Amanda Menger
Jaguaruna

Notisul – Qual a avaliação de seus primeiros 15 dias de mandato?
Inimar – Não é completamente positivo por causa da situação das estradas. As chuvas foram muito fortes e os acessos aos balneários ficaram intransitáveis. Foram muitos prejuízos. O recolhimento do lixo também, tinha muita coisa para recolher. Mas estamos colocando em dia. Além disso, o estado como eu peguei a prefeitura dificultou todo o trabalho de recuperação das vias. Máquinas quebradas dificultaram o trabalho. Arrumamos uma das máquinas e conseguimos uma emprestada com o Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra), da secretaria regional de Braço do Norte, por intermédio do secretário de Tubarão, César Damiani (DEM).

Notisul – Como o senhor encontrou a prefeitura?
Inimar – Em situação lamentável. Duvido que ele (Marcos Tibúrcio) tenha pego a prefeitura num estado tão ruim quanto o que ele deixou. Encontrei diversos problemas, em praticamente todas as estruturas da administração. A frota da prefeitura é só casca, porque por dentro a situação é horrível, sem funcionar direito, sem pneus ou com pneu furado, documentação atrasada, além de carros que estão listados no patrimônio da prefeitura e não encontramos ainda.

Notisul – Quais outros problemas o senhor deparou-se?
Inimar – Com as chuvas, ficaram evidentes as goteiras, até dentro do prédio da prefeitura chovia. Uma parede que tem revestimento de madeira foi tomada pelos cupins. Nos postos de saúde, goteiras, infiltrações, sem estoques de remédios. Nas escolas também, carteiras e outros móveis quebrados.

Notisul – E as finanças?
Inimar – Nem terminamos ainda de conferir tudo. Mas estamos muito preocupados. Só de telefone fixo, a dívida passa de R$ 25 mil; de luz de toda a estrutura da prefeitura, como postos de saúde e escolas, chega a R$ 54 mil. Está atrasada desde setembro. Só de empenhos, tem R$ 1 milhão para pagar, fora outras notas que estão chegando, como uma da Serrana (depósito do lixo) referente a dezembro, que eu deixei de lado para ver como iremos resolver. A situação é crítica. Temos um orçamento mensal em torno de R$ 1 milhão e, só com a folha de pagamento, gastamos metade, R$ 500 mil. Aí temos os repasses obrigatórios de 25% para educação e 18% para a saúde. Para não parar a prefeitura, vamos precisar contar com a ajuda dos governos do estado e federal. Porque o que sobra para investimentos é mínimo. O bom é que antes mesmo de assumir o deputado federal Edinho Bez (PMDB) conseguiu uma emenda parlamentar para comprarmos uma retroescavadeira.

Notisul – A economia da cidade também ficou prejudicada com as chuvas. De quanto são as perdas?
Inimar – Grandes e isso nos preocupa. Não poderíamos ter tido mais problemas no início de uma administração. Tem um plantador de melancias que passou a grade na roça porque perdeu tudo com a chuva, apodreceu, não tinha como aproveitar. O arroz também terá grandes perdas, estima-se que de 30% a 40% da safra em Jaguaruna foi perdida. E ainda pode chover mais.

Notisul – E além de solicitar recursos aos governos e apresentar projetos, de que forma o senhor pretende resolver essa problema das contas públicas?
Inimar – Com economia. Muita economia. Tenho me reunido semanalmente com os secretários e pedido a eles que economizem. Tem relatório para a utilização dos carros, valor de combustíveis, quilometragem rodada, origem, destino. Contas de telefone também terão que ser reduzidas, as ligações têm que ser anotadas. Temos que ter controle para evitar desperdício com o dinheiro público. Já disse aos motoristas da prefeitura que eles terão que se responsabilizar sobre a conservação dos carros e sobre as multas que por ventura sofram, assinarão um termo de responsabilidade. Vamos colocar a frota e a documentação em dia. E eu sou abusado para essas coisas, gosto de tudo muito certinho, de ter os equipamentos bem ajeitados, bonitos. A frota de Jaguaruna é feia, vamos arrumar para não ficar nada pendente.

