Joares Ponticelli tem 45 anos e é professor. Ex-vereador em Tubarão (entre 1997 e 1999), sua carreira política está mais pautada em nível estadual. Ponticelli foi reeleito este ano para a quarta legislatura ininterrupta à casa. Em 2018, o deputado pretende seguir como legislador, mas na esfera federal. É nome certo do Partido Progressista a uma vaga em Brasília. E, se for levada em conta a crescente aceitação nas urnas, Ponticelli tem tudo para alcançar este objetivo. Ele é um dos candidatos com maior curva crescente no número de votos em Santa Catarina. Saiu das 24.557 confirmações em 1998, na primeira eleição ao legislativo, para 49.624 nesta. Considerado o maior opositor do governo do estado nos últimos quatro anos, Ponticelli garante que com Raimundo Colombo não irá virar a casaca, como dizem por aí. “A diferença é que não será o PMDB. Tenho mais afinidade com o Democratas e continuo na oposição, mas de forma próativa. Com o PMDB, sempre buscamos contribuir, o problema é que não deixavam. Raimundo disse que vai chamar a oposição para o debate saudável. Quer participação nos projetos. E é isso que buscamos nos últimos oito anos. Mas o PMDB nunca abriu espaço”, compara.

Zahyra Mattar
Tubarão

Notisul – Como você avalia a sua última eleição à assembleia?
Ponticelli
– A resposta das urnas consolidou o trabalho que desenvolvo há 12 anos. Naturalmente que fazer uma eleição há oito anos na oposição é muito mais difícil. Esta era uma preocupação e um desafio nesta campanha. Mas mostrei que tenho um projeto sólido e a população viu isso. Obtive mais de 49 mil votos, quase o dobro desde a minha primeira eleição, em 1998, quando fiz 24.557 votos. Este crescimento coroa um trabalho feito com ética, transparência, lealdade e, acima de tudo, honestidade. Neste pleito, especialmente com a Lei da Ficha Limpa, o eleitor passou a observar a vida pregressa dos políticos. E aqui em Tubarão este foi um fator decisivo. Tanto que teve gente que achou que ia, e não foi.

Notisul – O PP saiu deste pleito mais fortalecido ou enfraquecido?
Ponticelli
– Apesar de termos perdido o governo, mantivemos o mesmo número de deputados na assembleia: seis. Manter é menos ruim do que cair, mas não é o que queríamos. Acredito que isso ocorreu em função da incapacidade que tivemos de realizar uma coligação maior. As urnas mostraram, mais uma vez, que aquele que não tiver uma aliança forte e estruturada não leva. Tínhamos a candidata (Angela Amin), mas faltou a aliança.

Notisul – O senhor já disse que adotará um perfil de oposição mais moderado no governo de Colombo. Qual o motivo?
Ponticelli
– Quem vai governar o estado a partir de 2011 não será mais o PMDB, vai ser o Democratas, um partido que tem a mesma origem do PP. Temos uma relação histórica de fraternidade e respeito. Nos últimos oito anos, fomos parceiros no legislativo. Acredito na boa intenção do Raimundo. E ele pode acreditar na boa intenção do PP. Queremos uma oposição próativa. Inclusive, já disse isso a ele pessoalmente. Tenho conversado muito com Zé Nei (Ascari – também deputado estadual pelo DEM) e vamos atuar a quatro mãos. Nossa primeira ação já está até definida: vamos levar a Raimundo, logo depois da posse, a nossa lista de prioridades. São projetos e investimentos que a região merece e foram negados nos últimos oito anos. Vejo no Raimundo a chance de recuperarmos o tempo perdido.

Notisul – O senhor vai integrar o governo?
Ponticelli
– (Risos). A mente de alguns especuladores é muito pródiga. Nunca gerei qualquer perspectiva neste sentido. Nem eu, nem o PP fará qualquer tipo de encaminhamento neste sentido sem, antes, ouvir nossas bases, o que será feito a partir de novembro. Participar do governo hoje. Não acredito. No futuro? Não descarto. A gente fica velho e aprende a errar menos. Eu aprendi que não se faz bom governo sozinho.

Notisul – Os líderes tucanos dizem que um dos principais motivos para o candidato Carlos Stüpp ter perdido a eleição foram os ataques que você promoveu contra ele. O que acha disso?
Ponticelli
– Não acho nada. Isso é chororô de suplente. Se acham que eu falei alguma inverdade, deveriam ter buscado os meios cabíveis para me punir. Que fossem ao judiciário. Até ameaçaram, inclusive. Mas espero até hoje. O resto é puro chororô. Na verdade, eu não denegri a imagem dele. Nunca o ataquei. Apenas fiz alguns questionamentos. Perguntei em voz alta o que o povo fala nas ruas. A eleição passou e sobre o meu principal adversário as urnas encarregaram-se de falar. E eu estou explodindo de felicidade com o resultado das urnas.

Notisul – Quais os seus planos políticos daqui para frente?
Ponticelli
– Vou preparar-me e construir a candidatura à câmara federal. Mas, se eventualmente tiver outras oportunidades, especialmente de integrar a majoritária, não irei furtar-me de participar. Pelo contrário.

Notisul – E a campanha para a prefeitura de Tubarão, em 2012?
Ponticelli
– A decisão de sairmos na cabeça-de-chapa para o governo de Tubarão é irreversível. Há quase duas décadas, estamos como coadjuvantes, como carregadores do andor. E isso fez o partido perder força, não há como negar. Com todo o respeito que tenho ao PSDB, verdade seja dita: eles só ganharam as eleições em que estivemos juntos. Quando não estávamos coligados, eles perderam. Agora, é a nossa vez. Temos três candidatos naturais: o atual vice-prefeito Pepê Collaço e os vereadores Deka May e Dionísio Bressan Lemos. Não tenho preferência por nenhum deles. Meu candidato será aquele que reunir as melhores condições. E já coloquei isso de forma muito honesta para os três.

Notisul – Mas e se nenhum dos três quiser encarar este desafio?
Ponticelli
– Aí eu jogo meus planos da câmara federal para 2018 e venho para disputar a eleição à prefeitura. A preferência é deles, mas este plano B já está traçado e só reforça, de forma convicta, que o PP vai ter candidato à prefeitura em 2012. E será com ou sem o PSDB. Nosso partido hoje está leve. Saiu das eleições de 2008 forte e sem ranso. Não temos dificuldade para conversar com nenhum partido, nem com o PMDB.