Graduado em administração de empresas e pós-graduado em administração financeira, Bruno Breithaupt dedica-se há 33 anos ao comércio varejista. Atualmente, é o presidente do Sistema Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio) de Santa Catarina e vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Bruno também é o diretor administrativo e financeiro da Comércio e Indústria Breithaupt S/A, conselheiro da Associação Comercial e Industrial de Joinville (Acij), conselheiro do Hospital e Maternidade Jaraguá, secretário da Câmara de Dirigentes Lojistas de Jaraguá do Sul (CDL), membro do Conselho Federal de Museologia (Cofem), membro do Conselho Deliberativo do Sebrae/SC, membro no Movimento Catarinense para Excelência e membro do Programa de Desenvolvimento da Empresa Catarinense (Prodec).
 
 
Fernando Silva
Florianópolis
 
Notisul – A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio) de Santa Catarina foi fundada em agosto de 1948. Qual o papel da entidade construído ao longo destes 66 anos?
Bruno Breithaupt – A Fecomércio SC tem como objetivo servir como a entidade que une, orienta, defende e representa a classe empresarial catarinense do setor terciário, além de congregar os sindicatos patronais do comércio de bens, serviços e turismo que agem nas esferas regionais e municipais. Para tanto, a Fecomércio oferece uma série de produtos e serviços, como as pesquisas de mercado e econômicas, as câmaras setoriais, certificação digital e de origem, assessoria jurídica, econômica e legislativa e, mais recentemente, a Central do Comércio, um portal que serve como um guia para negócios e oportunidades em diversos segmentos, uma vitrine para as empresas do Estado. Além disso, através da sua atuação política nas diversas esferas do poder público, contribuiu para o desenvolvimento econômico do comércio e, em consequência, do nosso estado.
 
Notisul – O que é o sistema Fecomércio?
Breithaupt – Assim como nos outros estados, o Sistema Fecomércio é composto pela federação e pelos departamentos regionais do Sesc (Serviço Social do Comércio) e do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial). Como presidente do conselho da Fecomércio, sou, também, presidente dos conselhos do Sesc e do Senac em Santa Catarina. O Sesc é uma instituição que já faz parte da vida dos catarinenses de todas as regiões do estado e que, a cada ano, leva mais qualidade de vida para os comerciários, seus familiares e comunidade. Voltada para o bem-estar social, a instituição promove eventos e serviços em cinco grandes áreas: educação, saúde, cultura, lazer e assistência. No ano passado, foram realizados mais de 38 milhões de atendimentos e temos mais de 14 mil alunos nos nossos programas educacionais. Em Santa Catarina, o Sesc conta com 44 pontos fixos de atendimento e nove unidades móveis, 26 clínicas odontológicas e três meios de hospedagem: o Hotel Sesc em Cacupé (Florianópolis), o Hotel Sesc em Blumenau e a Pousada Rural em Lages. Já o Senac SC investe em inclusão social através da educação e do empreendedorismo, oferecendo uma série de cursos de formação inicial e continuada (aprendizagem, capacitação, aperfeiçoamento, programas socioambientais, socioprofissionais e instrumentais) e cursos de educação profissional técnica de nível médio, graduação e pós-graduação em diversas áreas do conhecimento. Temos 26 unidades fixas e cinco móveis, além de uma rede nacional de ensino à distância. Para possibilitar o acesso à qualificação pelo maior número de pessoas, o Senac SC conta com o PSG (Programa Senac de Gratuidade), que oferece vagas gratuitas em diversos cursos.
 
Notisul – Como está dividida a gestão da Fecomércio? São 16 dirigentes eleitos para as regiões catarinenses. Isso facilita a gestão e a defesa dos interesses do empresariado?
Breithaupt – A diretoria da Fecomércio SC é composta pelo presidente, um vice-presidente, 15 vice-presidentes regionais e setoriais, dois representantes no Conselho da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e três integrantes do conselho fiscal. O mandato é de quatro anos, com possibilidade de uma reeleição. Os vice-presidentes (VPs) têm a função de apreciar os assuntos de interesses das categorias representadas, no caso dos VPs setoriais, e das regiões, no caso dos VPs regionais. Esta composição permite que a entidade atue de forma descentralizada, beneficiando os diferentes setores de suas atividades.  
 
Notisul – Hoje a Fecomércio abriga empresas do comércio de bens, serviços e turismo e é responsável pela geração de 59% do PIB catarinense, por 72% da arrecadação fiscal do estado e gera mais de 1,1 milhão de empregos em Santa Catarina. Quais as principais dificuldades da instituição quando representa os empresários destes setores – os altos impostos, a carência de mão de obra ou os custos para gerar uma vaga de emprego?
Breithaupt – As dificuldades ocorrem nos três pontos, sendo que todos se autoinfluenciam. A falta de mão de obra encarece o trabalho. Hoje, contrata-se trabalhadores muito menos produtivos por salários maiores, impactando diretamente na queda da produtividade do comércio. Por outro lado, esse custo aumenta em função da burocracia para se contratar e da alta carga tributária que incide sobre os salários, praticamente duplicando o custo do empregador. Carga tributária e burocracia que não incide apenas sobre os salários, mas também sobre todas as outras esferas da atividade produtiva – aquisição de insumos, contratação de serviços, venda final, etc. -, diminuindo as margens de rendimento das empresas e dificultando investimentos em aumento da produtividade e contratação de novos empregados. 
 
