Olavio Falchetti (PT) é natural de Tubarão, filho de Delírio Falchetti e Aurora Dal Bó Falchetti, casado com Jane Dal Bó Falchetti, com que teve seis filhos, quatro homens (um já falecido) e duas mulheres. É proprietário da Pedreira Falchetti. Estudou nos colégios Henrique Fontes e Dehon, e em 1976 formou-se em engenharia pela Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc) e fez pós-graduação em engenharia de segurança na mesma universidade. Quando acadêmico, participava ativamente dos movimentos estudantis, foi inclusive diretor do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Em 2008, foi candidato pela primeira vez a prefeito de Tubarão, e dois anos depois a deputado estadual. No ano passado, lançou novamente a candidatura ao executivo e venceu as eleições com mais de 45% do votos, com mandato até 2016.

 

 

Eduardo Zabot
Tubarão
 
 
Notisul – Qual a avaliação dos 100 primeiros dias de governo?
Olavio – Positivo. Nós aumentamos muito a autoestima das pessoas, dos servidores e da população. Valorizamos a administração, estamos dando condições de aumentar a capacidade administrativa do município. Eu percebo isso nas ruas, pelas ações que já tomamos, as pessoas estão confiantes. Estamos conseguindo resgatar o patrimônio da prefeitura, que é de toda a população.
 
Notisul – O trabalho realizado pelos secretários é o ideal?
Olavio – Como havia falado em campanha, os secretários são técnicos, e isso facilita. Todos estão se saindo muito bem. Todas às terças-feiras nos reunidos, durante toda a manhã. Eu tenho relatórios semanais dos serviços, um secretário contribui com o outro, as secretarias se unem para atender às necessidades da população. Essa é a vantagem daquilo que eu falava de não ter coligação, os secretários são do povo, e não de partido A, B ou C. Eu cobro os trabalhos direto deles, não preciso falar com presidente de partido nenhum para me falar o que foi feito ou por que não foi feito.
 
Notisul – O que mais prejudicou o início dos trabalhos? Qual foi a maior dificuldade?
Olavio – Quando iniciamos, não tínhamos material de expediente, internet, gasolina para os veículos oficiais, a estrutura estava precária. E os contratos estavam com problemas, não podíamos renovar. Era preciso resolver questões urgentes, mas precisava licitar, e licitação demora. E por isso que faltaram medicamentos, papel de receituário nos postos, material de limpeza, faltava praticamente tudo. Sem falar nos equipamentos sucateados, que não tinham condições de atender os pedidos da população e as contas em atraso.
 
Notisul – O fato do prefeito ser empresário e estar no poder público pela primeira vez também dificultou?
Olavio – Senti bastante sim, eu vim da iniciativa privada, onde o que preciso fazer eu vou lá e resolvo. Aqui não, nós estamos mexendo com dinheiro público, a responsabilidade é bem maior e existe a tal da burocracia, eu diria até “burrocracia”, que atrapalha. Demora muito.
 
Notisul – O que vai mudar na nova licitação do transporte público?
Olavio – Essa licitação já sendo feita. Um dos itens é o programa Domingo Livre, uma proposta do plano de governo em que um domingo por mês o transporte será de graça em toda a cidade. Vamos melhorar a frota de veículos, os ônibus terão que respeitar horários e, principalmente, os abrigos de passageiros terão que ter condições para que a população possa esperar sem pegar chuva, sol, tem que ser adequado. Tudo isso será obrigação da empresa que vencer a licitação, e será exigido na licitação. Nós vamos cobrar, fiscalizar muito para que o cidadão seja bem atendido.
 
Notisul – Quando começa o projeto Prefeitura nos Bairros? 
Olavio – Neste mês, na segunda quinzena, já vamos iniciar o projeto, provavelmente no bairro Sertão dos Corrêa, Linha Mesquita, toda aquela comunidade. Esse projeto é para ouvir a população, conversar, saber a verdadeira necessidade além das situações normais do dia a dia. O funcionamento do projeto ainda é discutido. Todos os secretários estarão presentes, vamos criar uma estrutura para que cada secretário possa atender grupos de pessoas da comunidade no dia determinado.
 
Notisul – Como será e quando será implantada a prestação de contas para a população?
Olavio – Vamos colocar em prática ainda este ano, já estamos vendo um portal eletrônico para colocar em local bem visível a todos, pode ser na Praça 7 ou no Calçadão. Estamos licitando esse portal e também a publicidade através de outdoors. Mas no site da prefeitura, no portal da transparência, é possível verificar isso tudo.
 
Notisul – Quais secretarias vão mudar de endereço e por quê?
Olavio – Vamos concentrar quatro secretarias em um local só, será às margens da BR-101, na antiga empresa de Hankook. Vão ficar lá as secretarias de educação, segurança e patrimônio, esporte, cultura e turismo, e infraestrutura. Com isso, nós vamos diminuir sensivelmente os custos de aluguel. O espaço é amplo e também será alugado, mas vamos economizar muito. E também teremos um local para sempre cuidar dos equipamentos, a nossa intenção é construir uma ou duas bombas de combustíveis, isso vai nos possibilitar controlar melhor o abastecimento e economizar também.
 
