Amanda Menger
Tubarão

Notisul – Qual a avaliação você faz destes pouco mais de dois meses que está na secretaria de desenvolvimento regional?
Jairo
– Nestes dois meses e 12 dias, a preocupação inicial foi buscar o apoio das entidades de classe como a Associação Empresarial de Tubarão (Acit), Sindicato dos Lojistas (Sindilojas) e Câmara de Dirigentes Lojistas de Tubarão (CDL). Elas têm um papel importante para o desenvolvimento da região. Falar de projetos e em desenvolvimento sem a participação das entidades é muito difícil. Também busquei o apoio dos prefeitos que compõem a SDR (Tubarão, Jaguaruna, Sangão, Treze de Maio, Pedras Grandes e Gravatal), presidentes de câmaras, vereadores, além dos deputados Edinho Bez (PMDB), Genésio Goulart (PMDB), conversei com o deputado Joares Ponticelli (PP), que é oposição ao governo, por telefone também quando assumi a SDR, e o secretário estadual de administração José Nei Ascari (DEM). Sem o apoio dessas pessoas todas, ficaria difícil ter êxito nas ações.

Notisul – E as ações de governo, qual a sua avaliação?
Jairo
– As obras macro já estavam em andamento como aeroporto, presídio, estrada do Camacho. Agora, estamos implementando a Arena Multiuso, e outras obras que não dão visibilidade, mas são importantes como a reforma de escolas. Se formos analisar o que foi feito de obras na educação, passou de sete instituições. Foram desde pequenos reparos até obras completas. Outra situação é o acompanhamento das obras novas na educação, como é o caso da escola Fábio Silva, em Tubarão, que está em fase final, que, assim como a Célia Coelho Cruz, deve ser inaugurada em agosto. Há outros projetos prontos esperando a licitação, como é o caso das escolas Bertoldo Zimermann, na Madre; a escola Campos Verdes, no balneário Campo Bom, em Jaguaruna, da escola General Osvaldo Pinto da Veiga, em Capivari de Baixo, e outras tantas que vamos licitar a reforma geral ou ampliação. É o caso da escola Senador Francisco Benjamim Gallotti, as duas em Tubarão e tem outra em outros municípios. O governo do estado, além do repasse obrigatório de procedimentos da área saúde para os municípios e hospitais, destinou nos últimos quatro anos mais de R$ 2,8 milhões para o Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC). Recentemente, o governador esteve em Tubarão entregando as ordens bancárias da área da saúde, para os municípios atingidos pelas enchentes em novembro e dezembro. São ações que beneficiam as pessoas, mas muitas vezes não são lembradas, reconhecidas.

Notisul – Muitas pessoas afirmam que você assumiu a SDR na hora boa, de inaugurar as obras. O que você pensa sobre isso?
Jairo
– Eu penso que temos que valorizar todos os secretários que passaram por aqui, Léo Rosa (PPS), Ademir Matos (PMDB) e César Damiani (DEM). Agora sou eu e daqui a pouco pode ser outro. Tenho procurado como secretário ser o fator de motivação para o trabalho dos gerentes e dos funcionários da SDR. Tenho procurado ‘incomodar’ bastante as secretarias setoriais em Florianópolis e os nossos representantes para que as coisas aconteçam. Tenho tido a felicidade de estar no momento em que o governo dá continuidade às ações que já vinham sendo realizadas. Além de outras que serão implementadas, como as escolas e a Arena Multiuso, do presídio, e isso não foi mérito do secretário A ou B, mas são ações e atos de governo. Acho até que são ações que ocorreriam independente de qual fosse o secretário, porque são reflexos da vontade política do governador Luiz Henrique.

Notisul – A participação de Zé Nei como secretário estadual de administração auxilia de que forma?
Jairo
– Ele tem sido, a exemplo de outros secretários, um facilitador, em muitas situações lá em Florianópolis que precisamos de um trâmite mais rápido. Os deputados Genésio (Goulart, PMDB) e Edinho (Bez, PMDB) têm colaborado também, assim como o secretário estadual de articulação nacional Geraldo Althoff (DEM). Eles têm uma função muito importante no contexto da SDR. Cada vez que temos solicitado, eles estão presentes e disponíveis. É importante que tenhamos estas lideranças disponíveis para ajudar a fazer os encaminhamentos necessários, sem esquecer do deputado Júlio Garcia (DEM), que, apesar das suas funções, nem sempre consegue estar presente em Tubarão, mas está disponível em Florianópolis para nos atender.

