Vanor Rosa é conhecido popularmente como Neno da farmácia. Casado, tem quatro filhos e cinco netos. Nasceu em 13 de maio de 1947 e é devoto a Nossa Senhora de Fátima. Já disputou sete eleições municipais. A primeira, como candidato a vereador, foi quando tinha vinte e poucos anos e fez mais de 200 votos. Na segunda disputa, chegou aos 545 votos e na terceira já ficou como 1° suplente, com 875 – só não se elegeu por apenas três votos. Em 2000, foi o vereador mais votado do PMDB e 4° mais votado de Tubarão, com 1.333. Depois, em duas eleições seguidas ficou na suplência e agora conseguiu voltar a ser titular. Nunca saiu do PMDB.

Letícia Matos
Tubarão

Notisul – Como oposição, como o senhor avalia o atual governo?
Neno – Eu não me considero oposição. Podes ver que praticamente todos os requerimentos e projetos que o prefeito mandou para a câmara foram aprovados. Nós não estamos fazendo oposição. Nós estamos cobrando o que o povo de Tubarão nos solicita diariamente. É a falta de estrutura, de estradas, de remédios, de médicos. Se fôssemos oposição mesmo, teríamos rodado muitos projetos, e não rodou. A não ser quando vem alguma coisa errada e mandamos para eles arrumarem e, quando volta, aprovamos. 

Notisul – Mas o senhor critica bastante o prefeito na tribuna… 
Neno – O problema é que eles não colaboram. Eles não respondem aos nossos requerimentos. O PT pediu para nós os 100 dias de prazo no primeiro ano de governo. Passaram os 100 dias e pediram seis meses. Passaram os seis meses… Aí esperava que em um ano fosse melhorar. Já estamos terminando o segundo ano e está a mesma coisa. Eu não vi nada acontecer ainda. E a gente espera que aconteça alguma coisa de bom para nós, para a cidade. Não queremos ir só para a tribuna criticar. Quero ir para a tribuna elogiar o prefeito. Tenho um carinho especial pelo prefeito, mas também isso não basta. Quero que ele faça algo para elogiarmos e, sinceramente, eu não sou de fazer média com ninguém! O que eu levo para a tribuna, o que eu discuto é coisa do meu coração, do meu sentimento, e é verdadeiro. Não vou lá falar por falar ou para aparecer na tribuna, ou na mídia, imprensa falada, escrita ou televisionada. Não! Eu apresento tudo com documentos, com verdade. 

Notisul – Qual a situação hoje dos requerimentos?
Neno –
O prazo de resposta para um requerimento, por lei, é de 15 dias. Quando tem um motivo, mas este motivo tem que ser explicado, eles podem solicitar mais 15 dias de prazo. Então, seriam 30 dias. E nem essa justificativa eles dão. Nem mandam a solicitação de mais 15 dias. Tem requerimento de março, de maio, que até agora não veio resposta. Então, onde estão os 15 mais 15 dias? Eles estão nos desrespeitando. Isso aí até cassação para o prefeito pode dar. E podemos fazer isso sem passar pelo Ministério Público. Os próprios vereadores podem abrir uma sindicância para cassar o prefeito.

Notisul – E os vereadores têm essa intenção?
Neno –
Do jeito que está indo… Nesta segunda-feira, dia 8, eu e outro vereador vamos começar a bater forte mesmo na solicitação de respostas. Tem muitas situações erradas. Parece que eles estão brincando. Somos em 17 vereadores e só três de situação. Eles não têm a maioria e o prefeito parece que está brincando com a gente. Não podem agir desta maneira.

Notisul – Quando o senhor foi vereador em 2000 era diferente?
Neno –
Em 2000, o prefeito era Carlos Stüpp (PSDB). Eu não usava a tribuna porque gostava de assistir os vereadores falar, discutir. No dia a dia das sessões da câmara, estava sempre aprendendo. Tudo na vida da gente, eu digo para as pessoas, é um eterno aprendizado. Fui muito feliz em estar na legislatura de bons vereadores, como essa de agora é também. Tenho que elogiar, porque temos muitos vereadores bons. Mas naquela época as respostas eram concretas e rápidas.

