Natural de Turvo, mas morador de Jaguaruna há 44 anos, Luiz Arnaldo Napoli, 55, trabalhou desde muito jovem na administração de uma churrascaria da família, localizada às margens da BR-101. Depois foi empresário do ramo de combustíveis. É casado com Salete, e pai de Alice e Douglas. Tem na política o gosto herdado pelo pai, ao acompanhá-lo em seus compromissos quando candidato. Foi eleito prefeito em sua primeira disputa eleitoral. Atualmente acha cedo para pensar em uma reeleição, mas é categórico em afirmar que pelas obras que irá deixar terá discurso para lutar por uma nova oportunidade.

Silvana Lucas
Jaguaruna

Notisul – O que falta para o município de Jaguaruna prosperar?
Luiz Arnaldo Napoli (PP) – A cidade já prospera. Atualmente é um local muito procurado porque tem qualidade de vida e água em abundância. Não somos somente a Cidade das Praias, somos também a cidade das lagoas. Temos a lagoa do Arroio Corrente, onde captamos água potável que abastece o município, com capacidade se precisar, de abastecer também Tubarão e cidades da região. Nossa maior riqueza natural é a água e, com a operacionalização do Aeroporto Regional, que será o maior instrumento de desenvolvimento do sul do estado, será também com certeza nosso maior propulsor.

Notisul – O que o poder público pretende realizar neste ano?
Luiz –
Vamos trabalhar com foco nas obras de infraestrutura. Existem muitos trabalhos para executar ao longo deste ano. Daremos ênfase às pavimentações e nas construções estruturais, como colégios, unidades básicas de saúde e a instalação de um reservatório de água de 500 mil litros. A ótima notícia é que iniciaremos já neste mês uma importante obra de saneamento, que começará pelas ruas centrais. Também estamos preocupados com a saúde da população, principalmente com o nosso Hospital de Caridade, que sofre uma crise. Nossa unidade deve R$ 5 milhões, não tem convênio, não tem certidão de negativa de débitos e já perdeu a filantropia. Esta é nossa maior preocupação. Situação que estamos, até o momento, conseguindo manter.  Esta unidade atende, além da comunidade, também o município de Sangão, com mais de 40% dos pacientes da cidade vizinha. Atendimento que bancamos. 

Notisul – Já existe recurso disponível para executar o acesso da Cidade das Praias à Ponte de Congonhas? 
Luiz –
A construção dos acessos à estrutura pegou nossa prefeitura de surpresa. Porque a informação que tínhamos era de que não haveria contrapartida nesta obra. Para esta passagem havia um convênio de R$ 120 mil da gestão passada que, quando assumimos, verificamos que tinha sido desviado para outras finalidades. Tivemos que devolver este dinheiro para o estado e agora somos surpreendidos com essa história de que somos os responsáveis pelas cabeceiras. Tubarão e Jaguaruna, cada um pelo acesso do seu lado. De nossa parte é até um pouco mais complicado, pois estão localizados nesta região os produtores de arroz e, logo à frente, existem canais que irrigam a produção. Como as cabeceiras ficaram muito elevadas, com cinco metros,  precisará de muito material para construir este acesso. Além disto, na execução, tem que ocorrer muita compactação do solo, não se pode simplesmente colocar o material e deixar. Esta obra é de compactações. É necessário fazer contenções e entroncamentos no local, enfim esta parte requer muitos recursos. Este trabalho deve passar de R$ 200 mil para ser realizado. Antes de fazer este acesso, temos que terminar uma creche no município que o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) está nos pressionando. Uma obra que já deveria estar pronta há tempo, pois já foi paga pelo governo estadual e agora precisa ser realizada urgentemente. Investimos mais de R$ 200 mil. Então, aplicarmos o recurso na ponte, não terá dinheiro para construir a creche. 

Notisul – Quais as maiores dificuldades enfrentadas para administrar a cidade?
Luiz –
Com certeza é o nosso hospital, pois não podemos fechar as portas para a população. Esta unidade é referência na região, e passa por uma grande crise. Há uma dívida de R$ 5 milhões, que conseguimos parcelar em até 180 vezes, mas para que isto ocorra precisamos pagar 10% no momento. Isto quer dizer, temos que repassar hoje uns R$ 500 mil. Não temos de onde tirar este valor. Há o compromisso de entregar a creche pronta, além outras obras de políticas públicas estratégicas para o município. Nosso tempo de trabalho é até abril do próximo ano, porque como 2016 será ano eleitoral, os convênios são afirmados neste período, depois nada mais é repassado. A quantidade de obras a ser realizada é maior que o tempo para buscar investimentos. 

Notisul – O Rio Sangão, que corta Jaguaruna, está coberto por uma vegetação. De acordo com alguns moradores prejudica a realização de atividades nas águas. Existe alguma providência?
Luiz –
No ano passado limpamos duas vezes. Gastamos quase R$ 100 mil para retirar o material e fazer a limpeza dos rios, porque há vários canais em nossa região. Claro que é uma preocupação. O aguapé cresceu muito nos últimos meses com o calor e a umidade, fatores que contribuíram para a vegetação desenvolver-se rapidamente. Abrimos uma licitação para a contratação de uma empresa para executar a limpeza, mas o processo atrasou. Há uma balsa efetuando a limpeza do local. Infelizmente, como é somente um equipamento, quando termina um lado, o outro já cresceu.

Notisul – É notório que a Barra do Camacho precisa ser desassoreada. Quem é o responsável por este trabalho?
Luiz –
Antigamente quem realizava este serviço era uma equipe da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc). O governo estadual precisou retirar a máquina para fazer alguns reparos no equipamento. O combinado seria que, quando a reforma terminasse, ela retornaria. Quando iniciou a minha gestão, nos reunimos com integrantes da companhia para acertar a volta da draga. Atualmente, este equipamento está em Laguna, nas obras de desassoreamento do Rio Carniça. Sabemos que na Barra do Camacho há indícios de blocos de assoreamento, este fator, além de interferir na vazão das fortes cheias, também prejudica os pescadores. Existem muitas famílias que sobrevivem da pesca e, se a situação piorar, esta fonte pode acabar. Há uma emenda parlamentar que já está protocolada em Brasília para continuar com as obras de contenção até a ponte.

Notisul – Qual a contribuição da operacionalização do Aeroporto Regional Humberto Ghizzo Bortoluzzi para o crescimento de Jaguaruna?
Luiz
– A expectativa é grande para que o aeródromo venha a operar. Já publicamos a abertura de até 40 pontos de táxi. A  administradora do local reivindica uma conexão de linha de ônibus com deslocamento até o aeroporto. Vamos buscar recursos para a pavimentação do acesso pelo centro da cidade. São apenas 7,5 quilômetros, sem precisar de obras de arte. Já fomos buscar apoio em nossa bancada e como conseguimos realizar o acesso com pavimentação para Campo Bom, iremos também atrás da execução desta pavimentação pela comunidade do Retiro, que se transformará no acesso sul da Cidade das Praias. Contribuiremos com tudo o que estiver ao nosso alcance. Isto, com o tempo, oportunizará mais emprego e renda para o município. 

Luiz por Luiz
Deus
– Todo poderoso
Família – Base
Trabalho – Dignifica e enobrece
Passado – Experiência e reflexão
Presente – Viver bem
Futuro – Planejamento

Eles levantam as cabeceiras da ponte de Congonhas em cinco metros e nós é que temos que fazer este tamanho de acesso?