Rafael Andrade
Tubarão

Notisul – Quais as principais ações executadas em 2009 pela Polícia Militar de Tubarão?
Silvio Ricardo
– Temos um trabalho forte e permanente nos locais de intenso tráfico de drogas. Durante 24 horas, fazemos incursões nos locais de tráfico e surte efeito no que tange à apreensão de armas, drogas e no combate ao narcotráfico, que está relacionado aos delitos de roubo, assalto a estabelecimento comercial e furto a veículos. Quarenta e três por cento dos detentos do Presídio Regional de Tubarão foram detidos por envolvimento ao trafico de drogas. Este delito já ‘comanda’ Tubarão e região, infelizmente. Os policiais trabalham em dupla na viatura e em quatro no Pelotão de Policiamento Tático (PPT). Também atuam nas motos, tendo maior agilidade no trânsito. O percentual de bandidos que utilizam moto para executar alguma ação criminosa cresce. Os motoqueiros são os principais suspeitos quando há registro de roubo por um comerciante.

Notisul – De que forma são realizadas as incursões?
Silvio Ricardo
– Os locais de tráfico de drogas estão mapeados, temos uma parceria muito grande com a Polícia Civil, trocamos várias informações e, com a união das duas polícias, conseguimos resultados significativos dentro do princípio legal. Recentemente, em uma operação conjunta, apreendemos dois que cometiam assaltos a estabelecimentos comerciais em Tubarão e Capivari de Baixo, tirando-os de circulação. A superlotação do sistema prisional prova que a polícia trabalha muito. Durante o tempo que tenho como policial, observei que a informação dos cidadãos de bem é de fundamental importância para obtenção de resultados no trabalho ostensivo. Com muita tecnologia, teremos melhores resultados no combate ao crime.

Notisul – Como funciona o serviço de inteligência (P2) da Polícia Militar em Tubarão?
Silvio Ricardo
– Temos no batalhão 125 homens. Destes, quatro profissionais atuam como P2. Eles nos passam informações para que possamos incluir no planejamento diário das nossas operações os locais onde há maior frequência de delitos. Todo esse trabalho de planejamento e execução também depende de muitas informações sobre o crime e a violência nas ruas.

Notisul – Quais as cidades que o 5º batalhão atende?
Silvio Ricardo
– Na área de atuação do 5º batalhão, temos a segunda companhia, compreendendo seis municípios da Amurel: Tubarão, Capivari de Baixo, Jaguaruna, Sangão, Treze de Maio e Pedras Grandes; e também a terceira companhia, que compreende oito municípios da Amurel: Braço do Norte, São Ludgero, Grão-Pará, Rio Fortuna, Santa Rosa de Lima, Gravatal, Armazém e São Martinho. São 365 homens e mulheres que atuam 24 horas e fornecem um serviço de qualidade aos cidadãos que dependem do nosso trabalho para garantir o direito de ir e vir sem se preocupar com a criminalidade.

Notisul – Estes 365 homens estão bem equipados?
Silvio Ricardo
– São centenas de coletes à prova de bala, armamentos em geral, pistolas ponto 40, espingardas calibre 12. O próprio PPT tem armamento especial de fuzil automático leve. Recentemente, começamos a utilizar pistolas não letais (teaser), um equipamento importante onde o suspeito cai, é imobilizado, mas não há morte ou ferimento grave. Temos cinco Santanas ano 2001, quatro Corsas 2002 e recebemos do governo há pouco tempo quatro Blazers, duas Paratis e dois Logans. Também utilizamos motos-patrulhas, mais versáteis, facilitando o acesso rápido pelo trânsito pesado. Também o policiamento de bike e o policiamento ostensivo a pé, no calçadão da cidade, em comércios e em frente às escolas e igrejas.

Notisul – A ronda programada nas casas e comércio já iniciou?
Silvio Ricardo
– Apesar de termos anunciado nas rádios, devido ao tráfico intenso de drogas, não iremos editar no fim deste ano. Mas, desde o dia 18, ocorre a Operação Veraneio, com reforço nos balneários de Jaguaruna: Esplanada, Campo Bom, Arroio Corrente e Camacho, fornecendo mais segurança aos moradores e turistas.

Notisul – O senhor comentou que o tráfico de drogas é intenso na região, principalmente nesta época. Qual a visão da PM sobre o crack? O que é feito para inibir o tráfico na região?
Silvio Ricardo
– Durante 24 horas, trabalhamos para combater o narcotráfico. Também elaboramos algumas operações específicas, como a Fecha Quarteirão. O crack é um terror nos dias atuais, esse tipo de entorpecente destrói famílias inteiras. A política pública peca muito e tem uma parcela de culpa para com os viciados. Há necessidade de investir mais na educação dos nossos jovens e fornecer oportunidades saudáveis.

