Rosenvaldo da Silva Júnior é cardiologista em Imbituba. Filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 2001, ele participa, neste ano, de sua terceira eleição municipal. Nas primeiras duas vezes (em 2004 e 2008) concorreu ao cargo de vice-prefeito. Tanto a carreira política como a médica foram influenciadas pelo pai, com o qual divide uma clínica.

 

 
Angelica Brunatto
Imbituba 
 
 
Notisul – Quais os motivos que levaram o senhor a ser candidato a prefeito de Imbituba?
Rosenvaldo – A candidatura surgiu naturalmente, pelo meu trabalho e experiência no partido. Já fui candidato a vice-prefeito em outras duas oportunidades.
 
Notisul – Qual a diferença entre as campanhas para vice e esta, onde concorre para prefeito?
Rosenvaldo – É uma diferença grande, principalmente porque o candidato a prefeito é a pessoa que coordena toda a campanha. É uma responsabilidade bem maior.
 
Notisul – Qual o seu maior desafio se vencer as eleições?
Rosenvaldo – Será conciliar o mandato com a minha carreira médica. Sou cardiologista e pretendo não abandonar a minha profissão. É disto que eu vivo e é disto que continuarei vivendo.
 
Notisul – Como o senhor avalia quem vive apenas da política?
Rosenvaldo – A política não deve ser uma profissão. Deve ser um cargo que a pessoa ocupa para deixar a sua contribuição e fazer aquilo que acha correto. Às vezes vejo um vereador no sétimo mandato e me pergunto: o que esta pessoa tem a mais para contribuir com o município?
 
Notisul – E o que o senhor tem a contribuir para o município?
Rosenvaldo – Vejo as dificuldades que as pessoas enfrentam em várias áreas, principalmente, na saúde. A grande contribuição que eu posso dar é uma saúde de qualidade para o município. Não dá para admitir que um exame como o cateterismo leve até quatro meses para ser realizado. A pessoa pode morrer a qualquer momento. A saúde é um direito e todos, independente de quem seja, devem ter acesso.
 
Notisul – Como o senhor avalia a área da saúde em Imbituba?
Rosenvaldo – Assim como em grande parte das cidades brasileiras, em Imbituba a saúde é um problema sério. Temos muito a melhorar. É possível especializar a medicina. Hoje, Imbituba é uma cidade de médio porte e cresce visivelmente. Não podemos admitir que um cidadão tenha que entrar em um ônibus e ir todo dia para Florianópolis ou Tubarão para receber atendimentos básicos, como oftalmologia, cardiologia e neurologia, por exemplo. Temos que atrair profissionais nestas áreas para garantir que nosso povo não precise sair daqui para ser tratado. Nossos cidadãos perdem, hoje, um dia inteiro em razão de uma única consulta.
 
Notisul – Na sua visão, para melhorar a saúde é preciso o que?
Rosenvaldo – Primeiro é importante reconhecer e valorizar o servidor público como um todo. Na área da saúde, é preciso valorizar os médicos, enfermeiros, atendentes e demais profissionais. Temos que fazer um plano de carreira municipal, de maneira que possamos ter o profissional ligado a rede pública. Há um ano foi realizado um concurso público para médico na secretaria de saúde da prefeitura. Uma das vagas era para cardiologista, com salário de R$ 650,00 para 20 horas semanais de serviço. Hoje, os servidores que atuam nos postos recebem o menor salário da região. Isso faz com que o sistema não funcione. Os médicos passam menos tempo do que deveriam. Temos que parar de fingir que está todo mundo feliz.
 
Notisul – Qual seria o salário ideal para que o médico?
Rosenvaldo – Existe um piso mínimo nacional que é reivindicado pelos médicos, mas não está aprovado ainda como lei. Para responder a essa pergunta, só se soubermos como está a situação financeira da prefeitura. Sabemos que existe a lei de responsabilidade fiscal, e que não podemos comprometer mais de 54% da receita com a folha de pagamento. Por outro lado, podemos economizar de outras maneiras, para que o salário, não só dos médicos, mas de todos os servidores, seja mais digno.
 
