Zahyra Mattar
Tubarão

Notisul – Por que Viva a Rua!?
Jung Júnior – Porque tem duplo sentido: Viva a Rua, com a exclamação, que conota alegria, e o Viva a Rua no sentido de literalmente viver a rua, participar de algo.

Notisul – Bem pensado. Quem teve essa ideia?
Jung Júnior – Nós trabalhamos nisso…

Notisul – Isso tem uma “cara” de Walmor Jung Júnior!?
Jung Júnior – (Gargalhadas) Não. Foi o grupo, a diretoria. Todos têm participação. O mais importante é dizer que não é um trabalho da CDL, é da cidade, para a cidade. As ações que propomos, algumas não dependerão de nós, e sim da população. Outras fazem parte do nosso “dever de casa”.

Notisul – Exemplo?
Jung Júnior – O atendimento. Quando digo que quero tirar as paredes das lojas, falo metaforicamente. Quero dizer, na verdade, que o lojista não pode mais estar vinculado naquele pensamento pequeno de que o compromisso dele com o cliente termina na porta da loja. Temos que quebrar esta barreira psicológica. A calçada faz parte da loja, a rua faz parte da loja, o bairro faz parte da loja. O tempo em que se arrumava uma vitrine conforme o gosto o patrão. Hoje, o gosto do cliente é mais importante. É isso que queremos mudar. Daí o conceito de shopping a céu aberto.

Notisul – Mas você não acha que o lojista tubaronense ainda está um pouco estagnado neste sentido?
Jung Júnior – Não. Já foi pior. Hoje, você encontra uma variedade enorme de produtos no comércio da cidade. Há quatro anos não víamos isso. Muitos saíam daqui para comprar um sofá mais sofisticado em um grande centro. Hoje, não. Tem tantas variedades de lojas que o cliente fica indeciso do que e onde comprar.

Notisul – Então, basicamente, o pretendido é repaginar o comércio, genericamente.
Jung Júnior – Isso. A cidade está bonita. Agora, queremos que isto seja sempre assim. Não apenas nas datas especiais. A decoração de Natal deu vida à cidade. Percebi que era isso que faltava para tirar esse povo todo de casa. Famílias inteiras passeavam, visitavam os pontos culturais, olhavam as vitrines, paravam para um lanche, um café. É isso que pretendemos, mas de forma mais organizada. E o mais importante: continuada.

Notisul – Como assim continuada?
Jung Júnior – Não é um projeto que tem começo, meio e fim. Sempre que surgirem novas ideias e necessidades, vamos correr atrás para torná-las realidade a fim de concretizar a cidade como polo comercial da Amurel e do sul catarinense. Para isso, cada morador, cada lojista precisa fazer a sua parte. Claro que a CDL tem o cunho comercial. No fundo, o atrativo é esse. Mas, a partir do momento que você tem uma cidade bonita, a autoestima das pessoas é outra. As pessoas são atraídas por isso. E Tubarão tem esta particularidade. O tubaronense gosta de caminhar, passear pela cidade, ver as vitrines…

Notisul – Então, toda a logística comercial da cidade seria alterada?
Jung Júnior – Melhorada, eu diria. Lembra como era aquele espaço das barracas de cachorro-quente? Agora, olha como é hoje: uma grande praça de alimentação a céu aberto. Hoje, eles têm condições de atender mais clientes, têm um lugar específico, mais limpo e simpático, afinal, ninguém mais reclama que eles atrapalham a rua. O mais interessante é que estes comerciantes sabem que as futuras melhorias dependem somente deles. É isso que queremos com o projeto: organizar as pessoas e transformar o pensamento. Hoje, quem dita as regras não é mais o patrão da loja. É o consumidor.

Notisul – Certo! Mas como você vão desenvolver todas as ideias?
Jung Júnior – O mais difícil vai ser colocar no papel tudo aquilo que imaginamos. Estamos com muitas ideias. O que temos no momento é o anteprojeto. Mas o Viva a Rua não é, nem de longe, uma ação solitária da CDL. Não procuramos nossos parceiros ainda porque buscamos informações para elaborar um projeto, com informações mais detalhadas. A meta agora é empolgar as pessoas, lançar a ideia para o público e ver como seremos respondidos. Já fizemos uma reunião com os secretários (da prefeitura de Tubarão) que seriam envolvidos para ver como poderemos desenvolver certas ideias. O segundo encontro já está marcado e eles vão expor como poderão ajudar. Depois disso que vamos fazer um projeto, onde estará discriminado tudo que precisaremos para atingir aquilo que pensamos, onde poderemos buscar recursos e assim por diante.

