A história de Dilcei Heidemann (PMDB) é semelhante a de inúmeras mães de família que, em determinado tempo, precisam tomar uma decisão profissional. Conquista lembrada sempre pela prefeita de Santa Rosa de Lima. Aos 53 anos, ela governa a cidade, eleita pela primeira vez para um cargo público. A prefeita pretende, após terminar o seu mandato, dedicar-se mais às filhas e aos netos, e retomar as atividades doméstica e pecuarista.
 

Silvana Lucas 
Tubarão

Notisul – Como você iniciou na vida pública?
Dilcei –
Nasci em uma família de políticos. Meu pai foi prefeito por dois mandatos no município e meu esposo também já governou Santa Rosa de Lima por dois mandatos. Então, sempre estive envolvida com a política. Antes das eleições de 2012, nunca pensei em um dia ser prefeita. Como naquele ano Bertilo, meu marido, foi impedido de se candidatar, surgiu meu nome, a dois meses das eleições. Sempre brinco que não pensei, logo aceitei. Depois de 60 dias somente de surgir meu nome como candidata, eu já estava eleita. Quando me vi nesta posição, cheguei até a pensar “e agora?”. Sabemos que as cobranças são inúmeras. Muita responsabilidade, desafios, mas isto não foi dificuldade. Posso contar com meu esposo, pela experiência e parceria, em trabalhar como meu secretário de transportes e obras. Acredito que consigo fazer uma boa administração pelo apoio da família e do grupo de secretários. 

Notisul – Houve ou ainda existe dúvida por parte dos eleitores de quem governaria o município seria seu marido?
Dilcei –
Isto aconteceu e ainda ocorre. Sempre deixo bem claro que, por mais que ele trabalhe na prefeitura, que eu às vezes peça a opinião dele, a decisão sempre é minha. Na verdade, meus secretários sempre são consultados. É importante a participação de todos. Quando uma posição vem de um grupo, esta decisão tem mais força. Temos seis secretarias que nos auxiliam. Não trabalho sozinha, aliás, todo administrador precisa de pessoas ao seu lado.

Notisul – Na campanha, a senhora e seu vice, Mário Luiz Benedet (PSDB), declararam que o município precisava de melhorias na saúde e nas estradas. O que já foi realizado nestas áreas?
Dilcei –
Durante a campanha, falamos muito em ampliar o horário de atendimento em nosso centro de saúde. Como somos uma cidade pequena, este é o único local que atende a população. Já conseguimos estender mais horários. Atualmente, temos dois clínicos gerais. Um médico que atende das 7 às 13 horas e outro das 15 às 17 horas. Esta foi uma meta que conseguimos realizar. Outra providência nossa era fornecer mais medicamentos aos moradores, estamos em 80%, mas buscamos em breve chegar ao máximo dos fornecimentos. Outra medida nossa foi a contratação de profissionais. Recentemente, contratamos um dermatologista, que já atende em nosso posto uma vez por mês – antes, o atendimento era realizado na cidade vizinha de Anitápolis. Os demais atendimentos de saúde são realizados em Rio Fortuna e Braço do Norte, municípios que têm hospitais, no qual somos conveniados e ampliamos os contratos. Adquirimos também veículos para transportar nossa população. Todas as pessoas de nossa cidade que precisem de transporte para atendimento médico são conduzidas. Também estamos construindo um novo local, com mais espaço, equipamentos e vários consultórios. Quanto às estradas, muita coisa já foi realizada. Antes, tínhamos muitos problemas com transporte escolar. No ano passado, recebemos o repasse do Fundo de Apoio aos Municípios (Fundam) em mais de R$ 1,5 milhão, que foram aplicados em equipamentos e máquinas para trabalhar na pavimentação e na melhoria das estradas. É claro que antes de recebermos este investimento do executivo estadual já realizávamos reparos, mas esta verba ajudou as questões municipais de infraestrutura. Quando assumimos, pegamos uma prefeitura bem sucateada e recuperamos todos os maquinários. Hoje, temos uma secretaria de obras completa, trabalho que também reflete em outras secretarias, com outras aquisições de maquinários e meios de transporte. Estamos com várias obras em andamento e as estradas estão todas em bom estado. 
 