Notisul – Como o senhor vê a área da saúde no município?
Neno –
Veja, hoje (última quarta-feira, dia 3) soube que em nosso posto no Morrotes vamos ficar mais dez dias sem médico e outros tantos postos sofrem com a falta de médicos, de medicamentos e de estrutura. Isso dói o coração, porque o povo nos cobra todos os dias. Quem é eleito vereador é cobrado muito pela comunidade, principalmente pelas pessoas carentes. Os ricos podem ir lá pagar uma consulta, comprar seu remédio, e as pessoas humildes não. Vieram reclamar que no posto do Bom Pastor uma senhora doente, entre 60 e 70 anos, estava às 6 horas da tarde na fila para pegar a senha no outro dia de manhã para consultar com o médico. O que é isso? Má administração! 

Notisul – Nesses quase dois anos na câmara, quais os seus principais projetos apresentados?
Neno –
Tenho vários projetos. Tenho um, inclusive, que está para ser aprovado. Esse é para beneficiar os nossos idosos a partir dos 60 anos, que passarão a ter direito de utilizar o transporte coletivo municipal gratuitamente. Hoje, o benefício só é concedido aos que possuem 65 anos ou mais. Essa redução, prevista em nosso projeto, visa atender os nossos idosos que devido ao avanço da idade não possuem a mesma vitalidade para caminhar e também não possuem condições financeiras para arcar com os altos preços das passagens. Na minha opinião, a idade deveria ser até mais reduzida, mas me utilizei dos 60 anos porque a legislação federal define idoso a partir desta idade. Os vereadores não quiseram colocar em pauta ainda. E é um projeto muito bom. Estão emperrando um pouquinho lá e já pedi para colocar na pauta, mas alguns acham que os proprietários das empresas de ônibus vão ter prejuízo. Olha, sinceramente, não acredito que terão prejuízo por isso. Se fosse assim, não estariam com tantos ônibus circulando por Tubarão.

Notisul – E projeto aprovado? Qual o senhor destaca?
Neno –
Tenho vários projetos bons aprovados. Tenho um que é sobre os medicamentos. Beneficia as pessoas que precisam de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e que precisam ir à farmácia central retirar o remédio. Às vezes, chegavam ao local, ficavam na chuva, no sol, no vento, enfim, na fila e quando chegava a vez não tinha o que precisava. Agora tem no site da prefeitura a relação de medicamentos para as pessoas saberem o que tem e não precisarem perder a viagem. Mas precisa ser atualizado mensalmente e eles têm que mandar essa relação também para os postos de saúde, para os médicos saberem os remédios que têm e que não têm. E está ocorrendo certinho. Foi aprovado em maio. Eu estava infartado e o prefeito infelizmente vetou o meu projeto e todos os vereadores, inclusive os da situação, vetaram o voto do prefeito e o projeto se tornou lei. E é lei em Tubarão. 

Notisul – Que trabalhos um vereador pode realizar na câmara?
Neno –
Podemos fazer requerimentos, indicações e projetos ou moções. Em cada sessão, podemos levar quatro trabalhos e eu sempre levei os quatro, nunca deixei de levar. Só na semana passada que o site da prefeitura estava com problema, daí levei só um. Mas em todas as sessões levo os quatro permitidos.

Notisul – Aquela escola em que o banheiro era usado como sala de aula foi o senhor quem denunciou?
Vanor –
Foi o vereador Chumbinho (Gilson Paes Vieira – PSD). Ele denunciou a escola e eu pedi a reforma antes. Porque a escola é no Morrotes, o Centro de Educação Infantil (CEI) Cantinho da Alegria. Hoje, eles estão em reforma. Mas falei da situação do muro, que estava caindo. Daí a imprensa divulgou e fizeram o muro, colocaram grade, fizeram uma reforma. Mas daí a obra parou. A prefeitura não pagou a empreiteira – que é a mesma do Cei do bairro Congonhas, a Madecril – e foram embora. Não acertaram, e a obra está pela metade. As crianças estão acomodadas em um cantinho, tudo apertadinho. Aí surgiu a denúncia do Chumbinho. Abriu uma vaga para criança especial e usaram o banheiro como sala de aula. O vereador e a assessoria dele registraram as imagens. Tenho a tristeza de no meu bairro ter essa situação. 