Notisul – O horário de atendimento da prefeitura voltará a ser feito em dois turnos?
Olavio – Por enquanto, vamos manter como está determinado, das 13 às 19 horas, mas estamos estudando, discutindo com os secretários. Até o momento, o horário está sendo bom para uma série de experiências, como economia, cumprimento e controle de entrada e saída dos servidores. Mesmo assim, a Central do Cidadão, os postos, Guarda Municipal, os serviços essenciais funcionam normalmente.
 
Notisul – Como está o andamento das negociações para cessão ao município do terreno para o condomínio industrial?
Olavio – Já conversamos com a diretoria da Tractebel Energia, eles já nos enviaram a minuta da cessão do terreno e nós estamos fazendo alguns reparos, umas reivindicações, porque precisamos inclusive cumprir a lei do meio ambiente, de recuperar área, já que o local era um depósito de cinzas. Para recuperar, gera um custo muito alto e contratamos uma empresa para fazer uma avaliação de como e quanto será para recuperar essa área, e tudo isso tem que discutir com a Tractebel, para ver de quem será a responsabilidade.
 
Notisul – E a macrodrenagem?
Olavio – Estávamos perdendo a estação elevatória da macrodrenagem por falta de comprometimento, perdemos a microdrenagem porque o dinheiro foi utilizado em outras obras e agora estamos discutindo essas questões com a empresa e a Caixa Econômica. Semana passada, tivemos reuniões para detalhar ainda mais e quem sabe já continuar a obra para acabar com a incomodação para aquela comunidade.
 
Notisul – As obras da UPA 24 horas serão retomadas?
Olavio – Estamos buscando convênio com o governo federal para ter economia, a contrapartida da prefeitura é muito alta. Com o governo federal, nós temos a garantia da manutenção, que é o principal. Não podemos colocar em funcionamento sem condições de manter, são questões de conversar que estão sendo feitas e quero em breve retomar a obra.
 
Notisul – Outra obra esperada é Arena Multiuso. Vai terminar?
Olavio – A arena é outro caso semelhante, nós já conversamos com o proprietário da empresa e eles estão estudando junto com o governo do estado a possibilidade de diminuir a contrapartida da prefeitura para continuarmos a construção. Quero falar também que nós estamos cobrando o valor do ISS, que está sendo calculado, e nunca foi cobrado.
 
Notisul – Mas essas obras – arena, Unidade de Prontoatendimento 24 Horas e macrodrenagem – serão retomadas ainda este ano?
Olavio – Sim, claro. Não pode passar de maio. Dinheiro público é sagrado e nós podemos jogar fora. São obras iniciadas e que não podem ficar mais paradas, são estruturas para atender a população e nós não podemos deixar isso parado.
 
Notisul – Como está o planejamento para a Ponte da Integração, na divisa com Capivari de Baixo?
Olavio – Existe um projeto, mas é um documento falho, que não diz nada, não tem orçamento, memorial descritivo, sem nada. Pagaram um projeto que está ali e não serve para nada. Nós vamos utilizar o mesmo projeto, mas estamos cobrando da empresa que fez para que diga onde está, porque tem algumas folhas e mais nada, o principal não tem.
 
Notisul – Uma terceira ponte no centro de Tubarão é viável?
Olavio – É sim, nós estamos bastante comprometidos com esse projeto, porque vamos melhorar o trânsito da cidade. Mas precisamos estudar bem, quero que os nossos engenheiros façam um estudo de mobilidade urbana, e também queremos contratar uma empresa especializada, onde um engenheiro de tráfego venha nos dar uma solução para melhorar a circulação de veículos.
 
Notisul – O projeto de acesso ao bairro São Martinho direto com a BR-101 vai ser levado adiante?
Olavio – O projeto já existe e os próprios donos dos terrenos também têm interesse que essa alternativa da SC-438 (hoje SC-370) saia do papel. Porque a intenção é desafogar o trânsito central da cidade. Nós já conversamos com o vice-governador Eduardo Moreira, com o governador Raimundo Colombo, e falamos da nossa intenção da viabilidade para esta obra. É importante, fundamental para todos, inclusive os moradores do Vale do Braço do Norte.
 
Notisul – A retirada dos trilhos para ampliação da avenida Marcolino Martins Cabral será feita?
Olavio – O Dnit está nos mandando tudo o que realmente ocorreu para que nós possamos tomar as providências necessárias. E vamos retirar os trilhos para aumentar a mobilidade urbana da cidade, assim como vamos retirar também o paredão dos Correios, bem no centro da cidade. Existe uma atualização do projeto dos trilhos que precisa ser atualizado pela ferrovia e isso já deve estar sendo entregue à procuradoria.
 
