Amanda Menger
Tubarão

Notisul – Qual a avaliação que o senhor faz da secretaria de desenvolvimento regional em Tubarão em 2008?
César
– Positiva. Muitas ações e obras do governo do estado que estavam encaminhadas tiveram um desfecho. Um exemplo é o aeroporto regional. Lançamos o edital de licitação para a segunda etapa, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) fez alguns questionamentos, que foram respondidos. O estado resolveu esperar a decisão do TCE para dar continuidade ao processo. A comissão de licitações da secretaria de estado da infra-estrutura já homologou o resultado da licitação e, agora, esperamos apenas a assinatura da ordem de serviços. Ainda não foi assinada em virtude das enchentes no norte do estado. Mas esperamos para breve. O presídio também teve um novo encaminhamento. O terreno foi definido e desapropriado pelo estado. O nome do proprietário é Arcângelo e a escritura feita em 1961; o nome era grafado com a letra ‘h’ e os demais documentos não. Tivemos que pedir judicialmente a alteração do nome. Sem a escritura em nome do estado, não podemos lançar o edital. Mas agora está resolvido, já está no registro de imóveis.

Notisul – E a estrada do Camacho?
César
– Essa obra também teve problemas, inclusive com órgãos do governo, como a Fatma. O cronograma está um pouco atrasado em decorrência das chuvas. Mas hoje o maior problema é a ponte do Riachinho. Foi feito um desvio e a comunidade está reclamando pela demora, com razão. A empresa que iria construir a ponte acabou passando para outra, que é a mesma que vai fazer a ponte sobre a barra do Camacho. A obra começou esta semana e em breve o problema será resolvido. A empresa que está fazendo a estrada comprometeu-se a fazer a manutenção neste desvio.

Notisul – E a reforma das escolas?
César
– Fizemos uma parceria com a Faepesul porque não temos equipe técnica na SDR para fazer os projetos de reforma, ampliações e novas construções. Tem uma série de escolas que precisam de reformas. Um caso é a Escola Básica Hercílio Luz. A idéia é manter as características da fachada e adequar a estrutura. Além disso, queremos fazer ali um museu da história da educação em Tubarão. No Galotti, também já entregamos a ordem de serviços para reforma. Outras escolas, de Sangão e Jaguaruna, serão reformadas também.

Notisul – Para 2009, pode haver novidades sobre a Arena Multiuso?
César
– O gerente de cultura, esporte e turismo, Moisés de Andrade, já fez contato com o prefeito eleito de Tubarão, Dr. Manoel Bertoncini (PSDB), para sentarmos e discutirmos uma parceria. O governo estadual já sinalizou com o valor de R$ 5 milhões e nós precisamos de um parceiro e tem que ser a prefeitura. O estado não administra a arena. Por isso a dificuldade de fazer a parceria com a Unisul. Porque a universidade daria o terreno e a manutenção. E nós queremos também o poder municipal junto. Em todas as arenas construídas, a prefeitura ficou com a manutenção e elas foram feitas em parceria: estado, município e iniciativa privada.

Notisul – Como será o relacionamento com o próximo prefeito de Tubarão?
César
– O governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) nunca distinguiu prefeitos por cor partidária e ele cobra isso também dos secretários regionais. Eu vejo a vontade do Dr. Manoel de ser parceiro. Nós vamos colaborar com o governo de Tubarão para trazer os investimentos necessários para a cidade e também para outros municípios. É preciso apenas que as prefeituras possam fazer convênios. Para isso, precisam das negativas.

Notisul – O senhor sente-se de certa forma aliviado ao ver que o aeroporto regional e o presídio tiveram entraves resolvidos?
César
– É um alívio momentâneo. O alívio mesmo será quando as obras tiverem em andamento. Será alívio total quando pudermos entregar estas obras à comunidade. Eu peguei a SDR no momento de maior pressão. A estrada do Camacho com problemas; a comunidade do Humaitá de Cima reclamando do presídio, sem definição de terreno, a prefeitura tinha retirado a parceria; e a expectativa pela segunda etapa do aeroporto. Não estou ali para ser o secretário regional de um partido, e sim para o cidadão independente de partido. Recebi até muitas críticas por isso, porque achavam que eu deveria atender mais aos partidários do Democratas. As discussões que ocorreram para a definição do terreno do presídio foram democráticas. Ouvimos a todos.