Notisul – Os postos de saúde de Imbituba atendem a necessidade da população?
Rosenvaldo – Hoje em dia, Imbituba possui uma rede do programa Estratégia Saúde da Família (ESF) que atende todas as comunidades. O problema é a maneira como isto é feito. O médico atende as 12 consultas marcadas e vai embora. Não existe um trabalho preventivo. Outro grande problema é quando há necessidade de um encaminhamento. Na maioria das vezes, não existe especialista atendendo pela rede pública, e quando tem a fila é enorme.
 
Notisul – É necessária a criação de um posto de saúde que atenda 24 horas?
Rosenvaldo – Hoje, Imbituba possui uma policlínica, que funciona pela manhã e à tarde, e a emergência do Hospital São Camilo, que atende 24 horas. Mas acho necessária a criação de um posto com o horário ampliado, principalmente para descentralizar o atendimento. Temos que pensar em Imbituba não com 40 mil habitantes, mas com o crescimento previsto para os próximos anos. Isso deve ser em todas as áreas, não apenas na saúde. Também deve haver organização quanto ao transporte coletivo, a educação e a estrutura pública para este crescimento. Temos que lutar por uma Unidade Pronto Atendimento (UPA).
 
Notisul – Qual a avaliação que o senhor faz dos trabalhos do Centro de Atenção Psicossocial?
Rosenvaldo – O Caps é um programa do governo federal muito importante para os dias de hoje. Quem atua na medicina, vê o número crescente dos problemas de ansiedade e depressão devido ao nosso estilo de vida. É preciso estrutura o Caps para que também possa desenvolver um trabalho junto aos dependentes químicos, que também é crescente no nosso país como um todo. O Caps deve ser a porta de entrada para uma ação mais efetiva neste sentido, e está no nosso plano de governo a criação de uma unidade de desintoxicação e terapia ocupacional. É importante que o Caps faça esta triagem. Hoje temos uma deficiência grande, já que nem psiquiatra possuímos na rede pública de saúde.
 
Notisul – Como está a educação na cidade?
Rosenvaldo – Minha meta é fazer um trabalho de valorização do professor. É preciso que recebem pelo menos o valor do piso nacional. Mas acima de tudo temos que formar o nosso professor, oferecer educação continuada. Esta é uma profissão que vive à beira da depressão, por causa dos baixos salários, da falta de estrutura das escolas, da situação que os alunos chegam no ambiente escolar. O professor tem que fazer o papel de educador e de pai e mãe, e é muito cobrado por isso. Os nossos adolescentes vão para a escola com uma formação familiar fraca. A preciso trazer a família para a escola e promover eleições diretas para os diretores.
 
Notisul – E a educação infantil? O número de creches é suficiente para atender todo o município?
Rosenvaldo – A estrutura das creches melhorou muito e tem atendido quase que a demanda total. O problema maior é o horário: as instituições fecham às 17 horas, mas os pais trabalham até as 18 horas. Em uma cidade turística, onde os empregos exigem horários diferenciados, especialmente na alta temporada, é inadmissível fechar as creches neste período. Falam muito em ampliar o horário do comércio, mas e as crianças? Quem é que cai cuidar? 
 
Notisul – Como o senhor avalia a chegada das novas empresas a cidade?
Rosenvaldo – Como algo muito positivo. A cidade tem que crescer, mas isso deve ser feito de maneira sustentável. Não podemos perder a qualidade de vida, que é o que de melhor temos em Imbituba. Não podemos fazer com que o crescimento industrial prejudique outras áreas, como o setor turístico, um dos mais importantes para a cidade hoje. Acredito que as coisas podem andar juntas.
 