Notisul – Podemos contar com uma possível dobradinha Zé Nei Ascari para deputado estadual e Júlio Garcia para federal, na eleição do próximo ano?
Jairo
– As convenções ainda irão ocorrer, sabemos que há um clamor dos diretórios do Democratas da região sul para que Zé Nei seja o candidato a deputado estadual, substituindo Júlio Garcia, porque ele diz que não é candidato a estadual novamente. Então, o substituto nosso e digamos, natural, é Zé Nei. Agora, sobre a questão federal, não conversei ainda com Júlio, mas acho difícil ele sair candidato, ele estará disponível para uma composição majoritária. É isso que se espera. O candidato ao governo do estado é o senador Raimundo Colombo. Júlio não tem intenção de concorrer a deputado federal e nem tem trabalhado para isso.

Notisul – Vamos falar então sobre as obras regionais. Gostou da apresentação do novo projeto da Arena Multiuso? Agora sai?
Jairo
– Temos feito a coisa certinha. Estamos unidos: Unisul, prefeitura e SDR. E com a vontade política e das associações as coisas acontecem, estamos fortalecidos. Quem ganha com isso é a região. Trouxemos o governador a Tubarão em fevereiro, ele comprometeu-se com o prefeito em ser parceiro da obra. Depois, o prefeito e representantes da Unisul vieram à SDR, discutimos o projeto e acharam melhor readequá-lo, para reduzir custos. Isso foi feito e apresentado esta semana. Agora, o meu papel é fazer isso tramitar na SDR, não precisará voltar aos comitês temáticos e nem ao Conselho de Desenvolvimento Regional (CDR), apenas será criado um novo processo. Como este é um governo descentralizado, agora nós vamos apresentar ao governador. A vinda dele está pré-agendada para o dia 16 de maio, durante a realização do Força-Tarefa, no bairro Morrotes. Esperamos que o governador fale da disponibilidade financeira do estado e qual será o cronograma de reembolso dos valores.

Notisul – E o presídio?
Jairo
– Está dentro da normalidade. Chegamos a anunciar há duas semanas que iríamos lançar o edital da segunda etapa, porém, na ânsia de querer que a coisa aconteça, nós nos antecipamos e não foi possível concluir o edital. Precisou de alguns documentos, certidões que seriam emitidas pela secretaria de planejamento da prefeitura e isso foi solicitado e está em Florianópolis, com a secretaria estadual de segurança pública e defesa do cidadão (SSP). Agora, esperamos a sinalização do secretário da SSP, Ronaldo Benedet, para marcarmos a data de lançamento do edital. (O lançamento será na próxima sexta-feira, conforme adiantou o Notisul, na edição desta sexta-feira).

Notisul – E o Camacho, a estrada fica pronta em 15 de julho? Quando será a vistoria que foi cancelada?
Jairo
– Quando assumi a secretaria, foi um momento difícil. Foi no dia que a comunidade fechou o acesso. Tão logo eu soube disso, entrei em contato com as lideranças da comunidade e nos comprometemos em fazer uma ponte provisória na localidade de Riachinho, porque, com as chuvas, o pontilhão foi interditado e o bueiro triplo ainda estava em construção (continua, deve ser concluído nas próximas semanas). Para chegar às praias, tinha que fazer um desvio muito grande, então, nos comprometemos a fazer a ponte provisória e melhorou o acesso ao litoral. Depois disso, eu chamei o proprietário da empresa Saibrita, responsável pelo trabalho, fomos até o Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) e conversamos sobre o andamento da obra. O gerente regional de infraestrutura Léo Goularte tem acompanhado a obra semanalmente. Eu, quando posso, o acompanho também. Às vezes, vou nos fins de semana. A obra está em um ritmo que sai até o fim de julho. Pode ser que falte em alguns trechos o acabamento, a parte de calçadas, com pintura, mas isso em agosto, a empresa conclui. O compromisso da empresa é concluir em julho a pavimentação dos 18 quilômetros.

Notisul – As obras do Aeroporto Regional Sul estão em um bom ritmo, em sua avaliação?
Jairo
– Sim. Está andando bem e estamos acompanhando também. O engenheiro do Deinfra, Valdir dos Santos, foi nomeado para fiscalizar a obra e tem nos trazido as informações dos trabalhos. Dentro daquele cronograma, o terminal de passageiros deve ser concluído dentro dos dez meses que a empreiteira comprometeu-se. Esperamos ainda que, em mais uns 40 dias, saia também a licitação do acesso da BR-101 ao aeroporto.

