A coligação Um Novo Tempo, composta por PRB, PP, PSC, PR, PT, PSD, PSDB e DEM, tem o pessedista Roberto Kuerten Marcelino como candidato a prefeito de Braço do Norte e o progressista Ronaldo Fornazza como vice. Aos 33 anos, Beto é vereador e foi secretário de desenvolvimento regional em Braço do Norte durante três anos, até junho deste ano. Com 41, Ronaldo já foi vereador – o mais votado da história do município, em 2004, com 1.140 -, e foi candidato a vice-prefeito em 2012, na chapa encabeçada por Vânio Uliano (PP).

Priscila Loch
Braço do Norte

Notisul – O que os credencia a serem prefeito e vice de Braço do Norte?
Beto –
Foi uma candidatura que brotou, que veio do sentimento da população, devido ao trabalho que nós dois realizamos. Eu na secretaria de desenvolvimento regional, com um trabalho muito intenso, com muito empenho e realizações. A população foi conhecendo um pouco mais o Beto, apesar da pouca idade, pelos atos de transparência, lealdade, sempre agindo pelo bem comum, não realizando promessas que não poderiam ser resolvidas. Sempre trabalhei dessa forma e acho que foi isso que credenciou. Não foi uma candidatura imposta. No momento em que vivemos, com a política desacreditada, a população aguarda muito a mudança, a renovação.

Ronaldo – O projeto que desenvolvemos, não com cartas marcadas, acabou fluindo na indicação do nome do Beto e do meu nome para vice, pelo serviço que mostramos como homens públicos. Eu estou desde 1998 inserido na política braçonortense, sempre militando, com dois mandatos de vereador, com uma oportunidade ímpar de estar à frente do executivo de Braço do Norte, na qualidade de prefeito interino. A política do bem é o que nos motiva a cada dia. Vemos a forma com que a população de Braço do Norte se encontra. O sentimento de mudança, a receptividade e aceitação da nossa candidatura são muito grandes. Isso nos motiva muito e nos dá credencial para trabalharmos em prol dos anseios da comunidade. Para que as pessoas possam sentir orgulho da administração, sentir orgulho do município e dizer: “Aqui eu nasci, aqui estou vivendo e aqui quero permanecer”.

Beto – Atualmente também estou finalizando o meu mandato como vereador. É uma candidatura de renovação, mas já com um certo tempo de estrada na vida pública.

Ronaldo – Apesar do Beto ser novo, ele já tem três candidaturas a vereador. Em 2008, fez 840 votos e teve vereadores que se elegeram com menos. A população tem recebido muito bem nossas andanças durante a campanha e isso nos credencia de fato. Quando nós, enquanto vereadores, nos elegemos achamos que vamos revolucionar o mundo, mas fica um pouco mais restrito ao executivo. O vereador tem como base legislar e fiscalizar, mas quando temos essa experiência de passar para a frente do poder executivo, como o Beto na condição de secretário regional, e eu na condição de prefeito interino, acabamos vendo a estrutura de outra forma, o que podemos fazer, o que temos que investir, e as mudanças que temos que fazer. A palavra certa é um choque de gestão na administração de Braço do Norte para poder bem atender a população.

