Comerciante em Capivari de Baixo, o vereador, um dos mais bem votados nas eleições municipais de 2012 (recebeu 532 confirmações), milita desde os 18 anos. Tem 35 hoje. Fundador do PDT, agora preside o PSDB. O gosto pela política veio da família. Aos 9 anos, já entregava santinho para o então candidato a prefeito de Tubarão Estener Soratto. Os planos para outubro de 2016 é lançar-se candidato à prefeitura de Capivari de Baixo. Jean Rodrigues assume a presidência da câmara de vereadores em janeiro do próximo ano e avisa que seguirá a mesma linha de gestão que fez a sua popularidade aumentar nos últimos meses: a de fiscal da atual administração.

Zahyra Mattar
Capivari de Baixo

Notisul – Você vai ser candidato em outubro do próximo ano, vereador?
Jean – Vou. A ideia inicial é trabalhar a reestruturação do PSDB neste ano, com grandes eventos de filiações e fomento de novos nomes. Temos, hoje, um grupo com pensamento alinhado. Em princípio, a possibilidade mais forte é que eu seja o candidato a prefeito em outubro de 2016. Até porque a vontade é que o partido lance nomes para a majoritária. Pode mudar? Pode, claro. Mas por enquanto é o meu nome que está em ascensão. Mas, independente disso, o que quero e gosto é de participar ativamente da política da cidade. E faço isso porque gosto mesmo. Não faço da política meu emprego. Se eu não for o escolhido para a majoritária, estarei nas proporcionais.

Notisul – Historicamente, Luiz Carlos Brunel Alves, do PMDB, passa o ‘cetro’ para o seu desafeto Moacir Rabelo, do PP, e vice-versa. Você vê algum outro grupo político para quebrar este ciclo?
Jean –
Hoje consigo ver isso, porque a própria população já rejeita a ideia de tê-los como candidatos em outubro do ano passado. Na verdade, ninguém sabe com certeza se eles poderão sair como candidatos. Mas, enfim, este A e B é muito ruim. É por isso que a nossa cidade está na situação de hoje. É evidente que o PP e o PMDB sempre foram os partidos mais fortes do município, mas hoje começam a surgir outras opções e, pelo que observamos, a população já começou a despertar para isso. No caso do PSDB, viremos com um novo modelo de projeto para a cidade, com um plano de governo possível, sem promessas de vento, e com opções de nomes para a majoritária e para a proporcional.

Notisul – Você acha que está preparado para administrar uma cidade?
Jean –
Sim. A questão administrativa não passa apenas pelas coligações ou a falta delas. O problema hoje é que o cara é eleito prefeito, mas não está preparado para sentar na cadeira e administrar o município como se fosse uma empresa. Se a prefeitura comporta 500 funcionários, não adianta contratar mil, porque não vai ter resultado nenhum. Capivari de Baixo, em 23 anos de emancipação política, já arrecadou mais de R$ 1 bilhão e ainda não deixou de ser um bairro de Tubarão, por causa dos mandos e desmandos de todas as administrações que já passaram pela gestão da nossa cidade. Até hoje, Capivari de Baixo nunca teve um administrador com visão empreendedora, só teve prefeito político.

Notisul – Você acredita que na próxima eleição haverá uma renovação na política de Capivari?
Jean –
Acredito que sim. Eu fui secretário de desenvolvimento da prefeitura de Capivari de Baixo aos 24 anos, no governo de Moacir Rabelo (PP) e Araildo Domingos Machado Liberato, o PG (PDT). Em 2008, concorri à câmara e fiz 264 votos. Em 2012, eu fui o único candidato para vereador que conseguiu dobrar o número de votos: pulei dos 264 para 532 votos. Esta quantidade corresponde a 4% do total de votos válidos do município. Foi uma eleição que mostrou a força da juventude e acredito que será assim daqui para frente.

Notisul – O que está bom e o que precisa ser melhorado em Capivari de Baixo?
Jean –
É uma pergunta bem difícil de ser respondida. Avalio que a saúde pública deu uma melhorada com a reabertura do Pronto Atendimento (PA). Também gosto de morar na cidade por causa da segurança. Obviamente, tem criminalidade, mas não como nas outras cidades. A questão é que melhora um pouco e logo decai. Hoje, tem ruas no escuro por falta de iluminação pública. O jovem não tem lazer nenhum. A cidade está feia, falta emprego. A prefeitura arrecadou R$ 63 milhões no ano passado e tem um empenho de R$ 65 milhões. Era para sobrar dinheiro, era para ter muito mais investimento, mas o governo transparente não consegue administrar a casa. Aí dá nisso.

Notisul – Você é um dos vereadores que mais utiliza a internet, as redes sociais. Como é legislar em uma época em que os eleitores estão cada vez mais conectados?
Jean –
Na verdade, a internet acabou sendo uma ferramenta que encontrei para poder mostrar o meu trabalho e também para poder cobrar da prefeitura. Hoje, a gente faz um requerimento para a administração e as respostas são sempre as mesmas: a prefeitura está estudando e encaminhando o assunto para o setor competente. A câmara de vereadores tem, hoje, em torno de 1,8 mil requerimentos acumulados. Se o prefeito fizesse 10% das nossas indicações, a cidade estaria um brinco.

Notisul – O que houve entre você e o prefeito Moacir Rabelo?
Jean –
Eu subi no palanque e pedi voto para ele. Eu era da base governista do prefeito Moacir Rabelo. Mas em dois anos de governo ele mostrou quem realmente é: uma pessoa sem palavra, pois ignorou completamente os compromissos políticos que tinha em função da sua coligação. O PSDB tinha direito a indicar alguém para a secretaria de agricultura. Ele traiu sua própria classe ao prometer o piso salarial nacional para os professores e não cumprir. Mas a gota d’água foi o fim do ano passado, quando ele começou a me pressionar para extinguir a Comissão de Investigação (CI) das Águas, que apura assuntos ligados ao Águas de Capivari. Eu não aceitei.

Notisul – Quando sai o parecer?
Jean –
Até o dia 15 do próximo mês, anuncio se indico a extinção do Águas de Capivari, a adequação às leis atuais ou então a abertura de uma Comissão de Parlamentar de Investigação (CPI). São nove mil páginas onde estão descritos tudo que diz respeito ao sistema de água do município.

Notisul – O episódio das diárias da câmara de Capivari de Baixo, ocorrido na última legislatura, mudou alguma coisa na maneira de proceder da casa?
Jean –
Todo mundo ficou mais atento. Até mesmo porque hoje o Ministério Público está cada vez mais vigilante e a população também, porque têm mais armas para ajudar a fiscalizar entes públicos, como o Portal da Transparência. Acho isso salutar para a política. Por outro lado, não sou contra a diária. O problema é você ocupar a diária e ser flagrado na praia. Hoje, estes cursos de vereadores passaram a fazer chamada biométrica e filmagem a cada hora, com disponibilidade em tempo real na internet, do público. Acho correto.

Gosto de política e não dou bola para quem me critica. E olha que escuto cada coisa. A política é um vício.