Alcides Garcia Alves é formado em administração pela Unisul. Natural de Imbituba, atua na Polícia Rodoviária Federal desde 2006. Já trabalhou em cidades gaúchas como Cavaria, Lagoa Vermelha, Osório e Torres. Ano passado, foi transferido para Tubarão, onde é inspetor responsável pela parte de policiamento, juntamente com o inspetor Oswaldo Sérgio, chefe da Delegacia Regional da Polícia Rodoviária Federal na cidade. Em ação conjunta, os policiais repassam instruções à equipe sobre fiscalização, ordens de missão, gerenciam planejamento. 

 
 
Lily Farias
Tubarão
 
 
Notisul – Durante o Carnaval, a Polícia Rodoviária Federal irá atuar fortemente na entrada e saída de todas as cidades?
Alcides – Vamos dar prioridade às proximidades de Laguna, onde a situação é mais caótica nesta época. Estamos trabalhando com um número maior de efetivo vindo da superintendência e de outras regionais. Iremos atuar fortemente na fiscalização de veículos que ultrapassam os limites da velocidade, portam drogas e utensílios proibidos, que apresentarem sinais de embriaguez, inclusive motociclistas, já que há muita ocorrência de infratores embriagados conduzindo veículo automotor de duas rodas. Os dados referentes a ocorrências da delegacia da PRF Metropolitana de Tubarão, entre 21 de dezembro do ano passado e 30 de janeiro deste ano, mostram que nosso trabalho é efetivo. O número de pessoas pegas alcoolizadas no trânsito foi baixo, apenas 12. Fizemos também quatro apreensões de drogas. Se levar em consideração a operação veraneio de 2012, onde fiscalizamos 12.585 veículos, o índice é satisfatório.
 
Notisul – Os números são altos ou é pouco a ponto de perceber que a ação da PRF é ostensiva?
Alcides – Deveria ter baixado mais com a nova resolução. Alteraram o percentual do índice para ser considerado embriaguez e regulamentaram a nova Lei Seca, que saiu em dezembro. Mas, durante o Carnaval, vamos trabalhar bastante o foco na fiscalização do álcool e da velocidade também. Por isso, instalaremos ao longo de toda a rodovia radares móveis, tanto no sentido norte, quanto no sul. O importante é respeitar a sinalização e, acima de tudo, a velocidade. Ao combate de motoristas embriagados ao volante, estaremos bem equipados. Cada delegacia recebeu do Detran etilotestes descartáveis, os mesmos utilizados na fiscalização de veículos estrangeiros. E agora novamente será feito um pré-teste com este equipamento. Se acusar algum índice de álcool, faremos o teste do etilômetro. Vale lembrar que este trabalho é feito o ano inteiro, apenas durante o período de festa é que precisamos atuar mais forte, porque o fluxo de veículos aumenta. Estamos focados na redução dos acidentes que acontecem nestes quatro dias. E a principal causa ainda é a imprudência dos motoristas. O cuidado deve ser redobrado em dia de chuva. Na nossa região, temos um bom trecho da BR-101 duplicado. Com a pista duplicada e o aumento da velocidade, quando chove as pessoas não reduzem a velocidade, e acabam aquaplanando, saindo de pista.
 
Notisul – As pessoas ainda podem recusar fazer o teste do bafômetro?
Alcides – Desde 2008 que a recusa de teste do etilômetro caracteriza infração. Criou-se o mito de que não era obrigada a fazer, que as pessoas se acham no direito de recusar. Quando isso acontece, o motorista é autuado, mesmo não apresentando sinal de embriaguez. A multa aplicada ao motorista flagrado sob efeito de álcool é R$ 1.915,00. Se o motorista for reincidente no período de um ano, o valor passará para R$ 3.830,60. Neste caso, o direito de dirigir também é suspenso por 12 meses. Não é naquele momento que ele perde a habilitação porque tem direito de defesa. É concedido ao condutor um prazo de cinco dias, aí ele volta à unidade onde a habilitação foi retida e faz outro teste. Se der negativo, recebe a habilitação novamente e fica liberado para dirigir. A PRF envia  um processo ao Detran para iniciar o processo de suspensão da habilitação. O Detran vai chamar o condutor para que faça a defesa e, não tendo embasamento, ele vai perder o direito de dirigir. Isso gera transtorno para o motorista. Pensa em um motorista profissional que precisa da habilitação para trabalhar. Ele precisa ter a consciência de que seu sustento depende disso. 
 
Notisul – O trabalho da PRF é respeitado ou as pessoas ainda precisam conhecer mais?
Alcides – Nosso trabalho é respeitado. Somos a polícia ostensiva da União. Assim como a Polícia Militar é a policia ostensiva do estado. Somos responsáveis pela organização do trânsito na rodovia federal. E mostrar essa organização passa a sensação de segurança aos motoristas. Um exemplo é a forte fiscalização que fazemos junto com as construções nas rodovias, como a ponte Anita Garibaldi, em Laguna. Fiscalizamos a sinalização das empresas, que muitas vezes não é adequada e acaba resultando em acidentes. É muito mais fácil trabalhar na prevenção do que nos acidentes.
 
