A gaúcha de Erechim Lilian Zanin Guedes, de 54 anos, que reside em Tubarão há mais de 30, é coordenadora de cultura do município. Além de ser artista plástica e esposa de jornalista, tem uma filha, formada em design de moda, e destaca ter na família outros profissionais ligados à arte e às letras. Para ela, o que falta na população é aproveitar melhor o que poder público oferece atualmente em termos de entretenimento. Já trabalhou como secretária de turismo e cultura em Gravatal e na Cidade Azul atuou em outras administrações. Exerceu também o cargo de gerente de organização do lazer na secretaria de desenvolvimento regional, além de nunca deixar de lado a pintura, a escultura e outras habilidades artísticas. Em um futuro não muito distante, pretende expor suas telas, que trabalha no momento, voltadas à observação do movimento através da dança.
Silvana Lucas

Notisul – O que é feito atualmente no setor cultural para a população de Tubarão?
Lilian –
Como o setor de cultura ficou muito tempo parado, motivo que desconheço, acredito até que tenho um pouco de culpa pelo fato de ser artista plástica e não ter cobrado mais ações do governo neste sentido. Hoje, vejo que temos mais espaço que em outras épocas. Desenvolvemos a cultura em forma de organização e continuidade para o futuro. Trabalhamos as comunidades no sentido de capacitação, ao oportunizarmos a realização de programas culturais, como oficinas de violão, violino, técnica vocal, pintura em tela e desenho, em vários pontos do município. Nesta ação, atendemos este ano mais de 650 pessoas, quando alguns devem investir neste segmento. Estas atividades são gratuitas. O aluno precisa somente ter seu próprio material, o poder público oferece o professor e o local da aprendizagem. No Centro de Cultura Museu Willy Zumblick, oferecemos, além das exposições, visitações e outras atividades. Também realizamos semanalmente, de maio a novembro, o Happy Hour Cultural. Evento promovido todas as sextas-feiras, que oferece este espaço para o artista se apresentar e, assim, se firmar e trabalhar melhor a sua técnica. Neste ano, foram muitas oportunidades para a população neste local que, antes, já foi utilizado para outros fins, inclusive até para funerais. Lançamos o programa Arte no Ponto. Projeto destinado aos alunos que fazem as oficinas de teatro e depois se apresentam com pequenas peças em espaços públicos e também  existe mensalmente o Arte na Praça. Um momento de exposições de artesanato e atividades, em conjunto com o Sábado Dia D.

Notisul – O que é realizado no Centro de Cultura Museu Willy Zumblick?
Lilian –
Dentro funciona a biblioteca pública municipal, que registrou neste ano mais de 4 mil visitantes, a coordenação de cultura e algumas oficinas de violão, violino, técnica vocal, desenho e teatro. Temos o espaço Cineco, um projeto em parceria com uma empresa privada que proporcionou a estruturação de uma sala de cinema, com mais de 300 títulos, telões e outros equipamentos para um local que será fixo e gratuito. Em 2015, planejamos dar mais movimentação para o projeto. Divulgar melhor, fazer uma programação de mostras de filmes, enfim alguns ajustes para que mais pessoas tenham acesso.

Notisul – Quais os projetos para o próximo ano?
Lilian –
Em relação às artes plásticas, pelo fato de termos um museu com o nome do artista tubaronense Willy Zumblick e haver poucos destaques na pintura na região, queremos trabalhar melhor esta área que precisa ser resgatada. Vamos oferecer, certamente, uma oficina de grafite e entrar nas questões contemporâneas, que já ocorrem em outros centros de artes mais evoluídos.  Por outro lado, tentar trazer outros cursos, no sentido de motivar novos artistas e para melhorar as habilidades nas artes plásticas de quem já tem conhecimento. Hoje, constatamos que a arte em nossa região é uma das modalidades mais carentes. Em compensação, o destaque vai para os músicos. Na Cidade Azul existem cerca de 80 músicos que já conseguem viver desta arte. Há também os artesãos, que produzem materiais muito bons, alguns até exportam. Pretendemos trazer este pessoal para a praça. Trabalhamos neste ano para inserir a cidade no Sistema Nacional de Cultura. Participamos da Conferência Nacional de Cultural e temos a incumbência de criarmos um conselho municipal, fazermos um plano para garantir investimentos e apoios federais. Conseguimos pertencer a este grupo e trabalhamos agora nos segmentos locais. Ouvimos o pessoal da música, do teatro, das artes plásticas, do folclore e, em breve, estas equipes escolherão um representante para formarmos nosso conselho municipal.

Notisul – O que falta para a região culturalmente?
Lilian –
Na minha percepção, temos artistas. São pessoas com qualidades no folclore, na música, no teatro, enfim, o que falta é um envolvimento maior da comunidade. A população tem que aproveitar melhor o que ofertamos. Ouvimos com frequência muitos dizerem que nunca entraram no museu e, quando isso ocorre, ressaltam ser um local interessante e apreciável. Muitos alegam que não sabem da realização deste ou daquele evento. Hoje, tudo é bem dinâmico por meio da internet e das redes sociais em questões de divulgação, então o que realmente falta é o envolvimento da comunidade. Esquecer a questão partidária e se envolver com o artista. Porque quando trabalhamos, não perguntamos que partido os artistas são, pelo contrário. Abrigamos todos. Nossa intenção é de dar espaços, sem qualquer distinção.

Notisul – Quando finalizadas as obras de construção da Arena Multiuso, o que este espaço pode contribuir para a população na área cultural?
Lilian –
A realidade atual é que a Arena está praticamente pronta, mas falta equipar o local. Trabalho que ainda deverá demorar mais um tempo. Temos o conhecimento da necessidade de um teatro para a região e, com isto, fortaleceremos mais grupos. Inclusive agora poderemos trazer grandes eventos para Tubarão que, com certeza, serão realizados após a montagem de toda a estrutura. Com a viabilização do conselho de cultura local, muitos projetos vão aparecer para a arena, tenho certeza.

Notisul – Quais são as dificuldades atualmente para se promover a cultura no município?
Lilian –
A questão burocrática é um entrave. Neste ano, o projeto Rota da Música não ocorreu por este fator. Tínhamos um orçamento previsto, mas foram tantos os encaminhamentos. Nossa realidade é que somos um grupo pequeno para trabalharmos. Teríamos que ter pessoas mais envolvidas e capacitadas. Principalmente nas questões de elaboração de projetos. Porque não consigo realizar tudo sozinha. Nossa maior dificuldade hoje é de pessoal.

Notisul – Por que o museu Willy Zumblick é tão criticado pela população? E quais as limitações deste espaço?
Lilian –
Antes de eu estar aqui, também olhava este local diferente, no qual via que o museu era caído e deteriorado. A edificação foi construída há 12 anos e nunca passou por reparos. Acredito que nunca houve antes uma preocupação por parte do poder público em fazer pequenos reparos aos poucos. Hoje, o Centro de Cultura, na realidade não é um museu, existe somente como Centro Municipal de cultura Museu Willy Zumblick. Vamos ter que fazer todo o processo de reconhecimento. Mesmo com uma equipe de administração, não somos capacitados para este segmento. Temos que contratar um museólogo. Internamente, o local não está tão ruim como a parte externa, onde os azulejos são expostos e sofrem a ação da trepidação dos veículos que passam na avenida. Na questão da arquitetura do local, não temos atualmente como interferir no prédio.

Lilian por Lilian
Deus – Poder do Universo
Família – Base e a busca
Trabalho – Realização
Passado – Caminho para o futuro
Presente – Olhar o amanhã com outros olhares
Futuro – Esperança