Foto: Priscila Loch/notisul
Foto: Priscila Loch/notisul

Perfil
Um jovem com muita vontade de trabalhar. É assim que grande parte dos eleitores de Capivari vê a atuação do vereador China. Autor de projetos polêmicos que  geraram muita resistência, ele define a política como a forma de ir em busca dos anseios da população, de pensar na coletividade e mudar o que é necessário. Filiado ao Partido Progressista (PP), não faz planos para seu futuro no meio político, mas já é visto por seus correligionários como bom nome para as próximas eleições municipais.

Priscila loch
Capivari de Baixo

Notisul – Você tem sido um dos vereadores mais atuantes da Amurel, inclusive com enfoque em diversos assuntos de interesse da população. O que o motivou a trabalhar dessa forma?
China –
Desde a campanha, eu prometi e me comprometi a fazer uma política diferenciada, voltada aos anseios da população de Capivari de Baixo. Não tenho a política como uma profissão, graças a Deus tenho meu trabalho. Política, para mim, é fazer o bem ao próximo, mudar a vida das pessoas de modo coletivo. Por tudo isso, decidi que, se fosse para ingressar na política, teria que ser para fazer diferente. Só estou cumprindo o que havia prometido aos meus eleitores e a mim mesmo.

Notisul – Tem recebido o apoio necessário, tanto da população quanto de seus parceiros políticos, para tirar seus projetos do papel?
China –
Da população, o apoio é muito grande e gratificante. Na verdade, a população de Capivari de Baixo é que está dando o tom do meu mandato e está me guiando, porque todos os projetos, requerimentos e indicações que apresento surgem de sugestões que recebo, seja em minhas visitas às comunidades, creches, escolas, postos de saúde, ou pelas redes sociais. Essas sugestões são muito importantes, porque o vereador é o político que está mais próximo das comunidades, e ao receber mensagens com sugestões e pedidos de melhorias me convenço de que a população está confiando no meu trabalho. Fora isso, as mensagens que recebo elogiando os trabalhos que apresento também me dão ainda mais forças para seguir esse caminho. Por isso, sempre agradeço pelo carinho que recebo de todos os cidadãos que me procuram.

Notisul – E dos colegas do meio político, tem recebido esse mesmo apoio?
China –
Acredito que parcialmente. Tanto eu quanto os demais colegas da bancada do Progressistas, os vereadores Thiago e Eltinho, apresentamos algumas propostas que geraram e geram polêmica, inclusive internamente. Por exemplo, apresentei projeto congelando os salários dos vereadores e sugerindo ao Executivo o congelamento dos salários do prefeito, vice-prefeito e secretários. A bancada apresentou projeto reduzindo consideravelmente o valor do repasse de dinheiro da prefeitura para a Câmara, o conhecido duodécimo, de 7% para 4,5%. E, só para dar só mais um exemplo, o vereador Thiago apresentou proposta reduzindo quase pela metade o recesso da Câmara. Esses e outros projetos realmente enfrentaram e enfrentam algumas resistências, infelizmente. Mas sou bastante democrático e recebo tranquilamente as críticas e opiniões contrárias. Faço a minha parte, proponho projetos que acredito serem de interesse da população de Capivari e isso nunca deixarei de fazer, nem que me custe a presidência da Câmara ou qualquer outra coisa.

Notisul – As redes sociais têm sido muito utilizadas por você. Considera a internet uma ferramenta importante?
China –
Muito. Desde o início deste meu primeiro mandato, venho exercendo minhas atividades da forma mais transparente possível e o melhor modo de se fazer isso é estar presente na internet. No meu site e nas redes sociais, divulgo todos os meus requerimentos, indicações e projetos, bem como as respostas que recebo. Com isso, o cidadão capivariense, além de acompanhar minha atuação como vereador, também pode verificar quais as medidas adotadas pela prefeitura e outros entes públicos após receber as solicitações por mim apresentadas. Essa interação com a população considero indispensável.

Notisul – A Câmara de Vereadores de Capivari de Baixo já foi notícia estadual e até nacional por assuntos negativos, como a Operação Casa da Mãe Joana e a Farra das Diárias. Qual a sua avaliação sobre esses episódios?
China –
Eu vejo a política de forma bastante diferenciada de muitos outros políticos. Por isso, situações como essa me deixam muito triste. Penso que hoje em dia Judiciário, Ministério Público e as nossas polícias estão fortalecidas e desempenhando um excelente papel no combate à corrupção, e isso me dá esperanças de que em um futuro próximo não haverá mais espaço na política para pessoas que não seguem o caminho correto. Essas duas situações envolvendo nossa Câmara envergonharam nossa cidade e nossa gente de bem, por isso precisamos virar a página e fazer tudo diferente. Não basta melhorar um pouco, precisamos mudar tudo.

Notisul – A respeito das diárias, os gastos este ano estão mais altos que os da Câmara de Tubarão, município que é sede da região e tem seis vereadores a mais. Você não utilizou nem um centavo em diária, conforme o Portal da Transparência. Por que essa decisão?
China –
Acredito que temos que ter o máximo de respeito pelo dinheiro público, porque, como o nome já diz, ele é público, vem dos impostos que pagamos até na bala que chupamos. Já fiz dois cursos fora da minha cidade, e os dois voltados para a qualificação do meu mandato. Poderia, legalmente, pleitear diárias, mas não o fiz. Paguei tudo do meu bolso, porque, como falei anteriormente, política não pode ser profissão. Tem que ser vocação.

