Disputar a eleição à majoritária com chapa pura é motivo de orgulho para Edi Carlos de Almeida e Gladys Helena, do PSC. O empresário, de 43 anos, e a redatora, de 51, nunca ocuparam cargos políticos e surgem como novos nomes para a disputa aos cargos de prefeito e vice de Tubarão.

Priscila Loch
Tubarão

Notisul – O que os credencia a serem prefeito e vice de Tubarão?
Edi – Mãos limpas. Gladys foi muito feliz em nossa convenção quando disse que nossa chapa é pura e de mãos limpas. Nossa chapa não tem corrupção, não tem falcatrua, não tem sujeira, não tem engano. Somos a chapa da verdade. Nós nos apresentamos como a única alternativa que vai poder gerar economia na administração do município. Porque não estamos coligados com vários partidos, não precisamos agasalhar pessoas de vários partidos. Ganhando a eleição, a gente pode gerar economia. De 30 anos para cá, a prefeitura vem acumulando dívidas e mais dívidas. Cada governo acumula dívidas, não consegue administrar nem o passivo e nem o ativo, e sempre fecha no vermelho. Por isso que passa de R$ 120 milhões a dívida da prefeitura. Então, é o grande desafio na próxima gestão. Nós nos apresentamos à população tubaronense com esse viés, de que nós, vencendo as eleições, conseguiremos gerar economia na administração e aí sobra para poder de investimento e nas obras necessárias, até para fomentar o desenvolvimento da cidade.
Gladys – Eu nasci em Tubarão, cresci, vivi aqui e conheço os problemas. Represento também as mulheres, metade da população tubaronense. E também me credencia a força de vontade para trabalhar e ver a nossa cidade crescer, desenvolver-se e, principalmente, para não ser mais conhecida como está sendo, como caloteira. Não quero ver isso para a cidade onde nasci. Vamos tentar mudar tudo isso.

Notisul – Como vocês veem a cidade no passado, no presente e no futuro?
Edi –
A cidade de Tubarão já esteve entre as dez maiores economias do estado. Era reconhecida em todo o estado, tinha qualidade de vida, mas nos últimos 30 anos vem sofrendo, pela má vontade política, pela má administração pública. Hoje, temos uma renda per capita muito baixa em relação a outros municípios catarinenses. Se formos olhar o ranking, não fica nem entre as 60 com maior renda per capita. Nossa economia está abaixo da 20ª do estado. O povo tubaronense ganha um salário muito baixo. A cidade parou de gerar riqueza. Precisamos voltar a empreender, a crescer, voltar a gerar riqueza. Os administradores não se conscientizaram que a cidade estava tendo um decréscimo econômico e que isso iria refletir. Hoje, conseguimos formar pessoas com a indústria do conhecimento, que é a Unisul, e outras universidades. Além de formar pessoas, temos que fazer com que elas fiquem e gerem riquezas, até para que tenhamos mais oportunidades de emprego e pensemos na cidade para daqui a 30, 40 anos. Tubarão precisa de um bom planejamento a curto, médio e longo prazo. Temos que pensar em administrar para a geração atual e para as gerações futuras. Com certeza, é possível. Tubarão pode gerar muita riqueza. Por exemplo, não é uma cidade turística, embora tenha grande potencial. Estamos muito bem localizados geograficamente, temos duas estâncias hidrominerais. É necessário melhorar bem a logística. Precisamos criar um calendário de eventos. Um festival gastronômico, um festival de dança, um festival cultural… Precisamos melhorar também os acessos aos balneários. Temos uma novela mexicana, a Ponte de Congonhas, que não acaba nunca, a Aggeu Medeiros, com um potencial maravilhoso, que liga Tubarão ao mar com uma paisagem que qualquer europeu se encantaria. O próximo gestor tem que ter essa visão, que pode alavancar a economia da cidade. Outra coisa que se deve fazer é implantar indústrias. Tubarão hoje é um polo comercial e de serviços, mas, para que haja mais movimento, precisamos também da força da indústria. E temos dois meios de fazer isso: fomentar os micro e pequenos empresários da cidade, para crescerem, e também trazer investimentos de fora. É claro que temos um problema de topografia, não temos uma grande extensão territorial para fazer um parque industrial, mas podemos fazer em forma de lotes, em várias localidades. 
Gladys – Aos 9 anos, meu pai foi transferido para Canoinhas, no Rio Grande do Sul, e fui para lá. Mas passei a grande enchente de 74 aqui. Então, conheço a cidade de antes e após a enchente. Antes, era uma cidade pujante, um polo regional, pessoas vinham de Criciúma fazer compras aqui. E depois da enchente a cidade se abalou, foi muito destruída, mas injetaram muito dinheiro aqui. Por isso, não se pode colocar a enchente como desculpa para a cidade não crescer. Depois de 15 anos, eu voltei para cá e o que encontrei não foi nada do que havia deixado. Em vez de crescer, a cidade regrediu. E não somos uma cidade provinciana, temos formação acadêmica, temos clínicas, dois hospitais, e o desenvolvimento tem que haver, mas alguma coisa está errada.

