Moacir Rabelo é aquela pessoa que vive e nasceu nessa cidade há 61 anos. Nasceu vivenciando e respirando o ar de Capivari de Baixo, seja qual for. De qualquer forma, desde pequeno sempre me preocupei com tudo aquilo que fosse de interesse da própria cidade, porque eu sempre amei e amo essa cidade. Sempre tive uma participação efetiva na religião, na educação e na política e é nesse tripé que construí a minha vida exatamente enquanto cidadão desse município e sempre imbuído de fazer o melhor por ela. Estou envolvido com educação. Há 30 anos sou educador e estou licenciado agora, ainda não me aposentei. Tenho toda uma história na área da educação. Na religião, existe toda uma tradição familiar e na área política, a partir do momento que houve a emancipação política administrativa do nosso município, entendi que poderia fazer parte desse contexto, não por ambições políticas, mas por poder estar mais próximo daquilo que pudesse vir a contribuir com aquilo que fizesse a cidade crescer a partir da emancipação. Digo que sou oriundo de uma família humilde e o meu forte é ser honesto, sério e ético. Respeito muito as pessoas, e sou uma pessoa que tenho um coração muito bom, embora contestado por alguns e criticado por outros. A minha índole é de uma pessoa que olha para outras com os olhos clínicos de que pode e está sempre querendo ajudar os outros. E venho de um berço humilde e mantenho como a linha da minha vida a lealdade, a sinceridade e, acima de tudo, a humildade.
 
 
Jailson Viera
Capivari de Baixo
 
 
Notisul – Nos seus quatro anos anteriores de mandato, e neste, quais as obras e ações o senhor considera mais importante(s)? Como o senhor avalia a sua administração?
Moacir Rabelo – No primeiro governo – de 2005 a 2008 -, tudo era novo, embora a minha atuação política não era nova. Para chegar na prefeitura, tive dois mandatos no legislativo e tive o privilégio de ser relator da Lei Orgânica do município. E isso é um grande feito, porque tive uma participação efetiva na construção da cidade. E o nosso governo, no primeiro mandato, foi buscando fazer uma grande mudança nessa cidade. Implementamos um governo onde investimos muito em saúde, educação e na área social. Buscamos implementar tudo aquilo que viesse trazer qualidade de vida para a nossa população. E nesses anos fizemos ocorrer tudo o que nunca ocorreu na cidade, a implantação do Prontoatendimento 24 horas, com funcionamento praticamente até o fim de 2008, e digo que foi um aprendizado e não é a toa que depois de quatro anos fora da política, literalmente, voltamos. E sempre acompanhando o que ocorria na cidade. Porém, tive o privilégio de ser contemplado novamente pela população de Capivari de Baixo, pelo retorno que era o que eu sonhava. Sonhava não por orgulho ou vaidades pessoais, mas por achar que nós fomos interrompidos prematuramente e éramos um governo que fazíamos a cidade crescer. Obviamente que todos os quatro anos que estivemos fora, voltamos depois desses quatro anos com tudo destruído, com saúde que não funcionava 24 horas, muitas ações que foram feitas no nosso governo e foram paralisadas. Então, com esse retorno se deu que a população reconheceu aquilo que fizemos. Embora não fizéssemos tudo, até porque ninguém consegue, mas uma coisa é certa, a nossa marca deixamos na saúde, educação e na área social. Com o retorno, o povo entendeu e nos deu a oportunidade. O que não esperávamos, sabíamos, mas na integridade que receberíamos uma prefeitura totalmente destruída, equipamentos, dívidas que foram deixadas pelo governo anterior, R$ 3 milhões de ISS, R$ 1 milhão de precatórios, R$ 1,5 milhão em contas a pagar. Maquinários todo destruído, a cidade toda com buracos, na escuridão, sem saúde 24 horas. Então, pegamos um grande desafio e acima de tudo tivemos que encarar a coisa de perto para poder transpor todos esses obstáculos e não é a toa que ainda estamos enfrentando dificuldades, mas graças a Deus estamos implementando o nosso projeto que apresentamos ao longo da campanha. E pode ter certeza absoluta, mesmo com a interdição do PA, que está ocorrendo no universo de nossas ações sociais são grandes. A população pode ter certeza absoluta que será uma boa administração. A partir de agora, que acertamos os passos e enxugamos a máquina, e que estamos pagando ainda os custos que foram feitos para pegar as negativas para podermos receber emendas parlamentares e contrair empréstimos. Então, para a nossa felicidade, definitivamente Capivari vai deslanchar no nível e no ritmo que nós queremos, até porque estamos projetando a cidade para 30 anos na frente.
 
Notisul – Como estão as contas da prefeitura?
Aquilo que nós herdamos como ISS foi renegociado. Nos precatórios estamos pagando gradativamente na medida em que a justiça determina e os empenhados serão pagos, até porque o Tribunal de Contas entende que não é o prefeito que saiu, mas a prefeitura que ficou devendo. Em paralelo a isso, terminamos o ano de 2013 com chave de ouro. Ficamos com todas as contas quitadas, com os percentuais acima do normal. Para a educação é previsto 21% e ficou com 31%. A saúde é de 15% e ficou em 21%, então veja que o percentual é muito alto. Esses recursos investidos em educação e saúde nós poderíamos investir em pavimentação, drenagem e saneamento básico, mas entendo que não é perdido e não é em vão, porque é investido no ser humano.
 
