Professor, Moacir Rabelo administra a prefeitura de Capivari de Baixo pela segunda vez e confirma que tentará a reeleição em outubro do próximo ano. “Meu projeto de governo é o que me credencia a me empolgar, embora com todas as dificuldades, a outro mandato. Não por ostentação e por obsessão do poder, mas por querer manter a regularidade de um projeto de construção da cidade”, define. Bastante articulado, Moacir fala um pouco das suas metas até o fim do próximo ano e faz uma autoavaliação de seu governo até aqui: “O povo está tão desacreditado da política que quando vê um governo honesto e transparente como o meu até se espanta”.

Zahyra Mattar
Capivari de Baixo

Notisul – É verdade a história que o senhor levou uma surra de mangueira de um eleitor?
Moacir –
(Risos) A mentira tem perna curta. Sempre digo isso. Sinceramente, tem muitas pessoas que perdem a oportunidade de ficar quietas. Esta história tomou proporções inesperadas e me senti caluniado e difamado. Realmente fui abordado por um ex-funcionário, demitido recentemente, e ele me desacatou verbalmente. Limitei-me a ouvi-lo, pois não bato boca com ninguém. Fiquei com pena dele, porque ele foi visivelmente manipulado a fazer aquilo. Quem colocou nas redes sociais estava acompanhando o fato naquele momento, porque a postagem, mentirosa e maldosa, foi praticamente instantânea. Eu acionei a justiça e todos os envolvidos estão sendo processados, inclusive as rádios que falaram isso em seus programas sem terem pelo menos checado a informação.

Notisul – Como você avalia o seu governo até este momento?
Moacir –
Assumi sem transição, então, tive dificuldades para iniciar meu projeto. A maneira como a prefeitura foi deixada também atrapalhou muito. A secretaria de obras, por exemplo, estava destruída, praticamente sem nenhuma máquina, equipamento ou veículo. Também herdamos algumas dívidas: R$ 3 milhões de INSS não recolhidos, R$ 1,5 milhão de empenhados a pagar e R$ 1,6 milhão de Pasep não recolhido. Todo este montante implicou em uma extensa renegociação e perda de receita. Isso dificulta muito para quem governa, mas nem por isso deixei de colocar em prática o meu projeto, com grande investimento na educação, na saúde e no social, o tripé que constrói a sociedade. Infelizmente, as políticas públicas não fazem tanto barulho quanto colocar máquina na rua. 

Notisul – Sempre que um grupo rival daquele que deixa o poder assume, surge esta mesma história da prefeitura estar em frangalhos. Como o senhor vê isso?
Moacir –
Sem sombra de dúvidas, gera um transtorno enorme para a população. Iniciar um governo de reconstrução é um retrocesso. A população deixa de ter acesso a serviços muitas vezes essenciais por causa de heranças. Em contrapartida, posso afirmar que não é o meu caso. Quando saí em 2008, tive o cuidado de deixar tudo em funcionamento. Muito diferente de como recebi a prefeitura em 2013.

Notisul – Até o dia 31 de dezembro de 2016, o que ainda será possível fazer em relação a obras e investimentos?
Moacir –
Face às dificuldades financeiras que passam todos os municípios brasileiros, em Capivari também registramos queda de receita e tivemos que enxugar a máquina. Só de ICMS, perdemos algo em torno de 30%. E isso tem reflexo direto sobre as políticas de desenvolvimento em andamento. Mas acredito que este um ano e meio que resta de governo será o momento de solidificar o tripé da educação, saúde e social, a marca que gere a minha administração. Até o próximo ano, iremos inaugurar a Unidade Básica de Saúde do bairro Santo André e iniciaremos o projeto de implantação da escola rural na Ilhotinha. Já assinei o contrato com a Caixa Econômica Federal e devo entregar em breve a ordem de serviço para a abertura de uma praça no Loteamento Camila e está em fase de construção o campo do Siderurgia, este com recursos exclusivos do município. Isto apenas para citar algumas pouca obras e projetos.

Notisul – A geração de emprego tem caído na região. Como está o município neste quesito?
Moacir –
Já vou até fazer um ‘merchan’! Teremos em breve a abertura de dois grandes empreendimentos em Capivari de Baixo: uma unidade da rede de supermercados Manentti e outra do Super Líder, que abrirá um espaço de atacado e varejo às margens da BR-101. Juntos, representarão um investimento superior a R$ 4 milhões na cidade, além da geração de pelo menos 200 empregos. A previsão é que inaugurem até o fim do ano.

Notisul – E a avenida das Nações Unidas?
Moacir –
Esta é uma herança desde quando Capivari de Baixo era bairro de Tubarão. Tenho um projeto para a reformulação total desta estrada, mas ainda não consegui captar a totalidade de recursos necessários, algo em torno de R$ 1,2 milhão. O projeto prevê um novo asfalto, rótulas, ciclofaixas e novas calçadas. Em questão de infraestrutura, esta é a principal reclamação da população. E com razão. Outro projeto nesta área é a entrada da cidade a partir da BR-101, onde tenho a ideia de fazer uma avenida de mão dupla.

Notisul – Alguns prefeitos da região já anunciaram que não concorrerão à reeleição por causa das dificuldades de administrar as cidades. Qual o seu projeto?
Moacir –
Embora a família peça para que eu saia da política, quando concorri em 2012 já foi com um projeto de oito anos de governo. Definitivamente, serei o candidato do PP em outubro de 2016. Por outro lado, sou sensível ao sentimento dos colegas prefeitos. Realmente, está difícil gerir uma cidade. Tem muitas prefeituras que sobrevivem apenas com a mixaria do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Mas eu fiz um projeto e mantenho lúcida a ideia e a vontade de dar seguimento. Inclusive, ouso dizer que a interrupção deste meu projeto terá consequências negativas na condução de tudo que alicercei para a construção da cidade dos sonhos, que é um lugar com mais qualidade de vida e com emprego.

Notisul – Como está a arrecadação do município hoje?
Moacir –
As pessoas ainda veem a Tractebel como um ganso dos ovos de outro, mas não é bem assim. Quem dera o ICMS da empresa ficasse todo aqui. Até de ouro eu pavimentada as ruas. Mas o estado devolve apenas uma parte. Hoje, a nossa arrecadação é fruto de ICMS, FPM e receitas próprias. Dá algo em torno de R$ 4 milhões por mês. O problema é que tivemos muitas perdas nos últimos anos. Um exemplo foi a retirada do IPI da linha branca. O governo federal paga de bonzinho, mas quem perde são as cidades, porque o IPI faz parte da composição do FPM. Então imagina a mixaria que recebemos quando cortaram o imposto. A maior preocupação, minha e certamente de todos os prefeitos, é o pagamento da folha. Tive que tomar medidas amargas e hoje estamos em 54%, no limite. Tenho uma terceirização em vista para baixar para 48% até o fim deste ano.

Notisul – O senhor não pensa em levar adiante o projeto da Ponte da Integração?
Moacir –
Realmente é um projeto muito bom. As pessoas são maldosas e acham que vou deixar de lado por ter sido concebido na gestão anterior. Pelo contrário, é inegável o benefício, mas infelizmente é uma obra que não depende de Tubarão e nem de Capivari. As prefeituras, hoje, não têm condições de fazer um obra de tamanha envergadura. Inicialmente, é previsto um orçamento mínimo de R$ 12 milhões e conseguir este dinheiro neste momento econômico é impossível.

"A saúde é minha menina dos olhos, mas o asfaltamento da avenida Nações Unidas é meu sonho dos sonhos".