Notisul – E o terminal de cargas que não foi licitado, pode sair em breve?
Jairo
– É o próximo passo. Há uma possibilidade do edital do terminal de cargas ser lançado no mesmo dia do edital do acesso. Na última conversa com o secretário estadual de infraestrutura, Mauro Mariani, ele disse que em 60 dias teríamos novidades. Já se passaram 20. Então, temos mais 40 dias para que esses processos sejam lançados. A obra do acesso é uma parceria do governo federal, que entra com os recursos, e o estado, que faz a parte burocrática e acompanha a obra. Já o terminal de cargas, é uma obra só do estado. Se pegar aí uma empresa boa, o acesso deve ficar pronto junto com o terminal de passageiros e o terminal de cargas logo em seguida. Não gosto de dar prazos, mas, pelo que me foi repassado, acredito que no máximo em um ano e meio o aeroporto estará em pleno funcionamento.

Notisul – Sobre as câmeras de segurança, esta semana, você reuniu-se com o deputado Edinho Bez (PMDB), que se comprometeu em tentar agilizar o processo. Mas, em duas oportunidades, uma há 15 dias, em entrevista ao Notisul, o secretário Ronaldo Benedet disse que não há dinheiro para esse projeto. E agora?
Jairo
– A minha função como secretário é estar cobrando, pedindo apoio. O secretário Benedet tem se esforçado muito em várias ações. Mas aproveitei a visita do Edinho para solicitar o apoio dele neste nosso pleito. Além do trâmite burocrático, tem que ter dinheiro, mas também tem que ter apoio político. Existe a vontade política do deputado Edinho de buscar isso, de conversar com Benedet, com o próprio governador, e ele prontificou-se a trazer o sistema de monitoramento não apenas para Tubarão, mas para Laguna e Gravatal, que são cidades turísticas e têm a necessidade das câmeras também.

Notisul – Com relação ao programa de financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) 5, sabemos que a autorização para firmar o convênio ainda não saiu, tramita em Brasília. Mas que obras da região serão contempladas nesta nova fase do programa?
Jairo
– O BID 5 tem uma outra muito importante para a região, que é a pavimentação da estrada que liga Pedras Grandes a Orleans. São 17 quilômetros. Parece que um, na saída de Orleans, já está pronto. Eu conversei com o governador sobre esta obra e ele disse que tem vontade de realizar esta pavimentação, só está aguardando esse desenrolar burocrático para tocar a licitação e depois a obra em si. Com esta obra, poderemos ir de Orleans às praias em asfalto. É a chamada rodovia Serramar.

Notisul – Com relação à crise, a arrecadação do governo do estado teve uma grande queda. Como é lidar com este cenário? Os investimentos estão comprometidos?
Jairo
– Há uma determinação para reduzir gastos. As obras que estão em andamento não serão paralisadas. Algumas obras que iremos licitar vêm de recursos de fontes que o recurso está ‘carimbado’, ou seja, só podem ser usadas para aquele fim específico, que é o caso da educação e da saúde. Da Arena Multiuso, tem o Fundo do Turismo, na secretaria de Gilmar Knaesel. Mas, aqui dentro da secretaria, temos procurado colaborar também. De concreto, o ar-condicionado, por exemplo, hoje não está ligado. As diárias foram cortadas. Elas giravam em torno de R$ 100,00, não sei precisar os valores, porque desde que assumi não usei nenhuma. As viagens que temos feito não são autorizadas as diárias, com isso, as próprias viagens diminuem, assim reduz o gasto com combustível e, se viaja menos, o valor de manutenção dos carros também é menor. E isso tudo somado dá uma boa redução, contribui com o todo.

