Zahyra Mattar
Braço do Norte

Notisul – Qual a sua avaliação em relação à coligação na qual o senhor é o cabeça de chapa?
Ademir
– Muito positiva. A coligação em Braço do Norte nasceu da mesma polialiança feita pelo governo do estado. Buscamos estar unidos com todos os segmentos para não haver divisão das forças políticas. Hoje, todos os partidos que apoiam o governo do estado nos apoiam em Braço do Norte. Além disso, PMDB, PDT e PTB têm a maioria dos ministérios em Brasília e também estão conosco em Braço do Norte. Isto soma forças e gera resultados para a cidades.

Notisul – Quais os projetos estão englobados em seu programa de governo?
Ademir
– Nosso programa de governo é amplo. É um plano para sair da mesmice, do convencional. É ousado. Primeiro: Braço do Norte começou a perder emprego. Isto por falta de apoio da administração municipal em fazer com que as empresas já instaladas se mantivessem. Perdemos as empresas. Precisamos de estrutura e ir atrás de recursos junto ao estado e à União para gerar mais emprego e renda. Na saúde, implantamos oito PSFs e hoje continuam somente estes oito. Antes, uma agente comunitária atendia a 150 famílias. Hoje, são quase 240. Está inchado. É preciso implantar outros.

Notisul – Em sua visão, qual a maior necessidade de Braço do Norte hoje?
Ademir
– Lazer é bom. Mas sem emprego não tem lazer, não tem lar feliz. E esta é a maior necessidade. Nos últimos três anos, Braço do Norte perdeu postos de empregos. Quando eu fui prefeito, este índice aumentou de forma assustadora, porque trabalhamos em parceria com os empresários, com entidades de classe. Nossa prioridade absoluta é recuperar estes postos de emprego, criar novos e reformular o código tributário, pelo menos quanto ao ISS. O segundo passo é efetivar os programas que já têm e retomar os que foram abandonados, como a Casa do Idoso e a Campanha do Cobertor, onde conseguimos acabar com a idéia errada de assistencialismo. Somente quem conhece o gosto da farinha com o açúcar sabe: não tem nada pior do que pedir.

Notisul – Como o senhor avalia os investimentos feitos pelos governos federal e estadual no município?
Ademir
– Quanto ao governo federal, temos que fazer justiça: há muitos recursos sobrando em Brasília. Muito dinheiro que não foi usado. Braço do Norte está neste grupo. Está resumido a receber uma ou outra emenda parlamentar e a parte que tem direito. Logo, o problema não é falta de dinheiro e falta de ir lá e buscar este recurso. Já o governo do estado, deu um banho de recursos na nossa cidade e na região. Somente para Braço do Norte, foram deixados mais de R$ 9 milhões. Se houvesse participação, seria muito mais. Por outro lado, teve convênios que foram feitos pela prefeitura cujo dinheiro foi devolvido porque não quiseram concluir a obra. E isso tudo foi feito mesmo sem a participação do município no conselho de desenvolvimento regional, que nas cidades é formado pelo prefeito e pelo presidente da câmara. Infelizmente, a participação do presidente da câmara, que é candidato, participou uma única vez. Braço do Norte é a cidade da Amurel que menos apresentou projeto na secretaria de desenvolvimento regional e, mesmo assim, o investimento do estado na cidade foi enorme.

