidades destes programas e temos que sempre retirar os recursos próprios. Se não bastasse isto, os impostos em nosso país são muito mal distribuídos. O governo federal fica com a maior parte, mais de 60%, em torno de 20% para os estados e 15% para os municípios. Mesmo assim, seguimos em frente em prol de nossa população. Aprimoramos os nossos departamentos e secretarias para que tenhamos sempre uma condição de boa arrecadação e trabalhamos de uma forma muito séria nas despesas. Profissionalizamos vários setores, isto foi um avanço ao longo dos anos, já iniciou com o governo do Beto Martins, e hoje estamos com uma prefeitura bem estabelecida, recursos em caixa, nossa folha de pagamento em dia, tudo bem equilibrado, mas sempre focamos na gestão. Trabalhamos muito em forma de planejamento. Já sabemos exatamente o que faremos nos próximos quatro anos, quanto vamos investir, de que forma, de onde vem o dinheiro. Não há a definição exata de onde vamos aplicar, em quais obras de infraestrutura, algumas estão definidas. As coisas ocorrem exatamente de acordo com o que foi planejado. A prefeitura não tem dívidas. Não há funcionários com férias vencidas. Lembro de quando o Beto iniciou o seu mandato, isto existia, além de ser ilegal, traz um endividamento em longo prazo para o município. A qualquer momento podemos recorrer aos bancos de fomento para buscar recursos para investimentos. 
 
Notisul – É perceptível que o senhor tem um controle total da gestão financeira da prefeitura. Isto é um diferencial. Como surgiu e como é esta dinâmica?
Jaison – Tenho realmente o controle. Diariamente verifico todos os recursos que entram e saem. O que me fez dar esta capacidade administrativa foi a experiência como secretário no governo anterior, principalmente de administração. Na época, o papel era maior. Como secretário controlava todas as compras e despesas. Hoje, acompanho e faço a verificação. Não sou um expert em informática, mas conheço todos os sistemas de informação. Se me pedires para entrar e ver qual a empresa que vendeu para a prefeitura e se já recebeu, qual a receita, tenho o acesso e o controle geral, o macro certamente. Pois se verificar tudo detalhadamente, deixarei de usar o meu tempo para outras funções mais importantes como prefeito. Hoje, por exemplo, já abri para checar o que entrou ontem. Afinal, sem recursos o prefeito não consegue caminhar. É preciso trabalhar neste sentido. Apertamos muito na cobrança de impostos. Acreditamos que é uma questão de justiça. Se o Antônio e o Pedro pagam os seus impostos, o Manoel e o Joaquim também têm que fazer o mesmo. É desta forma que estabelecemos, sem favorecimento para ‘A’ ou ‘B’. Todos são tratados de forma igual, em termos de gestão administrativa, na figura de prefeito. É óbvio que tem as questões criadas em uma campanha política em relações de amizades que são diferentes. Normalmente tomo uma cervejinha com os que votaram no Jaison (risos). Mas em termos administrativos, todos os contribuintes são tratados da mesma maneira.  
 
Notisul – O Porto de Imbituba é um empreendimento fundamental para o desenvolvimento da cidade. O que pode ser dito?
Jaison – Nossa expectativa é muito grande. É um porto muito promissor. Estamos em fase de conclusão, uma obra do governo federal, que é a dragagem, a qual o transformará no porto de maior calado do Brasil. Terá as melhores condições de receber as grandes embarcações do mundo. Tivemos há três anos os investimentos feitos pela Santos Brasil, a primeira maior empresa de movimentação de contêineres na América do Sul e que ainda não movimenta de acordo com o que foi pré-estabelecido nos contratos, mas esperamos em breve que isto ocorra. Há outras cargas que tomara que não sejam sazonais, como as que recebemos, de milho, soja, pela grande produção de grãos que houve no país. Esperamos que estas cargas continuem a vir. O porto não tem dado ainda os resultados. Em termos econômicos estão muito aquém no almejado. Isto porque ainda opera com 30% de sua capacidade e tem muito espaço para crescer. Nossa expectativa é de que, em quatro anos, possa ser uma fonte de economia bem maior. Mas já tem movimentado a cidade. Não há nada especial em termos de receita. Creio que do ano passado para este teremos uma contribuição de R$ 1 milhão, que é 1% de nossa receita. Na verdade temos uma meta para este ano, pela primeira vez na história de Imbituba atingir os nove dígitos e chegar em uma receita anual de R$ 100 milhões. Assumi o governo com uma receita de R$ 72 milhões e fechamos no ano passado com R$ 83 milhões. É um trabalho que envolveu muitas pessoas na prefeitura, especialmente a secretaria de fazenda. 
 
Notisul – E a Zona de Processamento de Exportação?
Jaison – Em minha última reunião com o governador do estado, há cerca de 60 dias, discutimos este assunto em função da primeira carga de grãos que veio para Imbituba. Os caminhões invadiram a nossa cidade, foram mais de mil. Quanto à falta de espaço por um centro de triagem, conversamos a respeito de utilizar aquele local para trabalhar com um centro de triagem provisório, pois vejo aquilo como uma área nobre para a instalação de várias empresas ligadas ao porto. Não acho prudente usar aquele patrimônio por um centro de triagem. Porém, conversamos sobre a condição de se passar aquela área, hoje vinculada à Companhia de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina (Codesc), para a SC Par. Assim, será uma área estratégica para a busca de empresas ligadas ao porto.  
 
