Em seu primeiro mandato como vereador de Tubarão, Dionísio Bressan Lemos acredita que a maior conquista não foi material, foi a de poder representar a população. Formado em medicina veterinária pela Universidade de Santa Catarina (Udesc), sempre esteve envolvido com a política. Como estudante, atuou no centro acadêmico. Filiou-se no Partido Progressista em 13 de novembro de 1982. Entre 1993 e 1996, assumiu o cargo de secretário de desenvolvimento rural da prefeitura. E de 1999 a 2003 esteve à frente da Epagri, onde trabalhou na pesquisa e extensão rural.
 
 
Angelica Brunatto
Tubarão
 
Notisul – Por que o senhor colocou o nome à disposição para ser candidato da prefeito de Tubarão?
Dionísio – Confesso que não estou satisfeito com o que aí está. Fui candidato a vereador para, justamente, contribuir para o desenvolvimento da minha cidade, da minha região, e das pessoas que vivem nela, dos meus irmãos tubaronenses. Lamento que o candidato que apoiamos para prefeito não tenha cumprido aquilo que assumiu durante a campanha eleitoral, isso fez com que nos afastássemos da administração. Não concordando com o que aí está, e acreditando ser possível fazer diferente e melhor, creio que deva ser, efetivamente, um pré-candidato.
 
Notisul – E como é dividir o posto de pré-candidato com um correligionário, neste caso Deka May?
Dionísio – Natural. Pior seria se não tivesse nenhum. Eu acho que são nomes que estão preparados para dar a sua contribuição, que demonstraram um excelente desempenho nas urnas em 2008, e esse desempenho gera fruto de uma empatia entre esses candidatos com a sociedade tubaronense. Fez com que eles tivessem um bom desempenho na câmara, com postura, idealismo, bandeiras de luta, com posições claras e bem definidas, e isso os credencia a ser candidatos à majoritária ou qualquer outra posição.
 
Notisul – Como seria uma campanha ideal?
Dionísio – A campanha ideal é aquela que seja a das propostas. Eu acho que ninguém deveria votar em nenhuma pessoa. Eu defendo inclusive que a lei eleitoral, se pudesse ser modificada, para que todos os candidatos fizessem um planejamento do que pretendem fazer no seu mandato, seja no legislativo ou executivo. Essas propostas deveriam ser registradas em cartório. Passando a ser um termo-compromisso dele com a sociedade. Eu gostaria que fosse dessa forma, e não uma campanha fisiológica, onde o interesse por cargos ou benefícios pessoais estejam muitas vezes acima do interesse de projeto que beneficiam o coletivo. 
 
Notisul – Na sua opinião, muitos se candidatam por interesse pessoal?
Dionísio – Tem muita gente que faz da política uma profissão. E eu entendo que não deva ser assim. Ele pode até eventualmente, e momentaneamente, ficar à disposição exclusiva da política para desempenhar bem o seu papel, mas não pode se eternizar em vigor da política. 
 
Notisul – O ideal é que tivesse um emprego paralelamente?
Dionísio – Sempre que possível. Não necessariamente um emprego. Mas ter uma atividade que lhe dê renda justa e honesta para que não dependa da política. Porque a dependência financeira da política muitas vezes obriga o político a dançar conforme a música.
 
Notisul – Caso seja confirmado candidato a prefeito, em que focará a sua campanha?
Dionísio – Na gestão, no choque de gestão necessário no município de Tubarão, para que possa efetivamente melhorar a saúde, dar uma assistência melhor e mais simplificada. As coisas são normalmente simples de serem feitas. O administrador público costuma pregar dificuldades para vender facilidades. É uma gestão boa para a educação, para saúde, para a área de segurança, infraestrutura, para áreas produtivas, e com certeza tudo será mais fácil. Há que se reduzir o tamanho da máquina pública, há que se controlar os gastos nas compras de materiais e serviços, com controle de quantidade e qualidade, além de transparência no trato das questões comerciais da prefeitura, e vai sobrar dinheiro para fazer muito mais. 
 
Notisul – Você concorda que o número de servidores comissionados é muito alto, tanto na câmara, quanto na prefeitura?
Dionísio – Em todas as secretarias, em todos os níveis da prefeitura, e também na câmara de vereadores. Isso pode ser reduzido substancialmente. Pelo menos 30% não faria falta nenhuma, acredito que possa chegar a 50%. Viabilizaria os recursos necessários para fazer aquilo que eu defendo para dar o choque de gestão necessário nesse município.  
 
Notisul – Como você avalia o atual cenário político de Tubarão?
Dionísio – Preocupante, porque eu não vejo muitas alternativas. Eu vejo até com um certo ceticismo. Vejo com preocupação, os candidatos se acham donos do direito de vir a ser candidatos e se tornarem vereador, vice-prefeito, prefeito, porque querem apenas ser, e não se preparam para isso. A sociedade acaba aceitando isso com naturalidade, e as coisas acabam ficando na mesmice, sem realmente uma mudança de rumo. E aí quem faz sempre a mesma coisa colhe sempre o mesmo resultado. 
 
Notisul – E quanto aos pré-candidatos a prefeito, considera nomes fortes?
Dionísio – São razoáveis, eu diria que todos o pré-candidatos que aí estão colocados não têm essa determinação, essa disposição que precisa. Eu vejo que os discursos de momento são oportunistas. Neste momento, todos acabam discursando para o eleitor e tentando vender uma imagem e uma capacidade que na maioria das vezes não têm. Eu acho que não são pessoas que estão comprometidas com o desenvolvimento de tubarão, na maioria das vezes.
 