Notisul – Você acha que esta ideia poderá quebrar aquele estigma entre os grandes empreendimentos comerciais, como os shoppings, por exemplo?
Jung Júnior – Completamente. Um dos objetivo é este. Não tem nada a ver essa história de jogo de braço entre os comércio de rua e os shoppings ou o centro comercial (Tubarão). Pelo contrário. Queremos interagir, agregar serviços. Afinal, somos todos do comércio. São ações para que consigamos atender toda a população. Formar mix de lojas: o consumidor consegue comprar uma roupa, um produto de informática, tem um banco para sentar, um bebedouro, um espaço para as crianças, dentro da própria loja, um fraldário, banheiros. Por isso que digo que muita coisa é dever de casa. Na realidade, muitas ideias só sairão do papel se o lojista colocá-las em prática, pois demandarão investimento deles próprios.

Notisul – Como vocês pretendem organizar os associados?
Jung Júnior – Através de associações de ruas. As duas únicas que existem são a da rua Lauro Müller e a Amigos do Calçadão. E funcionam muito bem. O pessoal é organizado e articulado. Vamos incentivar mais estes organismos. Juntos, todos terão mais força. São ações conjuntas, não isoladas. Não adianta ter dez lojas lindas e maravilhosas na rua ‘x’ se não há um banco para o marido esperar a esposa, se não há um espaço para as crianças, um café expresso, uma boa lanchonete. O consumidor é exigente. Gosta de ter tudo à mão. Fazer tudo no mesmo lugar. Sei que isso demanda custo, um dinheiro que sairá do bolso do lojista, mas é possível. Além disso, todos terão retorno.

Notisul – Este projeto será levado para os bairros?
Jung Júnior – É para toda a cidade. É importantíssimo que se estenda para os bairros. Nas próximas semanas, vamos nos reunir (CDL e prefeitura) para ver o que cada um poderá assumir e vamos lançar isso para os possíveis parceiros e disseminar a ideia para todos os 3,7 mil lojistas. Precisaremos de todos: prefeitura, associações, Unisul, Ajet, Ampe, Acit, Caiuá (detentora da Área Azul). Queremos agregar todos em um único, sólido e unido bloco para mudar nossa cidade, não apenas o nosso comércio. A comunidade também faz parte deste todo. Pode perceber. Quando uma rua é asfaltada ou recebe outra boa melhoria, o dono do imóvel sente-se incentivado. Ele vai lá, pinta o local, arruma o muro, coloca flores. Se a mudança é iniciada, as pessoas contaminam-se, porque percebem como é gostoso viver em uma rua limpa e bonita. Aprendem a fazer a sua parte sem esperar pelo poder público. Este é o ponto central. Comprometer todos para que participem ativamente. Não é preciso investir uma fortuna. Quem sabe um corte de grama, uma pintada na casa, no portão. Tudo isso conta. Tudo isso está inserido dentro desta proposto.

Notisul – E a questão do atendimento? Haverá espaço para trabalhar e melhorar este quesito?
Jung Júnior – Definitivamente, precisamos melhorar. Aqueles empresários que não se atentarem a isso estão fadados ao descrédito, ao insucesso. Hoje, os clientes estão cada vez mais exigentes, e dentro de sua razão. Quem dita a moda, a vitrine, é o cliente. Também temos que valorizar o comerciário. Temos que deixar de lado a visão do antigo balconista. Hoje, eles são consultores de venda. A função não é mais vender, é encantar. O consumidor entra na loja, não para comprar um roupa, por exemplo, mas para adquirir um sonho. Os programas de aperfeiçoamento ocorrem sistematicamente e não vão parar. Mas o resultado está atrelado ao investimento que o lojista está disposto a fazer.

Notisul – E o muro dos Correios?
Jung Júnior – Acabei criando uma polêmica em cima disso (risos). Na verdade, fui mal interpretado. Não questiono a legalidade do muro. Também não intenciono qualquer tipo de embate com a estatal. Pelo contrário. O documento que enviei foi um pedido, com o intuito de sensibilizar a empresa. Acredito que esta é uma ação que tornará o Correio simpático perante a população de Tubarão. Não nos envolveremos com justiça. Nada do tipo. Isto está fora de cogitação. Apenas queremos chamar a atenção para o espaço nobre que eles têm na avenida Marcolino Martins Cabral. E, no entanto, estão de costas para o seu cliente. Uma pessoa com cadeira de rodas ou qualquer outra limitação de locomoção não consegue acessar o restante da avenida. Não há espaço e tem um esgoto horrível em cima da pouca calçada. E tudo isso no centro. É isso que gostaria que eles levassem em consideração.