Notisul – Como vocês veem a cidade no passado, no presente e no futuro?
Beto –
A população está aguardando uma gestão pública moderna, diferenciada, onde a tomada de decisão não venha agradar aliados, e sim a população. Estamos realmente levantando uma bandeira importante, partindo da gestão eficiente, de cobrar resultados, de delegar pessoas certas para os locais certos, pessoas capacitadas para nos ajudarem a administrar dessa forma. Sozinhos é impossível conduzir uma cidade com empreendedorismo muito forte. Pretendemos começar acertando dentro de casa. A folha de pagamento do município está no limite, o município está completamente engessado. Vamos reduzir os cargos comissionados. Com isso, vamos repassar mais atribuições às pessoas que vão ser convidadas para essas funções. Teremos uma economia anual de aproximadamente R$ 600 mil, mais de R$ 2 milhões em quatro anos, dando oportunidade não somente para dar fôlego financeiro para o município, como também a valorização do funcionalismo público, que, infelizmente, em 2016 não recebeu a sua valorização. Este é o principal pensamento: pessoa certa no lugar certo, gestão moderna, gestão eficiente, cobrando resultados, enxugando a máquina pública, já com o índice de 20% de redução sacramentado. 
Ronaldo – Se voltarmos no tempo, na década de 70, Braço do Norte tinha o maior complexo esportivo. Tínhamos um estádio municipal que recebia partidas da divisão de acesso do Catarinense, tínhamos uma piscina com raias para competições, tínhamos uma quadra de tênis, tínhamos um lago para passeio das famílias, um ginásio que era modelo naquele momento. Hoje, estamos ultrapassados. Os municípios menores estão até mais estruturados na questão do esporte do que nós. Ficamos parados no tempo. Temos que fazer essas ações. Estamos não mais como referência e polo do Vale do Braço do Norte. Não queremos desmerecer nenhum município e queremos que todos se fortaleçam, pois toda a região ganha. Mas queremos que nosso município seja valorizado e que realmente desempenhe sua função de capital do Vale. Quando o Beto fala em reduzir 20% dos cargos comissionados, isso vai nos dar também a possibilidade de valorização do funcionário. Muitas vezes, temos bons funcionários não aproveitados. Quando pega uma pessoa de fora, acaba desmotivando esse funcionário. Nessa economia, podemos aproveitá-los. É questão de gestão. Temos dois salários, o do comissionado e o do efetivo. Ele vai ter que optar por um e essa economia vai sair com qualidade. 

Beto – Acrescentando o que o Ronaldo falou, estamos em tempos modernos em que a sustentabilidade vem sendo um tema muito importante. Cinco ou seis anos atrás, iniciou-se um movimento em Braço do Norte que conseguiu mobilizar as pessoas sobre a coleta seletiva de lixo. Mas hoje não existe mais. Regredimos em um ponto crucial. Inclusive na criação de empregos. Somente nessa empresa, eram mais de  70 funcionários envolvidos. Sabemos que este é um tema importantíssimo. Braço do Norte estagnou. 

Notisul – O que vocês podem fazer de diferente?
Beto –
Começando pelas atitudes. O povo está cansado de promessas. O que vamos fazer de diferente é ouvir mais as pessoas. Queremos fazer um mandato participativo. De que forma? Fazendo reuniões, delegar prioridades nas comunidades. As pessoas nesse momento devem ser ouvidas, com transparência dos nossos atos. Tem que montar uma equipe técnica, cobrar ações. Temos que estreitar relações. Porque quando você busca apenas uma opinião, a chance de erro é maior. Hoje, Braço do Norte passa também por um momento diferenciado, com o DEL, programa de desenvolvimento local promovido pela Acivale, Facisc, com envolvimento de câmaras técnicas, de pessoas envolvidas em cada área de educação. Essas pessoas virão no momento correto, para planejar a cidade para o futuro. 

Ronaldo – Tem que mudar aquela história de fazer um plano de governo onde incluímos as obras e não ouvimos a comunidade para saber se são mesmo necessárias. A participação é muito importante para saber as necessidades reais. Por isso que nosso plano de governo não tem essas obras nas comunidades, vamos buscar que a população indique o que necessita, para auxiliar no desenvolvimento, no dia a dia. 

Notisul – Quais as principais carências de Braço do Norte hoje?
Beto –
Braço do Norte é reconhecida por ser a capital do agronegócio, do gado Jersey, fortemente reconhecida na questão da agricultura. Somos destaque no gado de leite, no gado de corte, na piscicultura, na suionocultura. E o interior necessita de boas estradas para o escoamento da produção. A atual administração não cuidou das estradas. Uma outra grande deficiência é quanto ao esporte. Infelizmente, na área da saúde, estamos com dificuldade muito grande no fornecimento de medicamentos, no fornecimento de exames, filas em postos de saúde. Nosso comprometimento de campanha é o empenho para resolver situações. Nossa maior promessa de campanha é o trabalho. Dormir cada vez mais tarde e acordar cada vez mais cedo. 

