Dionísio Bressan Lemos
Dionísio Bressan Lemos

Amanda Menger
Tubarão

Notisul – O seu envolvimento com a política não é algo novo. Desde quando participa mais ativamente?
Dionísio
– Sou filiado ao Partido Progressista desde a década de 80. Entendo que o cidadão precisa envolver-se com as coisas que acontecem em sua comunidade. Sempre estive envolvido com as questões envolvendo a agricultura, até porque sou médico veterinário; depois, me envolvi com questões do meu bairro, o Monte Castelo, consequentemente, também a cidade, com a região. Entendo que a produção e aplicação das leis pelo poder público norteia os destinos da sociedade, então, participar faz parte das obrigações do cidadão.

Notisul – E por que disputar uma vaga na câmara de vereadores? Seu nome chegou a mencionado para compor a majoritária…
Dionísio
– Atendendo a um pedido do deputado estadual e presidente estadual do PP, Joares Ponticelli, e do secretário nacional de saneamento básico, Leodegar Tiscoski, resolvi participar do processo de reestruturação do partido. Na visão deles, naquele momento, o PP estava desunido. Após a eleição do novo diretório, surgiu a necessidade de apontar nomes para serem candidatos à majoritária. Eu prontamente disse que o partido não ficaria sem candidato, se houvesse a necessidade estaria à disposição. Começamos a discutir isso dentro do partido e outros nomes surgiram, como o nome do vice-prefeito eleito, Felippe Luiz Collaço, o Pepê, do vereador José Luiz Tancredo e do secretário de educação, José Santos Nunes. Na sequência, o partido definiu por manter a coligação com o PSDB, então, a pedido da classe que eu represento, os agricultores, empresários, amigos e familiares, disputei a câmara de vereadores e fui eleito.

Notisul – A diferença de votos entre Dr. Manoel e Genésio foi exatamente a que as pesquisas apontavam. Como você vê esse resultado? O que contribui para a vitória?
Dionísio
– Vejo como algo normal. O mundo tem passado por uma evolução grande e rápida com o desenvolvimento tecnológico, e isso também influencia na modernização de idéias. Nesta eleição, sobretudo, a chapa formada por Dr. Manoel e Pepê representava, se não na totalidade, mas a expressão desta tendência mundial e a sociedade percebeu isso. Associe-se a isso a exposição na mídia, e a televisão com a propaganda eleitoral transmitida pela Unisul TV foi importantíssima. Esta exposição demonstrou claramente o que essa chapa estava muito mais adequada para o momento político e social que se vive.

Notisul – A câmara de vereadores passou por uma renovação de 60%. Isso também faz parte desse contexto de idéias e modernização política?
Dionísio
– Sim, faz parte. Eu defendo um limite no número de mandatos também para o legislativo, inclusive para senador: como o mandato é de oito anos, não deveria ter reeleição. Todos nós temos um limite de capacidade, de inovação e até mesmo do exercício de algumas funções. Há um desgaste natural. Entendo que todo cargo deveria ter um limitador. Por outro lado, a sociedade também tem a prerrogativa de criar este limitador por si só, reelegendo ou não. A renovação é, dentro desta visão de idéias e do mundo globalizado, algo salutar. Os seis novos vereadores irão emprestar o seu conhecimento, a sua experiência, para que Tubarão possa crescer, desenvolver-se.

Notisul – Você é a favor da reforma política? Em quais aspectos?
Dionísio
– A fidelidade partidária é essencial. Acredito que é possível em situações específicas a mudança de partido. É preciso que exista realmente uma ideologia política e que o programa dos partidos seja seguido no comportamento e procedimentos dos políticos. Além disso, é preciso repensar a distribuição da representação. O voto distrital é fundamental para que não tenhamos uma concentração de representantes de uma região em detrimento de outra. Essas duas questões são básicas.