Notisul – O que vocês podem fazer de diferente?
Edi –
O primeiro ponto crucial para uma boa gestão é o planejamento. Não se pode mais administrar uma cidade sem planejar. Senão, vamos cometer os mesmos erros das últimas administrações, que é um crescimento desordenado. Hoje, não se consegue diferenciar uma área industrial da residencial ou da comercial. Está tudo muito misturado. Você coloca uma empresa em um determinado local e daqui a cinco anos vão estar em volta várias residências e muitas vezes há briga, porque a empresa quer trabalhar até tarde e os moradores reclamam do barulho. O crescimento tem que ser sustentável, respeitando o meio ambiente, respeitando as pessoas e as diferenças. Temos que criar áreas industrial, comercial e residencial, para que no futuro não venhamos a ter grandes problemas estruturais na cidade. A grande diferença que apresento dos meus concorrentes e daqueles que já foram gestores é que queremos planejar todas as ações. Não se pode nem asfaltar uma rua sem antes planejá-la. Antes de asfaltar, temos que pensar no saneamento, na rede de água. Depois é que vamos executar. Se faz um asfalto hoje e daqui a três meses estão remendando, abrindo. Isso porque, não se deixa espera para água, para esgoto e qualquer edificação que se faz tem que abrir a rua de novo. Nosso plano de governo prevê a construção de uma usina de asfalto, porque barateia a obra e não corremos o risco de ter obras superfaturadas com empreiteiras, que é o grande problema hoje do Brasil. Queremos pavimentar o maior número de ruas possível e, além disso, vamos favorecer outras cidades da região vendendo asfalto.
Gladys – Vamos apostar na valorização dos servidores públicos para acabar com a farra de comissionados. 

Notisul – Quais as principais carências de Tubarão hoje?
Edi –
A maior queixa da população em geral e o que visualizamos é com relação à saúde. Os serviços de saúde não são humanizados. Há deficiências. Temos carência de profissionais, de procedimentos, de exames de alta complexidade e até de exames rotineiros. Estrutura predial tem, são mais de 30 postos, mas a saúde vai muito mais além. E como se promove o atendimento humanizado? Valorizando o profissional, treinando. Tem que alocar de maneira correta o profissional. Tem que dar condições para que possa exercer a atividade. A prefeitura nada mais é que uma prestadora de serviço em todos os seus segmentos. Temos como proposta de governo para a saúde trabalhar na medicina preventiva, que é muito mais barata e se consegue fazer com que o usuário não fique doente. Hoje, o que existe é uma fundação de doença, não uma fundação de saúde, que se priva em tratar doenças, não previne. Já é mais que provado que prevenir é muito melhor do que remediar, é muito mais barato. Olha quanto se gasta em tratamentos, que poderiam ser evitados com boa prevenção. Até porque tem muito dinheiro para esse trabalho. A Estratégia de Saúde da Família, que é um programa do governo federal, injeta dinheiro no município para que se faça esse trabalho. E agora foi criado o Nasf, que é o Núcleo de Assistência à Saúde da Família, que é para melhorar a estratégia da família, que hoje não funciona em Tubarão. 
Gladys – Precisamos aumentar o número de médicos especialistas para ontem e também fazer parcerias público-privadas para os exames de alta complexidade. É inconcebível esperar dois, três anos por um exame de cintilografia, por uma tomografia. É muito tempo. No posto de Oficinas, acabaram as filas de madrugada, mas hoje tu vai ali e consegue uma consulta com um clínico geral para meses depois. 

