Rafael Andrade
Tubarão

Notisul – Qual a sua visão a respeito da criminalidade em Tubarão?
Carlos Diego Araújo
– As estatísticas comprovam que a criminalidade em Tubarão aumentou muito, principalmente devido à maior incidência do tráfico de drogas. Temos que trabalhar cada vez mais e investir em segurança para que possamos controlar, reprimir e não deixar que a situação entre em colapso.

Notisul – Qual o papel da Polícia Civil dentro da sociedade?
Carlos Diego Araújo
– Investigar os crimes, prevenir e combater as infrações e tudo que desvirtue das leis. A participação da polícia é essencial na sociedade, sendo assim, deve ser mais valorizada.

Notisul – Qual a sua opinião em relação às políticas públicas na área de segurança?
Carlos Diego Araújo
– Há uma falta de prioridade dos órgãos governamentais. Os principais problemas sociais são a saúde e a segurança. Apesar ter melhorado nos últimos anos o segundo quesito, temos ainda pouca estrutura, comparado a outros países, e está muito abaixo do que a população precisa.

Notisul – O que falta para que tenhamos uma boa estrutura?
Carlos Diego Araújo
– Recursos humanos e materiais. O que mais afeta é a falta de policiais e investigadores. Isto não é carência somente de Tubarão, mas é uma realidade em todo o Brasil. Portanto, é necessário haver incremento no efetivo em todo o cenário nacional e melhorias nos salários dos agentes.

Notisul – Qual a relação da Polícia Civil com a comunidade?
Carlos Diego Araújo
– Hoje, precisamos mais da população que ela de nós. As denúncias, anônimas ou não, através do telefone 197, feitas pela comunidade é o que de melhor ocorre hoje e beneficiam o trabalho da Polícia Civil e ao mesmo tempo o bem-estar do cidadão, tirando das ruas os criminosos. É um trabalho conjunto e nós, da Central de Polícia, só temos que agradecer. Hoje (última quarta-feira) mesmo, prendemos quatro traficantes através de uma denúncia anônima. Temos também o apoio da Central de Operações Policiais (COP), brilhantemente coordenada pelo delegado Marcos Ghizoni, auxiliado pelo delegado Bruno Ricardo Vaz Marinho, e os profissionais mais que preparados do Pelotão de Policiamento Tático (PPT) da Polícia Militar, que nos auxiliam muito nas diligências.

Notisul – Quais são os pontos mais críticos quando se fala em criminalidade em Tubarão?
Carlos Diego Araújo
– Alguns setores do bairro Morrotes; a comunidade do Jardim Floresta ou Área Verde, no bairro Passagem; o Morro do Bem Bom na comunidade da Vila Padre Itamar no bairro São João; o Beco da Valdete, no bairro Fábio Silva; e outros mais retirados do perímetro urbano, como a Grota no bairro São Martinho e a Cohab, no bairro Guarda margem esquerda. Em todos estes locais, há predomínio do tráfico de drogas, que resulta em outros tipos de crimes, como furtos, roubos e até homicídios.

Notisul – O senhor falou em homicídios. Em todo o ano passado, foram registrados dez casos. Este ano já foram 11 em menos de seis meses. O que a população pode esperar daqui para frente do trabalho da polícia em relação a este tipo de crime hediondo?
Carlos Diego Araújo
– Em relação a desvendar esses crimes, a população está muito bem representada. Quanto à prevenção, precisamos urgentemente de uma equipe especializada ao narcotráfico, pois 80% dos homicídios registrados em Tubarão são relacionados ao tráfico de drogas. Infelizmente, é uma realidade que preocupa os tubaronenses.

Notisul – Qual é a principal droga comercializada em Tubarão e nas outras regiões do Brasil?
Carlos Diego Araújo
– Nos dias de hoje, a principal droga é o crack. A pessoa fica totalmente dependente e faz qualquer coisa para usar este entorpecente. Além de viciar muito rápido e destruir famílias por completo, o crack mata vários inocentes e viciados no país.

Notisul – Como é a relação de trabalho da Polícia Civil com a Polícia Militar aqui em Tubarão?
Carlos Diego Araújo
– Ótima. Pelo menos neste período em que estou na cidade. Estamos intensificando as reuniões com o comando da PM, com participação comunitária. Nestes encontros, a discussão é muito proveitosa e produtiva, principalmente na criação de ações preventivas.

Notisul – O estado e o município fazem a sua parte na área de segurança, conforme prevê a Constituição Federal de 1988?
Carlos Diego Araújo
– O estado tenta, mas deixa muito a desejar. Poderia investir mais em efetivo. Já o município, pelo menos aqui em Tubarão, participa bem com o convênio de trânsito com a Guarda Municipal, que não pode nos auxiliar de forma mais rígida contra os criminosos porque ainda não utiliza armas, mas nos propicia um bom suporte. Toda ajuda é bem-vinda.

Notisul – Durante estes três meses na cidade, o que mais lhe chamou a atenção?
Carlos Diego Araújo
– Com certeza, foi esta cadeia de homicídios que ocorre em Tubarão. Muito é culpa do aumento assustador do tráfico de drogas na cidade, que é fator preocupante.

Notisul – A Constituição Federal de 1998 precisa ser readequada pelos nossos políticos?
Carlos Diego Araújo
– A Constituição Federal (CF) foi promulgada em um momento ímpar de nossa história, onde as confissões saíam dos porões da ditadura. Ela é maravilhosa e é a mais avançada do mundo em direitos humanos. Mas foi feita para presos políticos, o que justifica as excessivas garantias materiais e processuais. No entanto, nossa realidade fatídica hoje é outra. Criminosos ‘profissionais’ têm se aproveitado destas garantias para sair impunes. Acho que a CF deveria passar por uma reforma ou uma mutação, que seria uma mudança na interpretação de algumas normas para se adequar a nossa realidade social contemporânea, buscando uma melhor efetivação do direito penal.