Natural de Braço do Norte, Roberto Kuerten Marcelino, de 30 anos, é formado em administração de empresas pela Unisul e realizou um sonho ao se eleger no ano passado, pela primeira vez como vereador do seu município sob a sigla do PSD. Casado, pai de uma filha, recebeu muitas críticas de eleitores ao se afastar da Câmara para aceitar o cargo de secretário de desenvolvimento regional, função que exerce hoje. “Meu pai faleceu em 1999, e eu sempre o acompanhava em comícios e nas eleições. Ser vereador era o sonho dele. Em 2000 ele tentaria ser candidato. Com isso, decidi que realizar a vontade do meu pai. Eu não desisti por causa disso, desde os 20 anos”, revela Roberto. É o secretário de estado mais jovem do governo de Raimundo Colombo e hoje, apesar dos sonhos, prefere aguardar o desfecho do futuro. “Claro que tenho minhas pretensões. Mas isso vai depender se as pessoas do meu partido me escolherem e do meu trabalho ser bem feito para receber o apoio do povo”, finaliza.

 

Fernando Silva
Tubarão
 
Como o senhor explica o fato de ter batalhado para se eleger vereador e após assumir o cargo de secretário de desenvolvimento regional?
Roberto Kuerten Marcelino –  É bom que fique claro que eu quando saí da Câmara, fui muito questionado. As pessoas me falavam que votaram em mim para ser vereador, não secretário regional, e a minha visão ampla foi a seguinte: como secretário regional, não vou ter compromisso apenas com Braço do Norte e sim com sete municípios mas, eu vi que eu teria uma capacidade muito maior de ajudar as pessoas, e graças a deus isso tem dado certo. Não apenas em Braço do Norte, mas nos demais municípios. Foi essa a visão que me fez sair da câmara e assumir a SDR. Ter plenas condições de ajudar mais pessoas. 
 
Notisul – Que avaliação pode ser feita sobre o desenvolvimento da região do vale?
Roberto – Eu posso avaliar nossa região, com os nossos sete municípios, como uma grande propulsora e tendo reais e plenas condições de ter investimentos por parte do governo do estado. Primeiro porque hoje Braço do Norte é a capital sul-americana da moldura e nós somos considerados por lei estadual o vale do gado Jersey. Vamos ser também, agora por lei nacional que deve ser sancionada pelo senado, a capital nacional desse tipo de gado. Além disso, somos o terceiro maior produtor de leite do estado, inclusive com o lançamento do projeto um milhão de litros junto com a Epagri. Além disso, há a suinocultura, uma das maiores do estado. No setor industrial temos o próprio grupo Moldurarte, além de força com empresas de plástico. O início da pavimentação da Serra do Corvo Branco, que será um cartão postal para o país. Turismo religioso, muito forte com a região da Santa Albertina. Temos o Cedup em Rio Fortuna, com 70% da obra concluída, que vai ajudar muito na capacitação técnica dos laticínios, que será o principal foco. Vamos pedir que os prefeitos disponibilizem linhas de ônibus para os alunos. Temos a Unibave, o Senai e a própria Unisul. Enfim, o que eu posso dizer é que temos um grande número de investimentos e projetos que estão bem encaminhados.
 
Notisul – Como está o andamento da obra da Estrada de Santa Albertina, um dos pontos principais do turismo religioso da região?
Roberto – Nós quitamos a última indenização, um valor de cerca de R$ 100 mil, na semana passada. A empresa A. Mendes já iniciou o trajeto. Tivemos uma grande notícia que é o pagamento das medições, em atraso, por meio da Secretaria da Fazenda, o que vai nos dar mais agilidade nessas medições. O estado vai quitar isso com a empresa. Já foi confirmado. Infelizmente quando eu assumi haviam dois contratos vencidos, que estamos resolvendo, mas atrapalhou um pouco a obra. Foi estipulado que não haverá mais aditivo de valor. A obra teria de conclusão R$ 3,8 milhões, mais a ponte. Agora pagando esses aditivos de 18% ficará em R$ 5,6 milhões, e encerra nesse quesito. Aí faltará fazer o projeto da ponte e licitar. Isso não foi feito ainda, porque São Martinho vai apresentar no Fundam, o projeto já reivindicado há muitos anos, que é uma ponte de pedestres e que ali vão fazer de veículos. Para essa ponte da Albertina ser feita, como não tinha outra passagem, nós decidimos que como o município vai fazer esse projeto no Fundam, vamos fazer primeiro aquela e depois a nova, para haver passagem enquanto se constrói a nova. O prazo ficou para 15 de março de 2014 para a obra da pavimentação.
 
