Vitalino Barzotto, o Grizzo, é o técnico do Atlético Tubarão. Com bastante experiência nos gramados, com títulos importantes e passagens por times grandes como atleta, Grizzo faz do seu jeito tranquilo um trunfo para “ganhar” seus jogadores. Aos 49 anos, o gaúcho radicado em Santa Catarina tentará realizar o seu maior sonho como treinador: conseguir o acesso e, em seguida, o título do Catarinense 2012 pelo Atlético Tubarão. 

 

 
 
Cleber Latrônico
Tubarão
 
 
Notisul – Há exatamente um ano, você foi demitido do Hercílio Luz, no meio da Divisão Especial. Havia conquistado quatro vitórias e perdido três partidas. Você guarda alguma mágoa por isso?
Grizzo – Não. Nunca. Já que você fez essa pergunta, vou deixar claro: sou evangélico e o que eu aprendo eu tenho que praticar. E não ficar só na teoria. E a Bíblia ensina a amar o inimigo e, para se conseguir isso, é uma luta diária. Então, não tenho mágoa de ninguém, pelo contrário. 
 
Notisul – A religiosidade te ajuda no futebol?
Grizzo – Sim. Em qualquer profissão. Faz a gente se renovar e conseguir enfrentar as coisas e pessoas ruins. A pressão nesta profissão é muito grande! É um meio difícil! A pessoa fica sozinha. Então, admiro os técnicos vencedores. Sou evangélico desde 1994. Estou começando, e sei que foi Deus quem me trouxe para cá e tenho certeza que seremos bem sucedidos aqui. 
 
Notisul – Você é personagem de dois dos títulos mais importantes para o estado com equipes modestas na época: a Copa do Brasil, em 1991, pelo Criciúma, e a Série C do Campeonato Brasileiro pelo Avaí, em 1998. Essas experiências te ajudam como técnico? Você usa os títulos como referência com seus atletas?
Grizzo – Apesar de o Atlético Tubarão disputar uma Série B, esta é uma situação diferente das que passei. Hoje, nos colocam juntamente com outras três equipes, como favoritas. Mas foram experiências maravilhosas as que tive. E foram dois títulos inéditos. Somente e o meu grande amigo Altair fomos campeões brasileiros jogando por times catarinenses. Por isso escolhi Santa Catarina para começar, porque essas experiências me dão respaldo para trabalhar. E eu gosto muito de Tubarão, a cidade tem tudo para acordar! Tenho certeza que terá grandes momentos ainda no futebol e, mais certeza ainda aqui no Peixe. Uso essas experiências para motivar meus atletas. 
 
Notisul – Como é o Grizzo nas preleções (conversa com os jogadores no vestiário, antes dos jogos)?
Grizzo – Eu não costumo preparar discursos. Claro que nas partes técnica, tática e de posicionamento tem que ser metódico, eu estudo antes. Mas, na parte emocional, é o que o momento pede. Não sou de gritar muito, mas procuro pegar o jogador pelo emocional, tocar forte no caráter de cada um.
 
Notisul – Você acha que a cidade tem condições de ter e manter dois clubes profissionais?
Grizzo – Tem, sim. O futebol é tão apaixonante que, com certeza, tem. Imbituba, por exemplo, tem 48 mil habitantes e o time local subiu. Então, Tubarão tem o dobro da população de lá, fora os municípios que fazem parte da região, e que dá mais de 200 mil pessoas. O ideal seria um time só, mas acho que tem espaço para os dois sim. Hoje, se o time estiver em uma vitrine como a Série A, os patrocinadores apareceriam. Seria muito importante para a cidade. Estamos trabalhando para subir o Atlético Tubarão, isso é o que importa. O resto eu não me preocupo. Evito até saber coisas do adversário. Respeito-os, mas o foco tem que estar aqui.
 
