Notisul – O senhor foi prefeito de Jaguaruna em 2001. Pretende voltar a concorrer a algum cargo público?
Claudemir Souza dos Santos – Se for uma unidade grande dentro do partido, sem maiores disputas internas, pretendo sim. Caso contrário, é um processo muito desgastante. Eu gostaria muito de um segundo mandato. Se negasse isto estaria mentindo. Pretenderia sair candidato em Jaguaruna, apesar de também manter residência e trabalhar na Cidade Azul. Já recebi muitos convites para atuar na política em Tubarão, mas existem muitos candidatos no PMDB e falta maior união entre os partidários. Nossa sigla está um pouco tumultuada, já esteve pior, e agora entra em uma nova fase de integração entre os membros do grupo. Há muitas lideranças definidas. Acho que precisamos ficar em nossa raiz, que no meu caso é em Jaguaruna.

Notisul – O que precisa ser realizado na cidade? 
Claudemir – Faltam mais investimentos em turismo. É necessário vender melhor nossa região, fazer com que a população tenha maiores oportunidades de emprego e, com isto, possa melhorar a sua renda. Isto quer dizer que precisamos atrair indústrias. A falta de empresas tem prejudicado o desenvolvimento. Como a cidade polo é Tubarão, há muita evasão da Cidade das Praias para o nosso vizinho. Se não gerarmos empregos, qualificar o turismo, Tubarão acaba dominando tudo. Também é fundamental para Jaguaruna existir uma parceria entre o poder público e a população. O povo precisa entender que o prefeito não é do partido, é de todos. Os jaguarunenses são muito divididos, é preciso maior união para melhorar nossa cidade.

Notisul – Qual a importância da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc)?
Claudemir – A Cidasc é a guardiã da agropecuária catarinense e atua para que doenças que comprometam a nossa produção não entrem no estado. Nossa missão é executar ações de sanidade animal e vegetal, preservar a saúde pública, promover o agronegócio e o desenvolvimento sustentável de Santa Catarina. Se não fosse o trabalho da Cidasc, em parceria com os agricultores, nosso estado estaria em uma situação muito difícil. O agronegócio representa muito para o produto interno bruto (PIB) catarinense. Nossa produção é de qualidade. Já avançamos muito, mas temos que ir mais longe. Somos referência para todo o Brasil como o único estado livre de aftosa. Não temos mais a peste suína clássica. Receberemos ainda neste semestre uma certificação da Organização Mundial da Saúde Animal. Estamos em fase de irradicação da brucelose e da turbeculose, e da anemia infecciosa equina. Na área vegetal também temos um grande trabalho. Somos livres hoje da Cydia pomodella, a mariposa-da-maçã. Nosso estado é o maior produtor brasileiro de maçã e a fruta está entre os sete maiores produtos vegetais exportados pelo estado em dólares. O que evidencia a importância econômica da proteção dos pomares catarinenses contras pragas. Realizamos também o levantamento e detecção do fungo Perenospora tabacina, o mofo azul, no qual mantemos o reconhecimento de área livre. Com este trabalho, alcançamos a abertura de exportação de fumo para a China, que atualmente representa o principal produto vegetal exportado. O trabalho da Cidasc é fundamental. Caso contrário estaríamos consumindo muitos produtos com grande quantidade de agrotóxicos, não teríamos esta grande fonte de renda para os catarinenses. 

Notisul – O governo do estado unificará a Cidasc e a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri)?
Claudemir –  Sempre existiu este comentário. A cada novo mandato de um governador isto vem à tona. Para mim, não vai ocorrer. Até porque cada uma tem sua função específica. À Cidasc cabe todo o papel de vigilância e fiscalização. A Epagri, o da difusão da tecnologia e da pesquisa. As duas empresas são muito importantes e trabalham integradas. Para você colocar todas as funções em uma só não é fácil. Existem questões de sigilo, burocráticas. Então, por que mexer no que está funcionando? O secretário que assumiu recentemente a secretaria de estado de agricultura e pesca, Moacir Sopelsa, já confirmou que não haverá junção.

Notisul – Qual o seu trabalho na realização do desassoreamento do Rio Tubarão?
Claudemir – Sou coordenador da comissão. Iniciamos neste trabalho porque a Cidasc sempre esteve envolvida com as dragagens. Mesmo não executando mais esta atividade, sentimos o dever de ajudar e participar deste projeto. Começamos a acompanhar o histórico de evolução das ações. Em conversas com os secretários que passaram pela secretaria de desenvolvimento regional (SDR) em Tubarão, entendemos que o governo deveria se envolver mais, não deixar somente para as associações. Decidimos, iniciativa nossa e da SDR, congregar todo o trabalho de esforços e passarmos a ser um grupo de 19 entidades, onde formamos uma comissão. Somos um grupo de acompanhamento dos projetos executivo e ambiental para a manutenção da calha do rio Tubarão. Representantes da Cidasc e do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) executaram um projeto, em 2009. Na verdade, um pré-projeto com uma batimetria, onde detectamos que seria necessário retirar seis milhões e 930 mil metros cúbicos de terra em uma faixa de mais de 29 quilômetros. Ao montar esta comissão, houve uma evolução grande na agilidade dos processos. Já realizamos 23 reuniões de acompanhamento, onde conseguimos a conclusão do projeto executivo. O que ocorre neste momento é que o projeto ambiental está na fase de ser exposto para a população em uma audiência pública, ainda a ser marcada até o início do próximo mês.  

Notisul – O que falta para a execução do projeto de desassoreamento?
Claudemir – O projeto executivo custou R$ 1.288,468,56 e o ambiental R$ 1.137.279,06, valores investidos pelo executivo catarinense. A extensão agora são 34 quilômetros, que seguem da Ponte Cavalcanti, em Tubarão, até os molhes em Laguna. Com isto, há uma abrangência de estrutura bem maior, fator que envolve muitas discussões ambientais. O volume a ser retirado é de 10,3 milhões de metros cúbicos e não vai ser mexido no centro da Cidade Azul porque pode haver problemas com as margens do rio. Ao desassorear em outras partes, a água escoa com maior rapidez também na área central do município. Após a audiência pública haverá um prazo de 30 dias para a Prosul, empresa responsável pela execução dos projetos, fazer as alterações necessárias. Depois de pronto, o governo do estado irá requisitar o dinheiro que Brasília disponibilizou para este trabalho. Os valores ainda não foram definidos porque deverá ser realizada a abertura de licitação para que as empresas possam concorrer. Já ocorreram conversas entre o governador Raimundo Colombo e a presidenta Dilma Russeff. Esta obra é muito complexa por envolver fauna, flora e ser de grande anseio da população.  

Perfil
Filho de uma família de pecuaristas de Jaguaruna, Claudemir Souza dos Santos, de 57 anos, cresceu na cidade, onde nasceu e somente saiu para estudar. É engenheiro agrônomo, formado pela Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Logo depois de diplomado, passou em um concurso para a Cidasc e, atualmente, é gerente regional em Tubarão, de onde comanda 25 municípios com 128 funcionários. Ele está em seu quinto mandato. Exerceu várias funções comunitárias e orgulha-se em falar que cada passo realizado foi com muito trabalho e naturalidade. Confessa nunca ter buscado outras oportunidades fora da região, pois optou em permanecer ao lado da esposa Marivone e dos filhos Mariana e Vinícius. Tem como sonho ver Jaguaruna mais valorizada.

Claudemir
por Claudemir
Deus – O maior soberano
Família – Alicerce sólido
Trabalho – Dignifica o homem
Passado – Aprendizado
Presente – Gratidão divina
Futuro – Colhemos o que plantamos