Notisul – Em relação a Serra do Corvo Branco, o que falta e o que já foi investido? 
Roberto – Ali são R$ 41,3 milhões no primeiro lote, que corresponde de Grão Pará até o pé da Serra. Isso representa esses 23 quilômetros e meio, que da R$ 39,9 milhões, mais R$ 1,5 milhões de pontes. Essa é a primeira etapa. A segunda etapa foi a licitada em R$ 29 milhões e a empresa que ganhou apresentou um orçamento de R$ 32 milhões, o que fugiu do valor estipulado. Isso porque como é subida da serra, o valor realmente é maior. Com isso já foi autorizada uma nova licitação e em breve conheceremos o ganhador. Mas a primeira etapa, já assinada e onde estão trabalhando, a obra tem um ritmo satisfatório. Os poucos dias de trabalho, nos leva a crer que vamos conseguir concluir o prazo da primeira etapa em dois anos, dois anos e meio. Juntando o primeiro e o segundo lote o valor da obra deve chegar em torno de R$ 72 milhões. Quando estiver pronta será um grande ponto turístico para a região e uma vitrine para o estado. Alavanca ará a economia da região, principalmente Grão Pará devido ao grande fluxo de pessoas que aquela região receberá. O próprio escoamento de produção daquela vai melhorar. Só em uma obra dessas o município de Grão Pará deve gerar algo em torno de R$ 2 milhões em ISS, isso até a conclusão. 
 
Notisul – Sobre o novo hospital de Braço do Norte, quanto já foi investido e o que podemos esperar de lá?
Roberto – O governo do estado já disponibilizou R$ 3,2 milhões, e na obra já foi feito a terraplanagem, e fundação, e desse valor ainda faltam R$ 1,7 milhões a ser investidos, isso significa que não foi investido todo o recurso ainda. Vamos apresentar também, mais um projeto de R$ 5 milhões, que é para o hospital Santa Terezinha, que não será um hospital regional, e sim uma referência. Depois de pronto será mantido em parceria com os municípios, em convênio. É uma obra muito importante, que tem um valor aproximado de R$ 28 milhões, uma grande obra. Estamos fazendo campanhas e queremos muito dar esse presente que na saúde é uma das principais necessidades.
 
Notisul – Como está o andamento do projeto 1 Milhão de Litros de Leite?
Roberto – Esse projeto foi uma ideia da Epagri, em um estudo realizado por eles, e que possibilita sair de seis mil toneladas de calcário para 15 mil toneladas de calcário ao ano, e subir de 250 kits forrageiro, no valor de R$ 1,80 cada, para 500 kits, que servem para fazer os piquetes no pasto. Além disso, também vai ser disponibilizado de R$ 3 a 4 milhões a juro zero para os produtores investirem nas propriedades. Até R$ 50 mil será realmente juro zero, e acima disso há uma taxa de 2% ao ano. Isso tudo ajuda a aumentar a produção do leite da seguinte maneira: depositando o calcário no solo, se tira a acidez e o pasto cresce mais rápido. Com o gado em piquetes, há menos desgaste de andar para os animais e se tem o controle da pastagem. Assim o gado come mais e com isso, produz mais leite. Serão quatro mil produtores atendidos em toda a nossa região. Foi lançado em Braço do Norte, devido à maior produtividade, mas com parceria para Tubarão, Laguna e Araranguá. Isso já começou, já está valendo e esperamos atingir em cinco anos todos esses produtores.  Isso não impede que o número aumente. A partir de agora, os produtores tem de fazer o cadastro e toda a parte burocrática com a Epagri. 
 
Notisul – E a obra do Pinheiral?
Roberto – Essa é uma obra realmente importante, principalmente porque vamos entregar agora em dezembro, cumprindo o prazo, que é a segunda etapa da pavimentação da estrada do Pinheiral. É uma obra de R$ 5,2 milhões, e ali nós temos quase que 30 laticínios e que serão beneficiados com o escoamento da produção, além da suinocultura. Isso será entregue em dezembro.
 