Notisul – Quanto ao distrito industrial? Há novidades? 
Jaison – O distrito iniciou no governo do ex-prefeito Osny Sousa Filho. Ele fez um trabalho para que aquela área do governo do estado fosse transferida para o município de Imbituba. Depois, iniciou-se um processo de busca de empresas para a instalação, já no governo do Beto Martins. São 45 lotes, onde todos estão ocupados. São 22 empresas, quando sete estão em funcionamento com a geração de 300 empregos. Há outras 11 em fase de instalação e que, no início do próximo ano, estarão em atuação com mais 700 empregos. Ainda existem mais cinco empresas em fase de terraplanagem e, provavelmente, iniciarão suas atividades no decorrer do ano que vem. Foi uma aposta que está dando resultados, trabalhar com pequenas empresas que geram cerca de 70 empregos cada. Tanto é que deu certo que trabalhamos no sentido de desapropriar uma área próxima ao distrito, com o dobro do tamanho, para que possamos receber as várias empresas que nos visitam para se instalar em Imbituba. O levantamento de valores está sendo feito, estamos em conversas com o proprietário, existem questões burocrática e jurídica que precisam ser definidas. A partir disto, iniciaremos o processo de desapropriação. Acreditamos que esta fase ocorra dentro de seis meses e, inclusive, o acerto com as empresas.
 
Notisul – As áreas da saúde e da educação, como estão?
Jaison – Em termos de investimentos, a maior parte tem sido na área da saúde. No ano passado, foram R$ 3 milhões a mais do que estabelece a Lei de Responsabilidade Fiscal. Este ano não será diferente. Estamos em fase de construção e ampliação de sete postos de saúde. Analiso a educação com cinco aspectos importantes para termos bons resultados. Estruturas adequadas para atender bem os estudantes e dar condições de trabalho ao professor, o transporte escolar, a merenda, o material pedagógico e a valorização do educador. Hoje posso dizer que nossa merenda é muito boa, o transporte está perfeito, as instalações de nossos estabelecimentos de ensino não estão 100% como gostaríamos. Há dez escolas e 14 creches onde posso dizer que cerca de 70% estão em bom estado. Os 30% restantes vamos melhorar. O material é o sistema Positivo, usado na maioria das escolas particulares, em Santa Catarina. Quanto ao professor, ainda não chegamos onde desejamos. Mas trabalhamos no sentido de valorizá-lo para garantir os direitos do plano de carreira. 
 
Notisul – Como o turismo é trabalhado em Imbituba?
Jaison – O de alta temporada em Imbituba já se consolidou. Nossa região norte, a Ribanceira, a Barra da Ibiraquera, as Praias do Rosa e da Vila retratam este panorama e continuamos a trabalhar na parte de infraestrutura. Os empresários também têm investido muito nesta região. Porém, o necessário é incrementar o turismo de baixa temporada. Este é o que vai nos dar uma consolidação de uma cidade turística o ano inteiro. Para isto nos empenhamos no monumento de Santa Paulina. Já existe um convênio com o governo do estado de R$ 2 milhões. Será uma obra de R$ 4 milhões, onde temos os recursos próprios. Todos os moldes da santa estão prontos, foi contratado um artista plástico, que fez o projeto. Estamos em fase de abertura do lançamento do edital de licitação porque ainda é concluído o projeto construtivo. Existe o convênio assinado com o governo e temos os recursos disponíveis em caixa. O turismo religioso é para o ano inteiro. O primeiro milagre da santa ocorreu em Imbituba. 
 
Notisul – Como é a sua relação com o legislativo?
Jaison – Perfeita! São nove vereadores de situação e quatro de oposição. Mantenho o respeito com os 13. Não tive problema com nenhum projeto até hoje. Não houve reprovação até porque procuramos discuti-los com a base do governo antes de enviar à Câmara. E são projetos de interesse público. Não há porque os vereadores votarem contra. Eles são bastante responsáveis, cada um na sua função. Uns defendem o governo, os de oposição criticam em alguma situação e fiscalizam. É assim que funciona a democracia.   
 
Notisul – Quanto aos planos na política? Tem projeto para se candidatar novamente a prefeito?
Jaison – Não tenho isto definido. Porém deverá ocorrer em meu último ano de mandato. Acho que antes de tudo, nós prefeitos, quando participamos de reuniões costumamos dizer que o processo hoje, de distribuição de rendas, se continuar desta forma, daqui a cinco, sete anos, não teremos mais candidatos, pois ficará impossível administrar uma prefeitura e cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. Um chefe do poder executivo, para conduzir, tem que estar preparado, ter conhecimento de administração e muita vontade. Se eu não continuar buscarei alguém do grupo e até quem sabe, se ele aceitar, seria uma satisfação a volta do Beto Martins. Em minha opinião foi o melhor prefeito que a cidade teve.
 
Jaison por Jaison
Deus – Sou católico
Família – Importante
Trabalho – Bastante
Passado – Boas lembranças
Presente – Realizado
Futuro – A Deus pertence
 
"Hoje, o prefeito tem que trabalhar voltado para a gestão e deixar a política praticamente toda de lado. Caso contrário, ele não consegue honrar com os compromissos da Lei de Responsabilidade Fiscal. E isto nós temos feito muito bem! Procurado desenvolver o trabalho voltado à gestão profissional, na cobrança de impostos… Na verdade, o prefeito, hoje, para gerir a sua cidade, não pode ter medo de perder votos. O administrador que tem medo disto quer ser bonzinho e fazer sempre as coisas de acordo com o interesse das pessoas, acaba não gerindo bem. Estamos em um caminho diferente disto".
 
"Nos últimos dez anos é a cidade que mais cresce no sul de Santa Catarina".
 
"Na última temporada, Imbituba foi a terceira cidade do estado que mais recebeu turistas".