Zahyra Mattar
Tubarão

Notisul – Este embate tão direto com o pré-candidato Carlos Stüpp (PSDB) é por quê? O que houve entre vocês? Por quê brigaram?
Ponticelli
– Eu não gosto de pessoas que não têm palavra, que não honram compromissos. E ele, no primeiro momento que teve para mostrar os seus princípios, deu para trás. Em 2000, quando coligamos com ele nas eleições municipais, e isso foi feito dentro do apartamento dele, estava eu, ele e Leodegar Tiscoski, ele nos prometeu apoio (Ponticelli à assembleia e Tiscoski à câmara federal) nas eleições de 2002. Muito bem. Quando chegou 2002, ele lançou sargento batista (João Batista de Andrade, hoje presidente da câmara) como candidato a deputado federal.

Notisul – Mas ele apoiou você e o candidato Esperidião Amin em 2002, não foi?
Ponticelli
– Apoiou e na época disse que não tinha mais idade para trocar de amigos. Quatro anos depois, já reeleito e quatro anos mais velho, ele trocou de amigos. Deixou de apoiar Amin e subiu no palanque com Luiz Henrique (PMDB), deixou de me apoiar e lançou Manoel (Bertoncini, prefeito de Tubarão) e, o que é pior, usou a estrutura da prefeitura para chantagear, ameaçar e intimidar membros do meu partido. Traiu o PP descaradamente em 2006. Perdi a confiança totalmente. Em 2008, lutei muito para termos uma candidatura municipal própria. Não tive força suficiente e o partido compôs com Manoel, acreditando na pessoa e na palavra do hoje prefeito Manoel Bertoncini. Com Stüpp, eu já tive provas suficientes para não me iludir mais. Ele não cumpre a palavra. Não tem a prática de cumprir a palavra. E aí os vários ex-amigos deles podem descrever isso. Ele troca de amigos conforme a sua conveniência, como fez com Leodegar em 2002, comigo e com Amin em 2006 e, nesta semana, na Rádio Santa Catarina, deu sinais que pode deixar Manoel ao relento na primeira dificuldade. Ele é totalmente desapegado de compromissos e de amizades e de lealdade.

Notisul – O senhor aprova o governo do Manoel?
Ponticelli
– Acredito na boa intenção do Manoel. O problema é que ele ainda não conseguiu mudar a cara do governo, que continua com a cara do Stüpp. E é uma cara que não está agradando a cidade. Mesmo assim, eu torço, e falo isso com toda a sinceridade, pelo Manoel. Stüpp tinha e tem a marca e prática de aparecer na época de campanha e posar de bom moço, fazer um bom discurso de conciliador, de propositivo. Quando passa a eleição, ele se interna nos cassinos novamente, sem dar a resposta que a comunidade espera. Acho que o povo tubaronense aprendeu a conhecê-lo, a ver o quanto a cidade deixou de crescer durante o seu governo. Quando Genésio (Goulart, atual deputado estadual pelo PMDB) deixou o governo, Tubarão tinha um homicídio por ano. Hoje, tem 22. Isso não é falha do Manoel, é falha das políticas sociais do município, que há dez anos são comandadas pela mulher do ex-prefeito (refere-se a Vera Stüpp, atual secretária de assistência social).

Notisul – Ele diz que você o ataca por problemas pessoais e não políticos. É verdade?
Ponticelli
– Ele que não venha com essa desculpa de que estou no ataque pessoal. Não o ataco no campo pessoal quando, por exemplo, pergunto, para onde foi o dinheiro dos trilhos da avenida Marcolino Martins Cabral ou por que ele teve seis das oito contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). E não me venha dizer que a culpa foi do Genésio, que entregou a prefeitura com déficit orçamentário porque todas as contas do deputado foram aprovadas.

Notisul – Você acha que a mudança na câmara foi por conta disso, para ele ter as contas aprovadas?
Ponticelli
– Se não foi, alguém me dê uma explicação plausível. Claro que foi por isso que ele mandou sua tropa de choque para a câmara. Para trair os vereadores Deka (May – PP) e Dionísio (Bressan Lemos – PP). Para fazer aquela negociata toda. Quer rever a decisão do TCE a qualquer custo. Ele tem é que responder como foi o único prefeito na história desta cidade a entrar na prefeitura pobre e sair rico. Ele saiu da prefeitura e não precisou mais trabalhar. Ninguém sabe por onde andou, ninguém sabe quem mantém o padrão de vida tão elevado para quem não tem, oficialmente, nenhuma renda.

Notisul – Você não se sente incomodado pelo fato do seu partido estar coligado justamente com o dele?
Ponticelli
– Não me sinto à vontade. Mas é evidente que preciso respeitar o encaminhamento do partido em Tubarão. O que ocorre não é o que foi acordado. E não acredito que seja por falta de vontade do Manoel, mas sim por pressão do Stüpp e da tropa de choque dele. Por outro lado, o PP assumiu um compromisso com a população e faz a sua parte, apesar de toda esta sacanagem permanente, essa perseguição que a tropa de choque sob o comando do Stüpp. O objetivo deles quando atacam o PP é única e exclusivamente com o intuito de me prejudicar. O alvo sou eu.

Notisul – Não há arrependimento de ter feito a coligação com ele para elegê-lo, em 2000?
Ponticelli
– Não costumo me arrepender das coisas que fiz na vida, mas se eu tivesse ouvido um pouco mais Leodegar e, em 2000, tivesse aceito o desafio de ser candidato à prefeitura de Tubarão, certamente não teríamos condenado a nossa cidade aos oito anos de muita conversa e pouca ação, que foi o período dele. Realmente, cometi um erro político naquela época, mas política se faz olhando para frente e sempre há tempo para se redimir dos erros. Ser enganado uma, duas vezes, é até relevante. Mais que isso é burrice política e para burro eu não sirvo.