Notisul – Há mais algum projeto recente de obras da SDR de Braço do Norte que o senhor gostaria de destacar?
Roberto – Sim, na realidade temos uma conquista recente e que será muito bom para os municípios. Levei para o Cobalchini as reivindicações das estradas, algo que sempre recebemos dos prefeitos. Em uma reunião nossa com os prefeitos, fizemos um levantamento da jurisdição de cada município, averiguando quantos quilômetros pavimentados e não pavimentados temos, e levamos, eu e os sete prefeitos, ao Cobalchini a reivindicação de que os municípios ficassem responsáveis por isso. Ele parabenizou a nossa SDR e disse que foi a primeira vez que alguém apresentou aquele tipo de relatório. Em agosto ele nos revelou que foi apontada outra alternativa, que é a disponibilização de um recurso, para todas as SDRs do estado para fazer as manutenções de tapa buraco, limpeza de canaleta, pintura e roçagem. Isso foi iniciativa nossa e é uma das maiores provas daquilo que eu apontei como motivo para sair da câmara de vereadores. Já que somos nós que circulamos por aqui, é nosso dever e responsabilidade levar as reivindicações dos municípios, que nada mais é do que os pedidos da população, para o governo do estado. Temos também a perspectiva de criar um pólo avançado da Fatma. Isso porque temos a gerência regional em Tubarão, mas eles cuidam de 20 municípios, o que os deixa muito sobrecarregados. Pretendemos ter os cinco profissionais necessários, que são o engenheiro civíl, o engenheiro agrônomo, o biólogo, o geógrafo e um engenheiro ambiental, que conseguiriam não apenas protocolar pedidos, mas também liberar algumas licenças, que aqui temos grande demanda, não apenas dos municípios, mas também das empresas. Foi nos dito que se conseguíssemos os três profissionais, a Fatma cederá os outros dois. Nós sedemos o local e eles implantam o pólo. Isso foi conversado há pouco mais de um mês. Vou emitir um relatório para eles e resta saber, dentro do que for possível juridicamente, ver qual prefeitura tem esses profissionais para ceder. Não é nada definido, mas estamos trabalhando para isso.
 
Notisul – Há alguma novidade na questão da restauração dos trechos que ligam São Ludgero até Tubarão?
Roberto – Bem, esse trajeto que passa de São Ludgero a Braço do Norte, Gravatal, trevo de Armazém e segue até Tubarão está em fase de projeto com a empresa Esse, de Florianópolis. Eles devem vir nesta semana para uma audiência com prefeitos, vereadores, comunidade e empresários, para ver o que eles sugerem para esse projeto de restauração. A diferença da restauração e da revitalização é a seguinte: revitalização sai por R$ 200 mil por quilômetro é apenas melhorar o asfalto, que foi feito de Orleans a São Ludgero. Restauração sai por R$ 1 milhão o quilômetro, que é o que será feito de São Ludgero a Tubarão. Isso inclui asfalto, acostamento, interseções, humanização do trânsito, rótulas e tudo mais. Será analisado cada um dos trechos e feitos os projetos com a necessidade de cada um dos locais. Não será duplicado, mas receberão importantes melhorias. Esse projeto é mais uma conquista que deve ficar pronto até o fim do ano e depois será enviado para a licitação até executar o trabalho.
 
Notisul – E com relação ao Fundam, o que é?
Roberto – O Fundam é uma grande projeção para os municípios. Nenhum dos nossos sete municípios receberá menos de R$ 1 milhão. É uma atitude nobre de o governo ter conseguido depositar no caixa de todas as prefeituras do estado, 295 municípios, um recurso sem contrapartida e ainda no primeiro ano de mandato de cada prefeito, que sabemos que é sempre o mais difícil. É algo inédito para o estado, onde cada município vai apresentar projetos diferenciados, como Braço do Norte, por exemplo, que vai apresentar projeto para a pavimentação da avenida Getúlio Vargas, a estrada dentro do município de maior reivindicação da história, uma obra de R$ 4,3 milhões. São Martinho vai apresentar a ponte que mencionamos anteriormente. Isso permite realizar ações pedidas pelos municípios de muitos anos atrás. Vamos ver investimentos em todas as nossas sete cidades. 
 
Notisul – Falamos de laticínios, mas como estão os suinocultores da região?
Roberto – Os nossos produtores estão com novas perspectivas. É um momento muito bom para eles. Temos o frigorífico Notable, uma empresa de Braço do Norte, que conseguiu o registro para a exportação para o Japão. Há produtores que estão vendendo a R$ 9,00 o quilo do suíno com 20 ou 30 dias, coisa que sofreram antes com vendas a pouco mais de R$ 1,00. Com essa exportação de carne do estado para o Japão, mesmo o nosso pequeno produtor é muito beneficiado, porque eles acabam vendendo para grandes frigoríficos. É um momento de alegria também no mercado interno, houve uma valorização. Nos últimos sete anos, posso dizer que o melhor momento é o de agora.
 
Roberto por Roberto
Deus – Acima de tudo.
Família – Fundamental.
Trabalho – Dignidade do homem.
Passado – Alimento para o futuro.
Presente – Uma conquista.
Futuro – Deixar na mão de Deus.
 
"O governo do estado passa um grande momento com as
questões do Pacto por Santa Catarina. É histórico”.
 
"Agora, cabe aos prefeitos e secretários fazerem as suas partes e aproveitarem os
recursos para os municípios".