Notisul – Por que não aceitaram o TAC proposto pelo MP no começo do ano, que tratava de algumas questões importantes para a economia da Câmara?
China –
O presidente da Câmara desde 1º de janeiro é o Pedro Medeiros Camilo. Acompanhamos, eu e o Thiago, uma única reunião com o Ministério Público, mas acredito que o Camilo participou de outras, e a proposta de um Termo de Ajustamento de Conduta só não foi aceita porque Camilo se comprometeu a aprovarmos todas as medidas sugeridas pelo promotor de justiça, doutor Ernest, de forma interna, por meio de projetos de lei. Vou ser muito sincero, eu imaginava que essa era a oportunidade de nós, vereadores, provarmos para a população que iríamos corrigir os erros e fazer a diferença desde o início e por conta própria. Não tinha como acreditar e imaginar que o presidente não faria sequer força para implementar tudo que era necessário. Mas depois vimos que a coisa não estava andando e nem iria andar. A reforma administrativa, por exemplo, cobramos muito desde o início do ano, para redução dos cargos e dar o fim nos desvios de funções, mas nada saiu do papel, infelizmente.

Notisul – Você seria presidente da Câmara em 2018. Mas a eleição da mesa diretora, ocorrida em janeiro, foi suspensa e novos nomes foram escolhidos. Na ocasião, a sua definição foi de que houve uma “puxada de tapete”. O que acredita que motivou tal decisão e como tem sido o seu relacionamento com os colegas da casa depois desse episódio?
China –
Entendo que eu e o Thiago fomos legitimamente eleitos presidentes em 1º de  janeiro. Naquela data, tínhamos quatro vereadores afastados por decisão da Justiça, e este afastamento não era algo que podíamos considerar eventual. Por isso, da base de cálculo para chegarmos à maioria absoluta, foram desconsiderados estes quatro vereadores afastados. Com isso, alcançamos perfeitamente a maioria absoluta necessária, pois obtivemos quatro dos sete votos. Por isso, não consigo enxergar outra motivação senão descontentamento com a forma com que eu e os demais colegas de bancada nos posicionávamos. Já em relação ao meu relacionamento com os colegas, tudo se mantém igual. Engraçado que muitos se espantam e me perguntam coisas do tipo “como você consegue tratar bem quem fez isso ou aquilo para ti?”, mas eu só respondo que nunca guardei mágoas ou rancor de quem quer que seja. Isso só faz mal. Nunca faltarei com cordialidade e respeito, com quem quer que seja.

Notisul – Quais as chances de reversão na Justiça?
China –
Acredito muito na reversão disso na Justiça. Porque o próprio Conselho Nacional de Justiça já  fixou entendimento de que, em julgamentos administrativos dos tribunais de justiça, para se chegar ao cálculo da maioria absoluta, devem ser desconsiderados os afastamentos ‘não eventuais’, sendo que a decisão do CNJ cita como exemplo de ‘não eventual’ o afastamento por decisão judicial. Aqui, tínhamos quatro vereadores que nem posse haviam tomado e estavam afastados pela Justiça, por isso tenho esperança de a Justiça seguir essa mesma linha de raciocínio. Esses quatros vereadores não estavam de férias, de licença ou simplesmente não quiseram comparecer à sessão. Eles estavam afastados por tempo indeterminado. E não havia sequer a possibilidade de se convocar suplentes.

Notisul – Com tantas denúncias e escândalos de corrupção envolvendo políticos, como você enxerga as eleições do próximo ano?
China –
Não tenho dúvidas de que não  há mais espaço para a velha política, na qual os interesses pessoais se sobrepõem aos da coletividade. Eu foco na nova política, e essa é minha esperança. Só nós, e me coloco agora como eleitor que serei no pleito do ano que vem, podemos mudar esta história, analisando os históricos dos candidatos e votando com consciência e inteligência. E isso só vai acontecer se todos passarem a se interessar mais por política. E digo que política é diferente de politicagem. Não adianta lavar as mãos, porque sempre alguém será eleito e é melhor que nós tenhamos participação nisso, ao menos tentando optar pelas melhores candidaturas. Em 2014, por exemplo, a Amurel elegeu somente um deputado, mesmo com uma população de 500 mil habitantes. E agora não pode contar com mais nenhum representante, seja na Assembleia Legislativa, seja na Câmara Federal, já que o único deputado eleito, José Nei Ascari, assumiu o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Temos que mudar isso, ser mais bairristas na hora do voto e eleger deputados estaduais e federais que sejam daqui da região, para que possamos, depois da eleição, bater nas portas de seus gabinetes para cobrar recursos e ações em prol de nossos municípios e de nossa gente.

Notisul – A eleição de 2016 foi a sua primeira disputa e você saiu vitorioso das urnas. Com apenas 33 anos, tem possibilidade de trilhar ainda um longo caminho na política. Quais os seus planos?
China –
Eu sempre digo que não tenho vaidade na política, e não tenho mesmo. Tenho ideias e projetos para o bem de Capivari de Baixo. Como já disse, não tenho a política como profissão. Não adianta dizer que não gosta de política, que não vai votar em ninguém, porque alguém vai votar e escolher por ti, por nós. Por isso, eu leio muito, estudo e me preparo para ajudar o meu partido e em especial a minha cidade. Se irei disputar a reeleição lá em 2020 ou se irei concorrer a um cargo de prefeito ou vice, nem penso hoje. Antes disso tudo, quero poder chegar em 31 de dezembro de 2020 e dizer para minha esposa, meus dois filhos e a todos os familiares e eleitores que concluí este meu primeiro mandato com honestidade, dignidade e transparência, cumprindo minha única promessa de campanha: bem representar os cidadãos de Capivari de Baixo. Foi isso que aprendi com meu pai, com minha mãe e na empresa em que trabalho: ser correto e honesto nas coisas que faço.