Notisul – Qual a maior dificuldade em administrar?
Moacir – É não poder fazer tudo aquilo que o povo deseja na hora que ele deseja. Temos limitações e regras para serem cumpridas. Quando o povo quer, ele quer na hora, e eu acho que isso eu não fui dotado e não vim ao mundo para fazer milagre e fazer as coisas ocorrerem ‘faça sol, faça lua’, tudo isso tem um processo sistemático. 
 
Notisul – Há alguma frustração nesse um ano e três meses de mandato?
Moacir – Não há frustração, sou uma pessoa que sempre tive uma fé muito profunda, diria que aquilo que estabeleci como meta para essa cidade vai ocorrer, não é porque no primeiro ano nós tivemos turbulências. Diríamos o que me deixa, às vezes triste. É que tanta coisa é feita e são poucos os que vêm para agradecer. Até a própria Bíblia cita: “dez leprosos foram curados e um voltou para agradecer”, talvez isso não seja frustração, mas tristeza de não poder ver o reconhecimento daquilo que muito foi feito. Uma pessoa que recebe curativo em casa, que tem fisioterapia em sua residência, que recebe fraldas geriátricas. Isso tudo se eu fizer o mal para você em cinco minutos todos dos municípios sabem, mas o bem que eu te fizer ele vai levar dois anos até chegar aos quatro cantos da cidade. Porém, sinto aquela vontade de que haja um reconhecimento da parte da população que voltem para agradecer e olhar no retrovisor e ver o quanto já recebeu.
 
Notisul – O Prontoatendimento fica para quando? Voltará a ser 24 horas? O que realmente ocorreu para a obra não ficar de acordo neste mês, como foi estabelecido anteriormente?
Moacir – Temos a Defesa Civil, leis e Vigilância Sanitária. Queria registrar que a interdição não foi por vontade do prefeito, ela ocorreu porque houve os imprevistos que fez isso. Temos a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros, que nos notificaram que teríamos que tomar cuidado, que o local oferecia risco de morte, e é com isso que nos preocupamos. Às vezes, as pessoas duvidam e eu não iria nunca interditar um ambiente, um estabelecimento que serve a população de graça. A exemplo da capela mortuária, depois que ela foi interditada, quando vimos, ruiu e caiu tudo e hoje a reformamos. O PA já foi demonstrado que se justificava a interdição e digo sempre quando e, se de repente estamos com o PA aberto ou alguém do RX o tira ou no uso do oxigênio e alguém morre eletrocutado, ninguém iria me perdoar. Agora, fizemos o projeto de reforma e já foi apresentado pela Vigilância Sanitária e estamos na parte elétrica para licitar e entregar ainda neste ano. Demos um prazo de 120 dias, nós não esperávamos que a Vigilância Sanitária fosse demorar tanto para a reforma geral e reconstrução. Tudo vai ocorrer e pode ter certeza do primeiro semestre para o segundo vamos entregar para a população, se Deus quiser.
 
Notisul – Quais as prioridades para este ano? Como o senhor avalia, hoje, a situação político administrativa de Capivari de Baixo? A ponte da amizade, entre Capivari e Tubarão, sairá, quando?
Moacir –  A implementação do PA, uma série de projetos de ruas para serem asfaltadas. Temos a Praça do  Camila para ser construída com recursos assegurados,  temos permuta de terra e iremos reivindicar do governo federal mais uma grande creche. Paralelo ao grande investimento imobiliário que irá ocorrer com 96 apartamentos, praticamente fechado com a Caixa Econômica, por meio da Minha Casa, Minha Vida. Estamos em vias de trazer um supermercado grande para a cidade e está alinhavado para dar empregos para 90 funcionários. Resolvemos o problema da água até na Ilhotinha. Há uma série de projetos de revitalização de ruas que não suportam mais a operação tapa buracos, essa é mais uma herança que ficou para nós. São inúmeros projetos e estaremos tratando de assuntos como a ligação entre Capivari e Tubarão pela avenida Nações Unidas, entrada principal da cidade, que será mão dupla, diria que será a redenção de Capivari de Baixo. Aquela projeção de 30 anos que estamos programando.
 
Notisul – Quais os seus planos para o futuro?
Moacir – Uma cidade para crescer. As pessoas têm que estar sintonizadas no mesmo rádio, tem que estar imbuídas para brigar para a cidade, fazer o melhor, porém, existem os contrários, uma cidade não pode ter pedras no caminho para atrapalhar o desempenho: o crescimento. Queria que todos gostassem, amassem limpassem a cidade e não sujem. Cidade limpa não é aquela que se limpa, mas aquela que não se suja. No contexto político todos devemos se abraçar na construção para as próximas gerações. Infelizmente, no andar da carruagem sempre há aqueles que estão aí para colocar alguma coisa para emperrar e não dar certo. Acredito que independente da vontade de alguns contrários. Tem muita gente que torce para dar certo e são em cima desses que tem o pensamento positivo que vamos brigar.
 
