Moacir Juncklaus é graduado em educação física, com especialização na área de gestão esportiva, empresarial e metodologia do ensino superior. Nasceu em Rio das Furnas, em Orleans, mas adotou Tubarão desde os 2 anos. Desde os 17 anos, começou a trabalhar na Unisul, onde está até os dias atuais. Já foi professor da rede pública, do ensino fundamental, médio, superior e hoje é coordenador do curso de educação física na universidade, função que exerce há dez anos.
 
 
Mirna Graciela
Tubarão
 
 
Notisul – Como está a profissão de educação física? As pessoas têm cuidado da saúde? 
Moacir – Estou encerrando meu mandado como coordenador do curso e completo uma década este ano. É a hora de outras pessoas. É preciso haver uma reoxigenação. Quanto à questão da educação física, se olharmos que a expectativa do povo brasileiro tem aumentado, há um aumento da qualidade de vida. Antes, era raro as pessoas caminharem na beira do rio. Hoje, é grande o número de adeptos que fazem isso, assim como frequentam as academias, inclusive as de terceira idade, o que antes não ocorria. Temos também os personal, que estão cada vez mais ocupando lugar no mercado. Isto mostra a preocupação com a saúde, com a qualidade de vida. Quando falamos na profissão de educação física, não é somente o lado físico, mas tem que ter sintonia, uma integração entre corpo e mente. Esta filosofia é seguida pelo corpo docente da Unisul. Hoje, temos 350 alunos, que colocam tudo isto em prática.
 
Notisul – Qual o motivo de usares a bicicleta como principal meio de transporte?
Moacir – Como sou da profissão, sempre gostei da atividade esportiva. Já transitei em todas as funções. Minha opção por ter feito educação física pressupôs um estilo, uma qualidade de vida. Depois, com a idade avançando, migrei para a bicicleta, que foi uma paixão à primeira vista. Lembro de quando aprendi a andar com a velha Monareta, dividida com quatro irmãos. Quando me reaproximei das bicicletas, há dez anos, foi reativar uma antiga paixão. Num primeiro momento, eram atividades corriqueiras, de passeio com os filhos. Depois, ao longo do tempo, comecei a querer algo mais. O mais importante foi a reaproximação com a família do Giba Cicle. São pessoas que estimo muito, um exemplo do que fazem, tanto nas bicicletas, como de amor aos filhos e netos. Também estudar sobre a biomecânica da bicicleta, da preparação física. E atingiu o seu alge há cinco anos, onde a antiga bicicletinha, como forma de descarregar as tensões do dia-a-dia, de procurar desafios, foram complementos para o trabalho que eu fazia. Hoje, a bicicleta é um elemento do meu dia-a-dia. É um meio de transporte para ir trabalhar e para minhas atividades pessoais, com exceção de quando tenho que transportar alguma coisa. É um ato prazeroso. E acho que contribuo também com a qualidade de vida das pessoas, com o meio ambiente, com o trânsito urbano, do qual eu sou um crítico. Por que temos três carros em uma casa com várias pessoas, por que não usamos mais pernas, bicicletas? Sempre digo às pessoas que alegam não ter tempo para fazer atividades físicas que andem de bicicleta. Procuro transmitir isso para melhorarem e ajudarem no contexto em geral. Lembrando que as bicicletas também são um meio de transporte que precisa obedecer às regras de convivência, de sinais, mão e contramão, calçadas e pedestres.     
 
Notisul – Qual a sua opinião sobre as bicicletas elétricas?    
Moacir – Elas precisam de legislação própria. A partir do momento que você diz bicicleta elétrica, não é mais bicicleta. É um motociclo. Não concebo bicicleta se não for com a força humana. Para mim, passa a ser um motociclo, que tem respeitar a legislação dos ciclomotores, usar capacete, tem que ser emplacada, obedecer as leis do trânsito, normais como qualquer um. Muitas vezes, criam-se leis que não são cumpridas, que já nascem mortas. A legislação tem que se adequar às novas tecnologias.  
 