Notisul – Como o senhor avalia a educação?
Vanor –
Na sessão da última terça-feira, fizemos um pedido para saber quantas vagas há disponíveis ou número de crianças na fila de vagas em cada CEI. Porque agora o Ministério Público quer que tenha vagas disponíveis em todas as creches. Eles têm 15 dias para responder (risos)… Tomara que não leve um ano né! 

Notisul – O senhor já atuou com alguma denúncia?
Vanor –
Sim. Eu tirei fotos dos guardas municipais que iam para casa com a viatura. Tenho a filmagem. Coloquei lá na câmara. É uma filmagem de duas horas, mas coloquei os cinco minutos suficientes. O bom das denúncias é que o próprio funcionário filma. As pessoas trabalham juntas, veem as irregularidades e trazem para nós.

Notisul – O senhor tem bastante ajuda da população então?
Vanor –
Da população e dos funcionários que trabalham na prefeitura. Eles ficam bem atentos, veem se há coisas graves e avisam.

Notisul – Na câmara, dá de perceber que o senhor batalha bastante pelos funcionários da prefeitura. Tem algum resultado?
Vanor –
Eu trabalho sim. Eu gosto dos funcionários da prefeitura porque eles são merecedores. O que eu vejo é prepotência de certos secretários, perseguição de certos secretários – que eu não gostaria de citar o nome -, mas eles sabem de quem eu estou falando. Por isso que estou sempre cobrando. Mas tem coisas que eu não gostaria de falar e nem as filmagens que eu tenho. Eu tenho um pen drive com provas contra essa pessoa. Veja que não estou ameaçando ninguém, não sou de ameaçar, meus gestos são muito católicos, muito de Deus, não estou perseguindo ninguém. Mas eu gosto das coisas corretas. Não gosto de ver que as pessoas que ganharam cargos se sobreponham às pessoas, tentando humilhá-las, jogando para um canto. Porque não te quero aqui e vai para lá. Quem tem um cargo não deve fazer isso, porque amanhã esse cargo não será mais dela, amanhã outra pessoa vai mandar nela também em outro lugar. Eu gostaria que os secretários de Tubarão não ficassem perseguindo os funcionários, principalmente os mais humildes. Porque eles são sinceros. Daí só porque não são da mesma sigla… Eles não deveriam fazer isso. E tem secretário que faz, porque a reclamação chega até nós.

Notisul – Nas eleições passadas, o PMDB teve problemas internos, picuinhas. Isso já foi resolvido?
Vanor –
O PMDB é democrático, o nome já diz. As pessoas têm livre arbítrio de escolha e de pensamento. O partido hoje tá muito bem. O César (Mário César de Carvalho), do Sine, está tocando bem o partido. Estamos em harmonia. Mas é assim: em uma família muito grande há divergências. E uma boa família pode ter alguém meio desviado. Tivemos atritos, mas já normalizou tudo. O partido segue bem. Claro que agora em época de campanha a pessoa, por ter carinho por um candidato, às vezes pode não abraçar a campanha de um candidato local. Em Tubarão, quantos estão abraçando candidatos de fora? Não é porque não estou apoiando alguém de Tubarão que não esteja no caminho certo. Estou com o PMDB. É feio trabalhar para candidato de outra sigla, isso na norma partidária não é permitido.

Neno por Neno
Deus
– Tudo.
Família – Também tudo.
Trabalho – Feliz.
Passado – Realizado.
Presente – Mais vida.
Futuro – Coloco na mão de Deus.

"Fiz toda minha campanha sem dinheiro. Os 
votos que ganhei foram de coração e todas as noites, 
em minhas orações, rezo por essas pessoas".

"Não tenho formação acadêmica, mas tenho a felicidade de ter três filhos formados em universidade".