Ronaldo – Em relação às estradas, é o mínimo que podemos fazer pelo pessoal da agricultura, que gera os impostos. A agricultura é muito forte e tem que receber incentivos para que não soframos com êxodo rural. No centro urbano, temos que investir para fortalecer as indústrias, o comércio, a geração de renda.

Notisul – Que projetos do plano de governo merecem destaque?
Beto –
A cidade possui mais de mil quilômetros de estradas vicinais não pavimentadas, com área territorial muito extensa. Há três pontos principais para o desenvolvimento. O primeiro, o qual já viabilizamos, na secretaria regional, com o então governador Joares Ponticelli, é a descentralização do recurso para o projeto do anel viário. O projeto está pronto, convênio assinado. A obra custará aproximadamente R$ 22 milhões e dará para Braço do Norte não somente o desafogamento do trânsito, como também a oportunidade de crescimento e irá valorizar as propriedades por onde passará o anel viário. Outra obra importante, que não é do executivo municipal ou do governo do estado, porém, está em Braço do Norte e será uma mola propulsora para o desenvolvimento e, principalmente, para a área da saúde, é o Hospital Santa Teresinha. Até o momento, foram executados R$ 6,2 milhões. Neste projeto atual, restavam R$ 13 milhões. O deputado federal Jorge Boeira comprometeu-se com mais R$ 5 milhões e o governo do estado deve liberar mais R$ 2 milhões. Nesse momento, a obra está parada. É uma obra complexa, são R$ 20 milhões. O desafio é grande. O terceiro ponto é que Braço do Norte necessita também de um centro administrativo. É um dos nossos sonhos. A sede hoje é própria, porém, as secretarias são espalhadas por toda a cidade.

Ronaldo – Além das secretarias serem espalhadas por toda a cidade, temos uma carência muito grande. Primeiro, não atendemos os deficientes. Temos o térreo e o primeiro piso. Então, se o deficiente tiver que ir na secretaria de planejamento, não consegue. A construção é antiga, e foram se construindo mais salas dentro das salas e isso sobrecarregou. O ambiente é pesado, apertado. É quase desumano trabalhar dentro da nossa prefeitura. Precisamos de uma nova sede. Falando de anel viário, trata-se de uma obra muito importante para Braço do Norte, até porque todo o tráfego para as outras cidades da região passa pelo centro de Braço do Norte. O trânsito é muito complicado. Em horário de pico, a cidade fica trancada. Sobre o Hospital Santa Teresinha, será um marco, com leitos de UTI. Temos um hospital que atende bem as pessoas, mas qualquer emergência maior temos que recorrer a Tubarão e outros municípios. E o marco vai ser as especialidades médicas que virão, em que temos carências. A maioria da população sai de Braço do Norte para buscar essas especialidades em Tubarão. Sabemos do investimento, agradecemos o governo do estado, o deputado Jorge Boeira. E nos empenharemos para atender toda a população da melhor forma possível.

Notisul – A área da saúde é uma das mais críticas e bastante criticada pela população. Que investimentos são realmente viáveis?
Beto –
Faremos um debate, ouvindo pessoas na área da saúde, para tomar decisões e trabalhar neste foco. Infelizmente, Braço do Norte hoje tem um alto índice de suicídio, e temos que promover também grupos de trabalho para capacitação, conscientização e estudos para promover o valor da vida, de manter a saúde em dia. Reconhecemos que já há alguns grupos importantes, como os de caminhadas, natação, de acompanhamento psicológico, o Remexa-se… Daremos continuidade a alguns programas, inclusive com mais ênfase, com maior participação das pessoas que necessitam de atendimento. Os recursos humanos são tão ou mais importantes que os recursos financeiros.