Notisul – O senhor recebeu algumas críticas por não se expor muito na imprensa. Por que esta postura mais reservada?
César
– Fui questionado até internamente. Vou à imprensa quando há algo positivo para dizer, algo para questionar, algo para explicar, como está o encaminhamento de alguma ação. Não vou à imprensa todos os dias só para ocupar espaço.

Notisul – Qual a principal diferença entre a gestão de uma empresa e a pública?
César
– Uma grande diferença. Na iniciativa privada, você tem metas, planejamento estratégico, objetivos, prazos. E no poder público, a morosidade, a burocracia dificultam o andamento dos trabalhos. Às vezes, um diretor de escola pergunta: e as nossas cortinas? Mas, entre o pedido e a colocação das cortinas, há um caminho: é licitação, é empenho orçamentário, e nisso há uma série de documentos e de prazos para serem seguidos. Outra questão é o servidor público. Não são todos, é claro, mas muitos não produzem como deveriam.

Notisul – São em função dessa baixa produtividade as suas críticas à equipe da SDR?
César
– Pela morosidade de fazer as coisas acontecerem. “Ah, deixa para amanhã” é uma frase constante. Se eu digo para um funcionário na iniciativa privada que ele tem que realizar uma tarefa hoje, ele vai se empenhar para fazer. O que às vezes não ocorre no poder público. E isso causa um desgaste muito grande para o secretário, para o governo e para quem precisa das obras, das informações e não as encontra, ou então demora muito para acontecer.

Notisul – Qual a sua avaliação do resultado eleitoral em Tubarão? Alguns membros do Democratas apontam que a divisão do partido já começou no ano passado, na eleição do diretório, no qual o senhor foi eleito presidente. Isso influenciou no resultado?
César
– A eleição do diretório teve duas chapas e foi a convenção de Tubarão que mais filiados participaram, mais de 900. Claro que em duas chapas quem perde sai arranhado e chateado. Temos que reconhecer que ocorreu um afastamento de alguns membros importantes do partido, mas muito ou pouco eles participaram da eleição municipal. Mas não foi só isso que influiu no resultado. Alguns filiados e até candidatos resolveram fazer campanha para outros candidatos da majoritária. Isso foi publico e notório. A aliança com o PMDB foi aprovada em consenso dentro do diretório. Não fizemos nenhum vereador porque tivemos cinco candidatos a vereador e fizemos a coligação na proporcional também com o PMDB, por exigência inclusive de alguns candidatos a vereador. Em suma, faltou voto.

Notisul – Um dos fatos mais comentados durante a eleição foi a sua aparição durante alguns comícios com uma vassoura. Lembrando inclusive o ex-presidente Jânio Quadros. O senhor arrepende-se de ter aparecido com a vassoura em público?
César
– Não me arrependi em momento algum. O próximo prefeito de Tubarão terá que fazer mudanças e a limpeza em certas áreas dentro da administração municipal. É público e notório o que está ocorrendo. Não sou eu que estou dizendo, é fato. São ações judiciais dos Ministérios Públicos Estadual e Federal, são investigações da Polícia Federal. O que eu falo da vassoura é isso, é varrer essas situações, as irregularidades. Defendo a ficha limpa do candidato. Sei que o meu partido escolheu ser coligado com um outro partido que tinha um candidato com processos, acompanho a decisão do partido. Mas defendo que o candidato tenha a ficha limpa.

Notisul – O senhor chegou a receber o tal Sedex com uma miniatura de vassoura e o lenço vermelho?
César
– Recebi sim (risos). Mas a correspondência não tinha remetente. Quem enviou isso tem medo de falar certas coisas, de se expor. Essa pessoa que mandou ou tem algum recalque ou então o chapéu serviu.

Notisul – Em 2009, o senhor continuará à frente da SDR? E em 2010, poderá ser candidato?
César
– O governo do estado encerra as atividades no dia 19 de dezembro e retorna em 5 de janeiro. Neste período, vamos fazer uma reavalição. Tanto da situação política, da própria estrutura da SDR, para ver o nosso posicionamento sobre 2009. Quanto à candidatura em 2010, isso passa pelo partido. Eu não posso impor uma candidatura minha. Quem tem que escolher o melhor candidato é o partido.