Três meses após anunciar a aposentadoria, o ex-delegado Jair Tártari, 56 anos, continua engajado na política. Nem mesmo o cateterismo pelo qual foi submetido no início desta semana tira o seu foco das eleições 2012. “Faço exames de rotina todo ano e descobri o problema (de saúde) no ano passado. Agora está tudo bem”, garante ele. Jair está entre os peemedebistas que batalham para que o deputado federal Edinho Bez dispute e consiga eleger-se prefeito de Tubarão no pleito deste ano. Com experiência como vereador por dois mandatos e presidente da câmara, no momento ele ocupa o cargo de vice-presidente do diretório municipal do PMDB. E assegura: “Sigo à disposição do partido, mas não tenho mais pretensão como candidato”. Formado em filosofia, administração e direito, Jair é casado, tem um casal de filhos e uma neta. Além da dedicação à polícia e à política, ele também volta as suas atenções ao futebol. Presidente do Conselho Deliberativo do Atlético Tubarão, ele reforça o coro dos torcedores que desejariam que a cidade tivesse apenas um time de futebol profissional.

 

 

 
Priscila Loch
Tubarão
 
Notisul – Como está a vida de aposentado?
Jair – Foram 35 anos, nove e cinco dias. Comecei por Criciúma, como escrivão, em 78, concursado, e fiquei 90. Passei por outras cidades. No início, eu estava na polícia para ficar apenas um ano. Tanto é que meu segundo curso superior foi administração de empresas, aí em 85 saiu direito e, como estava há uns cinco anos, resolvi continuar. Queria ficar só um ano porque não estava me adaptando, época da ditadura, a polícia muito truculenta. E eu tinha vindo de uma universidade humana, que era filosofia. E eu tinha dez anos de seminário, ia ser padre. De padre para polícia (risos). E acabou que eu me adaptei, aí terminei direito, fiz concurso em 90 para delegado. Trabalhei em Imbituba, Laguna e Tubarão. Fui delegado regional cinco anos. Depois, fui para a delegacia da mulher, onde te dá uma oportunidade muito grande de fazer um trabalho muito legal, pena que foi no final da carreira, deveria ter ido trabalhar ali uns dez, 15 anos antes. O grupo de trabalho é muito bom e te dá a oportunidade de ajudar muito nos conflitos, nas controvérsias existentes nas famílias. 
 
Notisul – A decisão de se aposentar teve algum motivo em especial?
Jair – É que a bateria vai descarregando, né (risos), quase 36 anos de atividade. Em tese, ainda tinha alguma coisa a fazer, mas ninguém é insubstituível, é preciso abrir espaço também para outros profissionais. E acredito que meu trabalho eu fiz, busquei sempre estabelecer as marcas da honestidade, acima de tudo, da qualidade no atendimento, na atenção às pessoas. Peguei épocas difíceis, como na década de 80, mas o crime estava mais sob controle. A sensação que se tem é que as famílias se preocupavam mais com os filhos. 
 
Notisul – A falta de educação, de oportunidades leva muita gente à criminalidade.
Jair – E a libertinagem. As famílias deixam muito os filhos à mercê. Na questão da educação, a maioria das famílias entende que ensinar e educar é tarefa do professor e da escola; e que cuidar é tarefa da polícia. Tem que haver uma integração da família, das instituições de segurança, da escola, da comunidade… Cada qual fazendo a sua parte, cumprindo com as suas obrigações. Aí sim nós vamos ter jovens e adolescente de boa formação. Agora, quando não há essa integração, alguém vai pagar o pato, e quem paga é a polícia e o professor. Então, se faz necessário uma retomada de consciência para rever valores e posições. Há cerca de sete, oito anos, o índice de homicídios em Tubarão e região era um, dois ao ano. Hoje, nós temos aí 14, 15, 18. Isso é resultado de uma série de carências. E a segurança tem que estar mais estrutura. O estado tem que dar mais atenção, nós percebemos a falta de profissionais. 
 