Notisul – Como o senhor avalia o contrato com a Casan para realização do esgoto sanitário na cidade? As obras são feitas? Existe a possibilidade de municipalização da água, caso a Casan não cumpra o contrato?
Ademir
– A administração compartilhada da água em Braço do Norte foi feita entre a Casan e a prefeitura quando eu era prefeito. Na época, a câmara de vereadores fez uma comissão e visitou o Samae de São Ludgero, outros órgãos e outras cidade do estado que reafirmaram o contrato com a Casan. Depois, por unanimidade, decidiu-se pela gestão compartilhada com algumas exigências. Uma delas era de que o contrato deveria ser de 15 anos, desde que a Casan, já no primeiro ano, investisse R$ 2,5 milhões para melhorar a distribuição de água no bairro União, Jardim Carolina, São Januário e Sertão do Rio Bonito. E isso foi feito. A segunda etapa era que a Casan tinha que fazer um projeto de esgoto sanitário. Este projeto está pronto desde janeiro e a prefeitura de Braço do Norte não se mexe. Hoje, a administração é da Casan e da prefeitura. Existe uma conta que parte do resultado da conta de água paga à Casan, fica lá para investir no sistema. Hoje, tem mais de R$ 300 mil parados nesta conta por falta de iniciativa da prefeitura em começar a fazer o trabalho. Eu não penso nunca em romper o convênio com a Casan.

Notisul – É possível fazer uma avaliação positiva da atual administração?
Ademir
– Positiva fica difícil. Mesmo porque tenho pesquisas à mão onde 40% das pessoas rejeitam o atual prefeito, 63% querem mudar e a maioria absoluta que mudar também a maneira de administrar a cidade. Minha conclusão é que a atual administração está estagnada. Quando um candidato a prefeito vai para a imprensa e diz que o estado não deu para a sua cidade nem um tijolo quebrado, algo está errado. Houve investimento, sim. Tanto é verdade que existem convênio prontos que o prefeito não assinou por que não quis.

Notisul – Com base no atual governo, o que o senhor manteria e o que faria diferente?
Ademir
– Manteria todos os projetos bons, que são os que nós deixamos e eles continuaram. O que estiver satisfatório será mantido. Mas eu tenho certeza que não existe nada tão bom que não possa ser melhorado.

Notisul – Uma grande parcela da economia do município está diretamente ligada à agricultura, à suinocultura e às indústrias de molduras. Quais as propostas para desenvolver ainda mais estas áreas?
Ademir
– As indústrias de molduras passaram por dificuldades. O caminho que encontraram para sobreviver foi automatizar-se. E isso fez com que postos de empregos fossem perdidos. Infelizmente, a prefeitura não se preocupou em buscar cursos de qualificação para estas pessoas. Isso tem que mudar. Temos que levar novamente os cursos técnicos para a cidade, não só para as pessoas habilitarem-se para trabalhar na indústria de molduras, mas também na agroindústria, na suinocultura.

Notisul – Qual a sua avaliação a respeito da instalação de uma secretaria de desenvolvimento regional em Braço do Norte?
Ademir
– Quando o governador Luiz Henrique da Silveira disse que criaria mais secretarias e os adversários diziam que as SDRs precisavam acabar, eu disse que duvidava que um candidato que dissesse que vai acabar com as secretarias vai ganhar. Resultado: LHS foi reeleito. A criação da SDR em Braço do Norte foi polêmica, mas me orgulho em dizer que foi feita a vontade da maioria. Braço do Norte ganhou muito, enciumando outras regiões. Eu sendo prefeito de Braço do Norte, e tem que ter coragem para dizer isso, como tive no tempo em que fui secretário de desenvolvimento regional em Tubarão, se o presídio não sair aqui (em Tubarão) até o ano que vem, porque os governantes têm medo de se indispor, eu levo o presídio para Braço do Norte. Quem é eleito tem que ter peito, tem que ter coragem. As pessoas de bem em Tubarão não podem ter medo de tomar a decisão. Nós precisamos de um presídio decente urgente. O governo fez tudo que pôde fazer. O prefeito esquivou-se em um primeiro momento, não cumpriu a sua palavra, e todos sabem disso e eu tenho documentos. Agora o governo está buscando uma área, está com dificuldade. Na minha opinião, também já era para ter batido o martelo.

Notisul – Se o senhor não for eleito, que rumos seguirá profissionalmente? Continuará na política?
Ademir
– Não tem a mínima possibilidade de eu pensar que não serei eleito. Concorro para ser eleito. Mas tudo posso ocorrer na vida da gente. Eu estou político, não sou político. Mas tenho certeza absoluta que serei novamente prefeito de Braço do Norte.