Notisul – A área da saúde é uma das mais críticas e bastante criticada pela população. Que investimentos são realmente viáveis?
Edi –
Em primeiro lugar, temos que terminar a UPA. É possível que a unidade de prontoatendimento funcione 24 horas por dia. O custo é alto, em torno de R$ 500 mil por mês. Mas, se levar em conta que apenas 40 funcionários da prefeitura ganham R$ 1 milhão… O que temos que fazer para manter? Economia, tem que sobrar dinheiro na prefeitura. Tem que diminuir os cargos comissionados, de confiança, diretorias que não são necessárias, diminuir a estrutura. Não se pode admitir a prefeitura de uma cidade do tamanho de Tubarão com 16 secretarias, temos que diminuir para menos de dez. Tem que reduzir essa estrutura para ter sobra de dinheiro para investimento. A população não pode ser penalizada com a falta de serviços por causa de uma máquina totalmente inchada. Temos que enxugar bem a máquina para que a população possa ser bem assistida. Também precisamos federalizar recursos para manter a unidade, e isso é possível. O bom gestor vai bater nas outras esferas e trazer recursos para se manter. O que não podemos ter é uma unidade de prontoatendimento que fica seis meses aberta e seis meses fechada, como na cidade vizinha (Capivari de Baixo). Além disso, precisa ter um serviço de qualidade, com profissionais, exames. Fazendo isso, diminuímos o gargalo que tem no Hospital Nossa Senhora da Conceição. A grande reclamação da população é chegar no hospital e não ser atendida. O hospital não tem culpa, pois presta serviço de emergência e urgência, não serviço ambulatorial, que é de responsabilidade do município. Durante o dia, temos os postos de saúde e, fora de hora, temos que ter a unidade de prontoatendimento, para que o pai saiba onde ir quando chegar do serviço e ver o filho com 40º de febre. A Gladys falou muito bem sobre iniciativa público-privada. Hoje, temos uma clínica de especialidades dentro da própria universidade. A Unisul é uma universidade comunitária e deve muito ao município. Então, podemos fazer um convênio. A clínica já está prontinha, com profissionais super gabaritados que podem atender a população. 
Gladys – Também queremos trazer um aparelho de radioterapia para Tubarão. Tem em Florianópolis e Criciúma. Em Criciúma, quando há greve não tem, como quando precisei e não pude usar. Trazer um aparelho tridimensional. O que temos em Criciúma é bidimensional. A diferença é de um Fusca para uma Mercedes. O que Criciúma nos oferece é o tratamento de um Fusca, então vamos tentar buscar essa Mercedes que está faltando para Tubarão.

Notisul – Conforme o plano de governo da coligação, que projetos merecem destaque?
Edi –
Temos propostas em todas as áreas, mas tem algumas que são as meninas dos nossos olhos. Como a usina de asfalto, que já falamos. Temos também um projeto na área da educação que chamo de Nutrindo o Conhecimento, em que juntaremos três secretarias – agricultura, educação e saúde – com o mesmo propósito de implantar um programa de produção de orgânicos, sem aditivos químicos, sem agrotóxicos, sem fertilizantes químicos, para que possamos produzir alimentos com maior riqueza nutricional. Vamos enriquecer a merenda escolar, com alimentos que vão trazer saúde para nossas crianças e aumentar as condições de aprendizagem no ambiente escolar. Temos outro programa chamado Planeta Escola, um sistema de ensino integral em que a criança vai de manhã para a escola e o pai e a mãe só vão buscar à noite. Além de todo o programa curricular, no outro período ela vai fazer atividades esportivas, culturais, educação moral e cívica, e trazer para o ambiente escolar a figura do pai e da mãe, que vão poder participar junto. 
Gladys – Ainda na área da educação, conversando com a comunidade, vi a necessidade de uma creche noturna. Muitas mães trabalham durante o dia e querem estudar à noite, para enriquecer o currículo. Mas onde vão deixar as crianças? E também uma creche para o período de férias, que não feche, de dezembro a janeiro.