Notisul – O que a prefeitura espera da arrecadação? O dinheiro será para pagar as dívidas?
Olavio – Sobre a arrecadação, nós estamos muito contentes, aliás, eu tenho que agradecer a população, que entendeu a situação da prefeitura e já realizou o pagamento do IPTU. A primeira etapa passou de R$ 9 milhões e isso é muito bom. E as dívidas nós estamos escalonando, ou seja, usamos esses recursos para obras, necessidades da prefeitura e também o pagamento das dívidas do passado. Temos uma relação e a cada mês efetuamos o pagamento.
 
Notisul – Quanto de ISS será gerado pelas obras do Morro do Formigão? E onde será aplicado?
Olavio – Precisamos saber ainda o valor exato, a cobrança gera normalmente 2%, mas temos que confirmar. O certo é que vamos aplicar em contrapartida de obras para o município. Só de projetos de pavimentação e drenagens que encaminhamos em Brasília, são R$ 22 milhões. São obras necessárias e precisamos de contrapartida.
 
Notisul – O que realmente falta para a conclusão do Centro de Controle de Zoonoses?
Olavio – Já temos uma pessoa responsável pelo centro e a empresa recebeu o projeto da instalação do filtro anaeróbio, do esgoto, para que tudo seja feito respeitando os animais e o meio ambiente, e a população também. Ainda não é como nós queremos, mas vamos melhorar e deixar ideal para o destino que tem. Aliás, essa empresa tem obrigação de fazer, porque já está tudo pago.
 
Notisul – Qual a dificuldade para ativar definitivamente o Estacionamento Fácil?
Olavio – Estamos fiscalizando a empresa, mas não está como a gente gostaria que funcionasse. Vamos chamar a empresa novamente e conversar. Nós, da prefeitura, não estamos contentes e nem a população. Vai ter que mudar.
 
Notisul – A população tem reclamado da ausência de guardas municipais pela cidade. Isso será resolvido?
Olavio – Já temos conhecimento de alguns problemas internos. Eu agora não posso falar, mas vamos tomar atitudes que vão melhorar o atendimento à população por parte dos guardas e o respeito deles como servidores públicos que são.
 
Notisul – As certidões negativas de débito ainda são empecilhos?
Olavio – Sim, estamos resolvendo aos poucos, porque são várias, FGTS, INSS, enfim  muitas e nem todas por falta de pagamento, existem muitas negativas que haviam prestação de informações e de contas. Hoje, a prefeitura está em débito com o governo federal e com o fundo de garantia devido a estas negativas.
 
Notisul – E a Ponte de Congonhas vai sair?
Olavio – Vai, mas precisa de um projeto completo. Já conversamos com o secretário regional, Haroldo Silva, o Dura, com o prefeito de Jaguaruna, Luiz Napoli, e essa ponte precisa de um novo projeto. O projeto que tinha estava mal gerenciado , sem detalhes de orçamento, memorial descritivo, ou seja, deu margem para muitos aditivos sem a conclusão da obra. O interesse é maior é nosso.
 
Notisul – O senhor pretende ser presidente da Amurel?
Olavio – Não, não tem tempo para isso. A administração daqui é muito complicada, tem muita coisa para se resolver na cidade. A administração é caótica, administrativamente nós encontramos em péssimas condições.
 
Notisul – Como está o relacionamento com os vereadores?
Olavio – Por enquanto, está tudo bem, não tem problema. Basta levar projetos bons para a população. O meu foco e o foco dos vereadores é melhorar a qualidade de vida da população, então, não tem por que não dar certo. 
 
Notisul – Qual a prioridade daqui para frente?
Olavio – Vamos fazer um planejamento estratégico para quatro, dez e 20 anos. Tem muita novidade daqui para frente e não depende só desta administração, eu vou iniciar, mas os próximos gestores vão ter que continuar.
 
Notisul – Isso quer dizer que não tentará a reeleição em 2016?
Olavio – Sou contra a reeleição. Mas é cedo para pensar, até porque dizer hoje que não quero, não vou, posso morder a língua. Mas penso que precisa acabar com a reeleição, uma reforma política deve ser feita para acabar com eleição de dois em dois anos, o sistema para. No ano que vem, já vai atrapalhar muitas coisas, tem que ser cinco anos para todos, uma eleição só. Acabar com coligação, com estabilidade do servidor público.
 
Olavio por Olavio
Deus – Causa primeira de todas as coisas.
Família – Amor.
Trabalho – Dignidade.
Passado – É o nosso futuro.
Presente – É a vida.
Futuro – É a semeadura de hoje.
 
"Nós estamos mudando, é preciso retomar o patrimônio público, 
vamos sempre conversar, 
fiscalizar e encontrar solução".
 
"Os nossos secretários são técnicos 
e devem explicação para a população. 
Eu cobro isso. Não é o partido que 
fala por eles, essa é a diferença”.
 
"Eu não estou reclamando, só estou dizendo para o meu patrão, que é o eleitor, a população de Tubarão. a realidade dos fatos. Não é choro, eu tenho por obrigação dizer o que está acontecendo na prefeitura. Eu não vou e não devo esconder absolutamente nada"