Notisul – Na última quarta-feira, alguns atletas do time júnior do Peixe agrediram um radialista e foram punidos com a dispensa. Você chegou a conversar com eles?
Grizzo – Sim. Falei que a decisão de afastá-los partiu do nosso presidente. Eu contava com eles no profissional, mas eles erraram e têm que pagar pelo erro. Espero que eles tenham fé em Deus e coloquem a cabeça no lugar. Tomara que tenha servido de lição para suas vidas e que eles possam ser felizes em outro clube. São guris bons!
 
Notisul – Qual sua expectativa para os clássicos tubaronenses? 
Grizzo – Espero grandes jogos, com disputas sadias, dentro do campo e que possam fazer ressurgir os dias de glória do futebol tubaronense. Temos que encarar como adversários, e não como inimigos.
 
Notisul – Qual a sua opinião sobre a possibilidade de aumentar o número de equipes, de 10 para 12, na Divisão Principal do Estadual?
Grizzo – Eu acho que o estado comporta 12 clubes. Seria muito bom! Geraria empregos. E seria um perigo para os “grandes”. Só discordo que quem caia fique. Tantos clubes lutaram e investiram para não cair que seria injusto. Nada contra o Concórdia e o Imbituba, poderia ser com qualquer clube. Admiro muito Robertinho, que abdica muitas vezes de outras atividades para tocar o clube para frente, assim como Licão, que considero um abnegado. Os dois são raridades no meio.
 
Notisul – Como você define o seu método de trabalho?
Grizzo – Eu procuro a simplicidade e a humildade com personalidade. Procuro ser amigo de todos. Aqui, estou aprendendo a tomar decisões e não agir só com o coração. Aprendo com Licão. Taticamente, eu procuro trabalhar muito a posse de bola, a qualidade no passe e com muita marcação. Procuro trabalhar de acordo com o que os jogadores que tenho me oferecem. E hoje tenho um grupo de qualidade!
 
Notisul – O que mais te irrita no futebol?
Grizzo – Traição, falsidade, hipocrisia, soberba. 
 
Notisul – O que Grizzo pode prometer para a torcida do Peixe?
Grizzo – Posso prometer muito empenho e raça. Eu tenho o sonho de fazer o time do Peixe jogar um futebol que traga novamente a alegria para o estádio. Fazer um time que jogue rápido e com qualidade.
 
Notisul – Qual seu maior sonho no futebol? 
Grizzo – Hoje, é subir o Atlético e ser campeão catarinense por ele. A gente tem que ser grato a quem nos dá oportunidade. Esse é meu grande sonho. Não é no Flamengo e em nenhum outro clube, é aqui. Meu time de guri é o Grêmio, mas também gostaria de um dia treinar o Avaí.
 
Notisul – Qual era o segredo daquele time do Criciúma vencedor da Copa do Brasil em 1991? 
Grizzo – Muita humildade, união, estrutura e competência. Era uma equipe que reunia muitas qualidades. Sem falar de um grande técnico, que era o Felipão.
 
Notisul – Qual foi o melhor dirigente com quem você já trabalhou.
Grizzo – Licão, sem dúvida.
 
Notisul – Você inspira-se em algum treinador? 
Grizzo – Procuro ser autêntico. Não me inspiro em ninguém. Gosto de confiar na minha convicção. Agora, tem dois técnicos com quem trabalhei que tenho muita admiração. Chamam-se: Felipão e Levir Culpi.
 
Grizzo por Grizzo
Deus: Amor e justiça.
Família: Minha razão de viver.
Trabalho: Dignidade.
Passado: Infância com meus pais.
Presente: Atlético Tubarão. 
Futuro: Está nas mãos de Deus .
 
"Posso prometer muito empenho e raça. Eu tenho o sonho de fazer o time do Peixe jogar um futebol que traga novamente a alegria para o estádio. Fazer um time que jogue rápido e com qualidade. O clube, a torcida e o presidente (Licão) merecem".