Notisul – Qual será o foco dos trabalhos neste ano e para 2016?
Dilcei –
Daremos continuidade nas obras que já iniciamos e também nas que estão em licitação. Temos como meta entregar o município, no fim de nosso mandato, com estradas e obras concluídas. Estamos reformando atualmente o estádio e o ginásio de esportes. Criamos também uma creche e realizamos no momento várias obras nas comunidades, como a construção de cabeceiras de pontes, campos de futebol, canchas de bocha e tantas outras pequenas benfeitorias para a população. Também estamos construindo o centro de atendimento turístico, que já havia iniciado na gestão anterior. Estamos adquirindo uma área nova para futuramente construirmos um colégio municipal, no qual elaboramos um projeto.  Também investimos em projetos mais técnicos para as áreas agrícolas. Reforçamos bastante a questão da agricultura familiar ao fortalecer o projeto  Patrulha Agrícola, além de fortalecer as secretarias. Desenvolvemos vários programas na agricultura, como o Hora Máquina e o programa de semente. Contratamos recentemente um novo técnico que está em campo para atender diretamente com as famílias. Existe também um intercâmbio do município com a universidade no desenvolvimento de projetos, inclusive com a visita de estrangeiros a cidade, que já trouxe holandeses, russos e outros interessados em nosso trabalho na agricultura familiar, orgânica e também na produção de leite, que é um dos nossos carros chefes. No turismo, fortalecemos as qualidades de nosso município com apoio às famílias que buscam dentro de suas propriedades proporcionar aos visitantes comodidades e atrativos para que este setor possa desenvolver-se ainda mais em nossa região.

Notisul – Quais as propostas do executivo na busca de geração de renda e formação de empregos?
Dilcei –
Atualmente constatamos uma diferença de anos atrás quando muitos jovens deixavam a comunidade em busca de oportunidades. O que presenciamos hoje é uma realidade em que a maioria deles permanece na cidade, pela segurança, qualidade de vida e para investir nos trabalhos familiares. Vemos também que muitos retornam depois que saem do município para uma formação. Temos associações e isto também agrega valores nos quais os jovens optam por ficar. Outro ponto é que o nosso agricultor consegue se manter com sua produção e busca investir em seu segmento. Um exemplo é uma de nossas filhas, que se formou em farmácia, trabalhou em outras cidades, mas optou por voltar e continuar a desenvolver trabalhos na suinocultura. Em nosso município, é muito difícil ter desemprego, existe é falta de mão de obra em todos os setores. No último senso divulgado, nossa cidade apresentou crescimento populacional. 

Notisul –  Existe alguma dificuldade em administrar um município sendo mulher?
Dilcei –
Não, por ser mulher não vejo nenhuma. Obstáculos existem em uma gestão, em ambos os sexos. A diferença é quando há reuniões e se encontra 17 homens da Associação dos Municípios da Região de Laguna (Amurel) e somente eu de mulher. Na verdade, não vejo como dificuldade. Acredito ser um privilégio estar nesta posição e torço para que mais mulheres concorram politicamente. Precisamos de mais líderes femininas no comando.

Notisul – E sobre os recursos do executivo para administrar uma cidade pequena?
Dilcei –
 São  poucos os recursos, esta é nossa maior dificuldade. Temos que ter sempre os pés no chão e muita segurança na hora de assumirmos compromissos. Este ano vejo que será complicado com esta crise. Os governos estadual e federal alertam os municípios para segurar os gastos e não contraírem dívidas. A falta de recursos para investir é nossa principal barreira. Constantemente nos reunimos com o secretariado para buscar soluções e como meta temos que arrecadar para depois gastar. Optamos em ter uma prefeitura enxuta para não deixar nenhuma pendência para os próximos gestores. 

Dilcei por Dilcei
Deus
– Tudo.
Família – Base.
Trabalho – Realização.
Passado – Experiência.
Presente – É o que nos move.
Futuro – A Deus pertence.

“Todas as casas do centro da cidade têm água mineral nas torneiras. Nas demais localidades, a água vem de nascentes. Isto é qualidade de vida”.