Notisul – As estradas de Tubarão e região beneficiam o ciclista?
Moacir – Se falarmos de trânsito, estradas e pavimentação, não favorece. Na verdade, o pensamento governante no país é um incentivo à indústria do automóvel. Não é uma política voltada ao transporte coletivo, alternativo. Hoje se pensa em estradas e rodovias para carros. As rodovias estaduais que têm o acostamento reduzido, muitas vezes, não possuem espaço para transitar. Nas nossas vias urbanas, praticamente temos uma ciclovia confundida com lugar para pedestre em volta da margem da beira-rio, senão, não temos lugar exclusivo para bicicletas. Então, a nossa pavimentação não está preparada para as bicicletas. Em nível de rodovia, também defendo a ideia de que não há necessidade de uma pista separada, precisamos que se cumpra a legislação, a bicicleta é um meio de transporte e pode transitar. No Código de Trânsito, se estou em cima da rodovia, tenho direito de andar ali e o carro tem que me respeitar. Só que não conhecemos a legislação de trânsito porque a política neste país é para o carro em primeiro lugar e os outros meios de transporte são secundários. Por exemplo, quando estico o braço para o lado esquerdo, é como se fosse a seta do carro e se o motorista está atrás de mim, ele tem que desviar pela direita.   
 
Notisul – Ainda no aspecto governamental, o que precisa ser melhorado em Tubarão?
Moacir – Primeiro, eu depositava muita confiança no prefeito, até mesmo por ser meu conterrâneo. Mas sinto que ficou refém das alianças que fez. Ele pode até ter vontade, pode querer, mas, infelizmente, tem que respeitar aqueles que o elegeram. Me lembro que foi contratada uma empresa para fazer um reordenamento da prefeitura, do modelo de gestão, e a coisa parece que continuou na mesma, porque mudaram os nomes, mas as figuras foram as mesmas. Então, não há choque de gestão, não há mudança de concepção se também a mentalidade das pessoas forem diferentes. Podemos falar de um monte de promessas de campanha que estão se materializando ou não foram materializadas e estamos em um ano eleitoral. Então, isso deixa dúvidas. Por que só agora? Por que ficamos atrelados tanto tempo? Vamos pegar um caso específico do ano passado. Quarenta dias de greve no magistério público municipal. Este ano, reajuste além do que estavam pedindo naquele período e tinha dinheiro. Sei que a máquina pública é difícil, principalmente quando a gente não governa sozinho, tem os compromissos, às vezes nossos discursos são rasgados ou se martiriza por ter que fazer aquilo em prol da governabilidade. 
 
Notisul – Já tivesse pretensão de entrar na política?
Moacir – Quando fui trabalhador, fui presidente de sindicato de professores e exerci comando em outras áreas. Já fiz política partidária em um trabalho técnico com um candidato ao senado, mas nunca tive pretensão de ser candidato. Tive uma experiência no poder público municipal que durou 53 dias, como gestor municipal na área de esporte, há 20 anos. Nesse período, eu disse não, não trabalho desse jeito. Fui professor da rede estadual por um ano. Quando chegou no fim, concluí que não era meu lugar e pedi exoneração do estado.
 
Notisul – Quais as áreas em Tubarão precisariam de mais investimentos?
Moacir – São duas. Uma é a educação, geradora da todas outras. Por exemplo, fui em um Centro de Educação Infantil. Não posso conceber que 12 crianças fiquem em uma sala de aula em um pequeno espaço, onde o pátio que brincam seja de brita e que a cozinha onde se alimentam fique ao lado de um banheiro. Quando falo em investir em educação, não pensem que é aumentar salários. O professor, na mesma medida que tem que ser aumentado, tem que ser cobrado. O segundo ponto é dotar as escolas de recursos para que as crianças permaneçam mais tempo e envolver a família. Há um tripé: família, escola e religião. Quando um desses três pilares falha, a situação fica difícil. Se trabalharem em conjunto, tudo melhora. Daí o índice de violência vai diminuir, se tiver complementação de estudos com atividades extras ocorrerá um combate à ociosidade, e assim vai. A educação bem feita, na questão da higiene, do meio ambiente, daí sim teremos progresso. A saúde é o segundo ponto, não somente na parte curativa, mas na preventiva, é a que dá menos gastos. Isto não é da noite para o dia, mas, se há uma política traçada, o resultado é positivo. Então, esses dois pontos trariam vários benefícios aos demais. E o terceiro, que é uma consequência, seria a empregabilidade. Quando você olhar o Caged, verá que tem muitas vagas em Tubarão, mas não há pessoas qualificadas. Então, a nossa política de empregabilidade está amarrada com outras coisas, como a educação e a saúde, por exemplo.
 