Notisul – O senhor participou de uma audiência para instrução de uma ação de investigação eleitoral. A denúncia é que o senhor e o seu vice, Lorisvaldo Felisbino Constante, o Loro, tentaram comprar votos de eleitores dando tickets de gasolina. O que de fato ocorreu?
Inimar – Não aconteceu nada do que estão dizendo. Quem não deve não teme, sempre disse isso. Não dei ticket de gasolina. O que tem de gastos com combustível está declarado na prestação de contas. Tudo foi feito como recomenda a lei. Vou aguardar a justiça, estou tranquilo, não fiz nada de errado.

Notisul – O clima da campanha em Jaguaruna foi tenso, assim como em Sangão. Por quê? É excesso de rivalidade política?
Inimar – Não é rivalidade. A campanha ficou tensa no fim, quando eles perceberam que a eleição estava perdida. Fizeram muitas acusações, nos insultaram também, humilharam mesmo. Diziam que um caminhoneiro e um agricultor não teriam capacidade para serem prefeito e vice de um município. E vou provar que posso ser, sim, não apenas um prefeito, mas um bom prefeito. Desde o início, eu sabia que seria eleito. O ex-prefeito, na minha visão, não fez uma boa administração, acho que ele não fez praticamente nada no município e isso se refletiu nas urnas. Ele ganhou (em 2004) com mais de 800 votos de diferença e nesta perdeu por 340.

Notisul – O senhor acredita que subestimaram a sua capacidade? A sua eleição surpreendeu muitas pessoas?
Inimar – Sim. Ficavam dizendo que caminhoneiro era ignorante e que não poderia administrar bem o município, que um lavrador, o Loro, não tinha conhecimentos para ser vice-prefeito. Nos humilharam muito, mas vamos mostrar que não estamos para brincadeira. Não tenho medo e nem preguiça. Sempre disse que medo e preguiça não me acompanham. Vou provar que um diploma não garante boa administração e sim força de vontade e coragem para trabalhar.

Notisul – O senhor disse que tinha certeza que seria eleito. Como foi a sua indicação? Quando teve certeza que isso ocorreria?
Inimar – Em algumas reuniões do partido, indicaram o meu nome e o de um outro companheiro, que hoje é inclusive meu secretário. Na convenção, em abril, nós batemos chapa e eu recebi 29 votos a 13. Ali tive certeza que seria eleito, porque meu nome foi consenso no partido. Era o único que tinha bom relacionamento com os outros três ex-prefeitos, Hilário (Bonelli Nandi), Zairo (Cabral Luiz) e Claudemir (Souza dos Santos). E no dia da convenção eu perguntei se eles me apoiariam e os três disseram que sim. O partido estava unido. Além disso, eu já tinha conhecimento da administração pública.

Notisul – E como surgiu o interesse pela política?
Inimar – Em 1988, em uma reunião do PMDB indicaram o meu nome para concorrer a vereador. O convite partiu de um concunhado que também era do PMDB. Aí concorri e não fui eleito, fiquei como segundo suplente. Mas aí o prefeito Hilário me convidou para ser secretário de obras. Eu nunca tinha sido secretário, disse a ele que só entendia de caminhão (risos), mas ele me convenceu, disse que me ajudaria e encarei o desafio. Tenho certeza que fiz um bom trabalho, tenho orgulho de passar por obras e ver o meu nome lá na placa como secretário. Fiquei os quatro anos como secretário de obras. Aí eles disseram que eu tinha que concorrer novamente e fui.

Notisul – E foi eleito?
Inimar – Sim, fui o candidato mais votado do PMDB, com 517 votos. Fiquei dois anos como vereador e mais dois como presidente da câmara. Aí perdemos a eleição, na seguinte, em 1996, elegemos o prefeito Zairo. Fui convidado novamente para ser secretário de obras. Não queria muito, e fiquei em torno de um ano e dez meses . Aí a coisa começou a não funcionar do jeito que eu queria e pedi para sair. Fui viajar de caminhão e tocar o comércio que tenho em Jaguaruna com a minha esposa. Há quatro anos, estava na convenção sem intenção alguma, as coisas deram errado e o povo veio para cima de mim. Não teve como, lá fui eu ser vice de Claudemir. Fui para tentar acertar o partido, que, na época, estava bem distorcido. O partido estava rachado. E não conseguimos a reeleição do Claudemir. Sempre que eu chegava em casa dizia para a esposa: ‘Nós vamos perder a eleição’. Dito e feito. Fui viajar de novo e comprei outra carreta. Perdi a eleição e comprei outra carreta (risos). Tinha certeza que as coisas iriam se afunilar e eu teria que ser como candidato do PMDB esse ano passado, porque era o único que tinha condições de unir 100% o partido.