Notisul – Em relação à conscientização de pedestres e motoristas?
Alcides – É uma questão de educação. Tem que ser dado mais ênfase na educação do trânsito junto às escolas, principalmente. Mas também dentro das próprias residências, a partir do momento que um pai de família, que é condutor, educa seus filhos menores que têm que andar no banco traseiro do carro, colocar o cinto de segurança, mostrar aos filhos o que tem ser feito quando se ingere bebida alcoólica e ele passa volante para outra pessoa. Isso já um começo, mas não acontece como se desejaria. Mas já melhorou muito. Hoje, a PRF tem profissionais que participam de palestras em escolas e empresas de acordo com a solicitação e nossas condições. Nessa época de temporada com o alto índice de turistas na região, acabamos não conseguindo fazer esse tipo de trabalho. 
 
Notisul – Foi positiva a ação feita para que seja possível fiscalizar os veículos  estrangeiros? 
Alcides – Fiscalizamos mais de 100 veículos e somente dois tinham infrações porque foram autuados em Santa Catarina.  Efetuaram pagamento da notificação e seguiram viagem. No ano passado, a ação foi feita no Rio Grande do Sul, onde veículos estrangeiros foram abordados. Do ano passado para cá, reduziu muito o número de estrangeiros infratores, porque eles tomaram consciência que a forma de dirigir mudou e o respeito à sinalização de trânsito também.    
 
Notisul – Não seguir as leis de trânsito pode ser fatal…
Alcides – Imagina se não tivéssemos regra de trânsito para respeitar? Se cada um dirigisse do seu jeito, como ficaríamos? Precisamos de lei para ter ordem nas vias. Ainda precisa melhorar muita coisa. Hoje, temos uma lei bastante ampla, que ainda precisa  ser intensificada a fiscalização. Não tem como precisar um ponto específico, porque são leis abrangentes, que precisam de regulamentação por parte do Contran. É importante ressaltar que há registro de muitos acidentes de pessoas atravessando as rodovias federais. A falta de atenção de pedestres e ciclistas tem causado acidentes com óbitos. É o impacto do automóvel em alta velocidade, não tem como escapar. 
 
Notisul – E a duplicação da BR-101 vai facilitar.
Alcides – Em relação às obras de duplicação e do aumento da frota de veículos, já é possível perceber que houve um aumento no movimento na nossa região. O problema é que, com as obras, o trânsito fica comprometido, faz parte do processo de evolução. É preciso a colaboração dos motoristas. Citando novamente a ponte Anita Garibaldi, em Laguna, as pessoas passam a menos de 60 quilômetros por hora porque querem acompanhar a obra, ver os equipamentos, comprometem o trânsito por pura curiosidade. A empresa chegou a colocar tapumes, mas ainda é pouco. Outro problema naquele local é a travessia dos moradores. Colocamos uma defensa metálica no meio da pista para evitar aquela travessia. Agora eles têm que ir até o trevo, passar no local adequado, sem prejudicar o trânsito. Mas o maior problema, sem solução até a conclusão da ponte, prevista para 2014, é o afunilamento da pista dupla com a pista simples, na subida do morro antes ponte. E tudo complica com o fluxo intenso de caminhões e ônibus, que têm dificuldade de arranque na subida. 
 
Notisul – Sobre a onda de atentados criminosos pelo estado, a PRF está preparada para agir, se necessário?
Alcides – Com certeza. Temos nosso núcleo de informações que nos atualiza constantemente sobre ataques e o nível de alerta dos policiais militares. Também estamos em alerta e intensificamos a fiscalização. Estamos preparados para dar o combate necessário, que é reagir à altura aos ataques. O trabalho da PM está sendo efetivo, é o combate correto. Socialmente falando, é difícil dizer quem deve se preocupar e o quanto, mas os órgãos de segurança pública trabalham para minimizar ao máximo o transtorno à população.  
 
Alcides por Alcides
Deus – Divino.
Família – É o nosso farol.
Trabalho – Enobrece o homem.
Passado – Já passou.
Presente – Viver o momento.
Futuro – Trabalhar para alcançar o objetivos.
 
"Quando ocorrem acidentes com vítimas, é difícil lidar com a perda. É uma vida. Não há nada que recupere. Você tenta fazer o que está ao seu alcance. No nosso caso, é fazer corretamente a sinalização, tentar conscientizar os motoristas, fiscalizar o trânsito ostensivamente e as obras ao longo da rodovia. Quando vimos uma sinalização inadequada, orientamos as empresas, porque é a garantia de segurança das pessoas que circulam nas vias e de quem trabalha nas obras".
 
"Do ano passado para cá, reduziu muito o número de estrangeiros infratores".
 
"A multa aplicada ao motorista flagrado sob efeito de álcool é R$ 1.915,00. Se o motorista for reincidente no período de um ano, o valor passará para R$ 3.830,60”. 
 
"Em função da velocidade, os acidentes nas rodovias federais acabam gerando mais lesões do que uma ocorrência em via urbana. Mas não quer dizer que em uma via local não vá ter acidentes com gravidade. Porque tem pessoas que imprimem grande velocidade nas ruas das cidades, que, na maioria das vezes, é apenas por falta de atenção dos motoristas".
 
"Durante a operação veraneio 2012, fizemos um trabalho intenso e os números mostram a efetividade das nossas ações. Entre Paulo Lopes e Passo de Torres, foram 12.585 veículos fiscalizados, 11.207 pessoas fiscalizadas, 3.773 testes de alcoolemia. Os registros apontam 137 acidentes, 127 com vítimas, 150 com lesões leves e 23 vítimas com lesões graves. Registramos sete mortes".