Notisul – Existe um trabalho interessante, muito aplaudido pelo público, o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd). Ele continua em 2010?
Silvio Ricardo
– Trabalhamos muito com prevenção. Temos o Proerd e os Conselhos Municipais de Segurança (Consegs) da Polícia Militar Comunitária, que continuarão a ser desenvolvidos em 2010. Em Tubarão, por exemplo, 20% da população já passou por esse programa, ou seja, 20 mil crianças de 4ª série do ensino fundamental. Estamos há dez anos com o programa na cidade. Os primeiros alunos estão hoje na faixa etária de 18 anos, são jovens ingressando nas universidades. Para nós, isso é a prevenção no sentido exato da palavra, é a boa semente jogada na terra muito fértil, que, com certeza, dará muitos frutos. São quatro Consegs em Tubarão, a Polícia Comunitária é uma nova forma de fazer polícia no sentido de priorizar os problemas de segurança pública e buscar alternativas para resolução de tais. É uma companhia pró-ativa, porque busca as causas dos problemas.

Notisul – Como funciona o Pelotão de Policiamento Tático (PPT)? Quantos policiais estão aptos a trabalhar nesse segmento?
Silvio Ricardo
– São 15 policiais no total. A escala é 24-48 horas; na guarnição, são quatro. Empregamos muito esse serviço na ronda bancária e principalmente no combate ao narcotráfico e crime de ordem maior no geral. Há um cuidado todo especial na capacitação desses profissionais nas instruções diárias. Eles usam fuzil como armamento.

Notisul – Qualquer policial militar pode fazer o curso do PPT?
Silvio Ricardo
– Sim, desde que tenha habilitação na pistola ponto 40. Porém, durante o curso, há uma seleção intensamente elaborada. A duração é de quatro meses, com trabalhos intensivos, para realmente peneirar os candidatos, onde saem preparados a diversas situações, tanto nos setores urbanos como rurais.

Notisul – Quanto ao projeto escolinha de trânsito, coordenado pela PM de Tubarão, haverá continuidade em 2010?
Silvio Ricardo
– Temos o capitão Wilson (Sperfeld), responsável pelo setor de trânsito, e o soldado Maxwell, que programam com os diretores nas escolas e ministram aulas às crianças no 5º Batalhão, em um circuito especial da Escolinha de Trânsito. Nele, são repassadas todas as informações de sinalização e orientações necessárias onde a criança aprende na prática. Essas informações ficam marcadas na memória da criança para sempre. Por esses motivos, continuaremos com esse projeto. E o ensino não para por aí. Os pequeninos levam o conhecimento para dentro de casa e repassam aos pais. É muito gratificante.

Notisul – Qual a relação da Polícia Militar com a Guarda Municipal de Tubarão (GMT)? Como funciona essa divisão?
Silvio Ricardo
– Inicialmente, gostaria de afirmar que não sou contra a GMT, pelo contrário, acreditamos que uma parceria seria de fundamental importância. Sobre a atuação deles, é o que deveria ser revisto. Já participei de várias reuniões com o secretário de segurança e trânsito da prefeitura, João Batista de Andrade, e coloquei o meu parecer. Conversei sobre o assunto na câmara de vereadores. A GMT tem um caminho longo a percorrer. O trabalho mais direcionado a eles seria a proteção e conservação das praças públicas de Tubarão. Portanto, não concordo com serviço ostensivo de policiamento a pé, da patrulha com cães, no rádio patrulhamento com viatura e no serviço de fiscalização do trânsito, além das autuações e notificações aos infratores. Em resumo, não concordo com este trabalho, que é nosso.

Notisul – Quais os principais registros de ocorrências atendidas este ano?
Silvio Ricardo
– Durante o ano, foram nove assassinatos só em Tubarão, todos relacionados ao tráfico de drogas. Foram 492 ocorrências de vias de fato; 169 furtos a pessoas; 150 furtos a residências; 58 assaltos a estabelecimentos comerciais; 39 ocorrências de comércio ilegal de tóxicos e entorpecentes; 181 de posse de tóxicos e entorpecentes; 586 perturbações do trabalho e sossego alheio. Em 2010, essas ocorrências da área abrangida pelo 5º Batalhão têm que ser trabalhadas com mais intensidade. O objetivo é alcançar a redução na criminalidade. A preocupação maior é retirar as armas de fogo e as drogas dos criminosos, principalmente o crack, em pontos considerados estratégicos na prática do tráfico.

Notisul – E quais são os pontos críticos de narcotráfico em Tubarão?
Silvio Ricardo
– O beco do Quilinho, no Morrotes, e a Área Verde, no Campestre, são os pontos mais perigosos tanto para a população quanto para os policiais. Tenho batido na tecla da urbanização dos becos. O alargamento desses locais seria interessante. Mas é um planejamento longo. É necessária a participação do município e do estado para alcançar resultados positivos na urbanização saudável destes locais.

Notisul – Como funcionam as blitze em Tubarão? O etilômetro (bafômetro)também é utilizado pela polícia local?
Silvio Ricardo
– Usamos o bafômetro para medir e constatarmos a embriaguez do condutor. Mas, infelizmente, o motorista tem o direito de não produzir provas contra si, é o que rege na constituição. A maioria, mesmo em estado visível de embriaguez, tem noção deste direito e não realiza o teste. Com bafômetro ou não, executamos blitze diuturnas. Não existe um local fixo, e sim pontos estratégicos para fazermos as blitze. A lei dos bares e a lei do toque de recolher, sancionadas há poucos dias pelo prefeito Manoel Bertoncini, nos auxilia muito nesse sentido. Infelizmente, a educação ou o costume do brasileiro devem ser revistos e mudados. Isso depende muito de boas políticas públicas.