Osny Souza Filho
Osny Souza Filho

Amanda Mneger
Imbituba

Notisul – Qual a sua avaliação em relação à coligação que o senhor é o cabeça-de-chapa?
Osny
– Nós fizemos a coligação em função de um projeto, não em função de nomes ou cargos. Levamos praticamente nove meses discutindo a coligação e o que queríamos para Imbituba. Eu diria que esta é a coligação dos sonhos. Desde que eu entrei na vida pública, queria fazer uma coligação com partidos de esquerda. Partidos que realmente queiram implantar políticas públicas para a população, porque são os mais pobres que necessitam destas políticas. Pela primeira vez, conseguimos também unir o governo estadual, porque eu sou filiado ao PMDB, e o governo federal, pois o vice, Rosenvaldo da Silva Júnior, é do PT. Temos também o apoio do PDT, que faz parte da base aliada dos dois governos. Ainda fazem parte da coligação PTB, PV e PRTB.

Notisul – Quais os projetos estão englobados em seu programa de governo?
Osny
– Focamos a nossa proposta na geração de emprego. Recentemente, várias empresas fecharam, como a Ipil, o supermercado Impetratriz, a cerâmica Gisele levou uma unidade para Criciúma. Não queremos que os moradores precisem deslocar-se para trabalhar em outras cidades. Em 2004, quando era prefeito, consegui com o governo do estado 49 lotes industriais que foram repassados ao município e, infelizmente, nada foi feito. O relatório de impacto ambiental foi solicitado só em outubro do ano passado. Já nos seis primeiros meses do governo, queremos levar a infra-estrutura, com pavimentação de ruas, energia elétrica, água e construir quatro galpões com mais de dois mil metros quadrados para que as empresas possam instalar-se. Queremos formar uma espécie de incubadora empresarial. Essas empresas ficariam em torno de cinco anos ali e depois, quando estivessem estruturadas, cederiam lugar para outras que estivessem começando.

Notisul – Em sua visão, qual a maior necessidade de Imbituba?
Osny
– A geração de empregos. Nunca se sentiu tanto o imbitubense preocupado com o desemprego. A Indústria Cerâmica Imbituba está passando por dificuldades, são 297 vagas em risco. Queremos a cerâmica funcionando. É preciso tomar medidas para evitar que estes postos de trabalhos sejam fechados.

Notisul – Como o senhor avalia os investimentos feitos pelo governo federal na cidade? E os do governo estadual?
Osny
– O governo do estado tem sido parceiro de Imbituba. Eu tive oportunidade de trabalhar com o governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) e aprendi muito com ele, com a sua forma de administrar por meio da descentralização. Eu diria até que Luiz Henrique, com estas parcerias, tem sido prefeito de Imbituba. Ele trouxe muitas obras para a cidade, isso que o prefeito não é do mesmo partido. O governador não discrimina prefeito nenhum. As obras que surgiram nos últimos três anos foram do governo estadual. Da mesma forma, o presidente Lula (PT). O governo federal está fazendo a retificação dos molhes no porto, se não tivesse feito isso a Santos, Brasil não teria vindo para Imbituba. Empresa nenhuma iria investir em um porto que poderia parar a qualquer momento. O terminal urbano e a sinalização das praias têm recursos federais. Essas parcerias devem aumentar ainda mais com o próximo governo, porque o PMDB e o PT estão unidos na cidade.

Notisul – A pesca e o turismo estão entre as principais fontes econômicas de Imbituba. Como desenvolver estas áreas?
Osny
– Eu trabalhei muito para desenvolver o turismo em Imbituba. Quando assumi a prefeitura, recriamos a Festa do Camarão, criamos a Semana Nacional da Baleia Franca e hoje o município é a capital nacional da Baleia Franca. Fizemos campeonatos nacionais de windsurf, trouxemos etapas do WCT para a cidade, o triatlon, o Carnaval de rua. Isso significa divulgar Imbituba nacional e internacionalmente e precisamos fazer mais isso. Deus foi generoso com Imbituba: temos 33 quilômetros de belas praias. Precisamos de um calendário de eventos anual, não adianta trazer turistas somente no verão. Temos que buscar parcerias com os hoteleiros, com a Santur, Embratur, para trazer cada vez mais turistas. Em relação à pesca, temos que manter o pescador em suas comunidades, oferecer oportunidades para isso. Quando fui prefeito, ajudamos aos pescadores de Itapirubá com tratores para puxar os barcos de volta à praia. Precisamos ser parceiros também dos pescadores e dos agricultores no interior do município.

Notisul – Qual a expectativa de futuro para o porto de Imbituba?
Osny
– Tem uma expectativa muito grande. Queremos ser parceiros do porto, até porque temos a possibilidade de contar com a ajuda dos governos estadual e federal por sermos vinculados ao PMDB e o PT. Todas as vezes que fomos a Brasília, ao Rio de Janeiro ou a Florianópolis não foi para buscar recursos ou negócios para as nossas empresas, e sim para a cidade e, consequentemente, também para o porto. A prefeitura será parceria do porto no que for preciso.

Notisul – A Praia do Rosa foi eleita uma das mais belas baías do mundo. O que isso representa para o município?
Osny
– Esta eleição ocorreu em 2003, quando eu era prefeito. Desde que assumimos, procuramos fazer parcerias com os empresários da Praia do Rosa. Um exemplo é a Semana Nacional da Baleia Franca e isso deu visibilidade nacional e internacional para o Rosa. Não nos pegou de surpresa que a Praia do Rosa fosse escolhida como uma das mais belas baías do mundo. Isso muitos nos orgulhou, por saber que, de alguma forma, nós contribuímos para que isto tivesse acontecido.

Notisul – É possível fazer uma avaliação positiva da atual administração?
Osny
– Quem vai fazer uma avaliação positiva ou negativa é a população, no dia 5 de outubro. Seria muito difícil eu, como candidato, fazer uma avaliação positiva da atual administração. São muitos erros. Imbituba não vive um bom momento em diversos setores da economia. A cidade não tem hoje saúde e educação de qualidade. Vivemos o pior momento de desemprego. Não teria como fazer uma avaliação positiva. A sorte é que tivemos investimentos dos governos do estado e federal, porque, se dependêssemos só do município, não teríamos obra nenhuma. As que estão sendo feitas agora, em pleno período eleitoral, fazem parte de um financiamento do Badesc no valor de R$ 2,5 milhões, que será pago pelo próximo administrador.

Notisul – Se o senhor não for eleito, que rumos seguirá profissionalmente? Continuará na política?
Osny
– Quando entrei na política, continuei com as minhas atividades profissionais. Sou engenheiro e também barachel em direito. Para estar na política, é preciso gostar dela. Eu estou focado no momento na campanha, mostrando aos imbitubenses as propostas, o plano de governo. Independente do resultado das urnas, vou continuar com as minhas atividades de engenheiro e empresário. Não vivo da política. Vou continuar militando no PMDB, meu primeiro e único partido.