Notisul – Mesmo sendo político, o senhor continuou como caminhoneiro?
Inimar – Mesmo depois da prévia, dia 9 de abril, ainda fiz mais uma viagem. Cheguei, botei um funcionário e fui fazer política. Mas o caminhão é a minha paixão.

Notisul – E você viaja para algum lugar específico? O que transporta?
Inimar – Conheci praticamente o Brasil inteiro, com exceção de Rondônia, Acre e Manaus. O resto, em todas as capitais eu já estive. Transportava de tudo. Daqui da região, saía carregado com telha para São Paulo, Minas e de lá seguia para outros lugares. Às vezes, carregava piso também. Tenho ainda caminhão e gosto.

Notisul – A estrada é uma paixão?
Inimar – Para mim é. Às vezes, estou no posto, vejo o caminhão passando na BR e dá vontade de pegar o meu e ir. Quando tenho tempo e o caminhão está em casa, fico lá alisando, limpando.

Notisul – O que lhe faz continuar na estrada, apesar de ser uma profissão tão perigosa?
Inimar – É o costume. O amor pela profissão.

Notisul – E como você caiu na estrada?
Inimar – Por vocação. Eu tenho ensino médio completo, tenho uma irmã mais velha e um irmão mais novo, Ivécio (gerente de planejamento e avaliação da secretaria de desenvolvimento regional em Tubarão). Meus pais sempre fizeram de tudo para eu estudar. Quando terminei o ensino médio, disse que não queria estudar, queria viajar. Desde criança, tenho paixão por carro, por caminhão, por viajar, e isso nunca passou. E quando eu sair de férias, passar a prefeitura para Loro administrar, eu vou pegar a minha carreta e ir para estrada (risos).

Notisul – O senhor já passou por alguma situação de perigo ou acidente na estrada?
Inimar – Não, nunca. Graças a Deus, nunca sofri acidentes e nem fui roubado.

Notisul – E Ivécio, lhe ajuda com os caminhões, também tem carretas?
Inimar – Ele tem, mas não gosta de viajar (risos). Ele deixa por conta dos motoristas. Eu não, estou sempre junto, olhando, cuidando, e tenho feito isso também lá na garagem da prefeitura.

Notisul – Voltando ao assunto administração da prefeitura, o que é possível fazer pelo Carnaval em Jaguaruna?
Inimar – Aí vem uma situação difícil. Carnaval em cima, próximo mês e a prefeitura em uma situação complicada. Já conversei com o pessoal da Associação Costa Azul de Veranistas (Acav) e disse que vamos procurar ajudar de alguma forma. Não quero que acabe, mas vamos procurar maneiras de outras pessoas ajudarem. Porque a prefeitura não tem como fazer sozinha. O Carnaval do Camacho tem um investimento grande e só a prefeitura não dá. O pessoal disse que entendia a situação e que ninguém iria me cobrar nada. Mas eu também não posso deixar que chegue março, abril e alguém diga que o Carnaval do Camacho foi ruim porque a prefeitura não ajudou. Vamos buscar ajuda.