Notisul – Como você vê o futebol profissional hoje em Tubarão?
Moacir – O futebol em Tubarão tem uma solução. Um clube único e muito pé no chão. Não pensem que é um processo rápido. Essa história de dois clubes não funciona. As pessoas que comandam o futebol precisam se conscientizar de que não há espaço para dois clubes. Penso que aí sim o poder público vai poder ajudar para valorizar a autoestima da população da cidade, dando uma contribuição. Assim, teremos condições de falar em futebol. Vou apontar um caso. O de Florianópolis, onde existem duas equipes, mas é a capital do estado e comporta. 
 
Notisul – E os demais esportes em Tubarão, o que falta?
Moacir – Temos muitos talentos. Esse discurso que o esporte tira os jovens das drogas é muito bom para palanque. Já escutei várias vezes de candidatos. Depois que assumem, rasgam os seus discursos. O esporte bem feito gera negócio. E somente funciona na cidade aqueles em que o poder público não coloca a mão na organização. A Associação Tubaronense de karatê consegue resultados, a prefeitura repassa o recurso e se faz. Assim como a Associação Tubaronense de Natação, porque são entidades privadas que gerenciam e vem os recursos públicos. O ciclismo dá resultados porque a prefeitura repassa o dinheiro e o Giba Cicle faz a coisa acontecer. E como tantos outros. Quando o poder público coloca a mão por inteiro, a coisa não sai. Uma secretaria de esportes, se tivesse importância, não estaria atrás de um cinema abandonado. Ficaria em um lugar privilegiado, na estrutura organizacional da prefeitura.  
 
Notisul – Você participa com frequência de debate na Rádio Som Maior. E falam muito sobre lendas urbanas. Conte algumas. 
Moacir – Isso foi um levantamento de promessas que fizemos e eu tive o cuidado de pegar o plano de governo para ver alguns questionamentos, promessas de campanha dentro do planejamento e listamos em torno de 20 lendas urbanas,  apelidamos com este nome. Algumas: desassoreamento do Rio Tubarão, a macrodrenagem, a ponte de Congonhas, que é uma lenda de 20 anos, a UPA 24 horas, a reestruturação do Ginásio Otto Feuerschuette, a própria Arena Multiuso, a retirada dos trilhos da avenida Marcolino Martins Cabral. São lendas urbanas porque estão num rol de coisas a serem feitas, vão ficando em promessas. 
 
Moacir por Moacir
Deus – O nosso guia, seja de qual religião, ele é o caminho. 
Trabalho – É algo de muita responsabilidade, pois é a construção de nossos sonhos.
Família – É a base de tudo.
Passado – Foi difícil, mas me ensinou muito para o presente. 
Presente – Melhores momentos que a gente vive, com as pessoas que amamos, é colocar em prática o aprendizado do passado.
Futuro – Imaginar coisas melhores, fazer o bem e acreditar que as pessoas serão melhores.
 
"A duplicação da BR-101 é uma gozação para a sociedade catarinense. Uma novela mexicana que se arrasta e vai ser assim por um bom tempo. Falta vontade política. Não adianta a manifestação da imprensa, o que adianta é pressionarmos os nossos representantes. E lá em Brasília, Esses sim, os deputados que nos representam, é que devem ser cobrados. Tem uma rádio na cidade que repete uma campanha da Dilma fazendo a promessa que, se o presidente não terminar, nos primeiros seis meses eu termino. Já são um ano e seis meses e ninguém teve coragem de colocar essa gravação em uma reunião em cima da mesa. Não estão dizendo que agora é ela quem decide? Não entendo. No Rio Grande do Sul, a obra já terminou. Aqui em Santa Catarina, falta este trecho e ninguém dá a mínima. Eu sou crítico e as pessoas entendem como algo negativo. Contesto algo que, na minha concepção, está errado. Não há crítica do bem ou do mal, existe uma análise dos fatos na visão de quem está vendo porque entende que aquele processo não está correto. Hoje, para político, falar da BR-101 é tirar voto. Então, cria-se um novo fato. Agora é falar da Ferrovia Translitorânea, da rodovia Interpraias, isso vai dar voto. Por que falar da BR-101, de novo isso? Não dá em nada, por isso que político não fala mais".
 
"Um dos papéis da imprensa é estar instigando e cobrando para que os poderes façam sua parte".
 
"Quanto às bicicletas elétricas, se a legislação não estabelece, quem deve fazer isso é o município.”