Notisul – Como as lideranças tratam do grande número de entidades representativas – Fecomércio, CDL, Sindilojas, FCDL, Fiesc, associações comerciais e industriais das cidades, Facisc. Estas entidades atuam integradas ou a força das reivindicações é dividida?
Breithaupt – O fato de um conjunto de entidades representarem o setor produtivo engrandece a causa e os pleitos dos empresários. No caso mencionado, temos entidades que atuam de forma local, e outras de abrangência estadual. A representatividade de cada uma se estabelece de acordo com o interesse econômico comum. No nosso caso, possuímos representatividade no Sistema Sindical do Comércio, desde os sindicatos, a Fecomércio e a CNC. Somos reconhecidos pelo Poder Executivo Federal, por intermédio do Ministério do Trabalho e Emprego, como representantes legais do comércio de bens, serviços e turismo no Estado de Santa Catarina.  Essa representação legal nos confere a responsabilidade de defender os interesses das categorias econômicas de nossa base representativa perante as autoridades administrativas e judiciárias. Além disso, é de responsabilidade das entidades sindicais a negociação das convenções coletivas de trabalho, que determinam a política salarial das categorias representadas, dentre outras questões de ordem econômica e social.
 
Notisul – Quais são os parceiros da Fecomércio na defesa do empresariado?
Breithaupt – Os maiores parceiros da Fecomércio são as entidades do sistema do comércio, sejam os sindicatos ou mesmo a CNC. De acordo com cada demanda específica, a Fecomércio conta com a parceria das demais entidades de classe, seja do próprio comércio, turismo ou indústria.
 
Notisul –  Como é a relação com o governo estadual, federal, e municipais?
Breithaupt – Na defesa de interesses do setor, temos buscado cada vez mais nos tornar parceiros do poder público, o Executivo e o Legislativo federal, estadual e nos municípios, levando às autoridades as avaliações de impacto, pesquisas e demandas setoriais da Fecomércio, contribuindo nas decisões políticas e nos colocando junto aos definidores das políticas públicas. Temos tido importantes conquistas nessa interação necessária com o poder público. Contudo, não se consegue vencer e convencer todas as vezes. Na política não há vitória que se perpetue, nem derrotas absolutas. É fundamental estarmos sempre preparados para esses momentos, construindo estrategicamente os próximos passos.
 
Notisul – Diversas lideranças empresariais entram na vida pública. Isso facilita a busca por conquistas de novos benefícios ou abertura de caminhos para o incremento na produção?
Breithaupt – Quando vemos um empresário entrar para a vida pública, temos a expectativa de que a política estará cada vez mais atenta aos temas da competitividade e produtividade da nossa economia, que se reflete setorial e culturalmente no dia a dia da gestão pública. Temos experiência muito positivas no próprio sistema do comércio, com os deputados Federais Laércio Oliveira (SD-SE) e Armando Vergílio (SD-GO), ambos também vice-presidentes da CNC. Em Santa Catarina, temos vários deputados que declaram ser empresários, e outros tantos que têm na sua bandeira principal a defesa dos empresários do Estado, assim como nas nossas câmaras municipais e prefeituras. Isso é um fato relevante e inegável. Contudo, não podemos esquecer que a política tem como base a disputa, os interesses. Por essa razão, é fundamental que estejamos cada vez mais atuantes politicamente, dando vitalidade aos pleitos dos nossos setores e conteúdo às decisões tomadas pelo poder público.
 
Notisul – A pesquisa Fecomércio em relação às vendas do Dia das Mães mostra uma desaceleração da economia. Foram menos trabalhadores empregados temporariamente e um volume de vendas menor do que em 2013. Qual a avaliação que o senhor faz a partir dos dados da pesquisa Fecomércio dia das mães?
Breithaupt – O resultado da pesquisa demonstrou claramente que, em função da atual desaceleração das economias brasileira e catarinense, o ticket médio por famílias e o volume de vendas no Estado têm crescido menos do que se esperava. O dado é reflexo dessa situação econômica não tão positiva, como em anos anteriores, que faz com que as pessoas deixem de consumir com o mesmo vigor que antigamente.
 
Notisul – A pesquisa Fecomércio identifica ainda um crescimento no percentual de catarinenses endividados em relação ao ano passado. Isso indica dificuldades na economia nacional, na sua avaliação?
Breithaupt – A pesquisa de endividamento e inadimplência dos consumidores catarinenses tem apresentado um pequeno aumento no endividamento das famílias e estabilidade na inadimplência. Também ficou demonstrada uma melhoria na condição das dívidas, já que os pouco endividados cresceram em detrimento dos muito endividados. O grau de comprometimento da renda caiu e o percentual daqueles que têm condições de quitar suas dívidas atrasadas cresceu. Acredito que não exista risco algum de um aumento descontrolado da inadimplência em Santa Catarina. 
 
"As cargas tributárias reduzem a margem de rendimento das empresas".
 
"Isso dificulta o investimento e, por consequência, as empresas crescem menos".