Notisul – A infraestrutura da cidade é a adequada?
Rosenvaldo – Talvez o que tenha sofrido maior mudança nos últimos anos tenha sido a infraestrutura, principalmente a viária. Se olharmos a nossa cidade, temos uma área calçada e asfaltada bastante grande, que abrange praticamente todo o município. Mas ainda há muito o que fazer. Mos últimos anos, tivemos a participação do governo federal então toda a questão da infraestrutura portuária, que melhorou muito.
 
Notisul – Qual sua avaliação da atual gestão do município?
Rosenvaldo – A administração do prefeito Beto (Martins – PSDB) tem pontos positivos e negativos, como todas as outras. E assim como será a minha, se eu for eleito. Ninguém consegue agradar a todos. Avalio que a cidade melhorou bastante nos últimos anos, e muito dessa melhora deve-se a ação do governo federal. E o prefeito Beto soube aproveitar isso. Ele tem o mérito, sem dúvidas, de ter trazido a parte de Imbituba e ter aplicado em benefício da cidade.
 
Notisul – Qual a sua opinião dos seus adversários nesta eleição, Christiano Lopes (PSD) e Jailson Cardoso (PSDB)?
Rosenvaldo – Acredito que este pleito será bastante concorrido. Quanto aos meus adversários, posso dizer que, como pessoa, não tenho problema com nenhum deles. Na verdade não tenho problema sob qualquer outro aspecto. A única coisa é que temos maneiras de pensar diferentes. No meu ponto de vista, os dois representam o mesmo projeto. O PSD e o PSDB estiveram juntos até pouco tempo atrás. Só não estão juntos agora porque ninguém quis ceder e, infelizmente, hoje nutrem uma relação de ódio. Digo infelizmente porque acredito que a eleição deve ser feito em cima de propostas. Pelo menos é desta forma que faço meu trabalho.
 
Rosenvaldo por Rosenvaldo
Deus – A base de tudo.
Família – O ideal de vida.
Trabalho – Prazer.
Passado – Não tenho do que me queixar.
Presente – Eu sou feliz.
Futuro – Espero poder ajudar o meu município.
 
"Temos que saber o que nossas crianças estão aprendendo. Há escolas particulares do município que, durante esta última administração, não foram visitadas pela secretaria de educação da prefeitura. Acho que, mesmo não sendo uma escola municipal, a prefeitura tem que estar presente, para que possamos dar uma formação de qualidade às nossas crianças.
O ensino técnico também é importante para Imbituba, já que vivemos em uma área portuária e grandes empresas, principalmente da área siderúrgica, deverão se instalar na nossa cidade. Mas não temos mão-de-obra formada para isso. Não adianta trazermos empregos, se os imbitubenses não podem ocupar estas vagas. Faz parte do meu plano de governo lutar, junto ao governo federal, para implantar um instituto de educação técnica na cidade. Com isso, poderemos capacitar nosso jovem para a indústria e para o turismo".
 
"É intenção nossa organizar bibliotecas nos bairros. Temos que reequipar as bibliotecas municipais, fazer com que estes espaços estejam mais presentes nas escolas. Também é possível fazermos bibliotecas escolares comunitárias, para que a população, a família, tenha acesso.
Temos que disponibilizar internet gratuita nos principais pontos da cidade. Hoje, a internet é o mais importante mecanismo de comunicação e aprendizado. Temos que tornar o acesso democrático. É necessário expandir, ao máximo, uma rede que possa atender o maior número de pessoas possível. Isso faz parte da educação Está no meu plano de governo a criação do Centro Comunitário de Informática.
Minha proposta de gestão é para que seja feita de forma democrática e participativa. Tudo deve e precisa ser discutido com a população. Os conselhos municipais precisam funcionar de verdade, e devem ter um papel ativo, de fiscalização, para que as pessoas possam, efetivamente, participar da administração".
 
"Temos que fazer com que o tráfico de drogas deixe de ser lucrativo. E isso só vai ocorrer quando não houverem mais consumidores”.
 
“Temos que alertar constantemente as pessoas do risco que é consumir as drogas”.