Notisul – Qual a sua avaliação da administração atual?
Dionísio – Eu não quero aqui falar de pessoas, quero falar da administração, da instituição administração. Eu acho uma das piores da história de Tubarão. Deixou muito a desejar. Primeiro, os administradores não honraram o compromisso em campanha, que assumiram com a sociedade tubaronense. Não implantaram aquilo que se comprometeram. Não fizeram as transformações que iriam fazer. Por conta disso tudo, entendo que foi feito um feijão com arroz na educação e saúde, nada foi feito na segurança, e na infraestrutra inexiste qualquer evolução neste período. Por consequência, não poderia ser outra a minha avaliação: é muito deficiente.
 
Notisul – O que você pode fazer melhor?
Dionísio – Praticamente tudo. Na educação, não falta dinheiro, faltam gestores. Com 25% da receita líquida para ser aplicada na educação, nós já poderíamos ter escolas em tempo integral, nós já poderíamos ter escolas com condições ambientais físicas muito melhor do que temos hoje, ter ar-condicionado nas salas de aula. Poderíamos ter a utilização dos recursos audiovisuais à disposição da educação de forma a tornar o ambiente escolar muito mais aconchegante e os recursos para a educação atraírem mais a atenção do aluno. Hoje, o estudante normalmente é chamado de indisciplinado, porque ele vem do ambiente externo muito melhor do que na maioria das vezes a escolar, onde ele não tem um ventilador, as carteiras são desconfortáveis, há falta de recursos. A educação torna-se realmente muito atrasada daquilo que deveria ser, e por isso temos a avaliação que hoje, em termos mundiais, somos um dos piores países entre os avaliados.
 
Notisul – Como foi começar o mandato na situação e em um certo momento virar oposição?
Dionísio – Eu entendo que a saída do Pepê Collaço do partido foi apenas um fato a mais. Eu confesso que não me sentia nada confortável  em ter que defender uma administração com a qual eu não concordava. Fazer oposição é muito mais fácil, é necessário em Tubarão. Há muito tempo, a cidade não tinha uma oposição a administrações municipais, e esse papel, com certeza, talvez até tenha feito com que o governo não tenha sido pior do que já é. 
 
Notisul – E como está o PP no cenário?
Dionísio – Acho que o partido tem uma importância muito grande, tem o maior número de filiados em Tubarão, tem uma militância muito forte. Soube separar o joio do trigo, nessa saída do governo municipal, onde algumas pessoas do partido preferiram o fisiologismo do cargo, mas a maioria esmagadora preferiu realmente o idealismo. E o partido acabou se fortalecendo e tendo mais filiados hoje do que tinha a um ano atrás.
 
Notisul – Como é o trabalho na câmara de vereadores?
Dionísio – É importante, necessário, embora a câmara fique muito longe daquilo que a sociedade imagina. Ela tem o poder de legislar e de fiscalizar, mas é um poder muito limitado e muito restrito. As pessoas querem uma participação política de resultados e os vereadores não conseguem dar, porque podem indicar, propor, requerer, legislar, fiscalizar, mas não executam, e a maioria da deliberações dos vereadores acaba não sendo colocada em prática pelo executivo. Tanto em termos dos resultados operacionais daquilo que foi legislado, ou da fiscalização da implementação desta legislação.
 
Notisul – Então, os trabalhos votados na câmara não são executados…
Dionísio – O executivo não está na maioria das vezes nem aí para o que é legislado. Nós sabemos que a insegurança, por exemplo, é proveniente de uma situação da falta de cobrar, de exigir, daqueles cidadãos que perturbam a ordem, para que não o façam. E, embora a câmara tenha aprovado diversas leis nesse sentido, não são colocadas em prática e não têm a fiscalização do executivo. E essa omissão acaba que nós tenhamos uma situação muito grande de insegurança no nosso município. 
 
Notisul – Como o senhor avalia o seu último ano na câmara?
Dionísio – Eu entendo que a câmara de Tubarão vive um momento muito bom, depois do início tumultuado, por conta daquelas disputas pela mesa diretora, protagonizadas principalmente pela desistência do vereador João Fernandes. Mas, finalmente, encontrou o caminho. Tivemos que brigar, buscar isso na justiça, e sem interesse pessoal.
 
Dionísio por Dionísio
Deus – Início, meio e fim.
Família – A base sólida de uma vida.
Trabalho – Prazer.
Passado – A experiência adquirida.
Presente – Prática do aprendizado.
Futuro – O Futuro a Deus pertence.
 
"Tubarão tem os problemas das negativas, e aí talvez não seja do interesse do atual chefe do executivo resolver essa situação em definitivo, porque isso implicaria com o acordo com o Dnit e na obrigatoriedade de buscar a responsabilização de quem aplicou mal os recursos daquele convênio, o famoso convênio da remoção dos trilhos na área central da cidade, e isso recairia sobre a necessidade de ele ter que apurar a responsabilidade do ex-prefeito, seu colega de partido. Por consequência disso, hoje o município não consegue acessar recursos nem públicos ao fundos perdidos, nem de financiamentos. Tubarão deixou de comprar máquinas e financiamentos, deixou de investir em pontes, deixou de investir na recuperação do ginásio Otto Feuerschuette, de pavimentar muitas ruas e acessos e realizar uma série de obras de infraestrutura que poderiam ter ajudado muito mais o município e talvez a realidade administrativa de Tubarão hoje fosse outra".
 
"Eu quero fazer diferença onde eu possa ser mais útil. Eu seria muito mais útil sendo prefeito desta cidade. Se não 
for agora, quem sabe na próxima".
 
“Os vices têm tido pouca oportunidade de implementar as suas ideias e acabam sendo mais figurativos”.