Notisul – Ficou alguma frustração com relação ao trabalho de delegado? 
Jair – Particularmente falando, não. O que a gente percebe é que, infelizmente, não vivemos hoje uma situação de qualidade de segurança e, por mais esforço que a gente faça, não consegue fazer tudo. A comunidade merecia mais. Individualmente, eu não tenho nenhuma frustração. Se tivesse que começar tudo de novo, seria delegado de novo. 
 
Notisul – Na delegacia da mulher, o senhor teve que enfrentar alguns casos bem complicados. Como as mortes dos meninos Yan Galassi e Pedro Henrique Ayala…
Jair – Foram duas situações que exigiram muito e que no fim do processo judicial é que vai ficar esclarecido tudo. Nós fizemos o trabalho de polícia que poderia ter sido feito. Não podemos fazer o papel de juiz. Cada um na sua atividade. Temos que oferecer elementos, colher provas, indícios para oportunizar à justiça julgar. 
 
Notisul – Como está o trabalho para as eleições 2012?
Jair – Hoje, tem gente que diz que o adversário do PMDB é o PP. Eu não concordo. O adversário do PMDB é o PSDB, que está no poder há 12 anos. E nós, para retomar a administração municipal e dar um novo rumo, só temos uma pessoa, que é o Edinho Bez. 
 
Notisul – Na sua visão, vale a pena o deputado Edinho deixar a câmara dos deputados para tentar a prefeitura? 
Jair – Olha, o homem público, o político está aí levando pau todo dia, assim como a polícia. Mas por quê? Porque está exposto. Por isso é que são mais criticados. Graças a Deus, temos muitos bons políticos ainda e, na minha avaliação, o Edinho se enquadra. Se fosse pensar apenas e tão somente nele e na família dele, ele continuaria em Brasília, porque sabe bem o caminho da roça. E o executivo seria uma novidade na vida dele. 
 
Notisul – E também abriria as portas para o governo do estado.
Jair – Exatamente. E o Edinho tem que pavimentar a candidatura para ser vice-governador ou senador. Se não agora, daqui a oito anos, por exemplo. Não podemos pensar só no agora. Temos que projetar. Edinho deve ser o candidato, não tem mais volta. Ele deve anunciar a sua pré-candidatura este mês. Vamos buscar o maior número possível de agremiações para fazer uma ampla coligação. Muito embora o PSDB seja o nosso adversário partidariamente, acho que é possível estar junto. Mas temos o nosso candidato, e o Edinho não vai sair de Brasília para ser vice. Ele é candidato a prefeito. Então, se as pessoas entenderem que temos condições de estar juntos, não vejo dificuldade. Por outro lado, se ficar insustentável esta tal de tríplice aliança, vai ter outras saídas, até com o próprio PP
 
Notisul – Mas, historicamente, PP e PMDB sempre foram como cão e gato.
Jair – Quem faz política discutindo posicionamento e interesses coletivos não pode nessa hora levar em consideração picuinhas. E não podemos esquecer do projeto de governo. Ganhar o governo para não fazer nada não adianta. Acima dos interesses de cada partido, tem o projeto das necessidades da região. Esse é o grande desafio. Ganhar eleição é fácil, administrar é difícil. Por isso, muitos partidos precisam abrir mão de seus interesses, de suas lideranças para dar espaço para técnicos que consigam executar o projeto com qualidade. Tudo pode acontecer. Acho que o mais difícil é a aproximação do Olavio Falchetti (PT), em razão dessa maneira decisiva dele de não se coligar, como se coligação fosse coisa do outro mundo.
 
Jair por Jair
Deus: Fundamental.
Família: Essência.
Trabalho: Necessário e realização.
 
Já era de se esperar que o Hercílio Luz não aceitaria a proposta de unificação. Tudo por causa de orgulho de uma meia dúzia. No fim, hoje temos três clubes com dívidas e nenhum capaz de elevar o nome da cidade.