Notisul – Ainda falando de necessidades, na educação, um dos maiores problemas é a falta de vagas nos centros de educação infantil. O que dá para fazer para resolver essa questão?
Edi –
Em um primeiro momento, temos que fazer uma parceria público-privada. Procurar creches particulares para fazer uma parceria em forma de governo. Seria uma ação imediata para depois trabalhar na construção de mais creches. É claro que temos um problema, pois muitas creches não são em prédios próprios da prefeitura, são alugados, tem algumas que não têm condições de ser creche, ficam muito aquém. Mas, por falta de investimento no passado, recorreu-se a essa prática. Temos vários problemas na área da educação que precisam ser sanados. Tudo vai ter que passar por economia. A palavra de hoje no Brasil é economia. Tem que sobrar dinheiro para fazer investimentos. 

Notisul – Com a crise instalada em todos os municípios brasileiros, como é possível driblar a falta de recursos e transformar projetos em realidade?
Edi –
Tem que diminuir cargos comissionados, gastos com telefone.
Gladys – Na nossa gestão, o prefeito até pode ter, mas a vice não vai ter telefone pago pelo povo.
Edi – Hoje, Tubarão é uma cidade fatiada em questão de estrutura. Gasta-se muito com aluguéis. Temos que planejar um paço municipal, independente do local, para centralizar as ações e não pagar mais aluguéis. Claro que alguns serviços têm que ser descentralizados. O serviço de obras, por exemplo, não pode ser centralizado. Assim como a saúde. O cidadão não pode morar no KM 60 e ter que ir ao centro para carimbar o exame, isso é um absurdo. Outra coisa que tem que se fazer para sobrar dinheiro é aumentar a arrecadação. Não é aumentar impostos, é gerar riqueza. Quanto mais riqueza gerarmos em Tubarão, maior será a arrecadação. 

Notisul – A campanha nesse ano é diferente das eleições anteriores, com menor tempo e recursos mais restritos. Melhorou ou piorou?
Edi –
Na minha visão, melhorou. Tomara que a mini reforma seja o pontapé inicial para a grande reforma que precisamos. Já se sinalizou alguma coisa boa, que é a questão de nivelar os gastos em campanha. Claro que ainda vamos ver caixa dois dos políticos profissionais, mas diminuiu bastante a incidência. A diminuição do tempo de campanha também foi bom, porque a população já não aguentava mais tanto tempo. As pessoas não aguentavam três meses de campanha. Não vai ficar aquela poluição na cidade e a campanha passa a ser mais propositiva. Ainda temos no Brasil três tipos de voto: o partidário, o da conveniência – que é aquele que vende o voto – e, graças a Deus, temos bastante votos com a consciência – que é aquele eleitor que vota nas propostas, acredita no candidato.
Gladys – O povo está mais consciente e mais interessado em política. 
Edi – O bom é que estamos vendo, não da maneira como gostaríamos, a politização. Precisamos criar uma sociedade mais politizada. Quando falo de política, falo de política como ciência, política do bem comum, das ações públicas serem geradas para todas as pessoas. Entendemos que a verdadeira política tem que deixar de lado a politicagem. Política não é profissão. Se eu ganhar a eleição, vou me licenciar da profissão de farmacêutico, mas não impede que daqui a quatro anos eu volte a exercer. 

O Notisul iniciou na edição dos dias 20 e 21 de agosto as entrevistas pingue-pongue com os candidatos a prefeito e vice de Tubarão e Braço do Norte. As publicações, aos fins de semana, foram organizadas em ordem alfabética (de acordo com o nome do cabeça de chapa), iniciando por Tubarão. Os primeiros entrevistados foram Carlos Stüpp (PSDB) e Edson Firmino (PMDB).