Notisul – O hospital foi uma das promessas de campanha, ele sairá do papel?
Moacir – Queremos muito, mas o que ocorre que nós sonhamos e planejamos, porém, o governo federal, para os municípios com menos de 50 mil habitantes, não aprova fazer o hospital. Você não deve deixar de sonhar, não deve deixar perder a esperança. O governo federal estabeleceu uma regra que abaixo de 50 mil não mantém. Isso não significa que, mesmo sem nos atender em um primeiro momento, que deixaremos de insistir. O que vai nos motivar muito mais! Se isso não ocorrer, vamos deixar um Prontoatendimento que vai dar suporte que o hospital daria.
 
Notisul – O senhor assumiu a Amurel no mês passado. Quais os projetos à frente da associação?
Moacir – Tive a oportunidade de ser presidente da Amurel em 2006 e 2007, e é exatamente para contribuir em primeiro momento em ajudar no auxílio a todas as prefeituras. Atender todos os projetos dos prefeitos. Nem todos têm uma receita que oportunize fazer uma equipe de planejamento com engenheiros, arquitetos, topógrafos. Nós, em Capivari de Baixo, temos. Na maioria das prefeituras não há. Estamos trabalhando em cima das reais necessidades das prefeituras e prefeitos e, consequentemente, vamos trabalhar ao encontro daquilo que fizer a região sul crescer. E hoje, a Amurel tem um grande privilégio. Ela é composta por 18 municípios, 18 prefeitos e 18 lideranças que a representam. E é em cima disso que vamos brigar por muitos índices que colocaremos em pauta.
 
Notisul – A situação das águas de Capivari, faturamento e CEI, como o senhor avalia?
Moacir – A CEI foi levantada por pessoas imbuídas de fazer jogo político. Quando assumimos a cidade, tem um passivo que existe em relação à Concessionária Tubarão Saneamento e à prefeitura de Tubarão. Mas nunca vou entregar de corpo e alma. O valor a ser pago é de R$1,30 e eu tenho que pagar R$1,30? Não, vou brigar para a minha cidade. Eu tenho um estudo técnico em que o que nós estamos repassando é realmente o real. Se eu me entrego e pago R$1,30 para a água de Tubarão eu deixo de investir na minha cidade. Preocupo-me e sempre me preocupei com o abastecimento de água nos diversos pontos da cidade. Esse era o grande desafio. Conseguimos, graças a Deus, resolver consideravelmente todos os problemas. Pode ser que possa ocorrer um problema ou outro, porque dependemos de Tubarão, se para lá consequentemente para aqui. Contudo, se continuarmos nesse ritmo de distribuição que é previsto em lei para as duas cidades, aí vai da criatividade e engenharia que usarmos para a água poder chegar lá na Ilhotinha, Alvorada nas partes mais altas… A parte da CEI, CPI o que quiserem para mim, não atinge nada até porque pagamos e exatamente a partir do momento que pagamos estamos levando religiosamente e tivemos a felicidade de contratar uma empresa para fazer as inserções nas redes, reparos e essas melhorias que ocorrerem.
 
Notisul – O Ceaca e a Apae recebem uma contribuição mensal, houve problemas em relação à alimentação ou ao repasse? Será cortado?
Moacir – As pessoas se precipitam. Eu nunca anunciei que deixaria de ajudar a Apae e o Ceaca. De 2005 para frente eu impulsionei a equipe para ajudá-los. Não faz sentido eu acabar com aquilo que iniciamos. Claro que nós temos uma limitação financeira. O que dissemos é que iríamos ver a parte legal da distribuição da merenda, valores a serem repassados e seria discutido pelo conselho municipal de assistência social (Comas). Mas só levantaram fogueira e fizeram fogo sem necessidade, porque trabalhamos muito seriamente e eu não sou de fazer alarde. 
 
Notisul – Qual será a contribuição de Moacir no fim do mandato de Capivari?
Moacir – Não vim só para quatro anos, eu vim para oito anos. O que quero fazer na cidade é projetar a para o futuro. Precisamos de tempo para que isso não ocorra do dia para a noite. O primeiro ano já se passou e precisamos construir a cidade. Dependemos de recursos e vamos atrás. Nosso crescimento demográfico e habitacional é grande e o povo vem para cá porque é um município que tem…
 
Moacir por Moacir
Deus – Supremo, sem ele não somos nada.
Família – É o alicerce da sociedade.
Trabalho – Razão do ser humano.
Passado – É coisa que passou.
Presente – É o que vivemos de forma leal, sincera e honesta.
Futuro – A consequência do presente.
 
O primeiro ano já se passou e precisamos construir a cidade.
Dependemos de recursos e vamos fazer ocorrer".
 
"Vivo o presente e digo que tem dois dias no ano que a pessoa não pode fazer nada. O ontem, que passou, e o amanhã, que é incerto".
 
"Porém, no andar da carruagem, se as coisas encaminham vou brigar por isso sim!"