Notisul – Para 2010, qual o cenário que se desenha?
Dionísio
– Muito equilibrado no estado. Temos aí pelo menos cinco partidos em condições de fazer o governador: PP, PMDB, PT, DEM e PSDB. Isso demonstra um equilíbrio de forças. Acredito que a eleição se ganha no amarrar e não no correr. Espero que o meu partido esteja no poder a partir de 2011 e, para isso, será preciso compor muito bem. Em um primeiro momento, acredito que a maioria dos partidos sairá de chapa pura, ou com coligações com partidos menores.
Notisul – Há possibilidade de Ponticelli fazer parte desta majoritária?
Dionísio – Sim. Quem sabe ele possa ser um candidato a governador, a vice. Quando o comando do estado estava com o casal Amin (Esperidião e Ângela), a região da Grande Florianópolis foi beneficiada, com um grande crescimento econômico. Quando o domínio político passou para Joinville, com o atual governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB), nós vimos quanto o governo do estado investe naquela região e também em Criciúma, já que o vice-governador no primeiro mandato, Eduardo Pinho Moreira (PMDB), é daquela cidade, e como hoje se investe na região do Vale do Itajaí e Balneário Camboriú, porque é a região do atual vice, Leonel Pavan (PSDB). Por isso, temos que apoiar uma candidatura que tenha na majoritária alguém da nossa região. É fundamental para o desenvolvimento da região.

Notisul – Como estão os arranjos para a formação do secretariado municipal? O seu nome tem sido cotado para a secretaria da agricultura. Se convidado, aceitará?
Dionísio
– Confesso que em uma conversa totalmente informal, ainda durante a campanha, comentamos sobre isso. Eu deixei claro que, em função das minhas atividades profissionais na Copagro, não teria como conciliar uma secretaria. Além disso, fui eleito para ser vereador. Na última semana, Dr. Manoel disse que esse assunto será tratado a partir de dezembro, mas que os partidos fossem pensando em nomes e cargos. Mas antes ainda é preciso definir qual a estrutura da prefeitura, o número de secretarias que serão mantidas.

Notisul – Poderemos então ter uma redução do número de secretarias?
Dionísio
– Se esta proposta for encaminhada à câmara de vereadores, terá o meu apoio. Defendo que se reduza o número de agentes políticos dentro da administração municipal. Defendo também a criação efetiva e implementação de três fundações municipais. Parece-me inclusive que uma delas já foi criada, a de cultura, mas ainda não foi implantada devido à reforma do prédio da antiga rodoviária. As outras duas são de esportes e de meio ambiente. Tem que ser uma instituição com poder, força, orçamento, para fazer as ações necessárias, inclusive licenciando e controlando atividades não feitas nem pela Fatma e nem pelo Ibama: como as oficinas mecânicas e os ferros-velhos.

Notisul – Você tem acompanhado as reuniões do Movimenta-Cão como cidadão. Qual é a solução para o problema dos cães de rua?
Dionísio
– É um problema sério e que precisa ser encarado de frente. Tem a questão da segurança, da saúde pública, porque os animais podem transmitir doenças comuns aos homens e animais. Por outro lado, tenho muita preocupação com a criação de um canil público. Essa é uma atividade relativamente nova no Brasil e a grande maioria dos municípios não tem canil. Se você é de uma cidade periférica a Tubarão e sabe que o seu cão será recolhido e bem tratado aqui, corremos o risco de ‘despacharem’ os animais para cá. E aí não tem como dimensionar um canil para atender a tudo isso, e vira um ’depósito’ de animais. A sociedade não está conscientizada e não sei se estará algum dia para aceitar a eutanásia dos animais, duvido que ela concorde. Ainda há um gasto público para manter a estrutura. Será que a sociedade está disposta a pagar por isso? Defendo uma ação mista. A sociedade organizada através de associações não-governamentais com participação no controle, gestão e parte financeira do poder público.

Notisul – Quais os primeiros projetos, idéias que pretende levar à discussão na câmara?
Dionísio
– Defendo algumas bandeiras que passam pelo desenvolvimento econômico, com equilíbrio social e respeito ambiental. Além disso, defendo na área ambiental quatro pontos: a criação da Fundação Municipal de Defesa do Meio Ambiental; a implantação do sistema de coleta e tratamento de esgoto; o início dos estudos e implantação do projeto lixo zero – a intenção é que todo o lixo produzido seja reciclado. O quarto ponto é a criação de áreas de reserva municipal, onde tenhamos as áreas de preservação permanente (APPs), mas não aquela que se prega – eu acho uma hipocrisia ‘margem de rio e várzea proteger 50 metros, 100 metros, aquilo só serve para proteger as barrancas do rio. As APPs são importantes para rios de declives e montanhas, e acho que deve ser preservado até mais do que os 20% previstos no Código Florestal, se for possível 30%, 40% que se preserve para que tenhamos a recarga dos aquíferos e assim tenhamos a manutenção das nascentes para que tenhamos água de qualidade e em quantidade para esta e as próximas gerações.