Notisul – Sobre o turismo, o que é possível melhorar? Quais os seus projetos nesta área?
Inimar – Eu tenho um projeto arrojado. Principalmente no que se refere ao acesso às praias. Tenho uma reunião segunda-feira, em Florianópolis, às 18h30min, com o secretário de infraestrutura, Romualdo França, o secretário de segurança pública, Ronaldo Benedet, a deputada Ada De Lucca (PMDB), e estamos tentando o deputado federal Edinho Bez (PMDB), já para também marcarmos a vinda do governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) para fevereiro. Vou levar em mãos o projeto já elaborado para o acesso ao balneário Esplanada. Eu não vou parar enquanto não conseguir ajuda do estado para pavimentar o acesso à Esplanada e ao Campo Bom. O do Camacho só faltam sete quilômetros. O bueiro sobre o Riachinho está com o problema solucionado e a empresa deve finalizar a obra em, no máximo, 180 dias. Vou brigar para conseguir estes dois acessos. E tenho um plano de um anel viário para Jaguaruna, para tirar o trânsito pesado do centro da cidade e dar também um melhor acesso ao turista, que não quer passar pelo centro. O projeto já está feito, com ajuda dos engenheiros da Amurel. Tenho mais algumas ideias para os balneários, principalmente em Jaguaruna, desde o tempo de Zairo, que não foram aproveitadas.

Notisul – O que são exatamente estes projetos?
Inimar – Não vou revelar agora, deixa que depois contarei aos leitores do Notisul e à população de Jaguaruna. Deixa eu colocar o projeto no papel primeiro e conseguir a liberação ambiental da Fatma .

Notisul – Em sua visão, qual é o maior desafio hoje de Jaguaruna?
Inimar – Deixar as estradas do jeito que eu quero. O problema não é só a estrada em si, mas a falta de equipamento, a dificuldade para conseguir extrair material, eu consegui uma jazida, mas tenho que fazer um levantamento das estrada. Hoje, as estradas em Jaguaruna são como rios, chove e a água não tem por onde sair, fica no leito da estrada. É um trabalho complicado sem equipamentos. Por isso, considero o maior desafio atual.

Notisul – E o saneamento básico?
Inimar – É outro desafio também. Jaguaruna não tem um metro de rede de esgoto, sequer tem projeto. A Organização das Nações Unidas (ONU) decretou que este é o ano do saneamento básico no Brasil e é mais uma responsabilidade que nós temos. Temos bairros em Jaguaruna com esgoto a céu aberto. Precisaremos da ajuda do governo federal, porque, com a arrecadação atual do município, não tem o que fazer.

Notisul – E o senhor tem bons contatos com o governo federal, já que o seu vice é do PT?
Inimar – Temos bons contatos, sim. O sul é bem representado politicamente. Dia 8, 9 de fevereiro, vou a Brasília para um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e vamos levar projetos, fazer algumas visitas em ministérios e a deputados. Jorge Boeira esteve em Jaguaruna há uns 20 dias, eu não estava, ele conversou com Loro e ele (Loro) deve me acompanhar nesta viagem à Brasília.

Notisul – E o distrito industrial, alguma negociação em andamento? O senhor conversou com representantes dos chineses que se interessaram em abrir uma indústria de vidros planos em Jaguaruna?
Inimar – Eu não tive contato com os chineses ainda. Essa área de terra do distrito industrial foi comprada na época que Zairo era prefeito, eu era o secretário de obras. Muito lutei por aquilo lá. A única coisa que tem em cima é a energia elétrica, mas precisa ser feito o licenciamento ambiental com a Fatma, o que não é barato, ultrapassa R$ 100 mil. Há o interesse de um empresário de Tubarão em abrir uma indústria de artefatos de cimento, não conversou comigo, mas com o secretário de obras, Edenílson Montini Costa. Eu disse que precisávamos primeiro ter a licença ambiental. Para chegar à área industrial, tem que passar pelo centro e, com o projeto do anel viário, terá um acesso melhor. Eu preciso trazer empresas para Jaguaruna. O ex-prefeito (Marcos Tibúrcio) chegou a distribuir alguns terrenos e a licença ficou por conta dos empresários. Eu acredito que essa licença tem que ser dada pela prefeitura, tem que dar a área com condições totais.

Notisul – Qual a importância do Aeroporto Regional para Jaguaruna?
Inimar – Fundamental, não só para Jaguaruna, mas também para a região. Claro que Jaguaruna tem ainda mais a ganhar. A inauguração do aeroporto será uma alavanca muito grande para o desenvolvimento. A hora que tivermos concluída a duplicação da BR-101, o aeroporto, o porto de Imbituba a região estará com a faca e o queijo na mão.