Ronaldo – É possível fazer uma mudança na saúde quando você tem uma equipe motivada. O primeiro medicamento que as pessoas que procuram os postos têm que receber é o carinho. A partir do momento que o profissional está motivado e atende bem, também receberá o reconhecimento, por parte não só da população, como também da administração. Temos que fazer uma saúde diferente, que busque melhor qualidade no atendimento e soluções para os problemas dos pacientes.

Notisul – Ainda falando de necessidades, o que é possível fazer pela educação?
Beto –
Um dos problemas em se tratando de educação, e aí volto a bater na tecla, é ter a pessoa certa no local certo. Ou seja, um diretor de escola, um professor, um assessor educacional tem que ter capacitação, formação para poder lidar com a função no dia a dia. Por outro lado, por causa da falta de vagas nas creches, muitos pais e mães ficam sem trabalhar para cuidar dos filhos. Precisamos de um local para atendimento extra turno, para quando a criança não está na escola. Outro ponto, implantado no atual mandato e que não será adotado no nosso, é a apostila de sistema de ensino. Isso tira do aluno a condição da busca pelo aprendizado, porque o conteúdo já vem praticamente definido. Além disso, os alunos ficaram sem apostila no segundo bimestre. Tem um custo anual de R$ 600 mil. Se é para adotar um sistema de ensino, a metodologia tem que ser seguida.  

Ronaldo – Necessitamos de uma escola nova. Temos que buscar parceria com o governo do estado para que possamos fazer mais estruturas físicas, mais espaços. Como um professor vai estar dentro de sala de aula com 45 alunos? Ele não vai ter condições de atender a todos da melhor forma possível. Se conseguir reduzir esse número, o professor consegue dar mais atenção, principalmente para quem tem mais dificuldades. Temos bons profissionais na educação. Temos é que motivá-los e dar condições para que possam desempenhar da melhor forma possível a profissão.

Notisul – Com a crise instalada em todos os municípios brasileiros, como é possível driblar a falta de recursos e transformar projetos em realidade?
Beto –
Em Braço do Norte, de 2015 para 2016, por incrível que pareça, a receita não caiu. Mas é um momento de crise no governo federal, no governo estadual, nos municipais, e também nos nossos lares. Além do enxugamento da máquina pública, vamos escolher pessoas de confiança para determinadas secretarias. Sabemos que infelizmente ainda acontece a não valorização do dinheiro público. Então, as ações serão baseadas no acompanhamento, de perto, de cada gasto público. Isso será uma outra forma de reduzir custos. Vamos exigir relatórios, prestação de contas, da forma mais transparente possível. A presença do prefeito e do vice será de perto nas secretarias, com reuniões de apresentação de trabalho, como se fosse uma empresa. Uma gestão pública tem que ter o homem público, que é o político, que sabe articular, e ter consciência administrativa de tomar decisões, não pensando em agradar a todos, e sim pelo correto. Vamos unir esses dois pensamentos.

Notisul – A campanha nesse ano é diferente das eleições anteriores, com menor tempo e recursos mais restritos. Melhorou ou piorou?
Beto –
Melhorou muito, porque 45 dias para a escolha dos candidatos acho que é suficiente. O povo está cansado da política. A gestão pública está desacreditada, infelizmente. Temos desgastes, mas dá tempo de apresentar as propostas. A questão do limite financeiro impede a participação da iniciativa privada, até porque o voto tem que ser conquistado, no diálogo, na apresentação de propostas. Tem que haver gasto com materiais como santinhos e planos de governo, é verdade, mas o voto tem que ser consciente. Infelizmente, ainda existem eleitores que pensam em favores. Não temos essa postura de trabalho. A ideia foi acertada.

Esta é a última entrevista da série com os candidatos a prefeito. Foram entrevistadas todas as quatro chapas que disputam a prefeitura de Tubarão e as duas de Braço do Norte.