Notisul – Como é o seu relacionamento com o prefeito de Tubarão, Dr. Manoel Bertoncini (PSDB)? Facilita o fato de vocês terem sido vereadores na mesma legislatura?
Jairo
– Eu só tenho coisas boas para falar do Dr. Manoel. Ele foi vereador comigo. Eu fui o mais votado e ele o segundo mais votado para vereador em 2004. Tivemos uma convivência muito harmoniosa e respeitosa. Manoel e eu sempre conversávamos muito sobre os projetos. Ele foi fiel quando eu fui candidato à presidência da câmara e empatei com outro vereador, em cinco a cinco, perdi pela questão da idade (para o vereador José Luiz Tancredo, PP). Manoel me apoiou, fazia parte do acordo entre os partidos. Isso me marcou muito, porque ele, além de votar em mim, também ajudou a articular para que o compromisso existente fosse cumprido. E isso foi feito, apesar de eu ter perdido. Após aquele episódio, a nossa relação de amizade cresceu. Na última eleição, no ano passado, não estivemos juntos, mas isso não significa que precisamos estar afastados. Tão logo assumi a SDR, eu o procurei e nos aproximamos. Estive na prefeitura várias vezes, ele também sinalizou que quer ser parceiro da SDR, do governo estadual.

Notisul – O fato do ex-prefeito Carlos Stüpp (PSDB) ter dito que o município tinha as certidões de negativas de débito (que comprovam a inexistência de dívidas com estatais e outros órgãos do governo) e o governador dizer que ele não as tinha foi realmente o maior problema para Tubarão deixar de receber recursos?
Jairo
– Isso não é da minha época. Prefiro não falar sobre isso. Posso dizer que, desde que assumi, todos os documentos solicitados à prefeitura foram entregues.

Notisul – E como está o Democratas hoje em Tubarão?
Jairo
– Para falar do Democratas, tenho que falar do partido nacional e estadual também. No aspecto nacional, é um partido consolidado. Tem várias lideranças, governa diversos estados. No estado, não é diferente. O senador Raimundo Colombo é um nome em ascensão, foi o senador mais votado na história do estado. É o nosso candidato ao governo do estado para 2010. No município, temos como liderança maior o deputado Júlio Garcia, o suplente de deputado e secretário de estado Geraldo Althoff, que é uma pessoa que tem muitos trabalhos prestados, está ligado ao senador Raimundo Colombo. Temos Zé Nei Ascari, que é a novidade. Tem o apoio dos diretórios da região. Foi duas vezes prefeito de Grão-Pará, tem uma participação muito efetiva na região do Vale, principalmente Braço do Norte. Temos conversado muito com ele, e de fazer muita boa eleição também em Tubarão, já que ele é da Amurel. Esperamos que ele faça uma boa votação aqui. Houve todo um desentendimento dentro do partido, mas isso ocorre em todas as siglas. Às vezes, surgem questões, diferenças de ideias.

Notisul – Você acredita que se tivesse sido o candidato a vice-prefeito na chapa de Genésio Goulart (PMDB) a decisão teria sido diferente?
Jairo
– Não. Dr. Irmoto contribuiu muito quando foi prefeito e na campanha também. Uma candidatura surge assim, criou-se uma onda pró Dr. Manoel, criou-se a simpatia por ele. Tínhamos a nossa chapa, éramos vice do PMDB, mas a população achou melhor Dr. Manoel e agora temos que colaborar para que ele faça um bom governo.

Notisul – Você sente-se frustrado por ter sido o vereador mais votado em 2004 e em 2008 não repetir o feito e levar praticamente metade dos votos apenas? O que contribuiu para a derrota?
Jairo
– Não, porque eu tinha isso em mente. Eu sabia o que poderia ocorrer. Na primeira eleição, quando fui o mais votado, fui um candidato para mim. Fui um candidato que cuidei só de mim, saía com a família, com os amigos e simpatizantes para pedir votos. Só me preocupei com a minha eleição. E tive êxito. Porém, na segunda eleição, com todos os episódios que ocorreram, e por ser vereador e o mais votado, saí do PDT e fui para o Democratas, na época ainda PFL. Houve um pedido do deputado Júlio Garcia, de Zé Nei Ascari e do senador Raimundo Colombo para que eu ajudasse a construir um partido mais forte em Tubarão. E eu abandonei um pouco a minha posição de vereador, abandonei um pouco os meus eleitores e cuidei de fazer partido. Tanto é que abri mão para o suplente de vereador Gelson Bento (que hoje está no PP) e para Manoel Duarte Porto, o Duarte. Eu abri espaço dentro da SDR, como diretor-geral, cargo que era meu, para Gelson Bento. Eu procurei fazer partido, os cargos que eu pude indicar na prefeitura foram para companheiros de partido. Eu procurei ser partidário e fazer partido e isso me prejudicou. E isso dificultou a minha reeleição. A votação baixou, mas, mesmo sem recurso, sem uma grande campanha, fiz 1.601 votos. É muito voto se comparado a outros candidatos.