Secretário de saúde da prefeitura de Tubarão, Roger Augusto Vieira e Silva deixa o cargo na próxima quarta-feira. Ele pretende dedicar-se à carreira de médico. É graduado pela Universidade Federal do Paraná, com especialização em acupuntura pelo Instituto de Pesquisa e Ensino de Medicina Tradicional Chinesa. Também faz parte do Colégio Médico de Acupuntura. Atende pelo Sistema Único de Saúde desde 2002. Também é diretor clínico do Hospital São Sebastião, em Treze de Maio. 
 
 
Karen Novochadlo
Tubarão
 
 
Notisul – Como o senhor avalia o tempo que ficou à frente da secretaria? Conseguiu fazer tudo o que queria?
Roger – Primeiro, foram três anos de uma experiência muito interessante. Com certeza, mudou minha vida profissional. Fez com que eu conhecesse melhor a estrutura da saúde no país. Com certeza, o nosso sonho sempre é maior do que o que conseguimos realizar. Muitas coisas que eu gostaria que estivessem prontas. Ainda não estão. Eu tenho convicção de que caminhamos no sentido da realização de todos estes sonhos.
 
Notisul – Por que a decisão de deixar a secretaria de saúde?
Roger – É uma escolha pessoal realmente. Se você pegar a história de Tubarão, tem muito poucos secretários de saúde que ficaram até o fim do mandato. É uma função bastante desgastante. E eu sinto falta de me dedicar à profissão de médico. Este é o motivo de estar deixando a secretaria. Três anos é bastante tempo. Desde o começo, conversei com o prefeito Manoel Bertoncini (PSDB) que ficaria até o fim deste ano.  
 
Notisul – Albertina de Carvalho, a Beth Xuxa, ficará como secretária até o fim do mandato?
Roger – Inicialmente, ficará. Mas a decisão de quem ficará até o fim do mandato é do prefeito. Não vou interferir. A Beth assume a função no dia 1º. 
 
Notisul – O senhor não pretende fazer carreira política?
Roger – Não. Aliás, tenho pensado nisso e já decidi que não vou seguir carreira política. Vou seguir minha carreira de médico. Eu tenho muito interesse nas políticas públicas de saúde. Vou continuar a intervir de forma positiva na política pública do município e do estado, como eu puder. Mas eu não preciso ser candidato a nenhum cargo para fazer essa função. 
 
Notisul – Uma das reivindicações de Oficinas era ter um posto de saúde. Um já foi instalado este ano. O que mais foi feito na área?
Roger – Agora, nós estamos colhendo os frutos de todos os projetos que elaboramos ao longo de três anos. Na verdade, vários projetos que saem do papel são de 2009 ou 2010. Ao longo de três anos, abrimos três unidades de saúde família. Abrimos uma unidade na região do Andrino e mais uma equipe no bairro São João, no Monte Castelo, e na Vila Esperança. Foram bastante equipes. Tenho medo de esquecer alguma. Em Oficinas, abrimos outra equipe. Ao todo, foram abertas cinco equipes. Serão seis com mais uma equipe que será aberta em Oficinas. Nossa meta era terminar o mandato com no mínimo 30 equipes de saúde da família. Estamos com 29. Isto garante uma excelente cobertura para a cidade. Além disso, inauguraremos nas próximas semanas a unidade da Passagem e do Campestre. Uma outra unidade que será inaugurada é a de Santo Antônio de Pádua. Temos projetos para quatro unidades: uma em Oficinas, ao lado do ginásio Salgadão, no São Brás, uma no loteamento Soratto e uma  em São Martinho. 
 
Notisul – Um dos projetos é focado na construção da Unidade de Pronto Atendimento 24 horas. Como está a licitação?
Roger – A licitação está em fase final. Até a próxima semana, saberemos o vencedor. A ordem de serviço será entregue este ano.
 
Notisul – E como funcionará a UPA?
Roger – Será o local de atendimento da emergência médica. Nosso objetivo é reduzir  o volume de atendimento do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC).   Assim que tudo estiver pronto, a nossa primeira medida será de divulgação dos casos que devem procurar a UPA. Hoje, temos praticamente 30 equipes de ESF para uma população de quase 100 mil pessoas. É mais do que suficiente, desde que a demanda seja organizada. 
 
Notisul – Outro projeto que está quase pronto é o do Centro de Controle de Zoonoses…
Roger – Esse é outro sonho que está quase se realizando. Eu li em matérias que a situação dos cães de rua é um problema no país inteiro. Nós estamos dando um passo a mais, construindo um centro para trabalhar não apenas com os cães, como também com outras zoonoses urbanas. O centro será inaugurado provavelmente este ano. E 2012 é o ano de estruturação do projeto, quando começaremos com as campanhas de conscientização. Precisaremos da participação popular, para que as pessoas compreendem a importância da adoção responsável, a castração dos animais para evitar a procriação. 
 
Notisul – Uma vez, o senhor me falou que no futuro o centro seria um lugar para visitação. A ideia seria fazer um parque.
Roger – Na verdade, é isso mesmo. Se for bem planejado, pode se tornar um local de visitação, até para que seja incentivada a adoção. Naquela região, tem um sambaqui. Os órgãos que cuidam do patrimônio histórico podem ajudar para que tenhamos ali uma área urbanizada e se torne um parque. É impossível criar a valorização do cuidado animal e incentivar a adoção sem ter um local para a visita. Precisamos mostrar o cãozinho que está lá para ser adotado.
 
Notisul – Haverá um trabalho direcionado para pessoas que não podem pagar uma clínica veterinária?
Roger – Com certeza. Inclusive castração e outros procedimentos. Hoje, nós temos dois veterinários. 
 
Notisul – A redação do Notisul  recebe constantemente reclamações de leitores que não recebem atendimento por falta de material. Existe algum projeto para solucionar este problema?
Roger – Esta é uma queixa frequente. A burocracia do sistema é realmente algo que incomoda. Os processos de compra e entrega são lentos. Isto é uma falha do sistema público. Cabe aos políticos que continuarão nesta área descobrir uma forma de resolver. A burocracia dos processos públicos nas prefeituras realmente prejudica muito o atendimento às necessidades da população. Com relação ao almoxarifado da secretaria de saúde, nós realizamos mudanças. O almoxarifado já mudou de local este mês. O mesmo planejamento que aplicamos na farmácia, onde resolvemos a questão da demanda por medicamentos, faremos no almoxarifado. O primeiro passo foi a troca do local. Agora, cuidamos da informatização do setor, para que não venham acontecer os problemas que tivemos nos últimos três anos. Isto evitará falha na logística de entrega de materiais. 
 
Notisul – A relação de medicamentos da farmácia foi ampliada para atender a população, não é mesmo? 
Roger – Nós fizemos um trabalho exemplar. A prova disso é que a farmacêutica Flávia Matos receberá em Brasília uma premiação pelo ao trabalho desenvolvido. Nós readequamos todas as etapas da assistência farmacêutica. Melhoramos o processo de compra, criamos uma central de abastecimento. Modificamos toda a logística de distribuição para as unidades. Nós criamos a relação municipal de medicamentos.
 
Roger Augusto por Roger Augusto
Deus: Nosso norte, nossa direção.
Família: Base de sustentação do nosso dia a dia.
Trabalho: Vocação.
Passado: Experiência.
Presente: Momento de desafios.
Futuro: A realização dos nossos sonhos. 
 
"As mudanças no setor de farmácia fazem a população ter acesso, não apenas a maior quantidade, mas também a variedade e qualidade de medicamentos. A próxima etapa, que está adiantada, é uma lei que regulamenta como é o atendimento farmacêutico em Tubarão. Para que a gente consiga que toda a estrutura farmacêutica torne-se única e não possa ser modificada facilmente. O projeto será encaminhado para a câmara de vereadores no próximo ano".